Eu acredito

Antonio José Polanczyk*

O povo brasileiro não sabe votar. Olhando a galeria dos presidentes do Brasil: Juscelino, Jânio, Jango, Castelo, Geisel, Figueiredo, Sarney, Color, Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro e Lula, quinze ao todo, podemos afirmar que dois terços deles não deveriam ter sido eleitos, foram péssimos governantes.

E os senadores e deputados? São membros de organizações onde buscam se perpetuar no poder e alguns o enriquecimento ilícito. Em um mercado em que se negociam verbas para deputados, cargos governamentais para os amigos em troca de votos de congressistas é natural que a corrupção seja grande e a eficácia governamental baixa.

Assim o Índice de Percepção da Corrupção, principal indicador de corrupção no mundo, avaliou o Brasil em 104º posição entre 180 nações analisadas e abaixo da média global e das Américas.

O Instituto Internacional de Desempenho Gerencial classificou o Brasil no 60º lugar no ranking de competitividade entre 64 países analisados, melhor apenas que África do Sul, Mongólia, Argentina e Venezuela. A eficiência governamental brasileira ficou em 62º lugar.

É esse o país que estamos deixando para nossos filhos e netos? É vergonhosa a avaliação de nossa gestão pública. O que estamos deixando para as próximas gerações? 

As últimas gerações foram tão incompetentes?

Para responder esta pergunta falaremos de duas realizações brasileiras que mudaram radicalmente o cenário atual e futuro do país. 

Na década de 1950, enquanto patriotas lutavam pela criação da Petrobras, Mr Link um dos mais renomados geólogos mundiais, especialista em petróleo, em seu relatório final afirmou que não existia petróleo no Brasil e os economistas de direita clamavam que seria melhor importar o petróleo abundante no mundo por cinco dólares o barril àquela época.

Getulio Vargas criou a Petrobras, mas o monopólio de toda a cadeia produtiva: extração, importação, refino e distribuição, foi uma proposta de deputado udenista de oposição ao governo.

Partiu-se do nada, não se conheciam as bacias possíveis de ter petróleo, não havia equipamentos, gente, tecnologia, empresa, escolas de geologia, havia um sonho. Engenheiros, técnicos, administradores construíram a empresa, transformando o sonho em uma das maiores empresas de petróleo do mundo, culminando com a descoberta em mar profundo e desenvolvendo a tecnologia para trazê-lo até o consumidor. Hoje Brasil está entre os dez países maiores produtores mundiais de petróleo.

A Petrobras assegurou o abastecimento de combustíveis em todo o território nacional durante toda a existência do monopólio, mesmo durante as crises mundiais e bloqueios árabes. Tinha uma política de preços conhecida sem interferência de ministros do governo.

Ao longo dos oitenta anos a Petrobras cresceu à sombra dos sucessivos governos, sem a interferência de ministros e presidentes, com autonomia, preocupada em cumprir a missão que a lei fixara. Apenas no governo Dilma houve forte presença política na empresa, introduzindo a incompetência e a corrupção em larga escala.

Petrobras, uma empresa estatal, é um exemplo de que as coisas podem funcionar bem, sem interferência de políticos.

Um segundo exemplo é o agronegócio. Cinquenta anos atrás tivemos crise no abastecimento de alimentos. Importamos arroz, feijão, faltou carne, ovos, rangos nos açougues, comemos carne de baleia. 

Guimaraes Rosa escutava no cerrado brasileiro o ruído dos cupins comendo restos vegetais e um hectare de campo não produzia capim para alimentar um único boi, não se plantava soja nem milho, éramos grandes importadores de algodão. Hoje não se escuta os cupins, mas o ronco de tratores, colheitadeiras, drones e caminhões. O cerrado alimenta o Brasil e parte significativa da população mundial.

O trabalho da Petrobras e o agronegócio criaram uma situação nova que os brasileiros ainda não perceberam em toda a sua extensão. Desde a independência do Brasil, o país viveu atribulado com as contas externas e empréstimos de bancos estrangeiros, da Inglaterra, dos EUA e do Banco Mundial. Nas décadas de 1950 a 1980 o atribulado ministro da Fazenda vivia solucionando crises cambiais, pagamento de dívidas externas, renegociando e fazendo acordos sucessivos com o FMI que todos sabiam que não seriam cumpridos. A falta de dólares criou o mercado paralelo e o hábito de entesourar a moeda debaixo do colchão.  O Brasil daqueles tempos vivia uma situação análoga à da Argentina de hoje, em que todo o debate e problema nacional gira em torno da dívida externa.

Apesar de muitos governos incompetentes, alguns corruptos, o Brasil se apresenta ao mundo como um país muito forte economicamente: possuímos 350 bilhões de dólares em reservas, somos um país exportador de petróleo, um dos maiores fornecedores de grãos e proteínas. A participação de combustíveis fósseis na produção de energia elétrica é muito pequena. Estamos em uma posição cômoda em relação a dois problemas mundiais, a fome e a emissão de gás carbônico.

Isto foi conseguido mesmo com todos os escândalos, corrupção e incompetências governamentais. Não foi obra de um homem, ocorreu de forma natural, atravessou governos que não percebiam a mudança. È uma dadiva da natureza e o resultado do trabalho de cada um dos milhões de brasileiros, cada um em seu canto. 

Olhemos com orgulho as conquistas do povo brasileiro nestes e, também, em outros setores, o presente está melhor que o passado. As desgraças atuais: pobreza, corrupção, governabilidade serão superadas.

*Engenheiro, ex-presidente da Cia. Siderúrgica Belgo Mineira (Atual ArcelorMittal)

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