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title: &quot;FMI: economia brasileira continuará crescendo em níveis inferiores à média global&quot;
url: https://mercadocomum.com/fmi-economia-brasileira-continuara-crescendo-em-niveis-inferiores-a-media-global/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2026-01-30T15:21:53-03:00
categories: [Destaque Especial]
tags: [Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, FMI: economia brasileira continuará crescendo em níveis inferiores à média global]
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# FMI: economia brasileira continuará crescendo em níveis inferiores à média global

**Autor: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira***

 ***Economia global supera choque tarifário em meio a boom impulsionado pela tecnologia***

 ***Mas os riscos estão aumentando, inclusive devido à concentração de investimentos em tecnologia e aos efeitos negativos das interrupções comerciais, que podem se intensificar ao longo do tempo***

 O FMI – Fundo Monetário Internacional divulgou, no dia 19 de janeiro, a revisão do estudo anterior intitulado *World Economic Outlook* (Panorama Econômico Mundial), de outubro de 2025.

 De acordo com a instituição o crescimento da economia global está projetado em 3,3% para 2026 e 3,2% para 2027, uma ligeira revisão em alta em relação à edição de outubro de 2025 do Panorama Econômico Mundial. Investimentos em tecnologia, apoio fiscal e monetário, condições financeiras favoráveis ​​e adaptabilidade do setor privado compensam as mudanças na política comercial.

 Nos Estados Unidos, acordos pontuais ajudaram a reduzir tensões após a volta das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, incluindo uma trégua temporária com a China. Ainda assim, o FMI destaca que a incerteza sobre a política comercial segue elevada e pode afetar mercados e investimentos.

 Na América Latina, porém, o ritmo é mais fraco. A região deve crescer 2,2%, levemente abaixo do previsto antes. O FMI avalia que, embora as economias tenham conseguido se adaptar às disputas comerciais, a instabilidade nas regras do comércio internacional ainda gera riscos.

 O FMI também chama atenção para possíveis riscos ligados à inteligência artificial. Caso as expectativas de lucros e ganhos de produtividade não se confirmem, pode haver correções nos mercados financeiros, hoje impulsionados pelo otimismo com a tecnologia.

 Enquanto os Estados Unidos avançam com força nos investimentos em IA, outras economias desenvolvidas ficam para trás.

 O FMI projeta crescimento de 2,4% para os EUA em 2026, contra 1,3% na zona do euro, além de um ritmo mais lento no Japão. China e Índia seguem crescendo em ritmo relativamente sólido entre os emergentes.

 A inflação nos EUA retornará à meta mais gradualmente. Os principais riscos de queda são a reavaliação das expectativas em relação à tecnologia e a escalada das tensões geopolíticas. A inflação global, por outro lado, tende a desacelerar: a previsão é cair de 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026.

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 Para o FMI, os formuladores de políticas devem restaurar as reservas fiscais, preservar a estabilidade de preços e financeira, reduzir a incerteza e implementar reformas estruturais.

 No entanto, as estimativas do FMI não leva em consideração, em profundidade, os eventuais efeitos de uma guerra tarifária entre os Estados Unidos e países da Europa.

 As estimativas divulgadas para a economia brasileira foram na contramão da previsão para o PIB global, e o país foi um dos que sofreram maiores cortes nas suas perspectivas para o ano de 2026. Para o FMI, o PIB brasileiro crescerá 1,6% neste ano – abaixo do 1,9% estimado em outubro do ano passado – e 2,1% em 2027. A piora da previsão para o Brasil ocorre na situação em que a instituição ampliou a estimativa para o crescimento da economia global neste ano de 3,1% para 3,3% em decorrência da expectativa de um aumento do crescimento dos Estados Unidos e da Cima.

 Segundo o Fundo, o principal motivo é a política brasileira de juros altos adotada para conter a inflação.

 Atualmente em 9,23% ao ano – um dos maiores patamares de taxa real em quase 20 anos, a taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do Banco Central (BC) do Brasil para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre.

 Com a decisão de 28 de janeiro do COPOM de manter a taxa Selic em 15% ao ano, o Brasil se mantém no 2º lugar do ranking global de juros reais (quando é descontada a inflação). A taxa projetada em 12 meses recuou de 9,44% para 9,23% –caiu 0,21 ponto percentual. Só a Rússia (9,88%) tem maior juro real que o Brasil. Países de economia emergente, como Argentina (7,63%) e Turquia (6,45%), têm taxas inferiores à brasileira. A taxa de juros real praticada pelos Estados Unidos é de apenas 1,55% ao ano.

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 Para 2025, a projeção da expansão do PIB brasileiro foi levemente melhorada, passando de 2,4% para 2,5%. Já para 2027, o crescimento esperado subiu para 2,3%.

 Na avaliação do FMI, o Brasil ainda sente os efeitos do aperto monetário, o que limita a expansão da economia no curto prazo, mesmo com alguma melhora prevista para os próximos anos.

 O desempenho brasileiro também ficou abaixo da média regional. Para a América Latina e o Caribe, o FMI projeta crescimento de 2,2% em 2026 e 2,7% em 2027, acima do ritmo esperado para o Brasil.

 Já as economias emergentes e em desenvolvimento devem crescer 4,2% em 2026, reforçando o caráter isolado da revisão negativa brasileira no relatório.

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 Alerta

 Apesar do otimismo global, o FMI alerta que o crescimento mundial está concentrado em poucos países e setores, sobretudo os ligados à inteligência artificial. Caso as expectativas de ganhos de produtividade não se confirmem, o fundo avalia que pode haver correções nos mercados financeiros.

 Para o Brasil, a avaliação é de cautela. Mesmo com sinais de melhora nos próximos anos, o custo elevado do crédito segue como o principal freio ao crescimento econômico, segundo o FMI.

 Assim como já ocorreu no ano passado, tanto neste ano como no próximo o Brasil teria crescimento econômico inferior ao PIB global, ao dos países emergentes e ao das economias da América Latina.

 O Brasil, em 2025, perdeu para a Rússia a 10ª posição no Ranking Global das Maiores Economias:

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 **[**Economia brasileira teve um dos piores desempenhos do mundo durante os últimos 15 anos**](https://mercadocomum.com/economia-brasileira-teve-um-dos-piores-desempenhos-do-mundo-durante-os-ultimos-15-anos/)**

 De acordo com dados do FMI – Fundo Monetário Internacional, o PIB-Produto Interno Bruto do Brasil durante os últimos quinze anos (2011 a 2025) registrou um dos piores resultados de todo o mundo: acumulou uma perda no período de 13,66% em dólares norte-americanos correntes. Em 2011, totalizava US$ 2,614,03 bilhões e, segundo estimativas, fechou o ano de 2025 em US$ 2,256,91 bilhões. Não se pode deixar de registrar, no entanto que, no mesmo período, o país atravessou duas recessões: em 2015 e 2016 no governo Dilma Rousseff e em 2020, durante a pandemia da Covid 19 – acumulando-se uma perda de 10% no PIB.

 Outras economias também apresentaram desempenhos até piores, como as do Japão (-31,34%), Irã (-43,00%) e Venezuela (-73,85).

 Cabe destacar que, no mesmo período, o crescimento da economia global atingiu 57,94%, os países desenvolvidos registram uma expansão de 46,30% e os países considerados emergentes e em desenvolvimento – categoria da qual o Brasil faz parte, cresceram 77,86%.

 Merece ser considerado, também e de outro lado, alguns outros resultados que podem ser considerados excepcionais, como foi o caso da economia dos Estados que praticamente quase dobrou no período e passando a deter mais de ¼ de toda produção mundial. O tamanho da economia norte-americana em 2011 era cerca de 6 vezes maior do que a brasileira e, atualmente, atinge 14 vezes.

 Merecem citação especial os ótimos desempenhos contabilizados das seguintes economias em relação à expansão dos seus PIBs: Índia: +126,28%; China +157,79% e Vietnam +182,95%.

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 Relativamente à Renda Per Capita, em termos nominais, isto é, sem considerar a inflação verificada, de 2011 a 2025 o Brasil registrou uma queda de 20,62% – enquanto os Estados Unidos expandiram em 79,17%; a Índia quase dobrou – alcançando 94,40% e a China cresceu 144,29% no mesmo período. A estimativa da renda per capita dos brasileiros em 2025 é de US$ 10.577,86 (era US$ 13.326,09 em 2011).

 Liechtenstein detém a maior renda per capita mundial: US$ 231.713,06. A dos Estados Unidos, no valor de US$ 89.598,86, é a 8ª maior.

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-Tela-2026-01-30-as-12.44.35-208x300.png) ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-Tela-2026-01-30-as-12.44.44-175x300.png) ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-Tela-2026-01-30-as-12.44.52.png)

 **Economia da China cresceu 5% em 2025**

 No ano passado o PIB-Produto Interno Bruto da Chine subiu 5%, de acordo com dados divulgados em 20 de janeiro pelo Bureau Nacional de Estatísticas e repetiu o resultado obtido no ano anterior. Apesar de ter atingido a meta de crescimento, a economia chinesa apresentou, de fato, um crescimento anual mais reduzido trimestre após trimestre em 2025, devido a demanda interna ainda estar fraca.

 

 As autoridades agora enfrentam o sério desafio de alcançar o objetivo de tornar a China uma economia moderadamente desenvolvida até 2035, o que exigiria um crescimento médio de 4,17% na próxima década. (Fonte: Valor)

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 Em reunião realizada no dia 28 de janeiro, o Comitê de Política Monetária – COPOM decidiu, de forma unânime, manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, em consonância com as expectativas predominantes do mercado. A avaliação do cenário econômico pouco se modificou em relação às reuniões anteriores. O comitê destacou que o ambiente externo permanece incerto, a atividade doméstica apresenta moderação compatível com o esperado, o mercado de trabalho ainda demonstra resiliência, a inflação segue em trajetória de arrefecimento, mas acima da meta, e as expectativas inflacionárias continuam desancoradas.

 A projeção de inflação para o horizonte relevante de política monetária, agora correspondente ao terceiro trimestre de 2027, foi fixada em 3,2%, um pouco acima da meta de 3%. Os preços livres devem avançar 3,1%, enquanto os administrados devem crescer 3,3%. Como se pode ver, a inflação de preços livres, mais sensíveis ao ciclo econômico, está em torno da meta.

 Os membros do Copom alteraram substancialmente o trecho prospectivo do comunicado. A sinalização de “manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado” foi suprimida. No lugar, o Copom indicou que, em “ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”. Além disso, antevê, “em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião [agendada para 18 de março]”.

 Apesar da sinalização para cortes da Selic, o tom do comunicado foi cauteloso. O comitê enfatizou que manterá o nível de restrição necessário para assegurar a convergência da inflação à meta e destacou que o compromisso com a estabilidade impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo. (*Fonte: Macro 4intelligence*)

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 **[**Juros sobre a dívida pública brasileira batem recorde em 2025, ultrapassam R$ 1 trilhão – e alcançam 7,91% do PIB**](https://mercadocomum.com/juros-sobre-a-divida-publica-brasileira-batem-recorde-em-2025-ultrapassam-r-1-trilhao-e-alcancam-791-do-pib/)**

 ***O resultado nominal do setor público consolidado, incluindo primário e juros, foi deficitário em R$1.062,6 bilhões (8,34% do PIB)***

 ***A Dívida Bruta Geral Consolidada – que compreende o Governo Federal, o INSS e os governos estaduais e municipais – atingiu 78,7% do PIB (R$10,0 trilhões) em 2025***

 O Banco Central do Brasil divulgou no dia 30 de janeiro os resultados consolidados das contas públicas brasileiras – o que inclui a União, Estados e Municípios.

 Como havíamos previsto no início do ano passado, os juros nominais do setor público consolidado brasileiro, apropriados por competência, alcançaram R$1.007,6 bilhões (7,91% do PIB) em 2025 – e representaram 94,24% de todo o déficit nominal apurado no período de R$ 1.062,6 bilhões, representando 8,34% do PIB. De outro lado, ***a ***Dívida Bruta Geral Consolidada – que compreende o Governo Federal, o INSS e os governos estaduais e municipais – atingiu 78,7% do PIB (R$10,0 trilhões) em 2025.

 A íntegra do comunicado do Banco Central é a seguinte:

 
- 1. **Resultados fiscais**

 O setor público consolidado registrou em 2025 déficit primário de R$55,0 bilhões (0,43% do PIB), ante déficit de R$47,6 bilhões (0,40% do PIB) em 2024. No ano, o déficit primário do Governo Central atingiu R$58,7 bilhões (0,46% do PIB), elevando-se ​em comparação ao resultado de 2024, déficit de R$45,4 bilhões (0,39% do PIB). Os Governos Regionais permaneceram superavitários, em termos primários, tanto em 2024, R$5,9 bilhões (0,05% do PIB), quanto em 2025, R$9,5 bilhões (0,07% do PIB).

 Em dezembro, o setor público consolidado foi superavitário em R$6,3 bilhões, ante superávit de R$15,7 bilhões no mesmo mês de 2024. No mês, houve superávits de R$21,6 bilhões no Governo Central e de R$4,5 bilhões nas empresas estatais, e déficit de R$19,8 bilhões nos governos regionais.

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 Os juros nominais do setor público consolidado, apropriados por competência, alcançaram R$1.007,6 bilhões (7,91% do PIB) em 2025, comparativamente a R$950,4 bilhões (8,07% do PIB) em 2024. Em dezembro, os juros nominais somaram R$121,8 bilhões, comparativamente a R$96,1 bilhões em dezembro de 2024. Contribuíram para essa elevação interanual os aumentos da taxa Selic e do estoque do endividamento líquido no período.

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 O resultado nominal do setor público consolidado, incluindo primário e juros, foi deficitário em R$1.062,6 bilhões (8,34% do PIB) em 2025, ante déficit nominal de R$998,0 bilhões (8,47% do PIB) em 2024. Em dezembro, o resultado nominal foi deficitário em R$115,5 bilhões, comparativamente a déficit de R$80,4 bilhões em dezembro de 2024.

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 A redução de 0,13 p.p. do PIB no déficit nominal em 2025 decorreu da redução dos juros nominais apropriados no ano, uma vez que o déficit primário apresentou ligeira elevação (0,03 p.p. do PIB). Ressalte-se que a redução nos juros nominais em 2025 foi a primeira após sequência de 4 (quatro) elevações anuais, tendo contribuído para isso a evolução favorável do resultado das operações de swap cambial no período (ganho de R$105,9 bilhões, em 2025, e perda de R$115,9 bilhões, em 2024).

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- **Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) e Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG)**

 ​ A DLSP atingiu 65,3% do PIB (R$8,3 trilhões) em 2025, elevando-se 4,0 p.p. do PIB no ano. Essa elevação refletiu, em especial, os impactos dos juros nominais apropriados (+7,9 p.p.), do efeito da valorização cambial acumulada de 11,1% (+1,3 p.p.), do déficit primário do período (+0,4 p.p.), dos demais ajustes da dívida externa líquida (-1,1 p.p.) e da variação do PIB nominal (-4,6 p.p.).

 Em dezembro a relação DLSP/PIB elevou-se 0,1 p.p. do PIB, evolução que refletiu os impactos dos juros nominais apropriados (1,0 p.p.), da desvalorização cambial de 3,2% no mês (-0,3 p.p.), do efeito da variação do PIB nominal (-0,4 p.p.), e dos demais ajustes da dívida externa líquida (-0,1 p.p.).

 A DBGG – que compreende o Governo Federal, o INSS e os governos estaduais e municipais – atingiu 78,7% do PIB (R$10,0 trilhões) em 2025, elevando-se, no ano, 2,4 p.p. do PIB. Essa evolução refletiu, principalmente, os impactos da incorporação de juros nominais (+8,9 p.p.), do reconhecimento de dívidas (+0,2 p.p.), do crescimento do PIB nominal (-5,7 p.p.), do efeito da valorização cambial (-0,5 p.p.), das emissões líquidas de dívida (-0,3 p.p.), e dos demais ajustes da dívida externa (-0,2 p.p.).

 Em dezembro a relação DBGG/PIB reduziu-se 0,3 p.p. do PIB, refletindo, sobretudo, os resgates líquidos de dívida (-0,7 p.p.), o efeito da variação do PIB nominal (-0,5 p.p.), e os juros nominais apropriados (0,8 p.p.).

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 **[**Dívida Pública brasileira supera a média dos países emergentes**](https://mercadocomum.com/divida-publica-brasileira-supera-a-media-dos-paises-emergentes/)**

 A dívida pública global atingiu o recorde de US$ 102 trilhões em 2024 – último dado disponível, de acordo a UNCTAD e deverá atingir 100% do PIB até 2029, segundo o FMI.

 O FMI-Fundo Monetário Interno utiliza-se de metodologia e parâmetros diferentes dos usados pelo Banco Central do Brasil, quando os indicadores brasileiros sempre costumam ser inferiores aos adotados por aquela instituição.

 A seguir, apresentamos as estimativas dos saldos para o final de 2025, quando o Japão lidera com o maior nível de endividamento global, atingindo 230% do seu PIB-Produto Interno Bruto, cabendo uma ressalva: o fato de o Banco Central japonês deter cerca de 50% do estoque em títulos emitidos pelo próprio governo.

 Para o FMI, o endividamento público brasileiro alcançou em 2025 o equivalente a 91,42% superior ao PIB – percentual mais elevado do que a média de 72,69% dos países considerados emergentes e em desenvolvimento, categoria da qual faz parte. Mas no Brasil a situação é pior, porque sobre uma dívida pública cada vez mais crescente incide uma das maiores taxas de juros do mundo

 Para o governo brasileiro e segundo o Tesouro Nacional, a dívida pública consolidada/PIB deve atingir 83,6%

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 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-Tela-2026-01-30-as-12.46.13-194x300.png) ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-Tela-2026-01-30-as-12.46.24-258x300.png) ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-Tela-2026-01-30-as-12.46.33-300x109.png)

 **[**O crescimento econômico global continua demonstrando notável resiliência, apesar das significativas interrupções comerciais lideradas pelos EUA e da crescente incerteza**](https://mercadocomum.com/o-crescimento-economico-global-continua-demonstrando-notavel-resiliencia-apesar-das-significativas-interrupcoes-comerciais-lideradas-pelos-eua-e-da-crescente-incerteza/)**

 O economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, destacou a resiliência da economia mundial, mesmo após as tensões comerciais e tarifárias registradas em 2025.

 “A economia global está se livrando dos distúrbios comerciais e tarifários e se saindo melhor do que esperávamos”, disse.

 Publicamos, a seguir, artigo de autoria de Tobias Adrian – Conselheiro de Finanças e Diretor  do Departamento de Mercado Monetário e de Capitais do FMI e de Pierre-Olivier Gourinchas – Conselheiro Econômico e Diretor do Departamento de Estudos do FMI sobre a atuação situação econômica global e as suas perspectivas.

 “[**O crescimento econômico global continua demonstrando notável resiliência, apesar das significativas interrupções comerciais lideradas pelos EUA e da crescente incerteza**](https://mercadocomum.com/o-crescimento-economico-global-continua-demonstrando-notavel-resiliencia-apesar-das-significativas-interrupcoes-comerciais-lideradas-pelos-eua-e-da-crescente-incerteza/). Nossas projeções mais recentes indicam que o crescimento global se manterá estável em 3,3% neste ano, uma revisão para cima de 0,2 ponto percentual em comparação com as estimativas de outubro, com a maior parte da melhoria atribuída aos Estados Unidos e à China. Destaque para as projeções atuais que permanecem praticamente inalteradas em relação ao ano anterior, à medida que a economia global se recupera do impacto imediato do choque tarifário.

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 Essa força surpreendente reflete uma confluência de fatores, incluindo a redução das tensões comerciais, estímulos fiscais maiores do que o esperado, condições financeiras favoráveis, a agilidade do setor privado em mitigar as interrupções comerciais e a melhoria dos quadros políticos, especialmente nas economias de mercado emergentes.

 Outro fator crucial para essa resiliência é o contínuo aumento dos investimentos no setor de tecnologia da informação, especialmente em inteligência artificial. Embora a atividade manufatureira permaneça moderada, o investimento em TI como percentual da produção econômica dos EUA atingiu o nível mais alto desde 2001, impulsionando significativamente o investimento e a atividade empresarial em geral. Apesar desse crescimento expressivo em TI estar concentrado nos Estados Unidos, ele também está gerando impactos positivos em nível global, principalmente nas exportações de tecnologia da Ásia.

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 **As condições financeiras impulsionam a expansão**

 O boom de investimentos em TI reflete o otimismo das empresas e dos mercados em relação ao potencial transformador das recentes inovações tecnológicas — em automação e IA — para gerar ganhos consideráveis ​​de produtividade e aumentar os lucros. Desde o final de 2022, coincidindo com a introdução das primeiras ferramentas de IA generativa amplamente utilizadas, os preços das ações subiram acentuadamente.

 Condições financeiras favoráveis ​​e lucros robustos têm sustentado a alta dos preços das ações e ajudado a financiar novos investimentos. Mas, à medida que a expansão se acelera, o financiamento por dívida está se tornando mais comum, aumentando a alavancagem. Essa mudança introduz riscos consideráveis: uma maior alavancagem pode amplificar choques caso os retornos não se materializem ou se as condições financeiras em geral se tornem mais restritivas, impactando negativamente as empresas e aumentando as preocupações com possíveis efeitos colaterais no sistema financeiro como um todo.

 Além disso, a rentabilidade pode tornar-se sensível às premissas relativas aos cronogramas de depreciação de processadores avançados. Atualizações frequentes de equipamentos irão comprimir as margens de lucro, impactar negativamente os resultados e exigir financiamento adicional significativo por meio de dívida. Esses fatores ressaltam a importância do monitoramento do acúmulo de alavancagem e seu potencial para amplificar as vulnerabilidades.

 **Lições da era ponto-com**

 A comparação com o boom da internet de 1995-2000 é instrutiva. Embora o investimento em TI como percentagem do produto interno bruto seja, em geral, semelhante aos níveis daquela época, o crescimento recente tem sido mais gradual, acelerando acentuadamente apenas no ano passado. Além disso, embora as avaliações de mercado em relação à produção econômica tenham se expandido a um ritmo semelhante em ambos os períodos, o aumento dos índices preço/lucro tem sido mais modesto no boom atual, dado o desempenho mais robusto dos lucros.

 Em geral, nossa análise sugere que a potencial sobrevalorização do amplo índice de ações nos Estados Unidos é de apenas cerca de metade daquela observada durante a bolha das empresas ponto-com. Dito isso, a vulnerabilidade geral do crescimento macroeconômico global a uma reprecificação das ações de tecnologia pode ser substancial por três motivos.

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 Primeiro, a alta dos preços das ações nos últimos anos foi impulsionada predominantemente pelo setor de tecnologia, em particular pelas ações relacionadas à IA, e esse grupo específico se tornou um dos principais motores do índice. Segundo, muitas empresas essenciais relacionadas à IA não estão atualmente listadas em bolsas de valores. Seus empréstimos podem ter consequências que não foram vistas durante a era da bolha da internet. Terceiro, a capitalização de mercado é agora muito maior em relação à produção, passando de 132% em 2001 para 226% atualmente nos Estados Unidos; portanto, mesmo uma correção mais modesta poderia ter um efeito considerável no consumo geral.

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 **Riscos para as perspectivas**

 Olhando para o futuro, o atual boom tecnológico traz consigo importantes riscos, tanto positivos quanto negativos, para a economia global. No lado positivo, a IA poderá começar a cumprir suas promessas de produtividade, elevando a atividade econômica dos EUA e global em 0,3% este ano, em relação à projeção anterior.

 Por outro lado, as empresas de IA podem não conseguir gerar lucros compatíveis com suas altas avaliações, e o sentimento dos investidores pode azedar. Para referência, um cenário em nossa *Perspectiva Econômica Mundial *– World Economic Outlook de outubro de 2025 — que incluía uma correção moderada nas avaliações das ações de IA com um aperto das condições financeiras — reduz o crescimento global em 0,4% em relação à linha de base. Isso poderia ter consequências de longo alcance se o investimento real nos setores de tecnologia cair mais acentuadamente, desencadeando uma custosa realocação de capital e mão de obra. Combinado com ganhos de produtividade total dos fatores menores do que o esperado e uma correção mais significativa nos mercados de ações, as perdas de produção global poderiam aumentar ainda mais, concentradas em regiões com forte presença tecnológica, como os Estados Unidos e a Ásia.

 Dado o aumento da participação estrangeira em ações americanas ao longo da última década, essa forte correção também pode desencadear perdas significativas de riqueza fora dos Estados Unidos e afetar negativamente o consumo, espalhando a recessão globalmente. Mesmo economias com pouca exposição à tecnologia, incluindo muitos países de baixa renda e alto endividamento, seriam afetadas por impactos negativos na demanda externa e por custos mais elevados de empréstimos externos.

 Esses riscos negativos surgem em um momento de acentuada incerteza geopolítica, aumento do uso de controles de exportação sobre insumos críticos e restrições comerciais, além da redução do espaço fiscal em muitos países. Isso pode interagir com qualquer reavaliação do crescimento da produtividade relacionada à IA e com a reprecificação de ativos de risco de forma auto-reforçadora.

 **Política para estabilidade, disciplina e inclusão**

 Com a valorização de ativos em patamares elevados, o financiamento por dívida em ascensão e a incerteza em níveis elevados, uma supervisão prudencial rigorosa é essencial para salvaguardar a estabilidade financeira. A supervisão e a regulamentação devem assegurar padrões robustos de concessão de crédito por parte de bancos e instituições não bancárias, especialmente aquelas expostas ao setor tecnológico. Devem ser respeitadas as normas internacionalmente acordadas sobre capital e liquidez bancária. Os decisores políticos devem estar preparados para implementar planos de contingência para diversos riscos.

 A política monetária enfrenta um delicado equilíbrio. Se o boom tecnológico continuar, poderá pressionar as taxas de juros neutras reais para cima — como ocorreu durante a era da bolha da internet — exigindo um aperto na política monetária. Isso reduziria o espaço fiscal, especialmente em países que não se beneficiam do crescimento impulsionado pela inteligência artificial.

 Caso o cenário mais desfavorável se concretize, o rápido declínio da demanda agregada exigirá uma redução imediata das taxas de juros.

 O diagnóstico e a calibração adequados da política monetária para alcançar a estabilidade de preços exigem que os bancos centrais atuem dentro de seus mandatos. A independência do banco central continua sendo fundamental para a estabilidade monetária e financeira e para o crescimento econômico, protegendo a credibilidade da política monetária e ancorando as expectativas de inflação.

 No âmbito fiscal, os governos devem renovar os esforços para reduzir a dívida pública e restaurar o espaço fiscal onde for necessário.

 O impacto desigual da IA ​​sobre os trabalhadores é outra consideração importante. Embora a inovação impulsione o crescimento, ela corre o risco de eliminar empregos e reduzir os salários de certos segmentos da força de trabalho. As políticas devem se concentrar em reduzir as barreiras à adoção, ajudar os trabalhadores a investir nas habilidades certas, apoiar a mobilidade profissional por meio de programas específicos e manter mercados competitivos para facilitar a entrada e garantir que os benefícios da inovação sejam amplamente compartilhados.

 **Ato de equilíbrio**

 O crescimento global tem demonstrado uma resiliência impressionante em meio às interrupções comerciais, mas isso mascara fragilidades subjacentes ligadas à concentração de investimentos no setor de tecnologia. E os efeitos negativos das interrupções comerciais sobre o crescimento provavelmente se acumularão ao longo do tempo.

 O investimento impulsionado pela IA oferece um potencial transformador, mas também introduz riscos financeiros e estruturais que exigem vigilância. O desafio para os formuladores de políticas e investidores é equilibrar o otimismo com a prudência, garantindo que o atual crescimento tecnológico se traduza em um crescimento sustentável e inclusivo, em vez de mais um ciclo de expansão e recessão. Isso é especialmente relevante em um ambiente marcado por tensões geopolíticas crescentes e ameaças cada vez maiores às estruturas institucionais, o que torna a implementação de boas políticas mais desafiadora. (Fonte: FMI – World Economic Outlook – 19 janeiro 2026)

 **Carlos Alberto Teixeira de Oliveira é Administrador, Economista e Bacharel em Ciências Contábeis, com vários cursos de pós graduação no Brasil e exterior. Ex-Executive Vice-Presidente e CEO do Safra National Bank of New York, em Nova Iorque, Estados Unidos. Ex-Presidente do BDMG-[**Banco de Desenvolvimento de Minas**](https://mercadocomum.com/banco-de-desenvolvimento-de-minas/) Gerais e do Banco de Crédito Real de Minas Gerais; Foi Secretário de Planejamento e Coordenação Geral e de Comércio, Indústria e Mineração; e de Minas e Energia do Governo de Minas Gerais; Também foi Diretor-Geral (Reitor) e fundador do Centro Universitário Estácio de Sá de [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/); Ex-Presidente do IBEF Nacional – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças e da ABDE-Associação Brasileira de Desenvolvimento; Atualmente é Coordenador Geral do Fórum JK de Desenvolvimento Econômico; Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas Gerais. Presidente da MinasPart Desenvolvimento Empresarial e Econômico, Ltda. Integra vários Conselhos Consultivos e de Administração de diversas empresas e instituições. Membro da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e Academia Brasileira de Ciências Contábeis. Vice-Presidente da diretoria executiva da ACMinas – Associação Comercial e Empresarial de Minas. Presidente/Editor Geral de ***MercadoComum. ***Autor de vários livros, como a coletânea de 3 volumes – 2.336 páginas, intitulada “Juscelino Kubitschek: Profeta do Desenvolvimento – Exemplos e Lições ao Brasil do Século XXI”.*

 

 

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