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title: "Supermercados precisam disputar hábito, não apenas preço"
url: https://mercadocomum.com/supermercados-precisam-disputar-habito-nao-apenas-preco/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2026-05-26T10:46:17-03:00
categories: [Destaques do Mundo Empresarial]
tags: [não apenas preço, Supermercados precisam disputar hábito]
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# Supermercados precisam disputar hábito, não apenas preço

***Com consumidores expostos a múltiplas escolhas, compras pulverizadas e margens pressionadas, loyalty ganha papel estratégico no varejo, aponta TCC***

 Durante muito tempo, fidelidade no varejo significava melhor equação tempo e valor. Se antes proximidade e conveniência eram suficientes para manter a recorrência do consumidor, hoje o cenário é marcado por compras fragmentadas, múltiplos canais e decisões cada vez mais oportunistas. Segundo a edição do *State of Grocery*, da McKinsey em parceria com a Kantar, em 2025, metade dos consumidores navegou em mais de oito diferentes canais de compra, dois canais a mais que em 2024.

 Com a inflação persistente, endividamento alto, pressão sobre o orçamento doméstico e um consumidor hiperconectado, as compras se tornaram fragmentadas. Hoje, o mesmo cliente abastece itens básicos em um atacarejo, compra indulgências em mercados premium, aproveita promoções em aplicativos e completa a jornada em lojas de conveniência ou plataformas digitais. A disputa deixou de ser apenas por preço e passou a ser por relevância recorrente.

 É nesse cenário que os programas de loyalty reforçam uma nova função estratégica. Mais do que distribuir pontos ou descontos, passam a operar como instrumentos de retenção, inteligência de consumo e proteção de margem. “O consumidor está menos fiel e mais previsível. A fidelidade hoje não é exclusividade, é preferência recorrente dentro de uma rotina pulverizada”, afirma Andrea Sylos, Diretora Geral da TCC Brasil. Segundo a executiva, muitos supermercados ainda tratam loyalty como uma extensão promocional, quando deveriam enxergar essas iniciativas como plataformas de relacionamento e inteligência comercial.

 “O erro é acreditar que cashback isolado fideliza. O consumidor atual não cria vínculo com desconto. Ele cria vínculo com conveniência, reconhecimento e percepção de vantagem contínua”, diz Andrea. Para a TCC, o desafio atual do varejo alimentar não é apenas aumentar fluxo, mas conectar e ganhar frequência dentro de um orçamento cada vez mais dividido entre diferentes canais e bandeiras.

 A crescente pressão sobre margens também mudou a lógica financeira dos programas de fidelização. Em vez de custo adicional, eles passam a funcionar como mecanismos de eficiência operacional. “Quando bem estruturado, loyalty reduz dependência de promoções massivas, melhora recorrência e aumenta o ticket por meio de personalização. É uma ferramenta de rentabilidade, não apenas de retenção”, afirma Andrea.

 Nesse contexto, dados comportamentais ganham protagonismo. O supermercado deixa de operar apenas olhando categorias e passa a compreender padrões de compra, elasticidade promocional e jornadas individuais. “Os varejistas têm uma riqueza de dados enorme, mas muitos ainda usam essas informações de forma mais superficial. O consumidor já espera ofertas que façam sentido dentro da sua rotina. Ele quer sentir que aquela oferta conversa com a rotina dele”, explica. Segundo a executiva, os programas mais eficientes atualmente são aqueles que conseguem combinar simplicidade operacional com inteligência personalizada, evitando mecânicas complexas ou excesso de comunicação promocional.

 Para a TCC, modelos tradicionais como cashback, pontos e clubes de desconto continuam relevantes, mas perderam força quando utilizados de maneira isolada. “O que mudou foi a expectativa do consumidor. Antes, o benefício financeiro era suficiente. Hoje, ele precisa vir acompanhado de fluidez, personalização e percepção de utilidade imediata”, afirma Andrea.

 A executiva destaca que os programas mais eficientes no varejo alimentar são aqueles que conseguem gerar pequenos estímulos contínuos de recorrência, criando sensação de progressão e recompensa no cotidiano. “Fidelização não acontece em grandes gestos. Ela acontece na repetição. É quase uma construção silenciosa de hábito”, diz.

 “A grande armadilha é medir apenas loyalty pelo aumento de clientes cadastrados. O indicador mais importante é mudança de comportamento. O programa aumentou frequência? Expandiu ticket médio e categorias compradas? É isso que importa quando contabilizamos o retorno do investimento”, conclui Andrea.

 

 

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