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title: "Minas Gerais: um novo projeto portador de futuro inspirado em JK"
url: https://mercadocomum.com/minas-gerais-um-novo-projeto-portador-de-futuro-inspirado-em-jk/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2026-06-18T18:14:51-03:00
categories: [Destaques da Edição]
tags: [* Thiago de Azevedo Camargo é Diretor Executivo do Instituto Odsseia e da Sinapse Consultoria e Projetos. Advogado, Especialista em Políticas Públicas, Mestre em Ciência Política pela UFMG, Minas Gerais: um novo projeto portador de futuro inspirado em JK, Thiago de Azevedo Camargo]
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# Minas Gerais: um novo projeto portador de futuro inspirado em JK

**Thiago de Azevedo Camargo***

 No início dos anos 1950, Juscelino Kubitschek escreveu, à mão, uma carta determinando a criação de uma holding para coordenar o sistema elétrico mineiro. JK já compreendia que o desenvolvimento não acontece por acaso. É preciso construir instituições, criar capacidades e preparar o Estado para o futuro. Daquele gesto institucional nasceu a base que daria origem à Cemig.  
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 Minas apostou que a energia seria a alavanca da transformação. E acertou. A expansão da eletrificação impulsionou a industrialização, atraiu investimentos, ampliou a produtividade e redesenhou a economia mineira ao longo de toda a segunda metade do século XX.

 JK tinha uma qualidade rara: a capacidade de formular uma visão de futuro. De reunir, em torno de uma ideia, pessoas com interesses distintos. De fazer com que o futuro parecesse não apenas desejável, mas inevitável.

 Cinquenta anos depois, foi outro mineiro quem conduziu o Brasil pela transição mais delicada de sua história republicana. Tancredo Neves construiu, com paciência, firmeza e habilidade igualmente raras, o consenso que pôs fim à ditadura, sem sangue e sem colapso.

 Dois momentos decisivos. E, em ambos, a mesma marca: a capacidade de unir o que estava fraturado em torno de algo maior. Essa é uma tradição que Minas carrega. E que o Brasil precisa. É justamente essa capacidade que falta hoje, quando ela seria mais necessária do que nunca.

 Nas últimas décadas, a discussão pública mineira passou a ser dominada por temas infantis e próprios de memes das redes sociais ou, quando muito, por pautas importantes, mas insuficientes: ajuste fiscal, controle de gastos, equilíbrio das contas.

 Nenhum desses temas, por si só, é capaz de mobilizar uma sociedade em torno de um projeto de futuro. O resultado foi a paralisia. A persistência dos déficits. O apequenamento da política, de Minas e de seus símbolos. A distância crescente entre o que Minas pode ser e o que Minas tem sido.

 **O que Minas tem. O que Minas pode ser**

 Temos universidades de excelência reconhecidas internacionalmente. Centros de pesquisa com tradição em ciência, engenharia e tecnologia. Uma capacidade institucional construída ao longo de décadas, com competência técnica e vocação para o planejamento.

 Mas há algo mais, e de maior alcance.

 O mundo atravessa uma das maiores reorganizações geopolíticas de sua história recente. A transição energética deixou de ser uma agenda ambiental para se tornar também uma disputa de poder. Quem controla os insumos da nova economia, os minerais que alimentam baterias, painéis solares, semicondutores e as tecnologias que estruturam o século XXI, controla uma parte decisiva do futuro.

 E Minas Gerais está no centro dessa disputa.

 O subsolo mineiro guarda parte expressiva dos minerais que o mundo vai precisar nas próximas décadas. A mineração, que por tanto tempo foi associada à extração bruta e aos ciclos de boom e colapso, tem diante de si a oportunidade de se reinventar como setor estratégico de uma nova ordem global. Uma mineração mais inteligente, com maior valor agregado, que desenvolva a cadeia de valor e atenda aos padrões que o mercado internacional cada vez mais exige.

 Sem tecnologia, dados, inteligência artificial e capacidade industrial, os minerais continuarão sendo apenas riqueza extraída. Com estratégia, podem se transformar em inteligência econômica, inovação produtiva e desenvolvimento de longo prazo.

 A transição energética também reconfigura o papel do Estado. Minas, que foi pioneira na eletrificação, pode agora liderar a geração distribuída, biomassa, a eficiência energética e a integração entre fontes renováveis e sistemas modernos de gestão, mais baratos, mais sustentáveis e mais inteligentes.

 Mineração e energia não são agendas separadas. São os pilares de um mesmo projeto. Os minerais críticos são a matéria-prima da transição energética. A transição energética é a infraestrutura que viabiliza a economia do futuro. Minas tem os dois. O que ainda falta é a visão que os una, a tecnologia que os potencialize e a liderança política, econômica e social capaz de coordenar esse esforço.

 **O momento de agir**

 Minas tem uma escolha a fazer. Pode recuperar a capacidade de formular grandes projetos de desenvolvimento, projetos capazes de mobilizar universidades, empresas, startups, gestores públicos e a sociedade civil em torno de um objetivo comum.

 Projetos assim transcendem partidos, administrações e conjunturas. Criam instituições, atraem talentos e mudam a trajetória de um Estado.

 No passado, Minas ajudou a liderar a era da energia. Ajudou a construir o sonho de um país industrializado, aberto e moderno. E quando o Brasil precisou encontrar um caminho para sair da ditadura, foi de Minas que veio a liderança necessária para construir o consenso.

 Essa é a vocação mais profunda do Estado: ser o lugar onde projetos portadores de futuro ganham forma, legitimidade e força para se tornar realidade.

 Talvez tenha chegado o momento. É preciso compreender, como JK e Tancredo fizeram, que os grandes saltos não acontecem por acaso. Acontecem quando se decide construir uma visão de futuro. Uma visão estratégica baseada no que somos e no que podemos ser.

 Um projeto de futuro, para Minas e para o Brasil.

 

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 *** *Thiago de Azevedo Camargo é Diretor Executivo do Instituto Odsseia e da Sinapse Consultoria e Projetos. Advogado, Especialista em Políticas Públicas, Mestre em Ciência Política pela UFMG*

 

 

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