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title: &quot;Falta visão de longo prazo&quot;
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author: Nome do Admin
date: 2013-02-01T00:00:00-02:00
categories: [Seu Dinheiro, z_impresso]
tags: []
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# Falta visão de longo prazo

Investidores, corretores e gerentes de bancos precisam se convencer

 de que o novo cenário de juros baixos veio para ficar, especialmente

 para quem aplica o dinheiro. Esse posicionamento é indispensável

 para que o mercado financeiro brasileiro possa operar menos destravado.

 Investidores continuam buscando juros nominais altos no curto prazo.

 Gerentes oferecem ativos de curto prazo com taxas de administração

 elevadíssimas incompatíveis com o novo cenário de juros baixos. E as

 grandes oscilações da Bolsa paulista e demais bolsas mundiais afastam

 os pequenos e médios investidores do mercado acionário. Das

 captações totais da indústria de fundos, somente 14% é proveniente

 dos fundos de ações e demais fundos que possuem renda variável

 em suas carteiras.

 O governo precisa também deixar de estimular ostensivamente o oferecimento

 de crédito através dos bancos públicos, no momento em

 que o endividamento das famílias cresce proporcionalmente aos percentuais

 da inadimplência (atrasos superiores a 90 dias na quitação

 dos empréstimos). Somente assim é possível estimular a formação de

 poupança pelas pessoas físicas.

 Os estímulos ao consumo e ao endividamento das famílias não favorecem

 mais o crescimento econômico do País que encerrou 2012

 abaixo de 1% e começa 2013 em queda. O PIB (Produto Interno Bruto)

 deste ano antes previsto para 4% já recuou para 3,2% segundo as

 projeções do mercado.

 Estímulos à poupança e ao menor consumo podem ajudar ao governo

 a combater a inflação que inicia 2013 com projeção de quase

 5,5% segundo o primeiro boletim Focus do ano, que foi divulgado

 pelo Banco Central dia quatro de janeiro. A continuidade do registro

 de IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acima da

 meta de 4,5% neste ano associado à expectativa de que o BC mantenha

 a taxa Selic (juros básicos da economia) no mesmo percentual

 de 7,25% ao ano do final de dezembro passado derruba o juro real

 brasileiro para 1,82%.

 

 

Dólar &amp; ouro

 Apesar de ser ainda o quarto maior do mundo, o juro real

 brasileiro não estimula mais tanto a entrada do capital especulativo.

 E o governo ao “administrar” o câmbio e adotar políticas

 “erráticas” em relação aos ingressos do capital externo

 não facilita o alcance de superávit no balanço de pagamentos

 (todo o movimento com o exterior). O superávit na balança

 comercial que terminou 2012 em R$ 19,2 bi, apesar do estímulos

 à desvalorização do real frente ao dólar, deve recuar

 para US$ 15 bilhões ao final de dezembro, segundo as projeções

 do boletim Focus.

 O dólar fechou o ano passado com valorização ligeiramente

 abaixo de 10% frente ao real, graças a mudanças de rumo na

 política de administração do câmbio pelo governo. Temendo

 os efeitos da inflação elevada e diante da constatação de que

 o câmbio valorizado não estimulou tanto a indústria, a equipe

 econômica optou por deixar o dólar abaixo dos R$ 2,10. Para

 as pessoas físicas que viajam ao exterior e fazem compras o

 estrago foi maior. O dólar turismo ficou próximo dos R$ 2,20

 desde o final de novembro/2012 até o início de 2013.

 Diante das constantes mudanças de rumo no câmbio, apostar

 na valorização do dólar e investir em fundos cambiais

 torna-se opção de risco. O máximo que a pessoa deve fazer

 é antecipar compras de dólar ou comprar aos poucos para

 fazer um preço médio em caso de viagem ao exterior.

 O grama do ouro negociado como ativo financeiro acumulou

 valorização próxima dos 15% na BM&amp;F/BOVESPA em 2012,

 e pelos dois motivos clássicos: alta do metal em Nova York

 e valorização do dólar frente ao real. As aplicações de metal

 possuem componente de risco. Mesmo que o ouro continue

 em alta no exterior, as oscilações do câmbio são difíceis de

 serem previstas.

 Renda fixa pequena

 Diante da possibilidade da manutenção da taxa Selic em

 7,25% nos próximos meses ou durante o ano todo, a remuneração

 dos CDBs(Certificados de Depósitos Bancários)

 e demais ativos de renda fixa está balizada. Esses ativos

 devem oferecer rentabilidade anual próxima dos 7,25% dos

 CDIs(Certificados de Depósitos Bancários).Esses papéis negociados

 entre bancos acompanham de perto a taxa Selic.

 Torna-se então difícil ganhar da inflação nessas aplicações, já

 que é preciso descontar de sua rentabilidade bruta a pesada

 tributação do Imposto de Renda – 22,5% nos seis meses e

 20% em 12 meses.

 Os detentores de recursos na poupança antiga têm garantidos

 os 0,5% ao mês, e aplicadores na poupança segundo

 sua rentabilidade vinculada à Selic, um pouco menos.

 

 

Só com risco

 No mercado financeiro, duas premissas se consolidam. Para

 se obter rentabilidade real (acima da inflação) maior é preciso

 alongar o prazo das aplicações e o grau de risco.

 Nos prazos acima de 24 meses, é possível obter taxas maiores

 na renda fixa e com taxação menor do Imposto de Renda.

 Quem busca formação de um capital para aposentadoria tem

 que ficar cada vez mais atento às taxas de administração e

 percentuais pagos em cada depósito nos PGBL e VGBL. É

 preciso analisar com grande cuidado as políticas dos gestores

 desses fundos e comparar o que cada um deles oferece

 nos diversos bancos. A busca de um consultor independente

 não deve ser descartada antes de escolher o fundo de pensão

 aberto nos bancos.

 O índice das 69 ações mais negociada na Bolsa paulista, o

 Ibovespa, terminou 2012 com alta acumulada de 7,40%, depois

 de muitas oscilações durante o ano. A crise europeia,

 o baixo crescimento nos EUA, crescimento menor da China

 foram alguns dos balizadores externos. Ações de alguns setores

 de baixa capitalização (small caps) e negociadas fora do

 Ibovespa bateram recordes de alta. O destaque foram ações

 do setor educacional. Kroton ON (holding do Pitágoras) acumulou

 alta de 151,5%; e Estácio ON, 134,2%. Os financiamentos

 das bolsas de estudo pelo governo asseguraram a

 rentabilidade elevada desses estabelecimentos de ensino. O

 cenário favorável a esse setor continua neste ano.

 A ação PNA da Vale acumulou alta de 14,52% em 2012,

 apesar das oscilações dos preços do minério de ferro e dos

 problemas fiscais da mineradora. Para este ano, a recuperação

 do preço do minério favorece a ação da Vale. No mercado

 à vista chinês, a tonelada do minério de ferro atingiu

 US$149,80 no final do ano passado, correspondente a alta

 de 72% desde setembro. Os tropeços da gestão da Petrobras,

 anteriores à atual direção, derrubaram a ação da estatal.

 Petrobras PN acumulou perda de 6,9% no ano passado.

 A principal ação do maior banco privado, o Itaú Unibanco

 também foi penalizada no ano passado, pois subiu apenas

 1,69%. Já a do Bradesco acumulou valorização de 17,9%.

 Neste início de ano, corretoras formam suas carteiras. Ações

 dos setores de consumo Ambev, Pão de Açucar, Natura, Lojas

 Renner que apresentaram bom desempenho em 2012

 continuam listadas entre as preferidas dos analistas. A corretora

 Solidus, de Porto Alegre, lista entre suas preferidas

 ações de outros setores como Eternit, Eztec, Fertilizantes

 Heringer, Marcopolo, Randon, e também da Vale. Antes de

 qualquer aplicação em ações é bom comparar as opiniões

 dos analistas e recorrer a consultorias especializadas.