No acumulado em doze meses até setembro, o déficit nominal alcançou R$1.275,1 bilhões (9,51% do PIB);
A Dívida Bruta do Governo Geral – que compreende o Governo Federal, INSS e governos estaduais e municipais – atingiu 82,9% do PIB (R$11,1 trilhões) em setembro de 2026 – o nível mais elevado desde março de 2021;
O custo dos juros sobre a dívida pública representou 94,5% do déficit nominal do período.
Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
-Presidente/Editor Geral de MercadoComum
O Banco Central do Brasil divulgou, no dia 29 de outubro, as estatísticas dos resultados fiscais consolidados do Governo (União, Estados e Municípios) com o acumulado dos últimos doze meses até setembro de 2026. Em relação ao mesmo período de um ano anterior, os juros nominais sobre a dívida pública aumentaram R$ 220,2 bilhões.
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$5,5 bilhões em setembro, ante déficit de R$17,5 bilhões no mesmo mês de 2025. No Governo Central houve superávit de R$3,5 bilhões e, nos governos regionais e nas empresas estatais, déficits respectivos de R$5,6 bilhões e de R$3,4 bilhões. Em doze meses, o setor público consolidado acumulou déficit de R$70,1 bilhões, equivalente a 0,52% do PIB, 0,09 p.p. do PIB inferior ao déficit acumulado até agosto.
Os juros nominais do setor público consolidado, apropriados por competência, somaram R$107,5 bilhões em setembro de 2026, ante R$84,7 bilhões em setembro de 2025.
Contribuiu para esse aumento o resultado menos favorável das operações de swap cambial no período (ganho de R$13,4 bilhões em setembro de 2025 e de R$2,8 bilhões em setembro de 2026), além do crescimento do estoque da dívida e do IPCA. No acumulado em doze meses até setembro, os juros nominais alcançaram R$1.205,0 bilhões (8,99% do PIB), comparativamente a R$984,8 bilhões (7,86% do PIB) nos doze meses até setembro de 2025.
O resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$113,0 bilhões em setembro. No acumulado em doze meses, o déficit nominal alcançou R$1.275,1 bilhões (9,51% do PIB), elevando-se 0,04 p.p. do PIB em relação ao mês anterior.
- Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) e Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG)
A DLSP atingiu 70,0% do PIB (R$9,4 trilhões) em setembro, elevando-se 0,7 p.p. do PIB no mês. Esse resultado refletiu, sobretudo, os impactos dos juros nominais apropriados (0,8 p.p.), dos demais ajustes da dívida externa líquida (0,2 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,3 p.p.). No ano, a DLSP cresceu 4,7 p.p. do PIB, refletindo, em especial, os impactos dos juros nominais (6,6 p.p.), do déficit primário acumulado (0,7 p.p.), do efeito da valorização cambial acumulada de 5,8% (0,6 p.p.) e do crescimento do PIB nominal (-3,2 p.p.).
A DBGG – que compreende Governo Federal, INSS e governos estaduais e municipais – atingiu 82,9% do PIB (R$11,1 trilhões) em setembro de 2026, mesmo percentual de agosto. A evolução mensal decorreu, principalmente, dos juros nominais apropriados (0,8 p.p.), dos resgates líquidos de dívida (-0,4 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,4 p.p.). No ano, o aumento de 4,3 p.p. do PIB resultou, em especial, da incorporação de juros nominais (7,2 p.p.), das emissões líquidas de dívida (1,1 p.p.), do crescimento do PIB nominal (-3,9 p.p.) e do efeito da valorização cambial (-0,2 p.p.).
Diante desse resultado, projeta-se um déficit primário de R$ 64 bilhões (-0,5% do PIB) para o setor público consolidado em 2026. A dívida bruta do governo geral deve encerrar o ano em 83,7% do PIB (+5,1 p.p. ante 2025) e a dívida líquida do setor público, em 70,6% do PIB (+5,4 p.p.).
O Brasil mantém a primeira posição do ranking mundial de juros reais, com a taxa de 8,45% ao ano, após o Banco Central promover, no dia 16 de setembro, um corte de 0,25 ponto na taxa Selic
A análise foi elaborada pela MoneYou e pela Lev Intelligence. A taxa real brasileira é de 8,45%, considerando a taxa de juros de mercado para os próximos 12 meses e a inflação projetada para o mesmo período. O levantamento foi divulgado no dia 16 de setembro.
De acordo com esse levantamento da MoneYou em parceria com a Lev Intelligence, o país aparece à frente de Rússia (6,79%), Colômbia (6,33%) e Turquia (6,25%). A média dos 40 países analisados é de 1,62%.
A liderança brasileira ocorre apesar de o país ocupar a quarta posição no ranking de juros nominais. Com taxa de 13,75% ao ano, o Brasil fica atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (14%).
A diferença entre os rankings é explicada pela inflação projetada. Para calcular os juros reais, o levantamento considera a taxa de juros de mercado para 12 meses e a inflação esperada para o mesmo período.
No caso brasileiro, a projeção de inflação utilizada foi de 4,71%, com base no relatório Focus do Banco Central.
Nove das 40 economias analisadas apresentam juros reais negativos. A menor taxa é a da Nova Zelândia, de -0,91%, enquanto Japão, Suíça, Filipinas e Taiwan também registram resultado abaixo de zero.
Segundo o levantamento, as expectativas de inflação para os próximos 12 meses foram revisadas para cima na maioria dos países analisados, reduzindo os juros reais.
JURO NOMINAL
No ranking de juros nominais, o Brasil ocupa a 4ª posição, com taxa de 13,75% ao ano. Está atrás da Turquia, com 37%, da Argentina, com 29%, e da Rússia, com 14%. Colômbia, África do Sul e México aparecem depois do Brasil, com taxas de 12%, 7% e 6,50%, respectivamente.
A liderança brasileira no juro real, portanto, não ocorre porque o país tenha a maior taxa nominal entre os 40 países analisados. O resultado é influenciado pela combinação entre o nível dos juros e a inflação projetada. (Fonte: CNN, Poder 360 e MoneYou).
Elaboração: MercadoComum: Há 34 Anos Formando Opiniões! 2027: 9,50

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