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title: &quot;O câncer da economia que destrói a riqueza nacional, inibe novos investimentos, restringe o crescimento e condena a sociedade à pobreza!  Até quando?&quot;
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author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2025-12-31T09:40:17-03:00
categories: [Destaque Especial]
tags: [Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, inibe novos investimentos, Juros reais elevadíssimos há décadas:, O câncer da economia que destrói a riqueza nacional, restringe o crescimento e condena a sociedade à pobreza! Até quando?]
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# O câncer da economia que destrói a riqueza nacional, inibe novos investimentos, restringe o crescimento e condena a sociedade à pobreza!  Até quando?

***Autor: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira****

 **Juros reais elevadíssimos há décadas:  
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 *“Pretender solucionar a crise nacional com remédios prescritos para o único fim da estabilidade, como se fosse o Brasil uma terra esgotada e um povo exausto, necessitando de equilibrar as poucas forças que ainda lhe restassem, seria semelhante ao intento de se tratarem as crises da puberdade com medicamentos destinados a mitigar a senectude**”. *(Texto extraído do livro “A Marcha do Amanhecer”, de autoria do ex-presidente Juscelino Kubitschek – publicado em 1962)

 Estudo intitulado “Brasil: o coração da economia ‘zumbi’ em mercados emergentes”, de autoria de Alberto Granzotto e outros destaca que ‘empresas zumbis’ são aquelas cujas despesas financeiras com dívidas excedem seus lucros e sua prevalência aumentou globalmente desde os anos 2000, particularmente em mercados emergentes, onde as condições econômicas e institucionais favorecem sua sobrevivência.

 “O Brasil está cheio de empresas zumbis, que não geram lucro suficiente para pagar juros de dívidas, mas sobrevivem rolando essas dívidas infinitamente. Enquanto em mercados emergentes 8% das empresas são assim, no Brasil atinge 17% do total das empresas. Isso distorce alocação de capital, reduz produtividade agregada e enfraquece investimentos, prendendo recursos em empresas frágeis enquanto as produtivas enfrentam financiamento hostil.”

 O vice-presidente da República, o valoroso mineiro [**José Alencar**](https://mercadocomum.com/jose-alencar/) Gomes da Silva, já condenava, bem antes da sua candidatura à vice-presidência da República e de forma veemente, a exorbitância da taxa de juros básica da economia brasileira e, mesmo com a sua investidura no cargo, não deixou de esbravejar contra este que considerava ser um dos maiores pecados capitais que se comete contra as empresas e os consumidores brasileiros. E ainda afirmava que o Brasil havia sido muito bem-sucedido nas políticas de combate à inflação, mas exigindo um custo muito alto à sociedade, que poderia ter sido suavizado não fossem as estratosféricas taxas de juros implantadas desde então.

 

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 ***[**José Alencar**](https://mercadocomum.com/jose-alencar/): um vigoroso combatente dos juros altos***

 Há de se destacar que a prática de taxas de juros elevadas no Brasil não se restringe apenas ao período que surge a partir do advento do COPOM – Conselho de Política Monetária, instituído em 20 de junho 1996 nem com a adoção do Sistema de Metas de Inflação, criado em 1999. Ao contrário, ela remonta ao período entre o fim do Governo Sarney e, de forma mais consistente a partir da investidura, como ministro da Fazenda, do embaixador Marcílio Marques Moreira, durante o Governo Collor. Portanto, já são mais de 40 anos, o que coloca o Brasil, em toda a história econômica mundial, como um dos poucos países que por mais tempo conseguiu sobreviver ao exercício de uma política monetária absolutamente restritiva e incompatível, fundamentalmente, com as chances de um crescimento econômico mais vigoroso. Tanto é assim que, à exceção do período do mandato de Itamar Franco, em basicamente quase todos os anos posteriores a taxa de crescimento do PIB brasileiro foi medíocre e, na maioria das vezes, abaixo da média mundial.

 

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 *Elaboração: MinasPart Desenvolvimento*

 *(*) Projeção para 2025*

 Em síntese, a decisão de se adotar a prática de juros reais elevados na economia vem funcionando por muito tempo como uma torneira fechada. Uma vez fechada, esqueceu-se novamente de abri-la e, quando aberta, mantiveram-na restrita em todo o seu potencial, que deveria ter sido o objetivo de irrigar novos investimentos e acelerar o ritmo do crescimento econômico. Ao invés de ser uma mera decisão de política monetária, em muitas vezes anteriores transformou-se em única peça da política econômica existente no país que, ademais, ainda a conjugou com o arrocho fiscal, impondo o contracionismo da atividade econômica como mero e único mecanismo imprescindível de controle dos rumos da inflação.

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 *“Com taxas de juros que chegaram a mais de 25% ao ano e um crescimento medíocre da economia, o resultado é inexorável: a relação dívida e PIB cresce. O Estado brasileiro custa muito e gasta mal? Com certeza, mas não é essa a razão do crescimento da dívida. A política de taxa de juros do Banco Central, do real até muito recentemente, foi um gravíssimo equívoco. A história irá deixar claro o preço de uma política de juros extraordinariamente altos, associada a uma pesada e kafkiana carga fiscal.” –( André Lara Resende – *O Estado de S. Paulo – 25.11.2020).

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 Compete-nos ressaltar que não há dúvida sobre a importância de algumas das decisões anteriores de se reduzir a taxa básica de juros e que já à época apresentavam tendência de queda, apesar de ainda permanecerem altas para os padrões internacionais, o que destacava o país na liderança do ranking mundial. Nesse contexto cabe, ainda, uma consideração, que é a constatação de que as reduções ocorridas foram muito mais nominais do que reais. E há, ainda, outro agravante, elas partiram de patamares anteriores extremamente elevados e, verificadas sob essa dimensão, as reduções poderiam até ser consideradas tímidas e acanhadas. É um exagero querer imaginar no Brasil um nível de inflação equivalente às de economias maduras, como da Suíça, dos Estados Unidos, do Reino Unido e outros. Aqui residem outros fatores endógenos que, em grande medida, justificam uma inflação diferenciada em relação a esses países e isso é natural que ocorra, desde que haja absoluto controle sobre os seus mais diretos componentes.

 

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 Não é também, o caso, de se pregar o abandono dos mecanismos de controle da inflação e, muito menos, de defender a sua volta. Ao contrário, o que se deve permear nessa discussão, é o desenvolvimento e o nível acelerado de crescimento econômico que pretendemos realizar, com uma inflação baixa e perfeitamente administrável. Nessa perspectiva, entendo que os juros altos não podem ser considerados o único e principal objetivo da política econômica e, sim, como um instrumento de controle da inflação. A condução da política econômica deve se voltar para o incentivo e contribuição de mecanismos capazes de elevar o país a uma condição de país desenvolvido com crescimento econômico vigoroso, consistente, contínuo e sustentado.

 Matéria de minha autoria, publicada 15 de fevereiro de 2000 em MercadoComum, já alertava para os perigos da política de taxas de juros reais elevadas para a economia brasileira:

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 De acordo com matéria publicada em Valor Econômico de 26 de março de 2019, o economista André Lara Resende “criticou de modo contundente a política monetária brasileira das últimas décadas, em evento no qual defendeu enfaticamente as ideias de que a taxa de juros deve ser fixada pelo Banco Central abaixo da taxa de crescimento e que um governo que emite sua moeda não enfrenta restrições financeiras, apresentadas por ele, também e posteriortemente, em artigo no Valor. Ao comentar porque o Brasil não cresce, Lara Resende disse que faria uma simplificação e afirmou que desde o Real o BC fixou o juro básico entre seis e duas vezes a taxa de crescimento”.

 ‘Quando você coloca os juros seis vezes a taxa de crescimento, o investimento colapsa, o crescimento cai, a dívida/PIB sobe’ – afirmou Lara Resende. Com ‘um dogma financista’, aumentam-se os impostos, o que levou a carga tributária brasileira para 36% do PIB, uma das mais altas do mundo. ’Isso asfixia a economia, que não consegue funcionar’, disse ele, em evento organizado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), que teve a participação do ex-presidente do BNDES Edmar Bacha e do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan”.

 Acrescentava a matéria: “Ele destacou que, desde que o país superou a inflação crônica, há 25 anos, a produtividade ficou estagnada, enquanto a chilena foi multiplicada por 5 e a chinesa, 20 a 25 vezes. Antes de falar do nível de juros, disse que o Brasil é um país com todos os recursos possíveis, com ‘gente de altíssimo nível, capacidade empresarial, que tem capital.

 

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 Em artigo publicado no *Estado de São Paulo *de 7 de fevereiro de 2017, o professor da USP Roberto Luis Troster afirmava:

 “… *a economia está se tornando cada vez mais financeira. Hoje (no Brasil, os juros pagos por dívidas correspondem a 16,9% do produto interno bruto (PIB) – 6,5% da dívida pública mais 10,4% da privada”. *E acrescenta: “*Esses recursos são destinados a investidores, alguns deles estrangeiros, que, dependendo do tipo de ativo, têm alíquotas de impostos que variam de zero a 22,5%, enquanto os trabalhadores chegam a 27,5% e as da produção passam de 50% em alguns casos. É inegável, a tributação favorece mais quem vive de juros do que trabalhadores e empresários. Quem paga o pato é o País*”. Em outras palavras, isso significa o mesmo que dizer que o Brasil se tornou o paraíso mais-que-perfeito dos rentistas.

 

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 Em outro artigo publicado no Valor de 13 de janeiro de 2017, André Lara Resende destacou:

 1 – “Desde a estabilização da inflação crônica, com o Real – e já se vão mais de 20 anos – a taxa básica de juros no Brasil causa perplexidade entre os analistas. Por que tão alta? Inúmeras explicações foram ensaiadas, como distorções, psicológicas e institucionais, associadas ao longo período de inflação crônica com indexação, baixa poupança e alta propensão ao consumo, tanto pública como privada; ineficácia da política monetária entre outras. Embora todas façam sentido e possam, no seu conjunto, ajudar a entender por que os juros são tão altos, nenhuma delas foi capaz de dar uma resposta convincente e definitiva para a questão.

 As altíssimas taxas brasileiras ficaram ainda mais difíceis de serem explicadas diante da profunda recessão dos últimos dois anos. Como é possível que depois de dois anos seguidos de queda do PIB, de aumento do desemprego, que já passa de 12% da força de trabalho, a taxa de juro no Brasil continue tão alta, enquanto no mundo desenvolvido os juros estão excepcionalmente baixos? Há quase uma década, nos Estados Unidos e na Europa, e há três décadas no Japão, os juros estão muito próximos de zero, ou até mesmo negativos, mas no Brasil a taxa nominal é de dois dígitos e taxa real continua acima de 7% ao ano”.

 2 – Em artigo subsequente, Lara Resende acrescenta: “No Brasil, a inflação é muito pouco sensível à taxa de juros. As razões da ineficácia da política monetária são muitas e controvertidas, mas a baixa sensibilidade da inflação à taxa de juros é indiscutível, uma unanimidade. Por outro lado, a dívida pública em torno de 70% do PIB, uma taxa nominal de juros de 14% ao ano exige um superávit fiscal de quase 10% do PIB para que a dívida nominal fique estável. Com a economia estagnada e a inflação perto dos 6% ao ano, isso significa que é preciso um superávit fiscal primário de quase 5% da renda nacional para estabilizar a relação entre a dívida e o PIB. A carga tributária está perto dos 40% do PIB, alta até mesmo para países avançados, ameaça estrangular a economia e inviabilizar a retomada do crescimento. A dificuldade política para reduzir despesas é enorme. Fica assim claro que o custo fiscal da política monetária não é irrelevante”.

 

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 O raciocínio de André Lara Resende é absolutamente límpido, claro, aritmético e verdadeiro. Ele arremata: “O Banco Central do Brasil tem quadros competentes, suas diretorias foram sempre ocupadas pelos melhores profissionais, mesmo durante os governos mais economicamente irresponsáveis, e tem cumprido o seu papel de defensor da estabilidade monetária. Tenho plena consciência da importância da autonomia do Banco Central. Por isso mesmo, sempre evitei me manifestar diretamente sobre questões monetárias conjunturais. Abro uma exceção. Suponha o caso de um paciente com doença crônica para a qual se administra um remédio há décadas. Há unanimidade médica de que, no caso desse paciente, a doença é resistente. Doses maciças vêm sendo receitadas sem resultado. Os efeitos secundários negativos são graves, debilitam e impedem a recuperação do paciente, que agora se encontra na UTI. Novos estudos, ainda que preliminares, questionam a eficácia do remédio. Pergunta: deve-se continuar a ministrar as doses maciças de remédio ou reduzir rapidamente a dosagem? Parece-me questão de bom-senso”.

 Pode-se perceber, claramente, os equívocos trazidos em relação ao conceito de que juros baixos estimulam a inflação, enquanto que juros altos funcionam para reduzi-la, predominante na política monetária adotada pelo Brasil ao longo das últimas décadas.

 Em entrevista concedida ao O Estado de S. Paulo, em 31 de março de 2019, Lara Resende afirmou que “A dívida pública denominada na moeda nacional, de um país que controle a emissão de sua moeda, não tem risco. A não ser por uma decisão política de interromper o seu serviço, o governo sempre terá como financiá-la. Se a política fiscal e monetária forem coordenadas e bem executadas, a inflação continuará ancorada e bem comportada. Com o desemprego e a capacidade ociosa atual, a taxa de juros deveria estar bem abaixo da taxa de crescimento. O risco está em prosseguir com a política de juros muito mais altos do que o crescimento. Isto agrava o desequilíbrio fiscal e induz ao aumento da carga tributária. O resultado é o colapso dos investimentos e a asfixia da economia, que não consegue voltar a crescer de forma sustentada”.

 

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 Em entrevista posterior, concedida ao Estado de São Paulo – em 25.11.2020, André Lara Resende afirmou:

 “Em várias ocasiões na história, sobretudo depois de guerras ou catástrofes, inúmeros países tiveram dívidas superiores ao PIB. Hoje, Japão, EUA, Itália, entre outros, têm dívida superior ao PIB. A dívida pública não pode ter uma trajetória explosiva, mas, desde que o seu crescimento acelerado seja transitório, que passada a crise, com as contas reequilibradas e restaurado o crescimento da economia, a relação entre dívida e PIB volte a cair, não há qualquer problema em ultrapassar os 100% do PIB.

 Não existe um limite intransponível para a dívida interna e o PIB. O endividamento externo, que depende de financiamento do exterior em moeda estrangeira, é sim perigoso. Como aprendemos com as sucessivas crises da dívida externa no século passado, quando os credores internacionais passam a ter dúvida sobre a capacidade do País de honrar seus compromissos em moeda estrangeira, a súbita interrupção do fluxo de financiamento pode provocar crises gravíssimas. No século passado, o Brasil era importador líquido de petróleo e derivados, assim como de trigo e outras commodities (produtos classificados como básicos por não ter tecnologia envolvida ou acabamento). Precisava de financiamento externo para cobrir o déficit com o resto do mundo. Hoje, somos autossuficientes em petróleo, exportadores líquidos de commodities e temos um setor agropecuário altamente superavitário. O Brasil de hoje não tem dívida pública externa, ao contrário, tem quase 30% do PIB em reservas internacionais. A nossa dívida é interna, do Estado com os brasileiros.”

 

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 **Juros sobre a dívida pública brasileira, no acumulado dos últimos doze meses até novembro, custaram ao país o equivalente a 25,6% de toda a arrecadação tributária nacional do ano passado **

 ***Os juros totalizaram R$ 981,9 bilhões – 7,77% do PIB***

 ***O déficit nominal alcançou R$1.027,4 bilhões – 8,13% do PIB e a dívida pública consolidada atingiu 79,0% do PIB – R$10,0 trilhões***

 Informações divulgadas pelo Banco Central do Brasil em 30.12.25 revelam que os juros nominais incidentes sobre a dívida pública consolidade – o que inclui a União, os Estados e os Municípios, durante os últimos doze meses até novembro deste ano chegaram próximos a R$ 1 trilhão (R$ 981,9 bilhões) – equivalentes a 7,77% do PIB e correspondem a mais de ¼ de tota a arrecadação tributária nacional do ano passado.

 O resultado nominal que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, no acumulado em doze meses até novembro , alcançou R$1.027,4 bilhões (8,13% do PIB) e os juros incidentes sobre a dívida pública consolidade foram responsáveis por 96% desse total.

 A dívida bruta consolidada atingiu 79,0% do PIB e totalizou R$10,0 trilhões. O detalhamento encontra-se a seguir:

 1.**Resultados fiscais**

 O setor público consolidado registrou déficit primário de R$14,4 bilhões em novembro, ante déficit de R$6,6 bilhões no mesmo mês de 2024. Houve déficit de R$16,9 bilhões no Governo Central e de R$2,9 bilhões nas empresas estatais, e superávit de R$5,3 bilhões nos governos regionais. Em doze meses, o setor público consolidado acumulou déficit primário de R$45,5 bilhões, 0,36% do PIB, ante déficit de R$37,7 bilhões, 0,30% do PIB, nos doze meses acumulados até outubro.

 Os juros nominais do setor público consolidado, apropriados por competência, somaram R$87,2 bilhões em novembro, comparativamente a R$92,5 bilhões em novembro de 2024. No acumulado em doze meses até novembro, os juros nominais alcançaram R$981,9 bilhões (7,77% do PIB), comparativamente a R$918,2 bilhões (7,83% do PIB) nos doze meses até novembro de 2024.

 

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 O resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$101,6 bilhões em novembro. No acumulado em doze meses, o déficit nominal alcançou R$1.027,4 bilhões (8,13% do PIB), ante déficit nominal de R$1.024,9 bilhões (8,15% do PIB) em outubro de 2025.

 
- Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) e Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG)

 A DLSP atingiu 65,2% do PIB (R$8,2 trilhões) em novembro, elevando-se 0,5 p.p. do PIB no mês. Esse resultado refletiu os impactos dos juros nominais apropriados (0,7 p.p.), da valorização cambial de 0,9% no mês (0,1 p.p.), do déficit primário (0,1 p.p.), do efeito da variação do PIB nominal (-0,4 p.p.), e dos demais ajustes da dívida externa líquida (-0,1 p.p.). No ano, o aumento de 3,9 p.p. na relação DLSP/PIB refletiu, em especial, os impactos dos juros nominais (7,0 p.p.), do efeito da valorização cambial acumulada de 13,9% (1,6 p.p.), do déficit primário do período (0,5 p.p.), dos demais ajustes da dívida externa líquida (-1,1 p.p.) e da variação do PIB nominal (-4,2 p.p.).

 

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 A DBGG – que compreende o Governo Federal, o INSS e os governos estaduais e municipais – atingiu 79,0% do PIB (R$10,0 trilhões) em novembro de 2025, elevando-se 0,6 p.p. do PIB no mês. Essa elevação decorreu, sobretudo, dos juros nominais apropriados (0,7 p.p.), das emissões líquidas de dívida (0,4 p.p.) e da variação do PIB nominal (-0,4 p.p.). No ano, a DBGG elevou-se 2,8 p.p. do PIB, em função, principalmente, da incorporação de juros nominais (8,1 p.p.), das emissões líquidas de dívida (0,4 p.p.), do reconhecimento de dívidas (0,2 p.p.), do crescimento do PIB nominal (-5,2 p.p.), do efeito da valorização cambial (-0,6 p.p.) e dos demais ajustes da dívida externa (-0,2 p.p.).

 País que não cresce é país condenado à pobreza e ao subdesenvolvimento, e, por isso, torna-se imprescindível o estabelecimento de uma *“Agenda Estratégica para o Desenvolvimento Nacional” – *em que a transformação do Brasil em nação desenvolvida seja o grande objetivo.

 JK já afirmava que as maiores ameaças à democracia são a miséria, o desemprego e o subdesenvolvimento. Ao longo destas últimas décadas, a busca obsessiva pela estabilidade econômica tem nos ofuscado todas as possibilidades de colocar o desenvolvimento como a nossa grande, prioritária e fundamental meta nacional, e corremos ainda o risco de ficarmos durante os próximos anos relegando o crescimento vigoroso pela discussão centrada apenas no ajuste e no equilíbrio das contas públicas.

 JK também já alertava que é preciso que nos capacitemos, de uma vez para sempre, de que o desenvolvimento do Brasil é uma condição ligada à nossa sobrevivência num mundo que se impõe, mais e mais, pela força de sua vertiginosa marcha técnica. Não temos de nos desenvolver apenas por ambição mesmo justa, mas desenvolver para sobreviver.

 **Sem investimento não há hipótese de desenvolvimento**

 Já tivemos antes a oportunidade, juntamente com vários outros colegas economistas, de ressaltar a necessidade de compreendermos a importância da retomada do crescimento econômico; alguns equívocos têm permeado as políticas econômicas do País e, se persistirem, obstruirão inapelavelmente qualquer tentativa de relançamento da economia brasileira de volta ao caminho do desenvolvimento. Não basta apenas crescer. É necessário que o crescimento da nossa economia supere a média mundial e possa se compatibilizar com o nível de expansão das economias dos países emergentes. E, ainda, que incorpore outros elementos, como as da qualidade, da produtividade e da competitividade.

 Um desses equívocos diz respeito à crença de que a estabilidade econômica é condição prévia à retomada do desenvolvimento do País. Primeiro a estabilidade, só depois o desenvolvimento. Sendo assim, as políticas de estabilização assumem um caráter de primazia absoluta, subordinando e sufocando todas as outras políticas. Apequena-se a política econômica, amesquinham-se os objetivos para a economia do País. E já lá se vão algumas décadas de busca inglória da miragem da estabilidade.

 Evidentemente, ninguém, em sã consciência, há de negar a necessidade de as economias nacionais ostentarem bons e saudáveis fundamentos macroeconômicos. O caminho da estabilidade deve ser concebido e implementado, no bojo de uma política de desenvolvimento para o País. A estabilidade não precede o desenvolvimento; ao contrário, é a estratégia de desenvolvimento do País que deve, simultaneamente, orientar e contextualizar as opções da política macroeconômica. Até porque, ao contrário do que se costuma propagar, os caminhos possíveis para se alcançar a estabilidade econômica são vários.

 Outro desses equívocos é imaginar que apenas o ajuste fiscal e algumas reformas – como a previdenciária – também devem ser considerados como condições prévias à retomada do desenvolvimento. Da mesma forma colocada em relação à estabilidade econômica, deve-se privilegiar – concomitantemente – a expansão econômica que produzirá ganhos generalizados e, em especial, aumentos da arrecadação tributária. Cabe destacar que, quando um denominador é baixo, todos os numeradores podem ser considerados altos – o que se aplica efetivamente no tocante à questão das receitas e despesas públicas. Quando há declínio da atividade econômica, como ocorre nos anos mais recentes – a produção nacional não cresce – os lucros se transformam em prejuízos para empresas e, com isso, não há como gerar Imposto de Renda e outras receitas.

 

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 **Juros na contramão**

 De acordo com Fernando Valente Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) – “os juros elevados apenam duplamente a sociedade: de um lado, onerando demasiadamente o “preço” do dinheiro. Esse fator reflete-se, por exemplo, na perda de competitividade das empresas perante a concorrência internacional; e, de outro, consumindo recursos orçamentários do setor público, em detrimento de áreas prioritárias.

 A verdade é que a questão dos juros elevados não vem de hoje e tem sido um problema histórico a limitar a capacidade de crescimento da economia nacional.

 São necessárias, ainda, reformas no sistema, com menores níveis de compulsórios, por exemplo, liberando, assim, mais capital para a produção. O fato é que o custo do capital no Brasil, sem soluções malfadadas de heterodoxia, exige uma força-tarefa especial de nossas autoridades e economistas para desatar esse nó que drena recursos e energia da sociedade e inibe, dentre outros fatores, o aumento do potencial de crescimento de nosso país”.

 Em épocas passadas, chegou-se a afirmar que “ou o Brasil combatia as saúvas ou elas acabariam com o Brasil”. Traduzindo para os tempos atuais é como afirmar que “ou o Brasil reduz as suas taxas de juros ou os juros liquidarão com o país”. Reduzir as taxas de juros aqui praticadas em níveis que possam ser considerados civilizados é uma imposição de ordem, de segurança nacional.

 Não se pode esperar mais, até mesmo porque taxa de juros não é o único componente para o exercício de uma política monetária eficaz e saudável. O Brasil, ao longo de todo esse tempo, lembra muito o período do presidente Antonio Salazar (1932-1968) à frente da nação portuguesa, quando, não obstante desfrutar de uma excepcional estabilidade e equilíbrio econômico, Portugal simplesmente não conseguia crescer, transformando-se numa das economias mais raquíticas, pobres e frágeis de todo o continente europeu.

 O Brasil vem implementando, permanentemente e já há quase quatro décadas, uma política monetária de taxas elevadas de juros reais, que nos posicionou, durante esse período, como os campeões mundiais dessa prática. Essa política de taxas de juros reais elevadas encontrou respaldo na implantação do Sistema de Metas para a Inflação por intermédio do COPOM – Conselho de Política Monetária, criado em 20-06-1996.

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 **O alto patamar dos juros reais brasileiros não tem auxiliado no combate à inflação**

 Considerado uma das principais referências intelectuais do atual governo, o economista André Lara Resende disparou contra a política monetária praticada pelo país em artigo publicado em 26.12.22. De acordo com ele, a estratégia comumente adotada no mundo para o combate à inflação estaria errada e seria utilizada para prejudicar as classes mais baixas e favorecer os mais ricos.

 Resende argumenta que isso teria ficado claro com a resistência do mercado financeiro à PEC da Gastança. “*O gasto primário, para atender necessidades básicas da população carente, seria inflacionário, mas o gasto com o serviço da dívida, com o bolsa rentistas, não*“, diz o texto assinado pelo economista e publicado na edição daquela data no Valor Econômico.

 O alto patamar dos juros reais brasileiros (o mais alto do mundo, de acordo com ele) não tem auxiliado o combate à inflação e “*ao contrário do que se poderia prever, a diferença entre a inflação do grupo dos altistas (países que subiram mais significativamente as taxas nos últimos meses) e a dos demais países parece ter aumentado, não diminuído*“, defende.

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 **[**Nestes últimos 25 anos o Brasil pagou US$ 2,53 trilhões a título de juros sobre a dívida pública consolidada**](https://mercadocomum.com/nestes-ultimos-25-anos-o-brasil-pagou-us-253-trilhoes-a-titulo-de-juros-sobre-a-divida-publica-consolidada/)**

 ***Somente nos últimos três últimos anos do Governo Lula III, o gasto com despesas de juros, sobre a dívida pública consolidada brasileira, já somou US$ 501,5 bilhões***

 Pode ser considerado um verdadeiro saco sem fundos o volume de recursos despendidos pelo setor público brasileiro no pagamento de juros nominais sobre a dívida pública consolidada do país – isto é, incluindo a União, Estados e Municípios. Somados estes 25 anos do século 21, o país pagou 115% a mais de todo o PIB-Produto Interno Bruto esperado para este ano. De acordo com projeções o valor dos juros, pagos sobre a dívida nacional desse período, deverá atingir US$ 2,53 trilhões correntes– dos quais US$ 501,5 bilhões gastos apenas durante os últimos três anos do Governo Lula III. Imagine se pelo menos parte desses recursos tivesse sido destinada à saúde, a educação e a obras de infraestrutura – e como seria bem diferente e melhor o Brasil de hoje!

 A estimativa de gastos com juros sobre a dívida pública consolidada brasileira, somente para este ano, totaliza US$ 181,5 bilhões – um recorde desde que a série histórica iniciou em 1999, com a implantação do Regime de Metas de Inflação.

 De acordo com Sergio Lamucci, em artigo publicado em Valor de 22 de dezembro último, “de uma lista de 153 países, o Brasil teve os maiores gastos com juros sobre a dívida pública em 2024, atingindo 8,28% do PIB, segundo números mais recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI), compilados na Base de Dados das Finanças Públicas na História Moderna”, atualizada naquele mês.

 Atrás do Brasil aparecem Sri Lanka, com 7,81% do PIB, Paquistão, com 7,76% do PIB, e Bahrein, com 6,54% do PIB. Entre países emergentes de maior peso com despesas financeiras elevadas, a lista tem o México, com 6,48% do PIB, a África do Sul, com 5,26% do PIB, e a Índia, com 5,11% do PIB.”

 Para Lamucci, “o nível altíssimo de gastos com juros do Brasil é obviamente preocupante. Reverter esse cenário, porém, requer uma mudança estrutural na condução das contas públicas. Isso passa por medidas para conter a expansão dos gastos obrigatórios e pela redução dos subsídios tributários, que estão em torno de 7% do PIB, contando renúncias fiscais da União e dos Estados”.

 

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 **[**A Dívida Bruta Consolidada Brasileira atingiu, no final de 2025, 79,6% do PIB – e é a 2ª maior deste século**](https://mercadocomum.com/a-divida-bruta-consolidada-brasileira-atingiu-no-final-de-2025-796-do-pib-e-e-a-2a-maior-deste-seculo/)**

 ***A Dívida Líquida alcançará 66,1% do PIB – um recorde absoluto***

 De acordo com estimativas do mercado financeiro, a Dívida Pública Consolidada Brasileira – o que inclui a União, os Estados e Municípios, encerrou o ano de 2025 atingindo o nível de 79,6% do PIB – Produto Interno Bruto – correspondendo a uma expansão de 3,1 pontos percentuais em relação ao ano anterior e sendo considerada o 2º maior nível deste século 21.

 Já a Dívida Líquida Consolidada atingiu 66,1% do PIB – um aumento de 4,6 pontos percentuais quando comparada ao ano anterior e terá o maior nível já alcançado neste século 21.

 Em termos mundiais, o país com o maior endividamento público é os Estados Unidos, que fecha o ano de 2025 com uma dívida total de US$ 38 trilhões – o que representa 34,5% de todo o endividamento mundial, mas cabe salientar que é, também, o país detentor do maior PIB – Produto Interno Bruto global. O endividamento público brasileiro representa 1,9% do total mundial. A diferença, no entanto, fica por conta da política monetária adotada, em que no caso do Brasil, ele é recordista absoluto, já há décadas, da maior taxa de juros real aplicada na economia.

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 **[**As contas públicas consolidadas brasileiras apresentaram, em 2025, déficit nominal de 8,6% do PIB**](https://mercadocomum.com/as-contas-publicas-consolidadas-brasileiras-apresentaram-em-2025-deficit-nominal-de-86-do-pib/)**

 ***Os juros sobre a dívida pública consolidada serão responsáveis por 94% desse déficit***

 Os juros nominais pagos sobre a dívida pública consolidada têm sido o principal item responsável pelo déficit nominal das contas públicas nominais – aí considerados a União, Estados e Municípios. Em 2025, por exemplo, de um déficit nominal estimado de 8,6% do PIB-Produto Interno Bruto, 8,1% foram decorrentes do pagamento desses encargos, respondendo o déficit primário por apenas 0,5% do total.

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 O presidente JK afirmava:

 *“Transportaram-se para o nosso País, mecânica e acriticamente, técnicas e instituições que, ou não correspondiam mais às condições de nossa época – como é o caso das correspondentes ao liberalismo europeu do século XXI, ou não se ajustaram à nossa realidade – como é o caso das que insistem em dar tratamento monetário a fenômenos que são basicamente econômicos.”*

 Em outros discursos, JK destacou:

 *“Por um lado, as flutuações de preços dos produtos primários no mercado internacional são de tal ordem que se torna impossível basear, na receita oriunda da sua venda, um programa de desenvolvimento a longo prazo. Por outro, as condições do intercâmbio entre as potências industriais e os países não desenvolvidos tornam-se progressivamente desfavoráveis aos segundos, exigindo a exportação de uma quantidade sempre crescente de produtos primários para a aquisição da mesma quantidade de produtos manufaturados.*

 *De tudo isso, ressalto a necessidade urgente e imperiosa de romper este círculo vicioso em que a pobreza gera o subdesenvolvimento e o subdesenvolvimento perpetua a pobreza”**.*

 *“Impõe-se, portanto, a conclusão de que, num país como o nosso, não somente as peculiaridades geográficas e humanas, mas também os dados acerca da evolução econômica indicam o desenvolvimento acelerado como o único caminho de salvação. Nenhuma política será legítima, se não objetivar, com caráter prioritário, o desenvolvimento. É esta uma diretriz que já nenhum governo poderá abandonar”*

 JK já afirmava que as maiores ameaças à democracia são a miséria, o desemprego e o subdesenvolvimento. Ao longo destas últimas quatro décadas, a busca obsessiva pela estabilidade econômica tem nos ofuscado todas as possibilidades de colocar o desenvolvimento como a nossa grande, prioritária e fundamental meta nacional, e corremos ainda o risco de ficarmos durante os próximos anos relegando o crescimento vigoroso pela discussão centrada apenas no ajuste e no equilíbrio das contas públicas.

 

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 JK também já alertava que é preciso que nos capacitemos, de uma vez para sempre, de que o desenvolvimento do Brasil é uma condição ligada à nossa sobrevivência num mundo que se impõe, mais e mais, pela força de sua vertiginosa marcha técnica. Não temos de nos desenvolver apenas por ambição mesmo justa, mas desenvolver para sobreviver. E destacava, em diferentes discursos:

 *“Passou a fase em que se podiam fazer as coisas de qualquer maneira, e entramos na época em que indústria, tecnologia e ciência econômica se correspondem e caminham juntas. Não só temos de atender ao mercado interno e produzir de maneira econômica para que o custo de vida não oprima de forma injusta e desumana o nosso povo, como também temos de industrializar para exportar, o que significa entrar na concorrência do mercado internacional.*

 *Por isso mesmo, “desenvolvimento” sempre foi, em meu conceito de governo e de política, um objetivo tanto quantitativo quanto qualitativo. “Produzir mais” é um aspecto dessa evolução. Ampliar a variedade de bens produzidos é outro aspecto. E ainda outro é a elevação da hierarquia técnica da produção, pelo incremento da industrialização fina e da industrialização de base no quadro da produção geral. Por fim, é a melhoria qualitativa em si, coadjuvando o aperfeiçoamento do que chamaria de “comercialidade” dos produtos, entendido por isso os atributos que favoreçam sua colocação no país e no exterior. E sempre que, no que acabo de dizer, falei em produtos, entendam-se também serviços, que considero, aí, no sentido de ação particular e ação pública, executados com fins econômicos ou não”*

 

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 Entendo que é preciso urgentemente desarmar a perversa combinação de fatores que vem penalizando e tornando absolutamente incompatível o crescimento econômico brasileiro de forma vigorosa e contínua. Na verdade, a equação que se vem jogando no País tem se constituído em uma armadilha formada pela conjugação de juros estratosféricos, carga tributária excessiva e câmbio valorizado. O resultado só pode ser um: o empobrecimento do país!

 Não é utopia imaginarmos que o PIB brasileira possa crescer cinco, oito ou dez por cento ao ano. A China, a Índia e outros países da Ásia vêm demonstrando isso há mais de trinta anos. É o que se chama de ciclo virtuoso de crescimento econômico e o que vem nos mais nos faltando!

 Não precisamos imitar os modelos asiáticos, pois um dia já vivemos essa realidade.

 

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 Há meio século, Juscelino Kubitschek de Oliveira anunciava que o Brasil cresceria cinquenta anos em cinco, o que veio a se confirmar. No ritmo de crescimento atual, o Brasil pode demorar muito tempo para se transformar em Nação desenvolvida e obter o desempenho alcançado pelo Governo de JK!

 De 1956 a 1961, o País efetivamente, em apenas cinco anos, registrou um crescimento acumulado próximo de 48%, o que representa uma média anual superior a 8%.

 Essa experiência histórica, conduzida por um mineiro de Diamantina, não pode se constituir numa simples lembrança de um passado já quase longínquo. Ela deve ser a nossa inspiração e o nosso exemplo, para que o Brasil venha novamente abraçar a causa do desenvolvimento.

 *“Minha formação de médico me leva a uma noção integrativa de desenvolvimento, a partir da célula nacional, que é o município, com a sua rede interna de distritos, a coalisão de municípios individuando o Estado, como a coalisão de tecidos forma um órgão e a de órgãos forma aparelhos e sistemas, que constituem, em sua harmonização funcional superior, o corpo nacional.*

 *Daí minha política municipal já ter sido conscientemente integradora, desenvolvimentista, organicista. E assim também foi conduzida coerente com ela, em doutrina e prática, minha política estadual e nacional, com a extensão que esse modo de ver acabou assumindo no âmbito continental sob o título de Operação Pan-Americana.*

 *Nesse conceito de Desenvolvimento, o núcleo é o Homem, que se pretende ver elevado como ser humano e como ser social por meio da evolução econômica, entendida essa nos termos em que a apresentei acima. Portanto, quando disse “produzir mais” compreendi Máquina e também Homem, organismos industriais e também sociais, instituições administrativas e também políticas – entidades e entes atuantes em qualquer setor e região nacionais”.*

 Falta-nos planejamento estratégico de médio e longo prazo. Estamos carentes de uma *intelligentsia* nacional. A administração dos governos brasileiros parece muito mais com uma corrida de obstáculos, onde se busca superá-los para a conquista da vitória apenas conjunturalmente. E, lamentavelmente, a gestão das principais questões nacionais não vem sendo tratada como deveria e acaba, simplesmente, postergada a solução dos principais entraves nacionais. No meu entendimento, “nunca na história deste país”, a discussão e o debate dos principais problemas econômicos nacionais estiveram tão pobres e desprovidos de propostas eficazes, como nos últimos anos. Tem sido péssimo conteúdo e deplorável a qualidade do debate econômico.

 

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 O Brasil precisa se reconciliar com o crescimento econômico vigoroso, consistente, contínuo, sustentável e eleger o desenvolvimento como a nossa meta prioritária número 1!

 O crescimento econômico vigoroso deve deixar de ser apenas uma casualidade, uma questão ou uma efemeridade, um acontecimento meramente fortuito para se transformar, efetivamente, na grande meta econômica nacional, permeando a convolação do País em uma economia madura e desenvolvida. Nesta direção, já tivermos antes, vários exemplos de sucesso e que poderiam nos servir de inspiração, como o caso do Plano de Metas, implementado durante o governo JK.

 Transformar o Brasil em nação desenvolvida – essa deve ser a nossa bandeira e visão de futuro. E, nesse sentido, impõe-se uma mudança radical de mentalidade. Não há mais tempo a perder e essa deve ser a decisão imediata a ser tomada e inadiável por mais tempo. Se não a iniciarmos nos restará, tão-somente, o consolo do atraso e com ele também chegará, inevitavelmente, a desordem institucional atrelada a ameaças à nossa democracia.

 Não se pode continuar aceitando nem mais tolerar que o Brasil seja condenado ao atraso e ao subdesenvolvimento. Essa não é a nossa sina nem poderá ser o nosso destino!

 O Brasil não pode prescindir do crescimento: o estoque de problemas econômicos e sociais, acumulados, eleva-se exponencialmente, apesar da desaceleração da taxa de crescimento da população. Só a expansão da economia preencherá as condições necessária para o enfretamento e atenuação dos mesmos.

 Requer ao Brasil buscar a sua transformação em país desenvolvido, como foi o Chile, declarado há algumas poucas décadas. Assim como vem funcionando o “Sistema de Metas de Inflação”, o Brasil deveria estabelecer outro modelo similar, com a implantação de um “Sistema de Metas de Crescimento Econômico Vigoroso e Contínuo”, estabelecido através de planejamento estratégico de médio e longo prazo.

 **Textos dos discursos de JK foram extraídos da Coletânea “Juscelino Kubitschek: Profeta do Desenvolvimento – 2018/MercadoComum – de minha autoria.*

 *Carlos Alberto Teixeira de Oliveira é Administrador, Economista e Bacharel em Ciências Contábeis, com vários cursos de pós graduação no Brasil e exterior. Ex-Executive Vice-Presidente e CEO do Safra National Bank of New York, em Nova Iorque, Estados Unidos. Ex-Presidente do BDMG-[**Banco de Desenvolvimento de Minas**](https://mercadocomum.com/banco-de-desenvolvimento-de-minas/) Gerais e do Banco de Crédito Real de Minas Gerais; Foi Secretário de Planejamento e Coordenação Geral e de Comércio, Indústria e Mineração; e de Minas e Energia do Governo de Minas Gerais; Também foi Diretor-Geral (Reitor) e fundador do Centro Universitário Estácio de Sá de [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/); Ex-Presidente do IBEF Nacional – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças e da ABDE-Associação Brasileira de Desenvolvimento; Atualmente é Coordenador Geral do Fórum JK de Desenvolvimento Econômico; Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas Gerais. Presidente da MinasPart Desenvolvimento Empresarial e Econômico, Ltda. Integra vários Conselhos Consultivos e de Administração de diversas empresas e instituições. Membro da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e Academia Brasileira de Ciências Contábeis. Vice-Presidente da diretoria executiva da ACMinas – Associação Comercial e Empresarial de Minas. Presidente/Editor Geral de MercadoComum. Autor de vários livros, como a coletânea de 3 volumes – 2.336 páginas, intitulada “Juscelino Kubitschek: Profeta do Desenvolvimento – Exemplos e Lições ao Brasil do Século XXI”.