Carlos Alberto Teixeira de Oliveira*
De acordo com o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística o PIB-Produto Interno Bruto brasileiro totalizou R$ 12,7 trilhões em 2025, sendo R$ 11,0 trilhões do Valor Adicionado a preços básicos e R$ 1,8 trilhão de Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios. Considerando o Valor Adicionado das atividades no ano, a Agropecuária registrou R$ 775,3 bilhões, a Indústria R$ 2,6 trilhões e os Serviços R$ 7,6 trilhões.
Entre os componentes da despesa, o Consumo das Famílias totalizou R$ 8,1 trilhões, o Consumo do Governo R$ 2,4 trilhões e a Formação Bruta de Capital Fixo R$ 2,1 trilhões. A Balança de Bens e Serviços ficou superavitária em R$ 44,6 bilhões e a Variação de Estoque foi de R$ 30,2 bilhões.
A taxa de investimento de 2025 foi de 16,8% do PIB

PIB cresceu 2,3% em 2025
O PIB brasileiro registrou crescimento de 2,3% em 2025, impulsionado sobretudo por setores pouco sensíveis ao ciclo econômico. A Agropecuária foi o principal destaque, ao avançar 11,7% e responder por mais de 30% do crescimento total, apesar de representar cerca de 6% da economia. Esse resultado decorreu das safras recordes de milho e soja, além do bom desempenho da pecuária. A Extrativa mineral também apresentou forte expansão, de 8,6%, favorecida pela produção histórica de petróleo e gás natural, quase 13% acima do maior nível anterior. Juntos, esses dois segmentos contribuíram com cerca de 1 ponto percentual do avanço total.
A Indústria teve desempenho mais moderado: 1,4%. Os resultados foram prejudicados pela queda na indústria de Transformação, pelo avanço limitado da Construção e pela retração em Eletricidade e gás, influenciada por bandeiras tarifárias mais elevadas e maior uso de termelétricas. Em contraste, os Serviços registraram variações positivas em todos os segmentos pelo quinto ano consecutivo, com destaque para Informação e comunicação, que avançou 6,5%.
Pela ótica da demanda, o crescimento veio tanto do mercado interno quanto do externo. O Consumo das Famílias subiu apenas 1,3%, enquanto a FBCF cresceu 2,9%, favorecida pela importação de plataformas, e o Consumo do Governo, 2,1%.
O PIB per capita alcançou R$ 59.687,49, com alta real de 1,9% frente a 2024.
Cabe salientar que o crescimento do PIB brasileiro de 2,3% em 2025 é inferior à média da economia global – de 3,3% e bem menor do que a média de 4,4% dos países considerados emergentes e em desenvolvimento, categoria da qual o Brasil faz parte.

De acordo com o Relatório Focus do Banco Central do Brasil, divulgado em 23 de março, a projeção de alta próxima de 1,84% em 2026, sustentada sobretudo por medidas governamentais de incentivo e transferência de renda em contexto eleitoral. A ampliação da faixa de isenção do IRPF representa o estímulo mais relevante, acompanhada por liberação extraordinária de recursos do FGTS, programas Gás do Povo e Luz para Todos, expansão do Minha Casa Minha Vida e iniciativas de fortalecimento do crédito.

PIB cresceu apenas 0,1% no 4T25
Na comparação marginal, a expectativa de estabilidade no segundo semestre se confirmou com leve variação positiva de 0,1%.
A Agropecuária registrou novo trimestre favorável, crescendo 0,5% e tendo sido impulsionada por fumo, laranja, trigo e pecuária. A Indústria registrou queda de 0,7% com Transformação e Construção entre os segmentos mais afetados pela política monetária restritiva. A produção de ITCC mostrou pior resultado interanual desde 2022. A Extrativa mineral cresceu 1,1% sustentada pela forte expansão por petróleo e gás natural. Os Serviços expandiram 0,8% e mantiveram avanço generalizado, com surpresa positiva em Atividades financeiras. Informação e comunicação registrou nova alta relevante, enquanto Transporte, armazenagem e correio recuou após o pico do escoamento da safra. Comércio mostrou desempenho fraco.

Pelo lado da demanda, Consumo das Famílias e FBCF frustraram expectativas, enquanto o Consumo do Governo evitou resultado pior. Exportações cresceram bem acima das importações e garantiram contribuição externa positiva. A leve alta dessazonalizada no quarto trimestre levou o PIB a novo recorde, 13,3% acima do pré-pandemia.
Para o primeiro trimestre de 2926, projeta-se crescimento marginal próximo de 1%, resultado de estímulos públicos, leve queda interanual da Agropecuária com nova safra recorde de soja e impacto favorável do ajuste sazonal aplicado pelo IBGE ao PIB.
VARIAÇÃO DO PIB – PRODUTO INTERNO BRUTO – 2025


| Um dos responsáveis por isso foi a taxa de juros, que chegou a 15% no meio do ano. Com os juros altos, o crédito se torna mais caro e a população e as empresas têm menos acesso a empréstimos, o que tende a esfriar as compras de bens e serviços.
Apesar desse fator, o crescimento do PIB foi impulsionado pelo agronegócio, que registrou safra recorde de milho e soja. O setor cresceu 11,7% em 2025 e correspondeu a 1/3 de todo o crescimento da economia brasileira no ano passado. |
| Para este ano, o governo pretende apostar em medidas de incentivo ao consumo para acelerar o crescimento, como a isenção de IR para quem ganha até R$ 5.000 e a política de valorização do salário mínimo. |
| Olhando para outras economias do mundo, o crescimento brasileiro no 4º trimestre foi o 39º melhor em um ranking de 50 países, ao lado de Japão, Reino Unido e Colômbia.
Com esse resultado, caímos de 10ª para a 11ª maior economia do mundo.] |

Andando devagar, quase parando ou, na maioria das vezes, para trás
Nestes 25 anos do século XXI, em apenas seis vezes a o crescimento da economia brasileira superou a média mundial e, nesse período e em boa parte, de forma bastante modesta. E, país cuja economia não cresce, como já afirmava o ex-presidente JK, é país condenado ao subdesenvolvimento, à miséria e à fome – considerados os maiores inimigos da democracia.

Cabe ressaltar que, em dólares norte-americanos correntes, o PIB brasileiro de 2025 de US$ 2.280,89 bilhões é ainda inferior em quase 20% ao valor apurado em 2011, quando totalizou US$ 2.614,48 bilhões. Relativamente à renda per capita, que atingiu US$ 10.687 no ano passado, atualmente ela também é inferior à apurada em 2011, que somou US$ 13.328 àquela época – sendo quase 1/5 inferior à apurada no ano seguinte em valores correntes.

Em síntese, há muito o Brasil está ficando para trás
Embora o país continue crescendo economicamente, estamos no modo “freio de mão puxado” quando comparados com a média global.

| Na prática, isso significa que outras economias estão avançando mais rápido que a nossa. |
| Nos últimos 25 anos, por exemplo, o PIB da China cresceu mais de 500%, enquanto países como Índia, Vietnã e Bangladesh expandiram suas economias acima de 200%. Três fatores ajudam a explicar isso: |
| Baixa produtividade do trabalho, que sofreu queda nos últimos anos;
Crescimento mais lento da população ativa. Há 20 anos, a força de trabalho brasileira crescia cerca de 2% ao ano. Hoje, esse número está abaixo de 0,5%; Contas públicas pressionadas e juros elevados, muito por conta da ampliação de benefícios sociais e o custo do sistema previdenciário. |
No fim, os dados só comprovam que estamos diminuindo a nossa velocidade nesta corrida.
Tanto que saímos de 6ª maior economia do mundo há 15 anos para 11ª atualmente. (Fonte The News)
*Carlos Alberto Teixeira de Oliveira é Administrador, Economista e Bacharel em Ciências Contábeis, com vários cursos de pós graduação no Brasil e exterior. Ex-Executive Vice-Presidente e CEO do Safra National Bank of New York, em Nova Iorque, Estados Unidos. Ex-Presidente do BDMG-Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e do Banco de Crédito Real de Minas Gerais; Foi Secretário de Planejamento e Coordenação Geral e de Comércio, Indústria e Mineração; e de Minas e Energia do Governo de Minas Gerais; Também foi Diretor-Geral (Reitor) e fundador do Centro Universitário Estácio de Sá de Belo Horizonte; Ex-Presidente do IBEF Nacional – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças e da ABDE-Associação Brasileira de Desenvolvimento; Atualmente é Coordenador Geral do Fórum JK de Desenvolvimento Econômico; Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas Gerais. Presidente da MinasPart Desenvolvimento Empresarial e Econômico, Ltda. Integra vários Conselhos Consultivos e de Administração de diversas empresas e instituições. Membro da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e Academia Brasileira de Ciências Contábeis. Vice-Presidente da diretoria executiva da ACMinas – Associação Comercial e Empresarial de Minas. Presidente/Editor Geral de MercadoComum. Autor de vários livros, como a coletânea de 3 volumes – 2.336 páginas, intitulada “Juscelino Kubitschek: Profeta do Desenvolvimento – Exemplos e Lições ao Brasil do Século XXI”.
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