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title: &quot;Solo e vegetação nativa do Alto Jequitinhonha estão ameaçados pela monocultura de eucalipto, é o que revela estudo&quot;
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author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2022-07-17T11:46:34-03:00
categories: [Meio Ambiente]
tags: [é o que revela estudo, Solo e vegetação nativa do Alto Jequitinhonha estão ameaçados pela monocultura de eucalipto]
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# Solo e vegetação nativa do Alto Jequitinhonha estão ameaçados pela monocultura de eucalipto, é o que revela estudo

[![Solo e vegetação nativa do Alto Jequitinhonha estão ameaçados pela monocultura de eucalipto, é o que revela estudo](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2022/07/Solo-e-vegetac?ao-nativa-do-Alto-Jequitinhonha-estao-ameac?ados-pela-monocultura-de-eucalipto-e-o-que-revela-estudo-300x124.png)](https://www.mercadocomum.com/)Solo e vegetação nativa do Alto Jequitinhonha estão ameaçados pela monocultura de eucalipto, é o que revela estudo *Mais de 60% da região está tomada pela plantação de eucalipto, o que impacta negativamente na vida dos moradores*

 Pesquisa realizada pelo Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica (CAV) mostra que a monocultura de eucalipto na região do Alto Jequitinhonha, Minas Gerais, tem causado graves impactos ambientais para a região.

 O estudo foi feito em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (INFMG), Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Instituto Federal do Leste de Minas Gerais (IFLMG) e Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IFSMG). Também contou com o apoio do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e foi intitulado de: “*Salvaguardas ambientais: analisando impactos da monocultura de eucalipto*“.

 **As questões ambientais**

 Entre os dados mais preocupantes da pesquisa está o fato de que mais de 61% das áreas rurais da região estão tomadas por eucalipto. A planta é conhecida por extrair o máximo possível do solo, água e sais minerais e é considerada uma das principais responsáveis pela desertificação da região.

 A diminuição da recarga de água, o rebaixamento dos lençóis freáticos, o secamento de veredas e nascentes e a diminuição das vazões dos rios são apontados como as principais consequências diretas do plantio do eucalipto.

 Só no quesito água, por exemplo, a vegetação nativa do cerrado era capaz de absorver para o solo cerca de 50% do que caía das chuvas. Com a monocultura de eucalipto, esse número cai drasticamente para apenas 29%.

 **O problema social**

 Não bastasse toda a questão ambiental, o plantio de eucalipto também tem trazido problemas sociais para a região.

 O início das plantações começou a partir de incentivos fiscais na época da ditadura militar, nos anos 70. Com o passar dos anos, a região foi tomada pela monocultura da planta e junto disso vieram remoções, desapropriações e problemas hídricos.

 Na região analisada, 52% das famílias têm consumo médio de 43 litros de água por habitante/dia, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece como quantidade mínima de consumo 110 litros de água por habitante/dia.

 Os custos atuais de abastecimento de água recaem sobre as próprias famílias, o poder público e a sociedade como um todo, que custeiam caminhões pipas para garantir o acesso mínimo à água, enquanto o lucro pela exploração da atividade econômica é apropriado pela empresa.

 **A participação do Idec no estudo**

 O Idec é parceiro das demais organizações na pesquisa a partir do GBR (Guia dos Bancos Responsáveis). Nele, o Instituto avalia bancos e fintechs em diversos pontos, como o respeito ao meio ambiente, direitos humanos e florestas.

 No caso específico da monocultura de eucaliptos no Alto Jequitinhonha, o GBR analisou que o BNDES foi o segundo principal financiador da Aperam Bionergia (responsável pelas plantações de eucalipto na região). Só nos anos de 2016 e 2017 foram mais de 34 milhões de reais investidos na empresa multinacional.

 O Banco Votorantim também é financiador da Aperam. Entre 2016 e 2018, a instituição financeira desembolsou R$ 2.582.000,00 para a empresa de eucalipto.

 Tanto o BNDES quanto o Votorantim têm pontuação bem baixa nos quesitos analisados pelo GBR.