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Livro reconstitui evidências de que Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar

Nos 50 anos da morte de JK, “O Código 12” desmonta versão oficial do acidente de 1976 na Via Dutra e é lançado após decisão que encaminha a retificação do atestado de óbito do ex-presidente

Lançamento da Matrix Editora, o livro O Código 12 – As surpreendentes revelações sobre o assassinato de JK pela ditadura militar sustenta que a morte de Juscelino Kubitschek e de seu motorista, Geraldo Ribeiro, em 22 de agosto de 1976, na Rodovia Presidente Dutra, não foi um mero acidente de trânsito. Embasado por evidências técnicas e documentais acumuladas ao longo de três décadas de investigações, o jornalista Alex Solnik argumenta que JK foi assassinado em uma operação de sabotagem executada pelo aparato repressivo da ditadura militar.

A publicação da obra ocorre em um momento decisivo do caso: em maio deste ano, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos, do Ministério dos Direitos Humanos, aprovou relatório que reconhece “graves erros técnicos, falhas e suposições não comprovadas” nas provas produzidas em 1976. O próximo passo anunciado será oficializar no atestado de óbito de JK que sua morte foi “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente político do regime ditatorial instaurado em 1964”.

O nome “Código 12” está relacionado a um método específico de eliminação de inimigos da ditadura. Uma carta enviada em 1978 pelo vice-almirante Cândido da Costa Aragão, exilado em Portugal, denunciava a existência, no Serviço Nacional de Informações (SNI), de operações de “assassinato disfarçado de acidente de automóvel”. Na mesma carta, Aragão acusava o general João Batista Figueiredo, então chefe do SNI, de ser o mandante da morte de JK. Segundo Solnik, a acusação jamais foi contestada.

Ao longo das páginas, o jornalista destrincha o laudo do engenheiro-perito Sérgio Ejzenberg, elaborado em 2019 a pedido do Ministério Público Federal, para confirmar que o ônibus da Viação Cometa, responsabilizado pelo acidente, jamais tocou o carro de JK. Ele analisa ainda as circunstâncias pouco conhecidas que cercaram as últimas horas do ex-presidente, entre elas, uma reunião sigilosa, minutos antes da colisão, em um hotel-fazenda às margens da Dutra que pertencia a um dos fundadores do SNI. O que aconteceu nesses 90 minutos de conversa é uma das questões centrais do livro. Solnik conta como, ao deixar o local, o motorista de Kubitschek estranhou o funcionamento do carro e chegou a perguntar se alguém havia mexido no veículo.

A sistemática destruição de provas sob a guarda do próprio Estado também ganha destaque, do desmantelamento do automóvel no pátio da delegacia à ausência de exames e fotografias no processo, sempre “por ordens superiores”. O livro debate ainda outro episódio que permanece sem explicação 50 anos depois, quando a morte de JK em um acidente na Via Dutra foi noticiada nacionalmente, e desmentida em seguida, quinze dias antes de acontecer de verdade. Essa “premonição” aponta para os indícios de que os planos para matar JK estavam em andamento há certo tempo.

Solnik apresenta uma extensa entrevista com Serafim Jardim, secretário particular de JK e responsável pela reabertura do caso em 1996, quando a exumação do corpo de Geraldo Ribeiro revelou um fragmento de metal no crânio do motorista. A conversa com Jardim, aliada à outras fontes, permite a reconstuição dos três últimos dias do ex-presidente, incluindo o jantar na véspera com o empresário Adolpho Bloch, que implorou a JK que não viajasse ao Rio pela Dutra e obteve dele a promessa, descumprida, de ir de avião.

Em seu capítulo mais extenso, o autor relata o encontro com um suposto ex-agente do SNI de 91 anos, identificado apenas como “Agente X”, que afirma ter vigiado JK por 12 anos, e apresenta cópias de relatórios confidenciais sobre a vigilância e a operação de sabotagem. O próprio Solnik adverte no livro que não pôde verificar a autenticidade desses documentos, transparência que distingue, na obra, o que é prova documentada do que é relato de fonte não verificável.

Ao reunir pela primeira vez em livro o laudo pericial que desmonta a versão oficial, os relatórios das comissões da verdade e depoimentos de quem conviveu com JK até o fim, O Código 12 oferece aos leitores o que até aqui estava disperso em processos, arquivos e relatórios técnicos de difícil acesso. É leitura indicada para quem quer entender como funcionava a máquina de repressão e encobrimento da ditadura militar e para quem busca a reconstituição acessível de um dos episódios mais controversos da história recente do país.

Ficha técnica

Título: O Código 12 – As surpreendentes revelações sobre o assassinato de JK pela ditadura militar
Autoria: Alex Solnik

Editora: Matrix Editora

ISBN: 978-65-5616-694-0
Páginas: 160

Preço: R$ 57,00

Onde encontrar: Matrix Editora, Amazon e livrarias de todo o país

O autor

Alex Solnik é natural de Drogobytch, na Ucrânia, e mora no Brasil desde 1958. É jornalista profissional desde 1977. Trabalhou nas revistas Isto É, Senhor, Careta, Status, Manchete, Interview, no Jornal da Tarde, Última Hora, Correio Braziliense, Folha da Tarde, Panorama e O Nacional. É autor de “Os Pais do Cruzado Contam por Que Não Deu Certo”, “O cofre do Adhemar”, “A guerra do apagão”, “A última batalha de Napoleão”, “O dia em que conheci Brilhante Ustra”, e coautor, com Paulo Caruso, dos quadrinhos da série “Bar Brasil”, nas revistas Careta e Senhor, e dos livros “Bar Brasil, Bar Brasil na Nova República” e “Ecos do Ipiranga”.

Apostar em novos talentos, formatos e leitores. Essa é a marca da Matrix Editora, desde a sua fundação em 1999. A Matrix é hoje uma das mais respeitadas editoras do país, com mais de 1.100 títulos publicados e oito novos lançamentos todos os meses. A editora se especializou em livros de não-ficção, como biografias e livros-reportagem, além de obras de negócios, motivacionais e livros infantis.

 

 

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