Autor: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
Presidente/Editor Geral de MercadoComum
A FJP – Fundação João Pinheiro divulgou, no dia 19 de dezembro, estudo apresentando uma análise das transformações econômicas identificadas na evolução do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios de Minas Gerais entre 2022 e 2023 e que pode ser acessado diretamente no site da instituição.
De acordo com o referido estudo, entre os municípios que detêm a maior parcela do PIB de Minas Gerais, Belo Horizonte, Extrema e Betim aumentaram sua representatividade no produto agregado mineiro na passagem de 2022 para 2023. No mesmo período, Ipatinga e Uberaba apresentaram perda de participação.
Em 2023, Extrema foi o município com o maior PIB per capita do estado (R$ 377.791). Na segunda posição apareceu Indianópolis (R$ 348.423).
Somente 20 municípios (os de maior representatividade no PIB estadual) foram responsáveis por mais da metade (50,3%) do produto agregado mineiro em 2023. Em contrapartida, 597 municípios (os de menor participação no PIB estadual) geraram apenas 10,0% do PIB de Minas Gerais no período.
Municípios em cuja estrutura produtiva predominaram os serviços financeiros, a administração pública, a geração de eletricidade, a indústria automotiva e alimentícia e o cultivo da cana-de-açúcar ganharam participação na economia mineira em 2023.
Por outro lado, municípios com especialização produtiva no segmento mínero-siderúrgico, na indústria química de fertilizantes e no comércio atacadista associado a essas atividades perderam representatividade no mesmo período.
Em 2023, a agropecuária perdeu participação na economia mineira em razão da redução nos preços dos produtos na agricultura (sobretudo café e cereais) (tabela 1). Apesar disso, o cultivo de cana-de-açúcar aumentou sua representatividade no Valor Bruto de Produção (VBP) agrícola do estado no período.
Na indústria, houve continuidade na expansão no volume de energia elétrica gerada no segmento de energia e saneamento em 2023 e ganho de participação no Valor de Transformação Industrial (VTI) da indústria alimentícia e de veículos em Minas Gerais.
Por outro lado, o cenário de redução nas cotações do minério de ferro e do aço contribuiu para perda de representatividade da indústria extrativa mineral e da metalurgia na estrutura produtiva mineira em 2023. A indústria química associada à fabricação de produtos químicos orgânicos, inorgânicos e de defensivos agrícolas foi outro segmento com desempenho desfavorável no estado no período.
Nos serviços, o comércio atacadista especializado (café em grão, fertilizantes e produtos siderúrgicos) apresentou desempenho adverso em Minas Gerais no período (tabela 1). Em contrapartida, houve ganho de participação dos serviços de informação e comunicação, das atividades financeiras e de seguros e, principalmente, da administração pública na estrutura econômica estadual em 2023.
Municípios com maior participação no PIB estadual
Para analisar as alterações econômicas ocorridas no território mineiro entre 2022 e 2023, é interessante observar o desempenho do produto agregado dos dez municípios com maior representatividade no PIB de Minas Gerais, tendo em vista a influência deles para o resultado estadual.

Municípios com PIB per capita mais elevado
Em função do protagonismo do comércio atacadista em sua estrutura produtiva, Extrema foi o município com o maior PIB per capita do estado em 2023 (R$ 377.791) (tabela 3). O produto agregado por habitante do município do sul de Minas Gerais foi 698,4% superior ao registrado para economia mineira no período, estimado em R$ 47.321.

Na segunda colocação do ranking estadual dos municípios com os maiores valores de PIB per capita em 2023 aparece Indianópolis, tendo em vista a inauguração da fábrica de produção da LD Celulose em seu território. Considerada uma das maiores do mundo na fabricação de celulose solúvel, a fábrica começou a operar em 2022 e atingiu sua capacidade operacional máxima em 2023.3 Por isso, entre os municípios explicitados na tabela 3, Indianópolis foi o que apresentou o maior crescimento do PIB per capita de 2022 para 2023 (149,5%).
A presença da mineração associada à extração do minério de ferro foi o fator explicativo para o PIB per capita elevado em Catas Altas (com a presença da mina de Fazendão da Vale), São Gonçalo do Rio Abaixo (com a mina de Brucutu da mesma empresa) e Itatiaiuçu (área de atuação da Mineração Usiminas e da Arcelor Mittal). Apesar dos valores de produto agregado por habitante bem acima do observado para média estadual, em função da precificação menor do minério de ferro em 2023 comparativamente ao ano anterior, houve redução desse indicador nesses municípios na passagem de 2022 para 2023.
O PIB per capita elevado de Jeceaba se deve à atuação da Vallourec na produção de tubos de aço sem costura em âmbito local. Já em Confins, o patamar mais alto desse indicador é explicado pela presença do Aeroporto Internacional Tancredo Neves em âmbito local. No caso de Confins, é interessante ressaltar que os serviços de transporte aéreo aumentaram sua representatividade na economia mineira em 2023, o que contribuiu para expansão do PIB per capita do município (107,1%) no período.
Em Água Comprida, o produto agregado por habitante 231,8% superior ao de Minas Gerais em 2023 e o crescimento corrente desse indicador entre 2022 e 2023 (38,9%) se devem à performance favorável do cultivo da cana-de-açúcar em seu território (tabela 3).
A extração de minerais para fabricação de adubos e fertilizantes associados à presença do complexo de mineração da Mosaic Fertilizantes explica o valor elevado do PIB per capita em Tapira.
O município de Perdizes aparece na décima posição do ranking de Minas Gerais em 2023 com um PIB per capita de R$ 150.305, favorecido pela geração de valor adicionado elevada na agricultura local e, principalmente, pela expansão da indústria alimentícia de processamento de batatas pré-fritas, em razão da atuação da empresa Bem Brasil em seu território.

Concentração econômica
Em 2023, o PIB de Minas Gerais foi estimado em R$ 971.977.551 mil (ou R$ 972,0 bilhões), e apenas Belo Horizonte representou 13,4% do total do produto agregado mineiro no período (tabela 4).
Somente três municípios (Belo Horizonte, Betim e Uberlândia) foram responsáveis por quase um quarto (24,1%) do PIB estadual, e os dez municípios de maior participação na economia mineira (Belo Horizonte, Betim, Uberlândia, Contagem, Uberaba, Juiz de Fora, Extrema, Ipatinga, Sete Lagoas e Pouso Alegre) representaram mais de dois quintos (40,3%) do produto agregado de Minas Gerais em 2023.
Para se ter uma ideia da concentração espacial da produção, verificou-se que mais da metade (50,3%) do PIB veio de apenas 20 municípios; dois terços (66,6%) do produto agregado foram gerados em apenas 55 municípios; três quartos (75,0%), em 89 municípios e nove décimos (90,0%), em 256 municípios (tabela 4).
Em contrapartida, apenas um décimo (10,0%) do PIB mineiro foi gerado nos últimos 597 municípios que compõem a última faixa de participação no produto agregado estadual (da posição 257ª à 853ª do ranking) conforme mostrado na tabela 4. Como Minas Gerais contabiliza 853 municípios, isso significa dizer que 70,0% deles geraram apenas 10,0% do PIB estadual em 2023.
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