Autor: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira*
O PIB brasileiro cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2025, na série dessazonalizada, ritmo que representa nova desaceleração do nível de atividade, após as expansões de 1,5% no início do ano e de 0,3% no período seguinte. Na comparação com o mesmo período de 2024, a economia expandiu 2,2%.
O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou, no dia 4 de dezembro, os dados relativos ao desempenho da economia brasileira durante o terceiro trimestre de 2025.
De acordo com o órgão, no terceiro trimestre de 2025, o PIB variou 0,1% frente ao segundo trimestre de 2025, na série com ajuste sazonal. Pela ótica da produção, houve resultados positivos na Agropecuária (0,4%) e na Indústria (0,8%) enquanto a atividade dos Serviços (0,1%) não mostrou variação significativa.
O PIB-Produto Interno Bruto brasileiro totalizou R$ 3,2 trilhões no terceiro trimestre de 2025, sendo R$ 2,8 trilhões referentes ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 449,3 bilhões, aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios. A taxa de investimento no terceiro trimestre de 2025 foi de 17,3% do PIB, ligeiramente abaixo dos 17,4% do mesmo trimestre de 2024. Já a taxa de poupança foi de 14,5%, igual à do terceiro trimestre de 2024.
Em relação ao mesmo trimestre de 2024, o PIB avançou 1,8%, com crescimento na Agropecuária (10,1%), na Indústria (1,7%) e nos Serviços (1,3%).

PIB apresentou estabilidade de 0,1% ante o segundo trimestre de 2025
O PIB variou 0,1% frente ao segundo trimestre de 2025, na série com ajuste sazonal. A Agropecuária (0,4%) e a Indústria (0,8%) apresentaram variações positivas e os Serviços (0,1%) se mantiveram estáveis.
Na Indústria, houve desempenho positivo nas Indústrias de Extrativas (1,7%), na Construção (1,3%) e nas Indústrias de Transformação (0,3%). Já a atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-1,0%) caiu.
Nos Serviços, cresceram: Transporte, armazenagem e correio (2,7%), Informação e comunicação (1,5%), Atividades imobiliárias (0,8%), Comércio (0,4%), Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,4%) e Outras atividades de serviços (0,2%). Por outro lado, caíram as Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-1,0%).
Pela ótica da despesa, a Despesa de Consumo das Famílias teve variação positiva de 0,1%, a Despesa de Consumo do Governo cresceu 1,3% e a Formação Bruta de Capital Fixo obteve alta de 0,9% em relação ao trimestre imediatamente anterior.
No setor externo, houve avanço nas Exportações de Bens e Serviços (3,3%) e nas Importações de Bens e Serviços (0,3%) em relação ao segundo trimestre de 2025.

PIB cresce 1,8% frente ao 3º trimestre de 2024
Frente a igual período do ano anterior, o PIB cresceu 1,8% no terceiro trimestre de 2025. A alta do Valor Adicionado a preços básicos foi de 1,9% e dos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios foi de 1,4%.
A Agropecuária cresceu 10,1% em relação a igual período de 2024. Além da contribuição positiva da Pecuária, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE), divulgado em novembro, apontou aumentos na produção e na produtividade de alguns produtos agrícolas com safras significativas no trimestre analisado, como: milho (23,5%), laranja (13,5%), algodão (10,6%) e trigo (4,5%). Em contrapartida, houve recuo na cultura de cana de açúcar (-1,0%), cuja safra também é relevante neste trimestre.
A Indústria teve alta de 1,7%. Entre suas atividades, as Indústrias extrativas apresentaram o melhor resultado no volume do valor adicionado (11,9%) no período, por conta do aumento da extração de petróleo e gás. A Construção também cresceu (2,0%), desempenho evidenciado pelo aumento da ocupação e da massa salarial real. Por outro lado, houve queda nas Indústrias de transformação (-0,6%), principalmente pela retração na fabricação de coque e derivados de petróleo; produtos de metal, bebidas e produtos de madeira. A Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos caiu 1,0%, influenciada pelas bandeiras tarifárias que se mantiveram vermelhas por todo o trimestre.
O valor adicionado de Serviços avançou 1,3% ante o mesmo período de 2024, com resultados positivos em Informação e comunicação (5,3%), Transporte, armazenagem e correio (4,2%), Atividades imobiliárias (2,0%), Outras atividades de serviços (1,1%), Comércio (0,9%), Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (0,4%) e Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,3%).
A Despesa de Consumo das Famílias teve sua 18ª variação positiva (0,4%) corroborada, principalmente, pelos aumentos da massa salarial real, das transferências governamentais de renda e do crédito para as famílias. Já a Despesa de Consumo do Governo cresceu 1,8%.
A Formação Bruta de Capital Fixo cresceu 2,3% no terceiro trimestre de 2025, com as altas na Construção, na importação de bens de capital e no desenvolvimento de software, apesar da queda na produção de bens de capital.
No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços (7,2%) e as Importações de Bens e Serviços (2,2%) cresceram. Entre as exportações, os melhores resultados foram da extração de petróleo e gás; veículos automotores; agropecuária; e celulose. Nas importações, os destaques foram: extração de minerais não-metálicos; produtos químicos; outros equipamentos de transportes; e máquinas e equipamentos.
PIB acumula alta de 2,7% em quatro trimestres, frente ao mesmo período de 2024
O PIB acumulado nos quatro trimestres terminados em setembro de 2025 cresceu 2,7% frente aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Esta taxa resultou do avanço no Valor Adicionado a preços básicos (2,7%) e nos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios (2,9%). Tais resultados decorreram dos desempenhos da Agropecuária (9,6%), da Indústria (1,8%) e dos Serviços (2,2%).
Entre as atividades industriais, Indústrias extrativas (4,5%), Construção (2,5%) e Indústrias de transformação (1,6%) cresceram. Por outro lado, houve queda em Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-2,2%).
Nos Serviços, houve altas em Informação e comunicação (6,2%), Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,7%), Transporte, armazenagem e correio (2,7%), Outras atividades de serviços (2,6%), Comércio (2,2%), Atividades imobiliárias (2,0%) e Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade (0,7%).
Na análise da demanda, houve aumentos na Despesa de Consumo das Famílias (2,1%), na Despesa de Consumo do Governo (1,2%) e na Formação Bruta de Capital Fixo (6,0%). No setor externo, tanto as Exportações de Bens e Serviços (2,5%) quanto as Importações de Bens e Serviços (8,6%) cresceram no período.
PIB acumula crescimento de 2,4% até setembro
No acumulado do ano até o terceiro trimestre de 2025, o PIB cresceu 2,4% em relação a igual período de 2024. Nessa comparação, a Agropecuária (11,6%), a Indústria (1,7%) e os Serviços (1,8%) apresentaram crescimento.
As atividades da Indústria que registram resultado positivo ao longo do ano foram: Indústrias extrativas (7,4%), Construção (1,7%) e Indústrias de transformação (0,5%). Já Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos registrou queda de 0,8%.
Nos Serviços, os desempenhos foram: Informação e comunicação (6,2%), Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,4%), Transporte, armazenagem e correio (2,2%), Atividades imobiliárias (2,0%), Outras atividades de serviços (2,0%) Comércio (1,4%) e Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade (0,3%).
No trimestre, PIB chega a R$ 3,2 trilhões
O Produto Interno Bruto no terceiro trimestre de 2025 totalizou R$ 3.235,7 bilhões, sendo R$ 2.786,4 bilhões referentes ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 449,3 bilhões aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.
A taxa de investimento no terceiro trimestre de 2025 foi de 17,3%, o que representa uma ligeira redução em relação ao mesmo período de 2024 (17,4%). Já a taxa de poupança foi de 14,5%, igualando a taxa (14,5%) do mesmo período de 2024.

De acordo com matéria de o Valor publicada em 5 de dezembro, a desaceleração do PIB no terceiro trimestre fez o Brasil ficar mais uma vez na parte inferior do ranking global do desempenho econômico. As perspectivas para o último trimestre do ano são ainda piores.
Com uma alta de apenas 0,1% em relação ao segundo trimestre, a economia brasileira teve o 35º maior crescimento no período, considerando-se os 50 países que já divulgaram seus resultados de julho a setembro, ao lado de Reino Unido e Itália.

O FMI – Fundo Monetário Internacional divulgou, no dia 17 de outubro último, o estudo intitulado World Economic Outlook (Panorama da Economia Mundial), apresentando as suas projeções sobre o desempenho da economia mundial para 2025 – que deverá registrar uma expansão média de 3,16%. Assim, este ano deverá se configurar como o de menor crescimento já atingido nesta década e, tudo indica, esse nível de expansão pode continuar e se estabilizar na faixa de 3% e, ainda, ritmo que deve persistir por mais alguns anos à frente. Cabe salientar que as incertezas à frente são muitas e os riscos, enormes, como alerta o próprio FMI.
De acordo com o documento divulgado, estima-se que a economia mundial alcançará um PIB-Produto Interno Bruto de US$ 117,165 trilhões – dos quais US$ 68,599 trilhões serão gerados pelas economias desenvolvidas (58,55%) e US$ 48,566 trilhões por aquelas consideradas emergentes e em desenvolvimento (41,45%).
Os Estados Unidos se constitui na maior economia mundial, detendo um PIB de US$ 30,615 trilhões, representando 26,13% do mundial – sendo seguido pela China – com 19,399 trilhões e uma participação relativa de 16,56% no mundial. Na terceira posição encontra-se a Alemanha, com um PIB de US$ 5,014 trilhões e 4,28% do total mundial.
Em 2025, o Brasil deverá perder para a Rússia uma posição no ranking das maiores economias – passando a ocupar o 11º lugar, com um PIB de US$ 2,256 trilhões e uma participação no total mundial de 1,93%.
Com um crescimento estimado de 2,02% em 2025, os Estados Unidos devem acrescentar à sua economia o impressionante volume de US$ 1,318 trilhão – o que representa cerca de 58% de toda a produção brasileira estimada para o mesmo ano.




O Brasil desaprendeu a crescer e, país que não cresce a sua economia, é considerado país condenado e de futuro incerto.
Neste século XXI, o PIB – Produto Interno Bruto brasileiro registra crescimentos da economia nacional acima da média global durante apenas cinco anos: 2002, 2004, 2007, 2008 e 2010. Empata, praticamente, em outros dois: 2009 e 2024. Em todos os demais – são 18 anos -, a taxa de expansão do PIB nacional ficou aquém da média da economia global e, mais precisamente, durante os anos de: 2001, 2003, 2005, 2006, 2011, 2012, 2013, 2014, 215, 2016, 2017, 2018, 2019, 2020, 2022, 2023 e 2025.
Desde 2011, em todos os anos seguintes até as estimativas para 2025, o desempenho da economia brasileira foi inferior à média global, exceção ao ano de 2024 – em que praticamente empatou com a média mundial.

A Renda Per Capita brasileira em 2025, em valores correntes, pode atingir US$ 10,578 – melhor nível já atingido desde 2014, mas ainda inferior aos níveis de 2010, quando totalizava US$ 11.341.
Desde o ano de 2011 e considerando-se as estimativas para 2025, a Renda Per Capita registra um declínio, em dólares americanos, de 20,62% – enquanto a norte-americana experimenta uma expansão de 79,17%; a China 144,29% e a Índia, 94,40%.
Relativamente ao PIB brasileiro de 2025, estimado pelo FMI em US$ 2,256 trilhões (valores correntes) – ele ainda é, atualmente, inferior em 13,66% ao de 2011, quando totalizou US$ 2,614 trilhões. Ou seja – o Brasil produz menos US$ 358 bilhões apenas neste ano de 2025 quando comparado a 2011, o que significa um crescimento típico de rabo de cavalo, que ocorre sempre para trás e para baixo.

A CNI – Confederação Nacional da Indústria estima uma desaceleração do crescimento econômico brasileiro para 2026 em função das taxas de juros vigentes no país. A previsões da entidade são de expansão do PIB de 1,8% para 2026, após uma alta estimada de 2,5% para 2025.
Para o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, o cenário para o ano de 2026 não é muito positivo, por causa do crescimento menor e da menor participação da indústria nesse avanço. Para CNI, o setor de serviços deve crescer 1,9% no próximo ano. Enquanto isso, a tendência é que a indústria registre perda de ritmo em relação a 2025, com expansão de 1,1% em 2026, ante 1,8% neste ano. Já a agropecuária deve se manter estável, sem variação em relação a este ano.
Na avaliação da CNI, os juros e o enfraquecimento do mercado de trabalho são os principais fatores de desaceleração da economia. Apesar de projetar ciclo de queda para a Selic em 2026, com a taxa recuando de 15% para 12% ao ano, essa redução é muito pouco.
Assim, as projeções, tanto por parte do FMI como aquelas realizadas pelo mercado financeiro e das empresas de consultoria macroeconômica brasileiras – como o Relatório Focus do Banco Central, indicam que o cenário doméstico para os horizontes de curto e médio prazos não deverão sofrer mudanças para melhor e continuarão registrando níveis decepcionantes de expansão da atividade econômica, principalmente comparada diante do grande potencial do Brasil de crescimento do país. Tudo isso influenciado por múltiplos fatores, tais como e entre tantos, pela insegurança jurídica, os juros extorsivos praticados, a legislação trabalhista ultrapassada, a burocracia, o baixo nível de produtividade, a elevada “des-carga” tributária associados a um horizonte de incertezas, diante ainda de um quadro eleitoral nebuloso previsto para o próximo ano.
Carlos Alberto Teixeira de Oliveira é Administrador, Economista e Bacharel em Ciências Contábeis, com vários cursos de pós graduação no Brasil e exterior. Ex-Executive Vice-Presidente e CEO do Safra National Bank of New York, em Nova Iorque, Estados Unidos. Ex-Presidente do BDMG-Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e do Banco de Crédito Real de Minas Gerais; Foi Secretário de Planejamento e Coordenação Geral e de Comércio, Indústria e Mineração; e de Minas e Energia do Governo de Minas Gerais; Também foi Diretor-Geral (Reitor) e fundador do Centro Universitário Estácio de Sá de Belo Horizonte; Ex-Presidente do IBEF Nacional – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças e da ABDE-Associação Brasileira de Desenvolvimento; Atualmente é Coordenador Geral do Fórum JK de Desenvolvimento Econômico; Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas Gerais. Presidente da MinasPart Desenvolvimento Empresarial e Econômico, Ltda. Integra vários Conselhos Consultivos e de Administração de diversas empresas e instituições. Vice-Presidente da diretoria executiva da ACMinas – Associação Comercial e Empresarial de Minas. Presidente/Editor Geral de MercadoComum. Autor de vários livros, como a coletânea de 3 livros – 2.336 páginas, intitulada “Juscelino Kubitschek: Profeta do Desenvolvimento – Exemplos e Lições ao Brasil do Século XXI”.
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