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title: "FMI prevê que desempenho da conomia brasileira  continuará em níveis inferiores à média global"
url: https://mercadocomum.com/fmi-preve-que-desempenho-da-conomia-brasileira-continuara-em-niveis-inferiores-a-media-global/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2026-04-29T10:44:07-03:00
categories: [Destaque Especial]
tags: [Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, FMI prevê que desempenho da conomia brasileira continuará em níveis inferiores à média global]
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# FMI prevê que desempenho da conomia brasileira  continuará em níveis inferiores à média global

***A economia global enfrenta novos desafios, uma vez que a guerra no Oriente Médio ameaça interromper o crescimento e a desinflação.***

 **Carlos Alberto Teixeira de Oliveira***

 O FMI – Fundo Monetário Internacional divulgou, no dia 14 de janeiro, a revisão do estudo anterior intitulado *World Economic Outlook* (Panorama Econômico Mundial), de janeiro de 2026.

 De acordo com a instituição o crescimento da economia global está agora projetado em 3,1% para 2026 e 3,2% para 2027, uma ligeira revisão inferior em relação à edição de janeiro de 2026 do Panorama Econômico Mundial.

 A inflação global deverá subir modestamente em 2026, antes de retomar sua queda em 2027. A desaceleração do crescimento e o aumento da inflação deverão ser particularmente acentuados nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento.

 As estimativas divulgadas para a economia brasileira, apesar do pequeno aumento de 1,6% anterior para 1,9% neste ano de 2026, ainda foram na contramão da previsão de expansão para o PIB global, de 3,1%. Para o FMI, o PIB brasileiro será de 2,0% em 2027 – diante de uma expansão da economia global estimada em 3,2%.

 

 Assim como já ocorreram várias vezes anteriormente, tanto neste ano como no próximo o Brasil deverá ter crescimento econômico inferior ao PIB global e, também, ao dos países considerados emergentes e ao das economias da América Latina.

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 *Em vermelho: anos em que a economia brasileira cresceu menos do* *que a média mundial; Em roxo: anos em que a economia brasileira* *basicamente cresceu no mesmo ritmo da média mundial.*

 **Projeção*

 *Fonte: FMI/World Economic Outlook Database/Oct 2025*

 *Elaboração: MercadoComum/Há 33 Anos Formando Opiniões!*

 **Exemplo ao Brasil: a Polônia deixou de ser o “primo pobre” da Europa**

 Em 1995, a riqueza por habitante na Polônia representava apenas 36% em comparação com a dos britânicos. Hoje, ela já chega a mais de 80% – e as expectativas indicam que os poloneses devem ultrapassar os britânicos até 2030.

 Como eles fizeram isso? O segredo está nas diversas reformas que o país realizou, além da abertura para investimento estrangeiro e benefícios fiscais para manter jovens talentos no país – como impostos menores para que tem menos de 26 anos.

 Em setembro do ano passado, a Polônia entrou no grupo das 20 maiores economias do mundo, próximo da Suíça e alcançando um PIB superior a US$ 1 trilhão. A percepção mudou tanto que, desde o Brexit em 2016, 1/3 dos poloneses que viviam no Reino Unido retornaram ao país. *(Fonte: The News)*

 

 **COMPOSIÇÃO DO PIB MUNDIAL – EM US$ MILHÕES CORRENTES – 2025**

 *PIB – Valor* *% do Total*

 Países Desenvolvidos 69.386.689  58,72

 Emergentes/Em Desenvolvimento 48.788.796  41,28

 Total  118.175.485 100,00

 *Fonte: FMI/World Economic Outlook Database – Apr 2026*

 *Elaboração: MercadoComum – Há 33 Anos Formando Opiniões*

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 *As estimativas e projeções do Capítulo 1 e do Apêndice Estatístico do relatório [**Perspectivas da Economia Mundial**](https://mercadocomum.com/perspectivas-da-economia-mundial/) de abril de 2026 baseiam-se em informações estatísticas disponíveis até 1º de abril de 2026, mas podem não refletir os dados mais recentes publicados em todos os casos.*

 **Síntese das análises do FMI**

 **Capítulo 1: Perspectivas e Políticas Globais**

 A economia global está novamente sendo afetada, desta vez com o início da guerra no Oriente Médio. A alta dos preços das commodities, as expectativas de inflação mais elevadas e as condições financeiras mais restritivas estão testando a resiliência recente. Sob a hipótese de um conflito limitado, o crescimento global é projetado em 3,1% em 2026 e 3,2% em 2027, abaixo dos resultados recentes e bem abaixo das médias pré-pandemia. A inflação global deve subir ligeiramente em 2026 e retomar sua queda em 2027. As pressões se concentram nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento, especialmente nos importadores de commodities com vulnerabilidades preexistentes. Os riscos são decisivamente negativos. Um conflito prolongado, uma fragmentação geopolítica mais profunda, decepções com a produtividade impulsionada pela IA ou a renovação das tensões comerciais podem enfraquecer o crescimento e desestabilizar os mercados. A elevada dívida pública e a erosão das reservas de políticas aumentam a vulnerabilidade. As políticas devem promover a adaptabilidade, aumentar a credibilidade e reforçar a cooperação internacional.

 **Capítulo 2: Gastos com Defesa: Consequências Macroeconômicas e Conflitos de Interesse**

 Os gastos com defesa estão aumentando em meio à intensificação das tensões geopolíticas. Este capítulo constata que grandes aumentos nos gastos com defesa tornaram-se mais frequentes, especialmente em mercados emergentes e economias em desenvolvimento. Em um aumento típico, os gastos com defesa crescem cerca de 2,7 pontos percentuais do PIB ao longo de dois anos e meio, com aproximadamente dois terços financiados por meio de déficit fiscal. Embora os aumentos nos gastos com defesa possam impulsionar a atividade econômica no curto prazo, eles também elevam temporariamente a inflação e criam desafios significativos no médio prazo. Os déficits fiscais pioram em cerca de 2,6 pontos percentuais do PIB, a dívida pública aumenta em cerca de 7 pontos percentuais em três anos e os saldos externos se deterioram. Os aumentos nos gastos com defesa em tempos de guerra são especialmente custosos, com a dívida pública saltando cerca de 14 pontos percentuais e os gastos sociais caindo. Os multiplicadores dos gastos com defesa são próximos de 1, em média, mas variam amplamente dependendo de como os gastos são sustentados, financiados e alocados, e da quantidade de equipamentos importados.

 **Capítulo 3: A Macroeconomia dos Conflitos e da Recuperação**

 Os conflitos armados geram profundas consequências macroeconômicas que vão além do seu devastador custo humano. Este capítulo utiliza dados globais sobre conflitos pós-Segunda Guerra Mundial para avaliar as implicações econômicas das guerras. A análise demonstra que os conflitos geram perdas de produção significativas e persistentes nas economias onde ocorrem combates — superiores às perdas decorrentes de crises financeiras ou desastres naturais graves — além de impactos consideráveis ​​em outros países. Essas perdas desencadeiam importantes dilemas macroeconômicos nos setores monetário, fiscal e externo, deixando cicatrizes duradouras. A recuperação econômica é lenta e desigual, dependendo criticamente da manutenção da paz. Mesmo quando a paz se consolida, a recuperação permanece modesta em relação às perdas sofridas durante a guerra, impulsionada principalmente pelo mercado de trabalho, enquanto o capital e a produtividade permanecem estagnados. A estabilização macroeconômica precoce, a reestruturação da dívida, o apoio internacional e as reformas internas para reconstruir as instituições são essenciais. Pacotes abrangentes de políticas que, em conjunto, reduzam a incerteza e reconstruam o estoque de capital geram externalidades positivas que impulsionam uma recuperação mais robusta.

 **Dívida a 100% do PIB: o Alerta do FMI e o Impacto nos Investimentos no Brasil**

 *Projeção de dívida bruta acima de 100% do PIB recoloca o risco fiscal no centro do debate e ajuda a explicar os prêmios mais altos cobrados pelo mercado*

 Matéria da publicação Forbes relata que o relatório Monitor Fiscal do Fundo Monetário Internacional, divulgado recentemente, trouxe uma atualização relevante, ainda que não surpreendente, sobre a trajetória das contas públicas brasileiras. A dívida bruta deve atingir 100% do PIB em 2027 e continuar avançando até cerca de 106,5% em 2031. Mais do que o número em si, o que chama atenção é a inclinação dessa trajetória e o contexto em que ela se insere.

 Para o investidor, esse tipo de projeção é uma variável que afeta diretamente o preço dos ativos, a dinâmica dos juros, o comportamento do câmbio e, em última instância, o retorno real das carteiras.

 Mas, antes de falar das implicações, vale organizar alguns conceitos que frequentemente aparecem de forma fragmentada no debate público.

 **Por que os números do FMI diferem do Banco Central do Brasil**

 A dívida pública corresponde ao estoque de obrigações do governo com seus credores, domésticos e estrangeiros, acumulado ao longo do tempo. Sempre que o Estado gasta mais do que arrecada, precisa se financiar. Isso ocorre, principalmente, por meio da emissão de títulos públicos.

 Esse mecanismo é comum a todas as economias modernas, então, o problema não é a existência da dívida, mas a sua trajetória e o custo de carregamento. o Banco Central brasileiro calcula a dívida bruta excluindo os títulos do Tesouro que estão em sua própria carteira, enquanto o FMI adota um critério e inclui esses papéis. Isso explica por que os números divergem: cerca de 79% do PIB na métrica doméstica contra aproximadamente 96,5%, segundo o Fundo, para 2026.

 A divergência, portanto, é mais contábil do que econômica e ambas as leituras apontam para a mesma direção: uma trajetória de deterioração.

 O governo paga juros sobre a dívida existente; esses juros com peso crescente no orçamento ampliam o déficit nominal que, por sua vez, exige novas emissões de dívida, retroalimentando o processo. As projeções do FMI indicam justamente esse movimento: o déficit nominal tende a se ampliar, refletindo tanto o aumento das despesas financeiras quanto a dificuldade de gerar superávits primários suficientemente robustos. Em termos comparativos, o Brasil já se encontra acima da média de economias emergentes, cuja dívida gira em torno de 57,5% do PIB, e também supera a supera a média latino-americana, próxima de 74%.

 **Carlos Alberto Teixeira de Oliveira é Administrador, Economista e Bacharel em Ciências Contábeis, com vários cursos de pós graduação no Brasil e exterior. Ex-Executive Vice-Presidente e CEO do Safra National Bank of New York, em Nova Iorque, Estados Unidos. Ex-Presidente do BDMG-[**Banco de Desenvolvimento de Minas**](https://mercadocomum.com/banco-de-desenvolvimento-de-minas/) Gerais e do Banco de Crédito Real de Minas Gerais; Foi Secretário de Planejamento e Coordenação Geral e de Comércio, Indústria e Mineração; e de Minas e Energia do Governo de Minas Gerais; Também foi Diretor-Geral (Reitor) e fundador do Centro Universitário Estácio de Sá de [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/); Ex-Presidente do IBEF Nacional – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças e da ABDE-Associação Brasileira de Desenvolvimento; Atualmente é Coordenador Geral do Fórum JK de Desenvolvimento Econômico; Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas Gerais. Presidente da MinasPart Desenvolvimento Empresarial e Econômico, Ltda. Integra vários Conselhos Consultivos e de Administração de diversas empresas e instituições. Membro da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e Academia Brasileira de Ciências Contábeis. Vice-Presidente da diretoria executiva da ACMinas – Associação Comercial e Empresarial de Minas. Presidente/Editor Geral de* **MercadoComum.** *Autor de vários livros, como a coletânea de 3 volumes – 2.336 páginas, intitulada “Juscelino Kubitschek: Profeta do Desenvolvimento – Exemplos e Lições ao Brasil do Século XXI”.*

 

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