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title: &quot;JK, os economistas e a decidida confiança no princípio da livre empresa&quot;
url: https://mercadocomum.com/jk-os-economistas-e-a-decidida-confianca-no-principio-da-livre-empresa/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2026-05-29T11:00:03-03:00
categories: [Destaques da Edição]
tags: [Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, JK, os economistas e a decidida confiança no princípio da livre empresa]
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# JK, os economistas e a decidida confiança no princípio da livre empresa

**Carlos Alberto Teixeira de Oliveira***

 A profissão de economista no Brasil foi implantada através da Lei Federal 1.411, em 13 de agosto de 1951, à época em que Getúlio Vargas presidia o governo brasileiro e, portanto, em breve estará comemorando 75 anos.

 Apresento, a seguir, texto do discurso do presidente Juscelino Kubitschek como paraninfo dos formandos da Faculdade de Ciências Econômicas de [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/), ocorrido em [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/) – MG., em 5 de dezembro de 1958 e extraído da Coletânea de 3 volumes – 2.336 páginas intitulada “JK: Profeta do Desenvolvimento – Exemplos e Lições ao Brasil do Século XXI”, de minha autoria.

 *“É para mim uma grande satisfação encontrar-me aqui convosco, no momento em que se coroam os vossos esforços, quando vos é entregue o diploma que vos habilita ao exercício de uma profissão nova e cada vez mais necessária ao Brasil.*

 *Quis a vossa generosidade que me coubesse, depois do vosso, o papel de maior relevo na festa de hoje, escolhendo-me vosso paraninfo. Sejam, pois, de comovido agradecimento as primeiras palavras que vos dirijo. Tomo essa homenagem como prestada, não a mim pessoalmente, mas ao homem público, ao Presidente que alicerçou seu Governo num programa de desenvolvimento econômico, ao qual muitos economistas já prestam relevantes serviços. Por isso mesmo, sinto-me à vontade entre vós, vosso companheiro, não pelo conhecimento especializado, mas pelo mesmo ideal de bem servir à pátria, no afã de criar as condições econômicas necessárias à realização de seus altos destinos.*

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 * JK e o Plano de Metas*

 *Esse programa de desenvolvimento econômico, que se consubstancia nas trinta metas que o meu Governo se propôs como objetivos mínimos, eu o havia prometido ao país, quando ainda era candidato à Presidência da República. Meu primeiro cuidado, uma vez eleito, foi equacioná-lo em termos realistas, revendo as projeções e estimativas que haviam servido de base à sua primeira formulação, à medida que dados mais precisos eram obtidos e a própria execução de alguns projetos específicos aconselhava a sua atualização ou mesmo a sua modificação, num ou noutro ponto.*

 *Nesse equacionamento, obedeceu-se igualmente às determinações de uma sadia estrutura financeira, limitando-o àqueles objetivos insuscetíveis de provocar uma sangria dos recursos do Tesouro Nacional, de caráter inflacionário, ou que obrigassem a novas responsabilidades no exterior, que sobrepassassem a capacidade econômica do país. Cingiu-se, assim, o meu Governo a um plano, certamente amplo, mas perfeitamente exequível, mercê de um esforço harmônico dos órgãos públicos e da livre empresa privada.*

 *Essa integração de Governo e livre empresa é, na verdade, condição indispensável à boa e completa realização do programa de metas. Nesse particular, não modifiquei de forma alguma a ideia que exprimi ao povo brasileiro, quando lhe pleiteava os sufrágios; hoje, como então, reafirmo minha decidida confiança no princípio da livre empresa, cuja expansão ordenada é o penhor do progresso do país e o caminho mais curto para atingir-se o bem-estar social, alvo supremo de toda ação política.*

 *Em nenhum dos cinco setores — energia, transporte, alimentação, indústria de base e educação — em que se divide o programa de metas, tem o meu Governo a intenção de substituir-se à iniciativa privada. Sua missão limita-se, voluntariamente, a criar as condições necessárias à ordenação do desenvolvimento econômico a seus fins últimos de aperfeiçoamento social. Assim agindo, o Governo procura coordenar as empresas particulares, integrando-lhes os esforços numa ação de conjunto, que permitirá a aceleração do processo mesmo do desenvolvimento, graças à racional seleção de projetos específicos e à correta atribuição de meios para sua execução.*

 *Para que se prossiga no cumprimento desse programa, que parcialmente será legado ao Governo que me suceder, urge que todos nós — homens públicos e chefes de indústria, educadores e operários, representantes das profissões liberais tradicionais e das que, como a vossa, começam a impor-se com entusiasmo e devotamento — nos unamos, com espírito livre de preconceitos, para levar a bom termo a ingente tarefa que nos coube.*

 *Exatamente por ser uma política nacional, o plano de metas exige a participação de toda a população ativa do país, qualquer que seja o tipo de sua atividade, no âmbito governamental, ou no particular. Homens de Governo definiram-no; técnicos e especialistas fixaram-lhe os objetivos mínimos; economistas enquadraram-no na estrutura econômico-financeira do país, para que ele tivesse condições de viabilidade. Estudaram-se a capacidade interna de investimento e as possibilidades de investimentos estrangeiros; estimaram- se a capacidade de importar e a de pagamentos ao exterior, sob a forma de exportação de mercadorias e serviços, e sob a forma de ingresso de capitais estrangeiros; consertaram-se medidas para entrosar o programa federal com os programas estaduais e municipais; harmonizaram-se as metas aos imperativos da segurança nacional.*

 *Estaria o programa de metas, contudo, incompleto, se não se preocupasse também com alguns aspectos peculiares da estrutura socioeconômica do Brasil, onde coexistem centros altamente desenvolvidos, na faixa litorânea principalmente, e outros ainda por serem trazidos a um nível de vida razoável. Não podemos permitir, sem grave prejuízo para o futuro deste país, que consideráveis extensões geográficas continuem à margem do desenvolvimento nacional. É preciso realmente incorporá-las ao país, mediante uma ocupação humana racional, convenientemente preparada sob todos os ângulos, possibilitando, assim, o aproveitamento do seu potencial econômico, até agora inerte e improdutivo.*

 *Com essa finalidade, determinei que se desse cumprimento ao imperativo histórico e constitucional de transferir a capital brasileira para o centro do país de forma que ela sirva de foco de irradiação civilizadora para aquelas regiões, que, afastadas do bafejo do poder central e daqueles pontos mais afortunados e prósperos, não puderam ainda acompanhar o ritmo de progresso verificado em outras partes da nação.*

 

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 *A construção de Brasília não é, portanto, um sonho de visionário, ou a satisfação da vaidade tola de um governante que desejasse, simplesmente, ligar seu nome ao de uma empreitada gigantesca, mas fantasiosa. Não, Brasília completa as metas, Brasília resulta da clara consciência de uma realidade geopolítica e econômica, sobre ser um esplêndido testemunho de nossa capacidade de realização.*

 *A quem, fria e honestamente, pesar as razões que militam pró ou contra a mudança de capital, estou certo de que os argumentos acima terão demonstrado, sem sombra de dúvida, que se trata de uma necessidade inadiável e iniludível, que se justificaria amplamente, quaisquer que fossem os sacrifícios impostos ao país, pelo único resultado de permitir o mais rápido desenvolvimento de vastas porções de nosso território. Entendeu, porém, o Governo de realizar essa transferência da maneira mais econômica possível, sem onerar excessivamente os cofres públicos. Para isso, além de estabelecer um esquema em larga proporção autofinanciável, vinculou-a, sempre que possível, ao plano de metas, especialmente no setor dos transportes. A articulação rodoviária e ferroviária de Brasília com o resto do país se faz, assim, sem prejuízo da ampliação do sistema geral de transportes e comunicações, prevista para 1960, e dentro do plano de penetração pelo interior do país e de sua comunicação com a periferia litorânea. Brasília possibilitou a ligação física do Brasil e garantirá a posse de nosso território e a unidade nacional.*

 *Paralelamente ao programa de metas, vem o Governo dando especial atenção à recuperação econômica de regiões que, por fatores os mais diversos, requerem ação pública direta e de maiores proporções, como a Amazônia, o Vale do São Francisco, o Nordeste e a Faixa de Fronteiras do Sudoeste, onde têm sido feitos investimentos públicos de grande magnitude.*

 *Aliado a essa preocupação de crescimento harmônico interno, esteve sempre o desejo, a aspiração de que também os povos irmãos do Continente Americano pudessem igualmente alcançar padrões econômicos e sociais mais elevados. A identidade de ideais políticos e culturais atingida pelos povos americanos deve fatalmente completar-se, no campo econômico, pela mesma elevação de padrão de vida a que aspiramos para o Brasil. O simples exame de alguns índices, particularmente significativos, como a taxa de crescimento demográfico e a renda per capita, revela desníveis de tal ordem, que a imperiosidade de correção salta aos olhos. Nem será por outro caminho que a América Latina encontrará forças para sobreviver ao impacto de determinadas formas de integração econômica de países altamente desenvolvidos, cujos aspectos favoráveis somos os primeiros a reconhecer, mas a cujas consequências econômicas, ou pelo menos a algumas delas, não nos podemos manter indiferentes.*

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 *Fiel à sua tradição diplomática de uma política exterior de franca e leal cooperação com todos os países e, muito especialmente, com seus vizinhos continentais, o Brasil idealizou e encabeçou a chamada Operação Pan-Americana, que outra finalidade não tem, a não ser a que acima ficou esboçada, ou seja, atribuir ao Pan-Americanismo um conteúdo mais prático e objetivo, sobre o qual se possa continuar a construir no campo cultural e político, sem que se venha a experimentar o mesmo receio de Bolívar, qual seja o de estar semeando no mar.*

 *Que era chegado o momento propício para o lançamento da Operação, comprova-o, além do apoio que recebemos das Repúblicas irmãs do Continente, o interesse que por ela tem manifestado o povo brasileiro, demonstrando estar psicologicamente preparado para aceitar seus encargos internacionais. A todos esses fenômenos de criação, de renovação, tanto no Brasil, quanto fora dele, vos é dado assistir e deles participais, meus caros paraninfados, mais intensamente talvez que qualquer outro grupo profissional, porque todos eles apresentam matizes econômicos e financeiros. Não há, no mundo de hoje, um só acontecimento de relevo em que seja possível desenlaçar os componentes puramente políticos, econômicos ou culturais, tão intimamente se fundem eles uns nos outros.*

 *Tendes visto, porquanto já vos disse, que não creio ser hoje possível a ação política que não levar em linha de conta os fatos econômicos e seus reflexos em todos os outros campos. Nenhuma estrutura social prevalecerá, se não estiver esteada numa sólida análise dos fatores econômicos existentes, assim como nenhum governo fará obra duradoura se se confinar às regras ultrapassadas do “laissez-faire”, reservando-se para os problemas “políticos”, na acepção que dava a essa expressão a arte de governar tradicional. Cada dia mais premente se faz necessária a vossa voz, economistas, nas decisões governamentais, e os dirigentes que não a escutarem estarão traindo a sua missão.*

 *Nessa convicção é que, mais na qualidade de vosso paraninfo que na de Presidente da República, lanço-vos um apelo para que dirijais vossos olhos para a coisa pública, como já o têm feito muitos de vossos colegas mais velhos, e para que, com os vossos conselhos, fruto da ciência transmitida por vossos mestres, auxilieis os governantes em sua ação prática.*

 *Crede-me, quando vos afirmo ser de honra o vosso lugar nessa tarefa. A ciência econômica há muito deixou de ser uma disciplina esotérica, própria apenas para os debates teóricos, travados por uns quantos iniciados nos mistérios de um jargão abstruso, para tornar-se tão imprescindível na sociedade moderna quanto qualquer uma das outras ciências sociais. Já vão longe, felizmente, os tempos em que por economista se entendia um manipulador de cifras estatísticas, enredadas na malha estreita de uma dialética deslumbrante, porém infrutífera. Hoje, o economista está perfeitamente integrado na vida social, com funções definidas, prestando seus serviços como qualquer outro profissional. Vosso primeiro dever é preservar a conquista realizada por vossos antecessores, ao despir a economia daquele caráter exótico, para vesti-la da roupagem de uma ciência social, baseada acima de tudo em valores humanos. Nenhuma ciência é realmente grande e autêntica, senão quando se subordina ao aprimoramento do homem e se adapta à sua grandeza e às suas limitações. Essa marca teleológica, impressa em todo conhecimento, é que dignifica a inteligência humana, elevando-a acima do puro instinto.*

 *O conhecimento, tornado fim em si mesmo, esteriliza-se e esvazia-se de sentido. Se não tivermos o pensamento orientado por esse princípio, de nada, ou de muito pouco, nos servirá acumular noções, por mais extensas e profundas que possam ser, pois lhes haverá faltado a ordenação e um fim. Na medida em que souberdes assim disciplinar vossas atividades, estareis integrando, mais e mais, a ciência econômica na cultura e estareis contribuindo para que ela se torne um fecundo instrumento de trabalho e civilização.”*

 *Carlos Alberto Teixeira de Oliveira é Administrador, Economista e Bacharel em Ciências Contábeis, com vários cursos de pós graduação no Brasil e exterior. Ex-Executive Vice-Presidente e CEO do Safra National Bank of New York, em Nova Iorque, Estados Unidos. Ex-Presidente do BDMG-[**Banco de Desenvolvimento de Minas**](https://mercadocomum.com/banco-de-desenvolvimento-de-minas/) Gerais e do Banco de Crédito Real de Minas Gerais; Foi Secretário de Planejamento e Coordenação Geral e de Comércio, Indústria e Mineração; e de Minas e Energia do Governo de Minas Gerais; Também foi Diretor-Geral (Reitor) e fundador do Centro Universitário Estácio de Sá de [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/); Ex-Presidente do IBEF Nacional – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças e da ABDE-Associação Brasileira de Desenvolvimento; Atualmente é Coordenador Geral do Fórum JK de Desenvolvimento Econômico; Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas Gerais. Presidente da MinasPart Desenvolvimento Empresarial e Econômico, Ltda. Integra vários Conselhos Consultivos e de Administração de diversas empresas e instituições. Membro da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e Academia Brasileira de Ciências Contábeis. Vice-Presidente da diretoria executiva da ACMinas – Associação Comercial e Empresarial de Minas. Presidente/Editor Geral de ***MercadoComum. ***Autor de vários livros, como a coletânea de 3 volumes – 2.336 páginas, intitulada “Juscelino Kubitschek: Profeta do Desenvolvimento – Exemplos e Lições ao Brasil do Século XXI”.

 

 

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