Itamar de Oliveira*
Era uma vez um pedacinho de Belo Horizonte que se chamava Barro Preto.
Era uma vez um pedacinho de Belo Horizonte que a régua e o compasso do engenheiro e urbanista Aarão Reis delimitaram como Barro Preto. Um lugar de encontros e reencontros de brasileiros e imigrantes- a maioria italianos- que ajudaram a fazer da capital de Minas Gerais um espaço aberto para o trabalho que garante o pão, a moradia, a liberdade e a cidadania.
O jornalista Francisco de Assis Alves Brant- o Chico Brant, respeitado e admirado inter pares-caminhou com extraordinária desenvoltura pelas trilhas da observação, da memória e da história para colocar, definitivamente, o Barro Preto do lado esquerdo de uma cidade que nasceu com o norte dos ideais de progresso e com a vocação mais importante de aceitação democrática de diferenças culturais e religiosas.
A reconhecida e relevante coleção BH, a Cidade de Cada Um, tornou-se muito mais rica, completa e pedagógica com a profusão de personagens que fazem parte de uma paisagem em que a antiga Cidade de Minas do pretérito se tornou a Belo Horizonte do presente.
Em agosto de 1900, o então prefeito Bernardo Pinto Monteiro autorizou a formação do núcleo operário do Barro Preto. O lugar carrega, pois, desde sua origem, a marca do trabalho e da solidariedade de uma camada da população que aprendeu e nos ensina lições de humanismo e de fraternidade.
O Barro Preto, que nasceu pobre e operário, a partir de 1940 seguiu o ritmo progressista de Belo Horizonte e viveu uma pré-adolescência que transformou o cenário antigo em espaço contemporâneo de comércio, lazer e prestação de serviços.
São milhares de pessoas, como o nosso Chico Brant e o padre José Candido da Silva, que se orgulham de ter nascido, vivido, trabalhado ou se divertido no surpreendente território do Barro Preto.
Uma riqueza maior do trabalho do eterno repórter que pulsa no coração do escritor é o arsenal de depoimentos recolhidos e registrados pelo nosso Chico Brant.
Pedacinhos de recordações, até então guardados em memórias individuais, estão devidamente documentados e o Barro Preto reaparece iluminando a história afetiva de Belo Horizonte com lembranças que agora estão eternizadas.
O irrequieto e observador publicitário e compositor Gervásio Horta, flanando pelo Barro Preto, cometeu uma canção intitulada Lindo Barro Preto, que celebra circuitos do metabolismo do bairro com flashes da Avenida Augusto de Lima com as ruas Rio Grande do Sul, Araguari, Mato Grosso e Ouro Preto. Gervásio assinala que as vitrines das lindas lojas de modas masculina, feminina e infantis despertam as fantasias mais extraordinárias.
Apaixonado pelo Cruzeiro de Tostão, Piazza, José Carlos, Dirceu Lopes e outros craques da bola, Gervásio enxerga o mundo pelo azul de Pablo Picasso.
O Barro Preto foi ainda o cenário do encerramento da Revolução de 1930 em Belo Horizonte.
Fica muito claro que o Barro Preto não começa na Praça Raul Soares e não termina no Prado, no Calafate, na Barroca ou na Nova Suíça, em uma interminável marcha para o Oeste.
O Barro Preto não precisa andar depressa.
Seus artífices, artistas e operários são homens e mulheres que inventaram um jeito especial de viver a vida com poesia, combatividade e criatividade. Gente que trabalha de forma solidária e fraterna.
Viva o Barro Preto de tantas lutas e conquistas. Viva o Barro Preto, semente de liberdade e cidadania.
Muito obrigado Chico Brant.
*Jornalista e escritor
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