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title: "PEC dos combustíveis em discussão"
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author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2022-02-06T17:47:40-03:00
categories: [A Economia com Todas as Letras e Números, Destaques da Edição]
tags: [PEC dos combustíveis em discussão]
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# PEC dos combustíveis em discussão

[![PEC dos combustíveis em discussão](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2022/02/PEC-dos-combusti?veis-em-discussao-300x188.png)](https://www.mercadocomum.com/)PEC dos combustíveis em discussão O deputado Christino Áureo (PP-RJ) protocolou, na primeira semana de fevereiro, na Câmara Federal uma PEC que reduz total ou parcialmente os tributos federais, estaduais e municipais sobre diesel, gasolina, etanol e gás de cozinha em 2022 e 2023. O texto também dispensa a necessidade de compensação fiscal, como previsto na LRF. O texto foi preparado pela Ministério da Casa Civil e surpreendeu a equipe econômica pela sua extensão. A proposta também permite o corte de tributos como IPI, IOF e Cide.

 Integrantes da equipe econômica estão preocupados com sua extensão e temem que o Congresso inclua novos benefícios. De fato, no Senado, existe um movimento por uma PEC mais ampla que inclua ajuda aos caminhoneiros, aos consumidores de gás de baixa renda e aos usuários de ônibus públicos. O governo poderia instituir, em 2022 e 2023, um auxílio-diesel de até R$ 1,2 mil mensais para caminhoneiros autônomos, ampliar o auxílio-gás para os 17 milhões de beneficiários do Auxílio Brasil e fazer um repasse de R$ 5 bilhões às prefeituras para evitar um forte aumento das tarifas nas linhas de ônibus urbano. As despesas ficariam fora do alcance do teto de gastos. Por ser uma PEC, o presidente não pode vetar.

 Segundo os cálculos do Ministério da Economia, apenas o custo da desoneração dos impostos federais, como PIS e COFINS, seria de R$ 54 bilhões, sendo R$ 27 bilhões para a gasolina e R$ 18 bilhões para o diesel.

 Essas propostas podem piorar ainda mais a percepção dos investidores sobre as contas públicas neste ano eleitoral. O próprio Banco Central tem alertado que “políticas fiscais que impliquem impulso adicional da demanda agregada ou piorem a trajetória fiscal futura podem impactar negativamente preços de ativos importantes e elevar os prêmios de risco do país”. Neste caso, as taxas de juros necessárias para controlar a inflação podem ser mais altas. Além disso, esta redução de impostos pode ser anulada se os preços do petróleo voltarem a subir no mercado internacional. Nesse caso, governo arcará com o custo fiscal, os preços dos combustíveis continuarão elevados e não haverá os dividendos políticos esperado pelo presidente e seus aliados do Centrão.

 O governo projeta um déficit primário de R$ 79,3 bilhões neste ano, que pode aumentar se estas medidas de redução de impostos e subsídios forem aprovadas. Para este ano, a LDO autoriza um resultado negativo de até R$ 170,5 bilhões.

 Do ponto de vista da inflação, apenas a redução total do PIS/Cofins sobre gasolina e diesel teria um impacto de -0,78 ponto percentual. Já a zeragem do IPI tem um impacto direto no IPCA de cerca de 1,80 ponto percentual.

 De acordo com a publicação Poder 360, “Paulo Guedes é contra PEC dos combustíveis e governo racha Nos bastidores, o ministro chama proposta de ‘kamikaze’ e critica ideia de Rogério Marinho para criar um fundo de estabilização. Paulo Guedes tem travado uma batalha para conter mais gastos em ano eleitoral O ministro da Economia tem se manifestado contra o encaminhamento da chamada PEC dos combustíveis. Em público, esse descontentamento não aparece. Mas nos bastidores do governo foi reativada a disputa que estava congelada entre o czar da Economia e o ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional).

 Guedes tem chamado a PEC que visa a baixar o preço dos combustíveis de ‘kamikaze’, uma referência aos pilotos japoneses na 2ª Guerra Mundial destinados a realizar ataques suicidas aos inimigos.

 Para o ministro, a PEC ‘não funciona’ porque ‘o dólar sobe e engole todos os supostos benefícios’. Internamente, na equipe econômica, a avaliação é que os investidores tendem a retirar dinheiro do Brasil com a sinalização de mais gastos públicos em ano eleitoral, o que impulsiona o valor do câmbio.

 Com dólar mais alto, a gasolina, o diesel e os alimentos têm seus preços pressionados para cima. Ou seja, faria evaporar todos os supostos benefícios de redução no preço do diesel e da gasolina.

 Essas explicações são vocalizadas por Guedes dentro do governo. O ministro também critica Rogério Marinho, cuja proposta é criar um fundo de estabilização que seria usado para compensar a Petrobras por não subir os preços dos combustíveis”.

 **Pelo sétimo ano consecutivo, o Brasil é superavitário na balança comercial de petróleo e derivados**

 Em 2021 o Brasil registrou um dos maiores superávits na balança comercial de petróleo e derivados, atingindo um saldo positivo de US$ 18,30 bilhões, equivalente a uma expansão de 30,71% em relação ao ano de 2020. As exportações somaram US$ 37,44 bilhões – 50,18% superiores ao valor obtido no ano anterior. Já as importações totalizaram US$ 19,14 bilhões, o que representa um acréscimo de 75,51% acima do valor registrado em 2020.

 

 **BRASIL VIROU EXPORTADOR DE PETRÓLEO E DERIVADOS–**

 Em US$ bilhões – Período de 2014/2021

 Ano Exportações Importações Saldo

 2014 25,66 -35,35 -9,69

 2015 16,80 -17,09 -0,29

 2016 13,61 -11,13 +2,48

 2017 21,44 -15,94 +5,50

 2018 31,86 -19,74 +12,13

 2019 30,16 -18,73 +11,43

 2020 24,93 -10,93 +14,00

 2021 37,44 -19,14 +18,30

 *Fonte: Ministério da Economia/Secretaria Especial de [**Comércio Exterior**](https://mercadocomum.com/comercio_exterior/)/LCA Consultores/*

 *MinasPart Desenvolvimento*