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title: "Carga tributária brasileira atinge 34,12% do PIB em 2024, o maior nível da história"
url: https://mercadocomum.com/carga-tributaria-brasileira-atinge-3412-do-pib-em-2024-o-maior-nivel-da-historia/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2025-12-18T14:12:05-03:00
categories: [Destaque Especial]
tags: [12% do PIB em 2024, Carga tributária brasileira atinge 34, Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, o maior nível da história]
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# Carga tributária brasileira atinge 34,12% do PIB em 2024, o maior nível da história

***Autor: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira***

 ***Não é novidade para os brasileiros o pagamento elevado de impostos. Em 2024 o país registrou o maior nível, equivalente a mais de 1/3 do PIB – sendo considerada*** **a maior “des-carga” tributária da série histórica, iniciada há 22 anos**

 ***A União concentra 2/3 de toda a arrecadação nacional***

 Presidente/Editor Geral de MercadoComum

 ***SUMÁRIO***

 Pelo cálculo tradicional, os tributos chegaram a 34,12% do PIB brasileiro em 2024. No entanto uma nova metodologia foi adotada pelo governo, o que muda a fórmula do cálculo e exclui itens como o FGTS e o Sistema S – Sesi, Senai, Sesc etc, implicando na sua redução para 32,20% do PIB. A diferença é técnica, o efeito não. Segundo a Receita Federal, o ajuste busca tornar o indicador comparável aos padrões internacionais adotados pelo FMI e pela OCDE.

 A “des-carga” tributária subiu cerca de dois pontos percentuais em apenas um ano, devido ao aumento de impostos em todas as esferas:

 

 

| - *União: de 19,9% para 21,3% do PIB (+1,4 p.p.). Desde o início do Lula III,* [*mais de 27 tributos sofreram aumentos*](https://link.mail.beehiiv.com/ss/c/u001.EeVuwTddsaRtm5OPpghUrEtRRQL0O9KnHhn_nOqFAmWI9CmSoxI8joAbiliKc_4cZstWihD0kVf5BGYNxl2HnFFRGoWU5MGfFBNVc9mpkLQebdRK0HTC6GVXoUc74n8Y0tUUvToHFmr6uUqPyUv6zZDbOwyg5x63LliqyhOzfEnIBrxpdnNyOdLUFYLwwP5tGWwXDGo8WWBoHu34cWMyr2wEgOqPa5MqVMZcbUipX6tbleVxfr6k8VogHNimU8LlsGRsfZV6XkwwvmOANRqVkMYhCyWnvYEUJ5IwdJqXynFhQLie3KhWaLMfOFtrW8S8o1xpmbjXWUJgn5vgsTaJBBZwbh9PRz8Ts1QrEodqB4c/4mg/vw4JfGaTQ6y16IPjyCrjRg/h18/h001.eQCuPWh2sy-E6wj_nwp-wuodV4HuNCh4_I9oyN1Rrls)*;* - *Estados: de 8,01% para 8,46% do PIB;* - *Municípios: de 2,31% para 2,44% do PIB.* |
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 O maior peso continua nos impostos cobrados sobre o consumo – aqueles embutidos em tudo que o consumidor compra. Em 2024, eles somaram R$ 1,64 trilhão, o equivalente a 43,5% da arrecadação total. Com IOF, superam 45%.

 Já os impostos incidentes sobre a renda e o lucro representam 28,3% da arrecadação – bem abaixo da média dos países considerados ricos. Em síntese: cobra-se muito de quem consome e pouco de quem ganha mais.

 A comparação internacional ainda usa dados de 2023. Naquele ano, a carga tributária brasileira foi de 32,1% do PIB pela metodologia antiga – ou 30,2% no novo cálculo. O índice ficou abaixo da média da OCDE, de 34,1%, mas acima da média da América Latina e Caribe, de 21,3%.

 A Secretaria do Tesouro Nacional, ligada ao Ministério da Fazenda divulgou, no dia 12 de dezembro, os dados sobre a Carga Tributária Nacional, cujos resultados apurados indicam um dos mais elevados níveis já registrados da série que apresenta uma metodologia aperfeiçoada. A arrecadação tributária total somou R$ 3.782,09 bilhões, registrando-se uma expansão nominal de 14,3% em relação ao exercício anterior. O detalhamento da Carga Tributária Nacional encontra-se a seguir.

 **1,CONSIDERAÇÕES INICIAIS**

 Em 2024, a Carga Tributária Bruta (CTB)1 atingiu 32,20% contra 30,22% em 2023, indicando variação positiva de 1,98 pontos percentuais (Tabela 01). Essa variação resultou da combinação dos acréscimos em termos reais de 3,2% do Produto Interno Bruto e de 0,4% da arrecadação tributária nos três níveis de governo.

 

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-Tela-2025-12-18-as-13.56.16-300x141.png)

 
- **FATORES CONDICIONANTES**

 O PIB no ano de 2024 apresentou aumento real de 3,4% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 11,74 trilhões (valores correntes).

 Esse resultado decorreu do incremento tanto do valor adicionado a preços básicos quanto dos impostos sobre produtos líquidos de subsídios. O resultado do valor adicionado é reflexo do desempenho das atividades: Agropecuária (-3,2%), Indústria (3,3%) e Serviços (3,7%).

 No que tange à arrecadação, observa-se que a maior parte do acréscimo da carga tributária em 2024 em relação a 2023 — equivalente a 1,98 pontos percentuais do PIB — decorre das elevações registradas na Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins e no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que juntos respondem por cerca de 0,96 p.p. desse aumento.

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-Tela-2025-12-18-as-13.56.29-300x119.png)

 
- **SÉRIE HISTÓRICA DA CARGA TRIBUTÁRIA**

 O valor da Carga Tributária Bruta do Brasil em 2024 atingiu 32,20% do PIB, marcando um aumento significativo em relação ao exercício anterior (30,22%). A série histórica apresentada no gráfico a seguir abrange o período de 2002 a 2024 e traz, de forma comparativa, duas trajetórias: a linha contínua representa os valores recalculados conforme a nova metodologia adotada a partir de 2024, que exclui do cômputo da carga as contribuições destinadas ao FGTS e ao Sistema S, enquanto a linha tracejada exibe os valores originais obtidos pela metodologia anterior.

 Nota-se um deslocamento sistemático entre as duas séries, com diferença média de aproximadamente 1,8 pontos percentuais do PIB, decorrente da mudança metodológica. A exclusão desses componentes resultou em uma redução consistente nos níveis registrados ao longo de toda a série, sem, no entanto, alterar o perfil de evolução da carga ao longo do tempo, que segue refletindo os ciclos econômicos e alterações de política tributária observadas no período.

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-Tela-2025-12-18-as-13.56.36-300x188.png)

 
- **ANÁLISE POR ENTE FEDERATIVO**

 A tabela a seguir apresenta a distribuição da Carga Tributária entre os três níveis da Federação. Em 2024, observa-se que todos os entes federativos ampliaram sua participação relativa ao PIB, com destaque para a União, cuja carga passou de 19,90% para 21,30% do PIB, representando um acréscimo de 1,40 ponto percentual. Os Estados e os Municípios também apresentaram elevação, de 0,45 p.p. e 0,13 p.p., respectivamente.

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-Tela-2025-12-18-as-13.56.46-300x96.png)

 Quando se considera a participação relativa na arrecadação total, nota-se que apenas a União ampliou sua participação (de 65,83% para 66,14%), enquanto Estados e Municípios tiveram leve redução. Tal comportamento sugere que, embora todos os entes tenham contribuído para a elevação da carga tributária, o crescimento foi mais intensamente puxado pelas receitas federais.

 É importante observar que, em comparação com edições anteriores deste estudo, a participação da União na arrecadação total apresenta valores ligeiramente inferiores, em razão da exclusão metodológica das contribuições ao FGTS e ao Sistema S, que anteriormente eram contabilizadas como receitas da esfera federal. Essa alteração, em linha com os padrões metodológicos internacionais, impacta a estrutura de repartição da carga entre os entes.

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-Tela-2025-12-18-as-13.56.54-300x99.png)

 A série histórica da participação dos entes federativos na arrecadação total indica uma tendência clara: União e Municípios vêm ampliando gradualmente suas fatias relativas na arrecadação, enquanto os Estados apresentam trajetória inversa, com redução contínua desde 2021. Em 2024, a participação da União atingiu 66,14%, e a dos Municípios, 7,59% — ligeiramente inferior ao valor registrado em 2023 (7,66%), o maior da série iniciada em 2015. Já os Estados, com 26,28%, atingem o menor patamar do período analisado, conforme exposto na Tabela 03, acima.

 Ressalte-se que todos os dados apresentados na Tabela 03 foram recalculados segundo a nova metodologia de apuração da carga tributária, com exclusão das contribuições ao FGTS e ao Sistema S, de forma a garantir a comparabilidade entre os exercícios.

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-Tela-2025-12-18-as-13.57.03-300x137.png)

 
- **ANÁLISE POR TRIBUTOS – ENFOQUE ORÇAMENTÁRIO**

 Dentre os tributos federais, os que mais contribuíram para o aumento da carga tributária em 2024, no comparativo com 2023 (variação total de 1,40 p.p. do PIB), foram as Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com um acréscimo conjunto de 0,50 ponto percentual do PIB, seguidas pelo Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) com 0,34 p.p., e pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) com 0,18 p.p.

 O crescimento da arrecadação do PIS/Cofins está associado, principalmente, à reversão de desonerações concedidas no exercício anterior, notadamente sobre combustíveis, além da recuperação de receitas sobre a base do consumo em geral. Já no caso do IPI, a elevação decorre da retomada parcial de alíquotas após os cortes promovidos em 2022, enquanto o crescimento do IRRF pode estar relacionado ao aumento da massa salarial e de rendimentos pagos a pessoas físicas e jurídicas, acompanhando o dinamismo econômico de 2024, bem como da influência da tributação de fundos de investimento.

 Quanto aos tributos estaduais e municipais, os principais destaques foram os aumentos de arrecadação do ICMS (estados), com acréscimo de 0,40 ponto percentual do PIB, e do ISS (municípios), com 0,08 p.p..

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-Tela-2025-12-18-as-13.57.23-279x300.png)

 
- **ANÁLISE POR BASE DE INCIDÊNCIA – ENFOQUE ECONÔMICO**

 Com relação às bases de incidência, o aumento global da carga tributária distribuiu-se de acordo com os números apresentados na Tabela 05 abaixo. Em 2024, a base de incidência com maior crescimento em relação ao PIB foi a de “Bens e Serviços”, com acréscimo de 1,41 ponto percentual do PIB em relação ao ano anterior. Esse crescimento reflete a elevação significativa da arrecadação de tributos como PIS/Cofins, ICMS, IPI e ISS, os quais incidem predominantemente sobre o consumo. Ressalta-se que esse comportamento reforça uma das principais críticas ao sistema tributário brasileiro: a elevada dependência da tributação indireta, associada a um perfil mais regressivo e com menor capacidade distributiva.

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-Tela-2025-12-18-as-13.57.31-300x125.png)

 No caso da base “Folha de Salários”, observou-se um leve aumento relativo da participação no PIB, de 0,07 p.p.. Apesar do ligeiro aumento, é importante destacar que, com a adoção da nova metodologia de cálculo da carga tributária, foram excluídas as contribuições ao FGTS e ao Sistema S, que anteriormente eram classificadas nesta base de incidência. Essa mudança metodológica afeta diretamente a interpretação da série histórica, reduzindo a participação da base Folha de Salários em cerca de 2% em relação ao PIB e de cerca de 4% no percentual da arrecadação com esses percentuais sendo distribuídos para as outras bases na medida de suas participações na arrecadação.

 Com relação à tendência histórica, a análise da evolução da participação das bases de incidência revela que, apesar de oscilações pontuais, a tributação sobre bens e serviços mantém-se como o principal componente da arrecadação brasileira, respondendo por 43,49% do total em 2024. A retomada dessa base nos últimos dois anos reforça a dependência do sistema de impostos indiretos, caracterizados por maior regressividade.

 A base “Renda” apresentou crescimento relevante entre 2022 e 2024, mantendo-se acima de 28% nesse período. Já a base “Folha de Salários” mostra uma tendência de queda desde 2020, passando de 23,13% para 21,16% em 2024. Essa redução reflete, possivelmente, mudanças estruturais no mercado de trabalho, como a maior informalidade, rotatividade ou a substituição da folha por outras formas de remuneração, e não resulta de alteração metodológica, já que a série histórica apresentada já considera, de forma homogênea, a exclusão do FGTS e do Sistema S, conforme pode ser observado na tabela 06 abaixo.

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-Tela-2025-12-18-as-13.57.38-300x100.png)

 
- **COMPARAÇÃO INTERNACIONAL**

 As comparações dos valores de carga tributária nacional com os de outros países devem ser feitas com cautela, uma vez que há diferenças estruturais e institucionais relevantes entre os sistemas tributários. Alguns países, por exemplo, contam com sistemas previdenciários predominantemente privados, cujas contribuições não são classificadas como tributos. Além disso, variações metodológicas também influenciam os dados divulgados. Em algumas bases internacionais, receitas específicas como tributos sobre combustíveis ou determinadas contribuições parafiscais podem ser tratadas de maneira distinta ou até mesmo excluídas das estatísticas de arrecadação.

 É importante ressaltar que os dados do Brasil apresentados neste estudo internacional de referência (base OCDE) referem-se ao ano de 2023 e, portanto, ainda seguem a metodologia anterior de cálculo da carga tributária nacional, incluindo as contribuições ao FGTS e ao Sistema S. A expectativa é que os dados de 2024 já reflitam a nova metodologia, atualmente adotada pela Receita Federal e demais órgãos, mas não é possível alterar retroativamente os dados já publicados nas bases internacionais.

 Por fim, destaca-se que a média da OCDE é calculada com base apenas nos países que já tiveram seus dados de 2023 divulgados no momento do fechamento da base consultada. Alguns países, como a Austrália, por exemplo, publicam suas estatísticas com maior defasagem, o que pode afetar levemente a média comparativa apresentada.

 A comparação com os países da OCDE, para o ano de 2023, é apresentada nos gráficos 02 a 07 abaixo. O gráfico 02 apresenta a comparação referente à carga tributária total e os gráficos 03 a 07, apresentam uma comparação por base de incidência.

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-Tela-2025-12-18-as-13.57.49-300x175.png)

 

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-Tela-2025-12-18-as-13.58.20-269x300.png)

 

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-Tela-2025-12-18-as-13.58.44-234x300.png)

 A comparação internacional da carga tributária brasileira com a de países da OCDE revela importantes características estruturais do sistema tributário nacional. Embora a carga tributária total do Brasil (32,0% do PIB em 2023) esteja próxima da média da OCDE (34,1%), a composição por base de incidência apresenta diferenças marcantes. O Brasil arrecada proporcionalmente menos sobre renda, lucros e ganhos de capital (8,7%) do que a média da OCDE (12,1%) e também mantém uma baixa tributação sobre propriedade (1,5%), em contraste com países como Reino Unido, Canadá e França. Já a tributação sobre a folha de salários é próxima à média da OCDE, mas os valores aqui apresentados ainda consideram os montantes referentes ao FGTS e ao Sistema S, uma vez que refletem a metodologia vigente até 2023 nas bases internacionais da OCDE.

 Esse panorama internacional reforça o diagnóstico apresentado nas seções anteriores: a tributação sobre bens e serviços continua sendo a base mais explorada no Brasil, mesmo com a queda registrada em 2023. Com uma participação de 13,0% do PIB, essa categoria permanece superior à média da OCDE (10,5%) e reflete um modelo que tende a ser mais regressivo, com maior peso relativo sobre o consumo em detrimento da renda e da riqueza. Essa configuração é coerente com os desafios já amplamente discutidos no debate sobre a necessidade de maior progressividade e eficiência no sistema tributário brasileiro.

 Do ponto de vista histórico, observa-se que no período de 2014 a 2023 o Brasil promoveu um aumento na carga tributária, mesma tendência observada sobre a média dos países da OCDE, que também apresentou aumento. Na carga tributária do Brasil, a categoria que apresentou redução foi “Bens e Serviços”. Enquanto as categorias “Renda, Lucros e Ganhos de Capital” e “Propriedade” apresentaram aumento. Os resultados podem ser vistos na tabela 07 abaixo.

 

 

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