Nestor de Oliveira*
Quando o país mergulha em crises institucionais, nosso estágio atual, não existe outro caminho a seguir senão a reforma estrutural de sua organização. É profunda e preocupante a situação de crise política, econômica e social do país que parece ter sido criado para não dar certo, apesar de suas riquezas naturais e esforço de seu povo na busca de segurança, desenvolvimento e futuro melhor. A deterioração das relações entre os poderes, a insegurança geral, a perda de referências éticas e a descrença nos homens que conduzem os destinos do país, nos levam ao estágio lamentável e fragilizado, de uma nação que não acredita mais em si mesma.
Parece que todos os homens, e mulheres, que têm o poder de mudar nosso destino estão condenados a serem o que Nietzche chamou de “O último homem”. Ele é o niilista passivo, arquetípico, cético radical que nega a realidade de um propósito, o sentido ou valor intrínseco da existência, cansado da vida e de suas crenças, não corre riscos e busca o próprio conforto e segurança, incapaz de construir e agir, não tem sonhos. O último homem é a meta que a sociedade estabeleceu para si própria, a cultura de buscar apenas o conforto passivo, a rotina, evitando tudo que poderia trazer riscos, dor ou decepção. Nada cria, não age, vê o mundo em sua volta passivamente, alheio a tudo que o cerca, desacreditando nos sonhos e mudanças necessárias para sua própria evolução social. Acima de tudo, uma vítima dos encantadores de multidões e de si mesmo.
A política e a democracia nasceram para servir à sociedade, ordená-la, criar espaço para a construção de soluções para o estado e seus diversos problemas, defender os interesses da pátria e a busca de melhores dias, garantia de estabilidade e segurança jurídica para todos os cidadãos. O interesse coletivo é senhor de todas as decisões, não suportando que o poder seja usado em favor de vantagens pessoais ou corporativas, destruindo a credibilidade necessária à sua própria existência. Permitir que princípios e valores se tornem flexíveis é matar a essência da política e da democracia, é a corrosão das virtudes essenciais à governabilidade e representação legítima dos cidadãos.
A história nos mostra que as crises são a antevéspera das grandes soluções, sejam através das reformas ou do sangue. Somos um povo pacífico, trabalhador, acostumado a solucionar problemas e encontrar caminhos que nos conduzam à superação. Cabe à política, aos homens que a conduzem, encontrar as soluções, evitar rupturas indesejáveis, construir uma reforma e renovação institucional profunda, que não seja para satisfazer interesses casuísticos destinados a atender oportunos interesses eleitorais.
É urgente reformar a representação popular, partidos, reduzir privilégios e acabar com domínios e espaços criados por uma elite econômica e de funcionários públicos, notadamente do judiciário, deputados e privilegiados do executivo. O abismo que se abre a nossa frente, desenhado pela irresponsabilidade dos atuais condutores do estado, precisa ser evitado, ou nele a nação perecerá. Também é urgente que tenhamos de volta a moralidade pública, o respeito à honra, a prática da ética, o preceito da dignidade e fazer voltar valores usurpados e feridos pela corrupção de indignos homens que ocupam lugares estratégicos do poder brasileiro. Vale lembrar o artigo primeiro da Constituição: “Todo poder emana do povo e através de seus representantes, em seu nome será exercido”.


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