---
title: &quot;Setenta anos do governo JK&quot;
url: https://mercadocomum.com/setenta-anos-do-governo-jk/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2026-01-29T17:22:19-03:00
categories: [Destaque Especial]
tags: [Ronaldo Costa Couto, Setenta anos do governo JK]
---

# Setenta anos do governo JK

**Autor: Ronaldo Costa Couto***

 Diamantinense de 12 de setembro de 1902, órfão de pai aos três anos, infância pobre. Aos 19 anos, em [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/), aprovado em concurso público, começa a trabalhar como telegrafista a noite inteira para, sempre exausto, cursar medicina durante o dia. Formado, vai para Paris especializar-se em urologia. Em dezembro de 31, casa-se com Sarah Lemos, de tradicional e abastada família mineira.

 Líder intuitivo, carismático, dinâmico e corajoso. Uma pilha de simpatia. Acolhedor, alegre, feliz. Começa a vida pública em 33, como secretário do governador de Minas, Benedito Valadares. Deputado federal em 34, perde o mandato em 37, com a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas. Nomeado prefeito de [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/) em 40, faz tanta movimentação e obras que é chamado de “prefeito-furacão”. Elege-se deputado federal constituinte no final de 45 e governador de Minas em 50. Brilha! Conduz o estado para a modernidade e o desenvolvimento econômico.

 Assume a Presidência da República em 31 de janeiro de 56. A partir do legado de Vargas, seu governo acelera a história do país. Cria e executa o ambicioso Programa de Metas (1956-1960), focado em energia e transportes, indústria de base, alimentação, educação, comunicações e construção de nova capital. Valoriza o diálogo e as articulações políticas. Prioriza, equaciona, negocia, leva o desenvolvimento ao Brasil de dentro, visando à ocupação e à integração nacional. Constrói Brasília em 42 meses, impressionando o mundo. Traz a indústria automobilística, atiça a naval, a siderúrgica, a de cimento e outras. Concretiza grandes hidrelétricas, rasga mais de 13 mil quilômetros de rodovias.

 Democracia, crescimento econômico, as mais sólidas mudanças estruturais da história nacional, clima de otimismo e confiança. Parecia que o Brasil finalmente daria certo. Liberdade, inserção na modernidade, autoestima em alta, afirmação da capacidade do setor público, do empresário, do trabalhador, do engenho e arte dos brasileiros.

 Janeiro de 61. Sai JK, assume seu adversário Jânio da Silva Quadros. Recebe um país democrático, politicamente estável, em patamar de desenvolvimento muito superior, com a economia já bastante diversificada e 50% maior do que antes, o emprego em nível jamais alcançado, as instituições funcionando regularmente.

 Seus opositores criticavam a inflação, que avançou de 12%, em 1955, para 31%, em 1960. JK, em dezembro de 1960: “Outros governos poderão empreender a revalorização da moeda, com os aplausos e o apoio de toda a nação. Mas não poderiam fazê-lo, de forma alguma, se encontrassem o país atado a uma situação colonial, sem estradas, sem energia, sem obras de base”.

 E a corrupção? Claro que houve: controles débeis, pioneirismo, muito investimento, obras públicas por todo o país, excesso de dinheiro em circulação. Terá atingido níveis exorbitantes? Espaço para a professora e escritora Maria Victoria Benevides, expoente da Universidade de São Paulo, estudiosa do governo JK e do período: “Comparado com o que tivemos depois, foram respingos”. (…) “Não existe nenhum outro governante brasileiro que tenha deixado a marca que ele deixou. Mesmo Getúlio, que considero o grande estadista da República, tem a mancha da ditadura do Estado Novo”.

 Além do mar de realizações, JK deixou exemplos e lições fundamentais, como a essencialidade do compromisso com a coragem e a liberdade, de fomentar a esperança do povo em melhor qualidade de vida, de jamais esquecer as próximas gerações. Da clareza de rumos, prioridades, objetivos, projetos e metas. Do planejamento como método de governo. Governar democraticamente, com a melhor equipe possível. Amar e acreditar no Brasil, agir enérgica e eficazmente pelos seus interesses. Não dar missões sem proporcionar os meios. Respeitar o povo, não pensar pequeno, lutar por grandes sonhos e causas. E praticar a paciência, a humildade, a elegância, o respeito à liturgia do cargo. ”O que pretendi com as 30 metas e mais a meta-síntese – a construção de Brasília − foi dar um arranco no país, para que ele acordasse, pusesse em ação suas energias latentes, compreendesse, enfim, que era uma nação e, como tal, deveria disputar seu lugar no cenário internacional.”

 

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-Tela-2026-01-29-as-16.44.40-300x265.png)

 Corte para junho de 64. O poder militar suspende os direitos políticos de Juscelino e cassa seu mandato de senador por Goiás, conquistado em junho de 61. Por quê? Sobretudo porque, já candidato a presidente da República pelo PSD nas eleições de 65, era considerado imbatível. Tinha até slogan: “JK-65: cinco anos de agricultura para 50 de fartura”. Assim, o poder militar optou por afastá-lo da disputa, excluindo-o da política. Via sua recondução ao Palácio do Planalto como revogação do regime de 64. Candidato único, o general Arthur da Costa e Silva, então ministro da Guerra, foi eleito pelo Congresso Nacional em 3 de outubro de 1966.

 JK amarga três anos de exílio, retorna em 67. É preso na sexta-feira 13 de dezembro de 68, durante o parto do AI-5. Tenta a vida empresarial, escreve memórias. Compra tosca fazenda no cerrado bruto de Luziânia, perto de Brasília, onde vive os dois últimos anos.

 O governo de seu sucessor, Jânio Quadros, dura sete meses. Termina com sua shakespeariana renúncia em 25 de agosto de 1961. Depois vem conveniente parlamentarismo híbrido, mais instabilidade política, crise crescente, volta ao presidencialismo em janeiro de 63, queda do governo Goulart em março de 64, seguida de 21 anos de regime autoritário.

 João Guimarães Rosa, amigo pessoal e admirador: “JK é o poeta da obra pública.” Nelson Rodrigues: “A partir de Juscelino, surge um novo brasileiro. Aí é que está o importante, o monumental, o eterno na obra do presidente. Ele potencializou o homem do Brasil”.

 Final da tarde cinzenta de 22 de agosto de 1976, quilômetro 165 da Via Dutra, município de Resende, estado do Rio de Janeiro. Desgovernado, o carro em que o ex-presidente Juscelino Kubitschek viaja de São Paulo para o Rio invade a pista oposta e é colhido por enorme carreta carregada com 30 toneladas de gesso. Vira um amontoado de ferros retorcidos, vidros espatifados, assentos destruídos, sangue por todo lado. JK e seu fiel amigo e motorista Geraldo Ribeiro morrem instantaneamente. A tragédia abala e comove o país, repercute mundo afora, desperta suspeitas, gera dúvidas e polêmicas. Acidente de estrada ou assassinato? A controvérsia continua viva.

 

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-Tela-2026-01-29-as-16.44.48.png)

 *O escritor Ronaldo Costa Couto, mineiro de Luz, economista, doutor em história pela Sorbonne, foi secretário de Planejamento do governo Tancredo Neves em Minas, governador de Brasília, ministro do Interior, ministro do Trabalho e ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República (governo Sarney). É membro da Academia Mineira de Letras.

 

- [Newsletter MercadoComum - Economia, Mundo Empresarial, Opinião e outros....](https://www.mercadocomum.com)

### Rota

Sua localização: Rota não pode ser calculada

  
 

### Newsletter MercadoComum - Economia, Mundo Empresarial, Opinião e outros....

Rua Padre Odorico, 128 – Sobreloja São Pedro [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/), Minas Gerais 30330-040 BrasilTelefone: [(0xx31) 3281-6474](tel:03132816474)  
Fax: (0xx31) 3223-1559  
Email: [newsletter@mercadocomum.com](mailto:newsletter@mercadocomum.com)  
URL: [https://www.mercadocomum.com](https://www.mercadocomum.com)  
SEO Marcos Muniz - Especialistas em tráfego orgânico Google AI https://www.searchengineoptimization.com.br/

   
 

| Domingo | Aberto 24 horas |
| --- | --- |
| Segunda | Aberto 24 horas |
| Terça | Aberto 24 horas |
| Quarta | Aberto 24 horas **Abra agora** |
| Quinta | Aberto 24 horas |
| Sexta | Aberto 24 horas |
| Sábado | Aberto 24 horas |