Patrícia, que começou em 1999, com o disco “Ah!”, gravado em BHJ, num carnaval, com produção de Zeca Baleiro, contou com o amigo em palpites informais. E de Rossana de Celso, também cantora, também a amiga, também produtora. E palpiteira com bom currículo. “Acho que é um disco feito em torno do amor e da busca desse querer mais genuíno que move a gente, a partir da verdade e do desejo mais profundo de cada um.”Entre as parcerias do disco, um encontro histórico com Lucinha Turnbull, mais conhecida como parceira de Rita Lee nos anos 70, e com o amigo…
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Ou este “Cacto”, mais pessoal, quase retrato: “Minha voz é fina como um caco de vidro. Tenho um modo de dispor do ponto final que maltrata os outros. Desafinada e intratável, quando declaram amor por mim, amarro mãos e pés, arrumo dor de cabeça ou pernas e caio estatelada na cama. Às vezes me recupero. Às vezes nunca.”
A ótima poeta mineira Alicia Duarte Penna está,finalmente, de livro novo. “Quarenta Poemas eDez” é o nome da obra da moça, que tem umadas vozes poéticas mais originais de sua geração.Vale pena conferir alguns trechos, como nesse “aeternidade é um pasto”: “Vistas ao longe, /vacasparecem estátuas./Estão vivas? Estão mortas?Não se sabe e nem importa./O tempo não alcançaas vacas e seus quatro estômagos./Sua fome e seualimento são eternos./Como as estrelas no céu./Estão vivas? Estão mortas?/ Podem até ter morrido,/mas uma morte que custa a chegar.//Por isso,quando subo a Rua Leopoldina,/ numa tentativade aproximação,/ digo: _ Olá, vaca!/ Mas a vacaé inexorável.”
O povo sai à rua, que é lugar de festa boa. O Menino Deus recebe sua oração, sua loa. Os três reis do Oriente chegam trazendo presentes. É isso que se celebra do jeito mais leve e puro – cantar com voz em requinta é muito bom e seguro: o amor impere sempre no coração dessa gente.
Esses alegres caboclos, ataviados de plumas, fitas, miçangas, coroas, com ares tão majestosos, dançam e cantam seus ritos no chão de ouro e brilhante que fez o nome de Minas.
Das altas catas que havia, de tanta gente que vinha de longe para o garimpo, sobrou a serra pelada sob este céu altaneiro. A igrejinha e a cruz, canto de paz e de luz, falam de antigas histórias guardam perdidas memórias para algum aventureiro que acaso chegue ao lugar.
Contritas mãos levam a tocha, luz da fé que anima e alumia veredas da alma, recantos do coração.
Rumor de cascos, relinchos,tinir de lanças e espadas,mouros e cristãos, em feroporfiar, tudo repousano passado mais remoto.A mineira cavalhadaé uma festa de cores,estandartes, bandeirolas,mantas e arreios, estribosreluzentes e donzelasseqüestradas sem pudor.O povo aplaude e aprecia,pois esta pura alegriatempera e abençoao ramerrame teimosoque muitas vezes imperano coração das pessoas.
A alma dos tambores,aprisionada no silêncio das esperas,liberta-se ao toque de mestriados que sabem segredos e mistérios.Animadas por ancestral magia,praças e ladeiras da velha Vila Ricafremem ao repique dos chocalhos,retumbam cantigas e lamentos.Minas na veia
No recomeço do mundo,clarear de um novo tempo,anjos morenos,nascidos no meio do povo,exibem plumas e nuvens,lembrança de onde vierame pra onde, em dias de muita luz,têm vontade de voltar.

