Rachel Capucio*
Entre faraós, escribas e símbolos milenares, as galerias egípcias do Louvre revelam uma civilização que continua fascinando o mundo.
Visitar a coleção egípcia do Museu do Louvre, em Paris, é atravessar milhares de anos de história. Entre esculturas, sarcófagos, papiros, joias, objetos funerários e inscrições em hieróglifos, o visitante encontra os vestígios de uma das civilizações mais fascinantes da humanidade.
A coleção ganhou força na França a partir do crescente interesse europeu pelo Egito, especialmente após a campanha de Napoleão Bonaparte, entre 1798 e 1801, que levou ao país uma expedição formada também por estudiosos, artistas e pesquisadores. Décadas depois, a decifração dos hieróglifos por Jean-François Champollion ampliaria profundamente a compreensão sobre a sociedade egípcia.
Entre as obras mais célebres está O Escriba Sentado, produzida durante o Antigo Império. A escultura impressiona pelo realismo e pelos olhos incrustados, que parecem acompanhar o visitante. Embora a identidade do personagem seja desconhecida, sua representação evidencia a importância dos escribas, responsáveis pelo registro de informações e pelo funcionamento administrativo do Estado.
A força dos faraós também domina as galerias. Ramsés II, um dos mais conhecidos soberanos do Egito Antigo, aparece representado em obras que traduzem a relação entre poder, religião e eternidade. Para os egípcios, a imagem do faraó não era apenas um retrato: representava autoridade e continuidade.
Outro destaque é a Grande Esfinge de Tanis, com seu tradicional corpo de leão e cabeça humana. Encontrada no Delta do Nilo, a monumental escultura traz inscrições relacionadas a diferentes soberanos, revelando como monumentos podiam ser reutilizados ao longo dos séculos.
Já o Zodíaco de Dendera aproxima arte, religião e astronomia. Produzido no período greco-romano, o relevo representa o céu e suas constelações, mostrando como os antigos egípcios relacionavam os movimentos celestes aos deuses e aos ciclos da natureza.
Mas talvez a maior riqueza da coleção esteja justamente na diversidade de seus objetos. Amuletos, vasos, joias, mobiliário e elementos funerários permitem conhecer não apenas os faraós, mas também aspectos da vida cotidiana e das crenças de uma sociedade profundamente ligada à ideia de continuidade após a morte.
No Louvre, o Egito Antigo não parece tão distante. Cada escultura, cada hieróglifo e cada pequeno objeto funciona como uma janela para um mundo que desapareceu há milhares de anos, mas que permanece vivo através da arte.
*Advogada, especialista em Cultura

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