Durante os sete anos do governo Romeu Zema, a economia mineira registrou desempenho pior do que a média do país;
No acumulado dos sete anos (2019 a 2025), o PIB de Minas Gerais cresceu 14,14% – contra 15,40% em nível nacional. A média anual de crescimento da economia de Minas foi de 2,63% – enquanto a média nacional alcançou 2,98%.
No primeiro trimestre de 2026 a taxa de expansão do PIB de Minas Gerais ficou negativa em 0,7% – contra 1,8% apurado na economia nacional. Todos os dados são da Fundação João Pinheiro.
Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
Presidente/Editor Geral de MercadoComum
A Fundação João Pinheiro – FJP divulgou, no dia 17 de março, os dados preliminares sobre o PIB – Produto Interno Bruto de Minas Gerais relativos ao ano de 2025, que estão disponíveis em um informativo e em uma base de dados no site da instituição e são, ainda, considerados preliminares – até a publicação dos Resultados das Contas Regionais do país, que são elaborados pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia, ao final de cada ano.
De acordo com a FJP, Minas Gerais encerrou 2025 com o Produto Interno Bruto (PIB) estimado em R$1,157 trilhão, alcançando um crescimento real de 1,4% em relação a 2024 – inferior aos 2,3% apurados pela economia brasileira no mesmo período. Os resultados positivos da agropecuária, das indústrias extrativas e de transformação, do comércio e transportes, dos outros serviços e da administração pública contribuíram para o desempenho da economia, compensando a retração na atividade de energia e saneamento e na indústria da construção registrada ao longo do ano.
PIB de Minas Gerais alcança R$285,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026
O crescimento do PIB de Minas Gerais no primeiro trimestre de 2026 foi negativo em 0,7% – contra +1,8% de expansão verificado em nível nacional.
A FJP – Fundação João Pinheiro divulgou, no dia 17 de junho, que o Produto Interno Bruto de Minas Gerais foi estimado em R$285,7 bilhões para o primeiro trimestre de 2026
Do total aferido para o período, o valor adicionado bruto (VAB, calculado a preços básicos, sem impostos indiretos líquidos de subsídios sobre os produtos) da agropecuária foi estimado em R$23,5 bilhões, o das indústrias em R$64,7 bilhões e o dos serviços em R$160,1 bilhões.
No acumulado do segundo trimestre de 2025 ao primeiro de 2026, o valor do PIB do estado alcançou R$1,167 trilhão. O crescimento do PIB de Minas Gerais no primeiro trimestre de 2026 alcançou 0,8% – contra 2,0% de expansão verificados em nível nacional.
Comparação anualizada – Nesta base de comparação, o PIB de Minas Gerais teve expansão de 0,8% em termos reais nos 12 meses acumulados entre abril de 2025 e março de 2026 – contra uma expansão média de 2,0% do PIB nacional. Nesse cenário, os resultados positivos obtidos na agropecuária, na indústria extrativa, no comércio e transportes, outros serviços e administração pública contribuíram para o desempenho, mais do que compensando a retração nos serviços industriais de utilidade pública e na indústria da construção.
Na comparação interanual (primeiro trimestre de 2026 em relação ao primeiro trimestre de 2025), o volume de valor adicionado nas indústrias extrativas registrou crescimento de 4,1%. Em movimento contrário, houve ligeira variação negativa, de -0,3%, nas indústrias de transformação. A produção das utilidades públicas (água, eletricidade, gestão de resíduos etc.) também ficou abaixo (-2,2%) do volume registrado no primeiro trimestre de 2025 e a indústria da construção apresentou contração de -3,7% no índice de volume da produção agregada.
Nos serviços, o volume de produção teve expansão de 1,5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Ainda assim, o desempenho não foi suficiente para compensar a queda no volume da produção agropecuária. Com isto, o PIB apresentou variação negativa de -0,7% nesta base de comparação.
Por sua vez, o setor agropecuário apresentou contração real de -15,6% na comparação interanual em função da colheita menor de soja, arroz e sorgo e da paralisação na fabricação de papel e celulose, que afetou negativamente a produção florestal. A queda na produção, no entanto, não foi acompanhada por uma redução equivalente no uso dos insumos, o que implicou encolhimento desproporcional nas margens de valor adicionado.
Como proporção do PIB brasileiro, o PIB de Minas Gerais correspondeu a 8,8% do total nacional no primeiro trimestre de 2026 (contra 9,1% no primeiro trimestre de 2025).
PIB de Minas perde ritmo no início de 2026, analisa FIEMG
Resultado indica perda de ritmo da economia mineira no início de 2026; FIEMG projeta crescimento de 1,6% para o ano
O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais registrou retração de 0,5% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, já descontados os efeitos sazonais. O resultado ficou abaixo do desempenho nacional, que avançou 1,1% no mesmo período, e sinaliza perda de fôlego da atividade econômica mineira no início do ano.
Em valores correntes, o PIB estadual somou R$ 285,7 bilhões. Pela ótica setorial, os serviços responderam por R$ 160,1 bilhões, seguidos pela indústria, com R$ 64,7 bilhões, e pela agropecuária, com R$ 23,5 bilhões. Na margem, a agropecuária teve queda de 9,9%, enquanto a indústria recuou 0,5%, pressionada principalmente pela indústria extrativa, que caiu 5,4%.
O setor de serviços foi o principal vetor positivo do período, com crescimento de 0,7%, impulsionado pelo comércio e por outros serviços. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB mineiro caiu 0,7%, em contraste com a alta de 1,8% da economia brasileira.
Para 2026, a FIEMG projeta crescimento de 1,6% para o PIB de Minas Gerais, com avanço de 2,0% da indústria, 1,5% dos serviços e 0,9% da agropecuária. O cenário, no entanto, segue condicionado por juros elevados, pressões inflacionárias, incertezas externas e maior cautela nas decisões de investimento.
Nos 25 anos já decorridos deste século XXI, em catorze deles a variação da taxa do PIB – Produto Interno Bruto de Minas Gerais teve desempenho pior do que a média nacional (2001, 2006, 2007, 2008, 2009, 2011, 2013, 2014, 2015, 2018, 2019, 2022, 2024 e 2025). Nos demais, a taxa foi positiva e superior – mas não o suficiente para colocar, no acumulado do período, o Estado em uma situação confortável em relação aos demais. Estudos do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelam que, durante o período de 2002 a 2023 – (últimos dados disponíveis oficialmente) enquanto o PIB brasileiro contabilizou uma expansão média anual de 2,2% e acumulada de 58,2%, o de Minas Gerais aumentou, em média, 2,0% anualmente e, no acumulado, 50,9% – situando-se o estado na 24ª posição quanto ao desempenho da economias estaduais no período, ficando à frente apenas dos estados do Bahia (49,9%), Rio de Janeiro (40,4%) Rio Grande do Sul (34,0%) respectivamente.
Os estudos preliminares divulgados pela FJP – Fundação João Pinheiro indicam que o PIB de Minas Gerais em 2025 totalizou R$ 1.157 bilhões – equivalente a US$ 207,11 bilhões. Esta é a terceira vez que o PIB de Minas ultrapassa a marca de R$ 1 trilhão.
Em 2025, a Renda Per Capita dos mineiros foi de US$ 9.680,77 – inferior à apurada em 2011 – de US$ 11.963,10 e é considerada, ainda, menor do que a média nacional de US$ 10.246,16 verificada naquele ano.
Destacamos que os dados relativos ao ano de 2025 são, ainda, considerados preliminares e sujeitos a futuras revisões.
Finanças de Minas estão em ‘ruínas’ e estado é ‘frequentemente negligenciado’, diz The Economist
O cenário, inclusive, representa um desafio ao próximo governador eleito em outubro que terá a missão de “cortar gastos drasticamente”, de acordo com a revista
Minas Gerais foi destaque em reportagem da revista britânica The Economist, publicada na noite desta terça-feira (16/6). O material destacou o estado como uma síntese do Brasil e trouxe críticas às finanças mineiras que, segundo a publicação, estão em “ruínas”. O cenário, inclusive, representa um desafio ao próximo governador eleito em outubro que terá a missão de “cortar gastos drasticamente”, de acordo com a revista.
Na reportagem, o veículo britânico destacou o histórico mineiro em definir as eleições presidenciais desde a redemocratização. “Minas Gerais, o segundo estado mais populoso do Brasil, entre os 27 existentes, é frequentemente negligenciado. Não deveria ser. A geografia e a composição étnica de Minas Gerais, como o estado é conhecido, são um reflexo fiel do país”, diz o texto.
O material, ao destacar negativamente a gestão das finanças no estado, atribui o desempenho ao “efeito cumulativo do não provisionamento de pensões”. “Os juros deixam pouca margem para gastos discricionários”, diz o material. Além de criticar a questão fiscal, a The Economist também avaliou negativamente o estado das rodovias que cortam Minas e criticou o modo como as matérias-primas geradas em solo mineiro, como minério de ferro, nióbio e grafite, são utilizadas, majoritariamente, em exportação.
Ao fazer um contraponto com a situação do Brasil, a The Economist ressaltou as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que a dívida pública bruta do país chegará a 107% do PIB até 2031. “Retornos atraentes fazem com que os brasileiros prefiram manter seu dinheiro em contas poupança em vez de investi-lo produtivamente em maquinário, pesquisa e desenvolvimento ou infraestrutura”, diz o texto.
O material ainda mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu construir capital político em Minas Gerais, vencendo as disputas presidenciais no estado nas três vezes em que foi eleito presidente, sem conseguir transferir o bom desempenho ao PT mineiro. “Lula tem 80 anos. A direita provavelmente prosperará em Minas Gerais depois que ele deixar a política, enquanto o PT enfrentará dificuldades “, crava o material, que também coloca o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em destaque no cenário político mineiro.
Em nota, o governo de Minas refutou as críticas e atribuiu o desempenho ruim das finanças ao governo de Fernando Pimentel (PT). O Executivo disse que o estado passa por um processo de reorganização fiscal e financeira. “Ao longo dos últimos anos, foram adotadas medidas voltadas à responsabilidade fiscal, à eficiência do gasto público, à modernização da arrecadação e à regularização do fluxo financeiro estadual”, argumentou. (Fonte: O Tempo)
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