Nestor de Oliveira*
Na antiga Roma, berço de nossa cultura latina, Virtus, (“Vir” – homem) ou a virtude, designava força, coragem, virilidade, conceito que indicava bravura do guerreiro romano, evoluindo com o tempo para chegar ao homem comum e atingir, abranger, a excelência moral e caráter exemplar. Passou a representar o conjunto de qualidades próprias do bom cidadão romano, honrado, leal, detentor de auto controle e atento ao dever cívico. Passou a designar e ser sinônimo de virtude, indicando disposição constante da mente, da prática do bem, além de resistir às tentações dos vícios. Realça as qualidades do bom homem, como sabedoria, justiça, temperança, honestidade, ética e fazer o que é certo. Roma passou a ver em Virtus a divindade da excelência, adorada em templos de seu vasto Império.
Cícero, o filósofo, orador, advogado e sábio, via em Virtus particularmente qualidades adequadas ao novo e comum homem, assim como “nobilitas” era adequada ao nobre. “Virtus, não a história de família, é própria do novo homem, algo que é conquistado pela sua capacidade, não é herança, é medida pelos seus próprios atributos, alcançados pelos seus méritos”. O objetivo de Cícero não era questionar a classe nobre, mas ampliá-la para incluir homens que haviam conquistado o respeito e a admiração de seus conterrâneos. Continua o sábio “A Virtus é o emblema da raça e linhagem dos romanos. Apeguem-se firmemente a ela, eu imploro a vocês, homens de Roma, como uma herança de seus ancestrais lhes legaram. Todo o resto é falso e duvidoso, efêmero e multável. Somente a Virtus permanece firmemente fixa, suas raízes são profundas, ela nunca pode ser abalada por nenhuma violência, nunca removida de seu lugar”.
Nestes nossos tempos, em que questionamos o comportamento individual ou coletivo do homem brasileiro, particularmente na atuação política em todas as suas vertentes e ideologias, relembrar o conceito romano da virtude é acreditar que nos resta uma esperança na capacidade de transformação, para o bem, de nossos homens públicos. Nos acostumamos a ver, todos os dias, nos tribunais, na imprensa ou nas delegacias de polícia, a presença dos nossos eleitos e representantes acusados dos mais diversos crimes, sejam contra o patrimônio, especialmente o público, a moral, a ética ou aos bons costumes. Perdemos a referência das boas e velhas virtudes que alicerçaram gerações, construíram valores, formaram tradições e honraram nosso passado cultural e político.
Temos, no Brasil, em Minas Gerais, exemplos em que sua simples citação nos faz reverenciar, com a máxima vênia, o nosso passado de honradez e respeito, a uma cultura construída pelos valores e tradições tão próprios de nossa terra. Citar Wenceslau Braz, Afonso Pena, Milton Campos, Juscelino Kubistchek, Tancredo Neves, Itamar Franco, Célio de Castro, Hélio Garcia ou Renato Azeredo, para ficarmos só entre os que já morreram, traz à nossa memória referências do quanto nos é cara nossa história, construída por uma linhagem de homens, e mulheres, que nos honraram e honram nossa origem. Nestes novos tempos, em que a maior valia é o efêmero TER, não podemos nos esquecer que o permanente, o que fica, é o SER. (Texto escrito com consultas a IA).
*Jornalista e escritor


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