O resultado nominal do setor público consolidado, incluindo primário e juros, foi deficitário em R$1.062,6 bilhões (8,34% do PIB)
A Dívida Bruta Geral Consolidada – que compreende o Governo Federal, o INSS e os governos estaduais e municipais – atingiu 78,7% do PIB (R$10,0 trilhões) em 2025
O Banco Central do Brasil divulgou no dia 30 de janeiro os resultados consolidados das contas públicas brasileiras – o que inclui a União, Estados e Municípios.
Como havíamos previsto no início do ano passado, os juros nominais do setor público consolidado brasileiro, apropriados por competência, alcançaram R$1.007,6 bilhões (7,91% do PIB) em 2025 – e representaram 94,24% de todo o déficit nominal apurado no período de R$ 1.062,6 bilhões, representando 8,34% do PIB. De outro lado, a Dívida Bruta Geral Consolidada – que compreende o Governo Federal, o INSS e os governos estaduais e municipais – atingiu 78,7% do PIB (R$10,0 trilhões) em 2025.
A íntegra do comunicado do Banco Central é a seguinte:
- 1. Resultados fiscais
O setor público consolidado registrou em 2025 déficit primário de R$55,0 bilhões (0,43% do PIB), ante déficit de R$47,6 bilhões (0,40% do PIB) em 2024. No ano, o déficit primário do Governo Central atingiu R$58,7 bilhões (0,46% do PIB), elevando-se em comparação ao resultado de 2024, déficit de R$45,4 bilhões (0,39% do PIB). Os Governos Regionais permaneceram superavitários, em termos primários, tanto em 2024, R$5,9 bilhões (0,05% do PIB), quanto em 2025, R$9,5 bilhões (0,07% do PIB).
Em dezembro, o setor público consolidado foi superavitário em R$6,3 bilhões, ante superávit de R$15,7 bilhões no mesmo mês de 2024. No mês, houve superávits de R$21,6 bilhões no Governo Central e de R$4,5 bilhões nas empresas estatais, e déficit de R$19,8 bilhões nos governos regionais.
Os juros nominais do setor público consolidado, apropriados por competência, alcançaram R$1.007,6 bilhões (7,91% do PIB) em 2025, comparativamente a R$950,4 bilhões (8,07% do PIB) em 2024. Em dezembro, os juros nominais somaram R$121,8 bilhões, comparativamente a R$96,1 bilhões em dezembro de 2024. Contribuíram para essa elevação interanual os aumentos da taxa Selic e do estoque do endividamento líquido no período.
O resultado nominal do setor público consolidado, incluindo primário e juros, foi deficitário em R$1.062,6 bilhões (8,34% do PIB) em 2025, ante déficit nominal de R$998,0 bilhões (8,47% do PIB) em 2024. Em dezembro, o resultado nominal foi deficitário em R$115,5 bilhões, comparativamente a déficit de R$80,4 bilhões em dezembro de 2024.
A redução de 0,13 p.p. do PIB no déficit nominal em 2025 decorreu da redução dos juros nominais apropriados no ano, uma vez que o déficit primário apresentou ligeira elevação (0,03 p.p. do PIB). Ressalte-se que a redução nos juros nominais em 2025 foi a primeira após sequência de 4 (quatro) elevações anuais, tendo contribuído para isso a evolução favorável do resultado das operações de swap cambial no período (ganho de R$105,9 bilhões, em 2025, e perda de R$115,9 bilhões, em 2024).
- Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) e Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG)
A DLSP atingiu 65,3% do PIB (R$8,3 trilhões) em 2025, elevando-se 4,0 p.p. do PIB no ano. Essa elevação refletiu, em especial, os impactos dos juros nominais apropriados (+7,9 p.p.), do efeito da valorização cambial acumulada de 11,1% (+1,3 p.p.), do déficit primário do período (+0,4 p.p.), dos demais ajustes da dívida externa líquida (-1,1 p.p.) e da variação do PIB nominal (-4,6 p.p.).
Em dezembro a relação DLSP/PIB elevou-se 0,1 p.p. do PIB, evolução que refletiu os impactos dos juros nominais apropriados (1,0 p.p.), da desvalorização cambial de 3,2% no mês (-0,3 p.p.), do efeito da variação do PIB nominal (-0,4 p.p.), e dos demais ajustes da dívida externa líquida (-0,1 p.p.).
A DBGG – que compreende o Governo Federal, o INSS e os governos estaduais e municipais – atingiu 78,7% do PIB (R$10,0 trilhões) em 2025, elevando-se, no ano, 2,4 p.p. do PIB. Essa evolução refletiu, principalmente, os impactos da incorporação de juros nominais (+8,9 p.p.), do reconhecimento de dívidas (+0,2 p.p.), do crescimento do PIB nominal (-5,7 p.p.), do efeito da valorização cambial (-0,5 p.p.), das emissões líquidas de dívida (-0,3 p.p.), e dos demais ajustes da dívida externa (-0,2 p.p.).
Em dezembro a relação DBGG/PIB reduziu-se 0,3 p.p. do PIB, refletindo, sobretudo, os resgates líquidos de dívida (-0,7 p.p.), o efeito da variação do PIB nominal (-0,5 p.p.), e os juros nominais apropriados (0,8 p.p.).
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