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title: &quot;O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do primeiro trimestre registrou alta de 1,1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior&quot;
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author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2026-05-31T11:01:17-03:00
categories: [Destaques da Edição]
tags: [1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, Matheus Pizzani, O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do primeiro trimestre registrou alta de 1]
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# O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do primeiro trimestre registrou alta de 1,1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior

*Matheus Pizzani**

 O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do primeiro trimestre registrou alta de 1,1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Frente ao mesmo período do ano anterior, o PIB registrou crescimento de 1,8%, acumulando alta de 2,0% nos últimos quatro trimestres móveis.

 Conforme esperado, o setor agropecuário foi o destaque da divulgação, com crescimento de 2,0% na comparação com o trimestre anterior, tendo seu resultado puxado pelos principais componentes da pauta de exportação do setor primário do país, a soja e a pecuária. A indústria, por sua vez, registrou crescimento de 1%, também contando com forte contribuição do setor externo, grande responsável pela alta de 3,6% da indústria extrativa, além do avanço de 2,9% do setor de construção. O segmento de transformação, por outro lado, apresentou crescimento de caráter apenas marginal (+0,1%), ratificando o quadro de comportamento apenas moderado de setores sensíveis aos ciclos da economia doméstica.

 Corrobora este último ponto o fraco desempenho do setor de serviços, que registrou alta de apenas 0,5%, crescimento proporcionado em boa medida pelos segmentos de informação e comunicação (+2,4%) e atividades imobiliárias (+1,2%). Subgrupos mais sensíveis ao nível de ociosidade da economia apresentaram crescimento apenas moderado, casos de Outras atividades de serviços (+0,8%) e Comércio (+0,6%), ou fecharam o período em queda, como as Atividades financeiras (-0,6%) e, principalmente, o segmento de Transporte, armazenamento e correio (-0,7%).

 A maior fraqueza dos indicadores essencialmente domésticos pelo lado da oferta teve reflexo direto na dinâmica da demanda agregada, com o consumo das famílias avançando apenas 1% no trimestre, enquanto a alta foi de 1,2% no acumulado em quatro trimestres. Em ambos os casos, as taxas de variação ficaram abaixo do desempenho do indicador cheio do PIB.

 A formação bruta de capital fixo foi o destaque entre os indicadores pelo lado da oferta, com alta de 3,5% no comparativo trimestral, embora a taxa de investimento efetivo tenha sido de apenas 16,5%, resultado abaixo do observado no mesmo período do ano anterior, quando o indicador alcançou 17,6%, mostrando que o indicador não reflete necessariamente avanço expressivo na expansão da capacidade produtiva do país e geração de novas tecnologias conforme uma primeira impressão pode sugerir.

 Por fim, no caso do setor externo, o indicador divulgado hoje ainda não capta os efeitos tanto do bom desempenho das exportações das commodities agropecuárias e da alta do preço do petróleo, ambos fatores que devem alavancar o PIB do segundo trimestre, com as exportações recuando 1,7%, enquanto as importações, na esteira de um câmbio mais apreciado e demanda sazonal de importação de insumos produtivos, cresceram 4,4%.

 Do ponto de vista analítico, o forte avanço da economia no período, materializado por uma taxa de variação relativamente elevada, não deve ser entendido como manutenção da trajetória de forte crescimento que marcou o desempenho da economia desde o fim da fase mais aguda da pandemia, tampouco com um possível foco de pressão inflacionária.

 No primeiro caso, a descrição apresentada acima evidencia o peso que a economia internacional exerceu sobre a dinâmica da atividade econômica local nos três primeiros meses do ano, seja por conta do bom desempenho da agropecuária, com a maior produção respondendo aos estímulos de preço e elevada participação no mercado global de commodities do país, como também pela via da indústria extrativa, segmento no qual o Brasil já se encontrava bem posicionado e que passou a ganhar ainda mais relevância após o início do conflito no Oriente Médio e a maior demanda pelo petróleo brasileiro.

 Quanto aos fatores essencialmente locais, vale destacar que, excetuando-se o efeito de medidas geradas no âmbito da política econômica, como o impulso de crescimento aos setores de construção e atividades de serviços imobiliários gerado pela execução de obras relacionadas à programas como o Minha Casa Minha Vida, a demanda orgânica doméstica apresentou comportamento essencialmente moderado, com desempenho abaixo do esperado do setor de serviços. Sequer vetores que tradicionalmente foram capazes de reverter esta trajetória se mostraram eficazes, como a adoção do reajuste real do salário-mínimo e a maior demanda sazonal historicamente verificada no início do ano.

 Neste sentido, do ponto de vista prospectivo, a tendência é que o resultado do primeiro trimestre seja refletido em boa parte dos demais períodos do ano, em especial no segundo trimestre, com os indicadores antecedentes já sinalizando a manutenção do ambiente menos dinâmica de segmentos cíclicos e o bom desempenho do setor externo.

 Do ponto de vista da política monetária, esta combinação pode ser bem recebida pelo Banco Central, uma vez que configura um modelo de crescimento que, além de não gerar pressão inflacionária em um primeiro momento, uma vez que é puxado pela economia internacional, pode entregar a consolidação do cenário de desaquecimento gradual da demanda doméstica buscado pela instituição, com foco no efeito deste movimento sobre indicadores como o mercado de trabalho e a demanda por crédito de famílias e empresas.

 **Economista do PicPay*

 

 

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