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title: &quot;Caminhos do desenvolvimento&quot;
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author: Nome do Admin
date: 2013-02-01T00:00:00-02:00
categories: [Artigo, z_impresso]
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# Caminhos do desenvolvimento

José Eloy dos Santos Cardoso

 Economista, ex-assessor e ger ente de planejamento da CDI-MG, pr ofessor catedrático de macr oeconomia da PUC-Minas e jornalista

 

 

 Nenhum país do mundo, estado, região ou município que não

 mobilizar sua sociedade em direção ao desenvolvimento não

 terão condições de melhorar seus níveis de pobreza. O caminho

 certo e mais curto é mobilizar todos seus potenciais,

 quando há uma conjuntura desfavorável para poder sair do

 estado em que se encontra. Se não houver essa mobilização

 total, nada irá acontecer. O conformismo e o imobilismo são

 inimigos mortais do desenvolvimento. O conformismo porque

 uma população que está satisfeita com seu grau de desenvolvimento

 nunca sairá desta estaca zero. O imobilismo porque,

 mesmo sentindo a necessidade de atingir um patamar mais

 elevado na escala do desenvolvimento e tendo alternativas

 para sair deste estado atual, sua população nada faz para que

 o processo de mudança seja, pelo menos, tentado ou iniciado.

 Não basta ter infraestrutura econômica favorável e adequada,

 não basta ter capacidade física de produção. O que determina

 o desenvolvimento é o grau de mobilização local. Às

 margens de um lago ou represa, por exemplo, os municípios

 que estão no seu entorno que possuem uma boa estrada asfaltada,

 energia elétrica, rede de telefones e outras infraestruturas

 disponíveis poderão melhorar a atual situação em que

 se encontram se uma mobilização para sair de um estágio

 de estagnação for começado dentro de parâmetros técnicos

 possíveis. Basta que essas comunidades se movimentem na

 direção ao desenvolvimento, saindo de um PIB x para saltar

 para o PIB y. Se a população não se movimentar, nem o possível

 desenvolvimento turístico poderá acontecer. Municípios

 que são economicamente pobres podem, perfeitamente, alcançar

 um razoável nível de desenvolvimento, se sua população

 for motivada para que isso ocorra. Se a população ficar

 esperando as coisas acontecerem, esta região ficará eternamente

 como está no presente. O grau de mobilização local é

 o remédio que irá salvar a situação.

 Uma região pode passar longo período de tempo deprimida

 economicamente sem que nada de bom aconteça. Se

 conversarmos com economistas competentes e experientes

 sobre uma situação como essa, eles poderão nos informar,

 por exemplo, que este estado ou município está perdendo

 posição relativa no Produto Interno Bruto (PIB) estadual ou

 federal e no dinamismo econômico. Conselhos úteis para poder

 sair desse problema são raros ou perfeitamente factíveis.

 Mas é possível que qualquer município subdesenvolvido que

 está em um processo de decadência acorde, se reorganize e

 comece um processo de recuperação.

 Como exemplo, podemos citar o caso do Japão que, saído

 da guerra totalmente arrasado, chegou a ocupar um dos

 principais lugares do mundo em matéria de desenvolvimento

 depois de 20 ou 30 anos. Tudo aconteceu por causa do altíssimo

 grau de mobilização de sua população que chegou à

 conclusão de que, com a união de todos, podia-se resolver

 toda a situação. E logo o Japão que não possui grandes áreas

 aproveitáveis para a localização de indústrias. O país chegou

 a se desenvolver e crescer, simplesmente, criando grandes

 áreas para a localização industrial, aterrando terrenos localizados

 à beira do oceano. Além disso, o Japão, apesar de ter escassez

 de áreas aproveitáveis para o desenvolvimento

 industrial, passou a criar um significativo número de distritos

 industriais no interior que teriam o objetivo de desconcentrar

 a produção da área da capital Tokyo para regiões localizadas

 no cinturão da orla marítima do Oceano Pacífico e criaram-se

 por lá leis para estimular o desenvolvimento de áreas industriais

 em outros municípios do interior e, complementarmente,

 construir novas e modernas estradas e ferrovias, além do

 

 estabelecimento de um plano de desenvolvimento integrado.

 Em Minas Gerais, a partir dos anos 60, com a criação do Banco

 de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), da Companhia

 de Distritos Industriais de Minas Gerais (CDI-MG), hoje, a

 Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais

 (CODEMIG), da Fundação João Pinheiro (FJP) e do Instituto

 de Desenvolvimento Industrial de Minas Gerais (INDI), a situação

 da economia mineira começou a mudar radicalmente.

 Já tínhamos funcionando com absoluto sucesso as Centrais

 Elétricas de Minas Gerais ([**CEMIG**](https://mercadocomum.com/cemig/)), hoje, a Companhia Energética

 de Minas Gerais, mas essa empresa precisava criar

 empresas e organismos que pudessem consumir a energia

 que já estava à disposição no Estado e criassem renda e

 novos empregos. O famoso tripé do desenvolvimento mineiro

 formado pelo BDMG, CDI e INDI começou a funcionar como

 

 se fosse um só organismo que fez o Estado de Minas dar

 grande salto em direção ao desenvolvimento. Nosso Estado

 começou a crescer a partir dos anos 70 a taxas superiores de

 outros estados e até da União.

 Além do conhecido trabalho do BDMG, Minas Gerais criou

 através da CDI-MG um amplo programa de desenvolvimento

 do interior do estado através dos distritos industriais (DIS) de

 Extrema, Pouso Alegre, Itajubá, Santa Rita do Sapucaí, Eloi

 Mendes, Três Pontas. Estes, no Sul de Minas, que foram criados

 com absoluto sucesso para aproveitamento do potencial

 de localização em relação a São Paulo. No triângulo mineiro,

 a CDI-MG criou os distritos industriais de Uberlândia, Uberaba

 I, II e III e também o de Araguari. Na região do Polígono

 das Secas, foram criados os distritos industriais de Montes

 Claros e Pirapora para aproveitar os incentivos da Superintendência

 do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). Na

 Zona da Mata Mineira, os distritos de Juiz de Fora I, II, III

 e IV e o mais recente deles que é o DI de Rio Pomba. Foi

 também criado o DI de Governador Valadares no chamado

 Vale do Aço e criados outros em municípios menores, mas,

 todos eles, com objetivos de não faltar a Minas Gerais locais

 apropriados para a localização industrial. O que é uma pena

 é nosso Estado ter abandonado até o momento a política de

 implantação industrial dos anos 60,70 e 80 que foi sucesso

 aqui e também em outros estados brasileiros. A experiência

 da CDIMG foi copiada por outros estados como Rio de

 Janeiro, São Paulo, Goiás, Pernambuco e outros, sempre

 incentivados e orientados pela Associação Nacional de Entidades

 de Desenvolvimento Industrial (ANEDI). A política de

 atração de indústrias ou empresas de comércio e serviços

 através dos incentivos à localização pela implantação de áreas

 industriais disponíveis e com completa infraestrutura ainda

 é sucesso no mundo inteiro e em Minas Gerais não poderia

 ser diferente. Atualmente, são necessárias atuações da

 Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais

 (CODEMIG) no entorno do já funcionando Aeroporto Internacional

 Itamar Franco, localizado entre os municípios de Goianá

 e Rio Novo. Estão faltando apenas alguns pequenos detalhes

 exigidos pela Infraero e pela Anac para o funcionamento

 completo desse sítio aeroportuário, inclusive, importando e

 exportando produtos para o resto do mundo. A atuação da

 CODEMIG seria fazer estudos de localização para, em etapa

 posterior, partir para as desapropriações, projetos executivos

 e obras civis. Se não for feito isso de imediato, serão feitas

 localizações industriais inadequadas e, por falta de áreas disponíveis,

 a Zona da Mata mineira poderá perder importantes

 projetos para se localizar nas imediações do novo aeroporto

 que será o segundo internacional de Minas Gerais. Vamos

 fazer funcionar a força de um povo que quer alcançar melhores

 níveis de crescimento e desenvolvimento? Fica aqui

 esta sugestão.