Em sua segunda obra, Maíra Santiago reúne aprendizados da criação da Cooperativa Coletiva e apresenta um guia prático para quem busca uma nova forma de trabalhar
E se, em vez de trabalhar com registro em carteira ou como pessoa jurídica, você tivesse outro caminho? É a partir dessa pergunta que Maíra Santiago escreveu o livro Nem CLT, nem PJ – Como empreender uma cooperativa. A autora compartilha a experiência da criação de uma cooperativa de trabalho e mostra como o modelo pode ser uma opção para quem quer empreender de forma coletiva. O lançamento ocorreu em outubro, durante o WCM 2026, um dos principais eventos do cooperativismo no país, em Belo Horizonte. A edição é da Vigia Editora, especializada em publicações sobre cooperativismo.
A inspiração para o livro veio da própria trajetória profissional de Maíra, que há 25 anos se dedica à educação corporativa e cooperativista. Ao longo de uma carreira consolidada, ela começou a questionar os dois caminhos que tinha até então: trabalhar com carteira assinada ou atuar como pessoa jurídica no modelo tradicional. Ao lado de outros profissionais que compartilhavam inquietações semelhantes, fundou a Coletiva, cooperativa de trabalho com foco em educação.
Em 22 capítulos ilustrados para dar fluidez à leitura, Maíra conta como foi transformar esse dilema profissional em um negócio coletivo e competitivo no mercado. A narrativa passa pela decisão de constituir a cooperativa, pelos acordos entre os sócios e pelas diferenças que precisaram ser conciliadas, além da organização de áreas como comercial, financeiro e administrativo.
O livro também aborda situações comuns a qualquer negócio, mas que ganham características próprias em uma cooperativa. Entre elas estão a organização dos associados para realizar a assembleia constituinte, uma espécie de certidão de nascimento do empreendimento, e a organização das rotinas, ritos e resultados do trabalho no modelo cooperativo. Para a autora, esses desafios mostraram, na prática, a importância da união entre os cooperados e reforçaram uma das principais ideias da obra: no cooperativismo, ninguém está sozinho.
“Meu objetivo com o livro é mostrar que dá para trabalhar de um jeito sustentável e crescer fora dos modelos tradicionais: nem CLT, nem PJ, mas cooperativista”, afirma Maíra. “Decidi compartilhar o que aprendi na prática, com os acertos e desacertos da criação de uma cooperativa, porque acredito que não precisamos começar do zero. Quando aprendemos com quem veio antes, conseguimos avançar muito mais rápido, o que, aliás, já é cooperação”, acrescenta a autora.
50 passos para cooperar
Um dos diferenciais da obra está nas páginas finais. Após concluir a leitura, o leitor é convidado a virar o livro de cabeça para baixo e iniciar uma nova trilha de conteúdo. É ali que encontra 50 passos para cooperar – Aprendizados práticos para criar a sua cooperativa, um resumo das principais lições aprendidas ao longo dos capítulos.
Os 50 passos retomam situações e escolhas vividas pela autora na criação da Coletiva, mas sem propor receitas prontas. “Tomei o cuidado de não apresentar as dicas como uma lista de recomendações. São experiências nossas que podem servir de ponto de partida para quem deseja criar uma cooperativa, adaptando os aprendizados à realidade de cada um, pois achei importante transformar essa vivência em conhecimento compartilhado na ótica do empreendedor”, explica Maíra.
O que é o cooperativismo
O cooperativismo reúne mais de 1 bilhão de pessoas em 3 milhões de cooperativas e responde por 280 milhões de empregos no mundo, cerca de 10% da população ocupada. Os dados são da Aliança Cooperativa Internacional (ACI). As 300 cooperativas com maior faturamento movimentam juntas US$ 2,79 trilhões, valor superior ao PIB brasileiro.
No Brasil, o AnuárioCoop 2026, do Sistema OCB, entidade que representa as cooperativas do país, registra 29 milhões de cooperados, o equivalente a um em cada sete brasileiros. No período de seis anos entre 2019 e 2025, o número de cooperados cresceu 86%. No ano passado, as cooperativas brasileiras movimentaram R$ 848 bilhões e distribuíram R$ 61 bilhões em sobras aos cooperados, que são os donos dos negócios. “Os números mostram a dimensão do cooperativismo como alternativa ao emprego tradicional e ao empreendedorismo individual”, aponta a autora da obra.
Este é o 15º livro publicado pela Vigia Editora, que tem o cooperativismo como uma de suas principais frentes editoriais. Conhecida pelas obras de Marcelo Vieira Martins, eleito Influenciador Coop do Sistema OCB no biênio 2022/23, a Vigia conquistou três prêmios Aberje com suas publicações e foi semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico.
Ficha técnica
Nem CLT, nem PJ – Como empreender uma cooperativa
Autora: Maíra Santiago
204 páginas
Vigia Editora
Contato: @vigiacom | 48 99172-6715

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