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title: &quot;Fernando Sabino 90 anos&quot;
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author: Nome do Admin
date: 2014-01-01T00:00:00-02:00
categories: [Doutrina Jurídica, z_impresso]
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# Fernando Sabino 90 anos

“A gente não programa o sonho. Toda experiência de criação é, portanto, uma novidade. O escritor diante do papel embranco deve ser sempre um estreante. É sempre uma aventura como se fosse pela primeira vez”.

 Fernando Sabino

 

 Por: Jayme Vita Roso

 

 No dia 12 de outubro de 1923 (Dia da Criança) nascia, em [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/), Fernando Tavares Sabino. Ou seja, comemoramos seu nonagésimo aniversário, neste ano. Seu passamento deu-se, também no mês de outubro, no dia 11, em 2004.

 Sua vida foi entremeada de esporte (natação), de leituras das mais variadas, de iniciativas ousadas (aos 15 anos ajuda a fundar um jornalzinho chamado “A Enúbia” além de iniciar a colaboração regular com artigos, crônicas e contos nas revistas “Alterosas” e “[**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/)”).

 No percorrer de sua vida, de uma intensidade inacreditável, trabalhou no Rio de Janeiro em vários jornais, revistas e no Tribunal de Justiça. E assim foi sucessivamente passando até à assessoria de campanha política de Carlos Lacerda e, em companhia de Otto Lara Rezende, então diretor da Revista Manchete, antecipa a candidatura do general Juarez Távora, à Presidência da República, tendo recusado apoio a Juscelino. Fez diversas viagens pelo mundo afora, sobretudo à Europa, e tornou-se célebre sua permanência em Cuba, que resultou num livro “A Revolução dos Jovens Iluminados”. Um após, outro publica “A Mulher do Vizinho”, “O Encontro Marcado”, “O Homem Nu”, “Quadrante 1” e “Quadrante 2”, “Evangelho das Crianças”. Escreve vários roteiros de filmes, mini-documentários para televisão, reportagens radiofônicas e televisivas além de documentários com fundos educacionais e culturais.

 Publicou um livro de grande repercussão em 1991: a biografia autorizada de Zélia Cardoso de Melo intitulada “Zélia, uma paixão”.

 Envolveu-se em vários escândalos em sua vida privada. Isso criou um clima hostil ao genial escritor. Pouco a pouco, foi diminuindo sua produção, destacando-se mais a trilogia de novelas “de ação, fuga e suspense”, “Aqui estamos todos nus” (1993). Seguiu esse livro profano, o religioso intitulado “Com a graça de Deus” ou “uma leitura fiel do Evangelho inspirada no amor de Jesus”.

 Sempre procurou preservar a criança dentro de si, tanto que, ao falecer, em 11 de outubro de 2004, na cidade do Rio de Janeiro, a seu pedido, o epitáfio é: “Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino”.

 Sua bibliografia é extensa, com mais de 40 títulos publicado entre 1941 e 2004. Para termos uma ideia brevíssima da importância deste mineiro, na literatura nacional contemporânea, recordo que, em 2006, o “Encontro Marcado” atingiu a 82ª edição.

 Embora não tenha sido tão elogiado, seu livro “Martini Seco” que pertence à obra “A Faca de Dois Gumes”, publicado pela Editora Record em 1985, este escriba o considera uma da principais criações do autor que, lançando e participando de uma série de obras conhecida como “Rosa dos Ventos” para Editora Ática, nos colocou, ainda nos coloca e nos colocará sempre em questão conosco mesmos pois disse, no frontispício, “Quem embarca nas palavras, viaja com a imaginação”.

 Reproduzo o que ele mesmo disse a respeito da história “Martini Seco”: “Por mais incrível que você possa imaginar essa história está baseada, em parte, na realidade. Ela sucedeu com um amigo jornalista e delegado que recebeu as acusações mútuas entre a esposa e o marido. Depois veio um pouco de imaginação do escrito. Quando meu amigo me contou a história, ela me intrigou bastante e continuou me intrigando. Tanto é que primeiro o tema apareceu numa crônica do livro Homem Nu depois que fiz uma peça de teatro baseada na trama. Ainda tocado pela coisa, escrevi esta novela, e, mais recentemente, reescrevi a peça de teatro. Veja só como a coisa me pegou. Mas valeu a pena” (p. 5, Editora Ática, 1987).

 Tendo gozado na adolescência a amizade de Hélio Pelegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, não poderia deixar de, no acaso da sua vida, ser o que foi e o que representou para a época e para a nossa literatura contemporânea. Afinal, este privilégio foi marcante.

 Recentemente, em discreta e lúcida apresentação, foi ele recordado no Espaço [**Cultura**](https://mercadocomum.com/cultura_/)l do Banco do Brasil, em [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/) (no período de 24/9 a 4/11). Emocionei-me, com as suas palavras, reproduzidas em painéis e com as fotografias de momentos decisivos de sua vida. Quanta memória: “Eu quis sugerir que, por baixo da realidade que se apresenta aos nossos olhos, existe outra que é a verdade. Esta verdade pretendo alcançar com o que escrevo. Uma verdade além da realidade que só se alcança através da imaginação, da fantasia e do sonhos” (de um dos painéis).