O resultado é decorrente da expansão da atividade econômica e elevação dos impostos
De acordo com a Receita Federal, a “des-carga” de tributos federais no Brasil atingiu, em 2025, o maior patamar da história. O resultado de dezembro somou R$ 292,7 bilhões ficando acima da mediana de expectativas de mercado, em R$ 290,1 bilhões. Com este resultado, houve variação real na receita total de +7,5% no mês. O desvio em relação à projeção se deu principalmente na receita de IR e COFINS, ambas acima do esperado. No acumulado de 2025, a receita foi de R$ 2.886,9 bilhões, crescimento real de +3,7% ante 2024 – um recorde histórico.


Os principais índices de atividade de novembro impactaram de forma mista a arrecadação de dezembro. Houve crescimentos no setor de serviços (PMS: +2,52%) e no mercado de trabalho, que ainda mostra forte crescimento da massa salarial (PNAD: +10,06% ). Por outro lado, houve retrações no comércio varejista (PMC: -0,34 %), na indústria (PIM: -2,17%),

Na abertura dos tributos, as variações foram positivas em todas as linhas, com exceção de Imposto de Importação (-4,5%). Apesar da desaceleração da atividade, foram registradas variações reais nos principais tributos associados ao ciclo, como IPI (+3,2%), COFINS (+6,1% ) e PIS/PASEP (+3,4%). O vultoso crescimento do IOF (+39,9%) é decorrente das alíquotas majoradas, que resultaram num acréscimo de R$ 2,7 bilhões em relação ao observado em maio (pré-aumento). No acumulado do ano, foi registrado crescimento real de 3,7% no total, muito favorecido pelo comportamento do ciclo ao longo do ano, conforme o quadro abaixo.

Na margem, a arrecadação total dessazonalizada cresceu +1,7% em dezembro. Após uma pequena perda de fôlego em agosto/2025 e setembro/2025, a trajetória de alta voltou a se consolidar. Nos próximos meses esse movimento deve permanecer, favorecido pelo esperado impulso fiscal concentrado no 1º semestre e aumento no consumo das famílias devido à isenção do IR.

De forma geral, o resultado de dezembro pode ser analisado como mais uma surpresa positiva. Após este resultado, para o primário do governo central de dezembro espera-se +R$ 22,5 bilhões. Para 2026, a expectativa é de uma arrecadação R$ 3.085 bilhões (+3,2% real). Os recolhimentos devem continuar a mostrar resultados positivos, em linha com a desaceleração suave da atividade econômica e com a contribuição positiva das medidas de majoração de alíquotas (redução de renúncias) aprovadas em 2025.
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