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title: &quot;Mesmo com crise econômica e sanitária, bancos não abrem mão do aumento em tarifas&quot;
url: https://mercadocomum.com/mesmo-com-crise-economica-e-sanitaria-bancos-nao-abrem-mao-do-aumento-em-tarifas/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2021-09-21T11:41:10-03:00
categories: [A Economia com Todas as Letras e Números, Destaques da Edição]
tags: [bancos não abrem mão do aumento em tarifas, Mesmo com crise econômica e sanitária]
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# Mesmo com crise econômica e sanitária, bancos não abrem mão do aumento em tarifas

[![Mesmo com crise econômica e sanitária, bancos não abrem mão do aumento em tarifas](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2021/09/Mesmo-com-crise-econo?mica-e-sanitaria-bancos-nao-abrem-mao-do-aumento-em-tarifas-300x143.jpg)](https://www.mercadocomum.com/)Mesmo com crise econômica e sanitária, bancos não abrem mão do aumento em tarifas ***Estudo do Idec aponta que, em meio à pandemia de covid-19, qualidade de serviços piorou e houve alta migração de consumidores para bancos digitais.***

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 Os bancos tradicionais brasileiros apresentaram reajustes abusivos de tarifas mesmo diante da crescente digitalização de serviços financeiros e das consequências econômicas da pandemia de Covid-19. Este é o diagnóstico do Relatório Comparativo de Tarifas Bancárias do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), que analisa reajustes no sistema financeiro desde 2009.

 O relatório de 2021 (realizado entre junho de 2020 e julho de 2021) aponta que as tarifas avulsas, de forma geral, apresentaram reajustes elevados, acima da inflação calculada pelo Índice de Preços Amplo ao Consumidor (IPCA) de 8,35%, acumulada no período analisado. Já serviços como saques, depósitos e transferências tiveram aumentos entre 9% (Caixa Econômica Federal) e 25% (Bradesco), mesmo com a crescente tendência de digitalização desses serviços.

 “Diante de uma crise econômica e sanitária, o aumento de valores tanto de tarifas, quanto de pacotes, não condiz com o cenário atual do consumidor brasileiro que não obteve contrapartidas por parte das instituições financeiras”, afirma Ione Amorim, economista e coordenadora do Programa de Serviços Financeiros do Idec.

 O maior reajuste praticado foi de 213%, na compra de moeda estrangeira pelo “Cheque Viagem” (Banco do Brasil), que passou de R$ 80,00 para R$ 250,00 por operação. Já nos pacotes, o diagnóstico se repete: foi observada a elevação de preços em ofertas cujo público alvo são clientes de classe média, com exceção do Itaú, cuja principal elevação (12%) ocorreu em um pacote de poupança.

 “A cada novo estudo realizado pelo Idec, identificamos uma prática de reajustes abusivos no preço das tarifas avulsas e principalmente dos pacotes de tarifas dos principais bancos. Os ganhos em escala obtida com a tecnologia na prestação de serviços não são repassados ??aos consumidores e as tarifas só aumentam”, constata Amorim.

 Pandemia, crise econômica e digitalização

 Um ano e meio após o início da pandemia já é possível avaliar profundamente quais foram os efeitos da crise econômica e sanitária nos serviços financeiros. Além disso, o relatório também leva em consideração que a crescente digitalização dos serviços financeiros tem sido uma novidade no relacionamento com os bancos.

 “Esta relação acontece a partir não só de bancos digitais (fintechs), como também do PIX, sistema unificado de transações instantâneas e, mais recentemente, do [**Open Banking**](https://mercadocomum.com/open-banking-chega-ao-brasil-para-dar-mais-autonomia-aos-clientes-e-mais-competitividade-ao-sistema-financeiro/), que visa uma maior competitividade no setor”, explica Amorim.

 Mas os avanços tecnológicos e o aumento significativo de consumidores que utilizam serviços financeiros a partir do internet banking e mobile banking são resultantes também da piora da prestação de serviços bancários durante o período avaliado. Houve dificuldade de diálogo com as instituições diante da redução das agências e do atendimento presencial, assim como via call center, restringindo o acesso aos canais digitais, aponta o relatório.

 “O consumidor não obteve contrapartida por parte das instituições financeiras. Pelo contrário, houve uma piora na qualidade de serviços e atendimentos durante a pandemia, tendência que também favorece a crescente migração para os serviços digitais”, diz Amorim.

 Esta é a terceira vez que a pesquisa, realizada há 12 anos, analisa também os bancos digitais. As chamadas fintechs foram incluídas nos relatórios anteriores de [2019](https://idec.org.br/release/em-dois-anos-tarifas-bancarias-sobem-ate-12-vezes-mais-que-inflacao-revela-pesquisa-do-0) e [2020](https://guiadosbancosresponsaveis.org.br/bancos/estudos/pesquisa-tarifas-2020/). Desde a primeira análise, que incluiu os maiores bancos virtuais do país, em todos foram identificados a existência de cobrança de algum tipo de serviço. Entre elas, saques, transferências e pacotes ofertados aos consumidores.

 O diagnóstico de 2021 é de que houve relativa manutenção das tarifas praticadas entre 2020 e 2021. Esse fato decorre do modelo de negócio das fintechs estar atrelado a ofertas de baixo custo quando comparadas às ofertas dos bancos tradicionais, apresentando, inclusive, diversos serviços com isenção tarifária.

 A expansão da gama de serviços oferecidos, indicando aumento de competitividade e contínua busca por novos públicos também foi observada nesta edição: o relatório mostra que as fintechs estão bem posicionadas na tendência de digitalização observada em todo o mercado e também destaca a ausência de regras sobre cobrança de tarifas por parte desta modalidade de instituições financeiras.

 “A falta de regulação do critério destas cobranças abre precedentes para a criação de tarifas de serviços não condizentes com o canal de distribuição”, complementa a coordenadora da pesquisa, que defende a necessidade de regulamentação.

 Após elaboração da pesquisa, o Idec enviou uma carta ao Banco Central (anexa ao relatório da pesquisa), em que questiona a ausência de regulamentação para os pacotes criados pelos próprios bancos e sua descontinuação sem informar os consumidores.