Planejamento em energia é prioritário em Minas

Os desafios estão lançados e a nova gestão em Minas Gerais tem no planejamento energético e na gestão de recursos hídricos muito trabalho a ser feito. A diretoria do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva – Regional Minas Gerais preparou uma carta com propostas direcionadas à nova Gestão, com destaque para o tema energia. “Além da situação da geração, transmissão e distribuição de energia no Estado, temos uma situação crítica no que se refere ao fornecimento de água, tendo como cenário a seca em boa parte da Região Sudeste”, alerta Adriano Peixoto, diretor setorial de Energia do Sinaenco-MG.

Segundo o especialista, em relação às propostas, para que haja desenvolvimento da cadeia de produtos e serviços é fundamental a implementação de diversas estratégicas tais como a criação de leilões regionalizados e por fonte de geração; preço “teto” mais adequado para cada uma das fontes de geração; ampliação da geração distribuída no País; e ampliação do crédito e melhores condições para financiamento.

“Também é essencial ampliação da capacitação profissional na transmissão e geração, para atendimento ao cronograma de entrada estabelecido; além da necessidade de ampliação do mercado livre de energia, por conseqüência maiores transações comerciais e maior competição”, destaca. Investimentos em novas tecnologias e fontes de geração é outro ponto de destaque. “Não só Minas Gerais, como o País todo, necessita de alterações regulatórias para buscar benefícios tarifários que ampliem as diversas fontes de geração, dentre elas a solar. Precisamos ainda de um aprimoramento dos critérios dos leilões de energia nova considerando a implementação de um programa específico para fontes alternativas”, complementa. A maior parte da energia elétrica consumida no País é gerada em hidrelétricas – em torno de 68% -, sendo limpa, renovável e mais barata. Mesmo com o enorme potencial hídrico, o País vem se destacado na implementação de energias alternativas, com um aumento considerável nos últimos anos em biomassa, energia eólica e solar. “Nos últimos anos estima-se um crescimento de 10% da participação em energias renováveis como eólica, biomassa e solar”, aponta.

RESERVATÓRIOS E A CRISE DE ÁGUA

No que se refere à situação do abastecimento de água, Minas Gerais apresenta uma situação também preocupante, tamanha é a seca em várias regiões, levando mais de 140 municípios a decretarem nos últimos meses situação de emergência. No final do ano passado, uma carta foi elaborada por representantes de entidades ligadas aos setores de engenharia e engenharia ambiental destacando a preocupação no que se refere aos reservatórios brasileiros e uma iminente crise de abastecimento em vários estados do País. O material, encaminhado à Presidência da República, aponta recomendações de interesse público contra a redução da capacidade de armazenamento de água nos reservatórios das hidrelétricas brasileiras. “O planejamento também entra em cena nessa situação.

Além de uma política mais rígida de racionamento que deveria ter sido implementada desde o início do ano, o País deve repensar seus projetos de usinas hidrelétricas e implementação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Projetos que viabilizem grandes barragens devem ser levados em consideração. Apesar do impacto ambiental, as barragens são alternativas para garantir o abastecimento de água mesmo com o longo período de estiagem”, defende o especialista. De acordo com Adriano, as dificuldades de licenciamento ambiental para viabilização de usinas hidrelétricas com grandes lagos (barragens) têm elevado a construção de modelos de usinas chamadas a fio d´água (usinas sem lagos, que utilizam o próprio leito do rio), sem a capacidade de acumulação de água. “Avalio como um erro se levarmos em consideração os períodos de estiagem, onde perdermos a capacidade de termos essa compensação.

Essas barragens asseguram o abastecimento e também contribuem para fomentar o turismo e práticas esportivas, além de geração de energia, irrigação e hidrovias”, comenta. Ele defende que para atender a demanda industrial e o crescimento econômico do País temos que considerar grandes obras de infraestrutura e isso inclui a construção de barragens para múltiplas finalidades. Armazenar água em reservatórios artificiais durante os períodos úmidos para que não falte à população nos períodos de estiagem, além de contar com o funcionamento dos sistemas de energia elétrica, de irrigação, controle de enchentes, saneamento, transporte hidroviário, piscicultura, turismo, entre outras políticas são alguns exemplos. 

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