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title: &quot;Em três anos, indústria perdeu 1,1 milhão de postos de trabalho&quot;
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author: MercadoComum
date: 2019-06-17T13:11:45-03:00
categories: [A Economia com Todas as Letras e Números]
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# Em três anos, indústria perdeu 1,1 milhão de postos de trabalho

De acordo com dados divulgados pelo IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 6 de junho último, a Pesquisa Industrial Anual (PIA) Empresa mostrou que, entre 2014 e 2017, as empresas do setor industrial perderam cerca de 12,5% dos seus postos de trabalho, o que representa 1,104 milhão de pessoas ocupadas a menos no setor.

 Considerando-se as variações desde 2008, a Indústria brasileira manteve suas participações no pessoal ocupado praticamente inalteradas no período. As Indústrias de Transformação continuam liderando, com 97,5% do pessoal ocupado em 2017. O segmento de maior representatividade no emprego foi Fabricação de produtos alimentícios (23,3%).

 As oito indústrias com os maiores valores de transformação industrial (VTI) concentravam 21,1% deste valor em 2017. Nas Indústrias Extrativas, as oito líderes concentravam 71,4% do VTI, enquanto nas Indústrias de Transformação, a participação conjunta das oito maiores empresas era de 19,2%. O material de apoio da PIA Empresa 2017 está à direita.

 

| **Quadro – resumo: Empresas industriais em 2017** |  |  |
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| Número de empresas | 318,3 | mil |
| Indústrias extrativas | 6,4 | mil |
| Indústrias de transformação | 311,9 | mil |
| Pessoas ocupadas | 7,7 | milhões |
| Indústrias extrativas | 192,0 | mil |
| Indústrias de transformação | 7,5 | milhões |
|  |  |  |
| Salários, retiradas e outras remunerações | R$ 300,4 | bilhões |
| Indústrias extrativas | R$ 11,0 | bilhões |
| Indústrias de transformação | R$ 289,5 | bilhões |
| Receita líquida de vendas | R$ 3,0 | trilhões |
| Indústrias extrativas | R$ 149,9 | bilhões |
| Indústrias de transformação | R$ 2,8 | trilhões |
| Valor da transformação industrial | R$ 1,2 | trilhão |
| Indústrias extrativas | R$ 104,6 | bilhões |
| Indústrias de transformação | R$ 1,1 | trilhão |

 **Brasil tinha cerca de 318,3 mil empresas industriais ativas em 2017**

 A Pesquisa Industrial Anual detectou 318,3 mil empresas industriais ativas com 1 ou mais trabalhadores em 2017, que ocuparam 7,7 milhões de pessoas e pagaram R$300,4 bilhões em salários. Sua receita líquida de vendas (RLV) foi de R$ 3,0 trilhões.

 A atividade industrial gerou R$1,2 trilhão de valor da transformação industrial (VTI), montante decorrente da diferença entre um valor bruto da produção industrial de R$2,7 trilhões e de custos de operações industriais (COI) de R$ 1,5 trilhão. As Indústrias de Transformação contribuíram com 91,3% desse VTI.

 As grandes empresas industriais, empregando 500 ou mais pessoas, continuaram representando quase 70% da RLV da indústria total. Nas outras categorias de porte também não se observaram mudanças estruturais significativas.

 **Entre 2008 e 2017, alimentícios ampliam sua participação na indústria**

 A análise dos resultados da RLV, pela ótica setorial, mostra que a *Fabricação de produtos alimentícios *ampliou sua relevância nos últimos dez anos, passando de 16,1% para 22,9% de participação, mantendo-se como atividade mais importante em faturamento. O segundo lugar é ocupado pela *Fabricação de produtos químicos, *que mesmo tendo perdido 0,1 p.p. na participação do faturamento passou da quarta para a segunda posição no *ranking* do período.

 

| **Principais variações da participação das atividades industriais na RLV** |  |  |  |
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| **Atividades** | **2008** | **2017** | **Variação (p.p.)** |
| Fabricação de produtos alimentícios | 16,1 | 22,9 | 6,8 |
| Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias | 11,7 | 8,9 | -2,8 |
| Metalurgia | 8,0 | 6,0 | -2,0 |
| Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis | 11,2 | 9,4 | -1,8 |
| **Fonte:** IBGE, Pesquisa Industrial Anual – Empresa 2017. |  |  |  |

 A terceira e quarta atividades mais relevantes, ao contrário, tiveram redução de participação: *Fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis* perdeu 1,8 p.p., abrangendo 9,4% do total da RLV em 2017, e* Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias* recuou 2,8 p.p., tendo sido responsável por 8,9% de participação no último ano. O setor de *Metalurgia* também perdeu participação (-2,0 p.p.) no período analisado.

 **Indústria perdeu 12,5% de seus postos de trabalho entre 2014 e 2017**

 Entre 2014 e 2017, a indústria teve queda de 12,5% no número de pessoas ocupadas, o que equivale a 1,104 milhão de postos de trabalho a menos, no setor. No mesmo período, nas indústrias Extrativas a queda foi de 15,6%, enquanto nas indústrias de Transformação, foram perdidos 12,5% dos postos de trabalho.

 Os setores mais afetados nesse período foram: Atividades de apoio à extração de minerais  
 (-35,4%), Fabricação de outros equipamentos de transporte exceto veículos automotores  
 (-33,3%), Fabricação de máquinas e equipamentos (-24,8%). As altas em destaque foram: Fabricação de produtos alimentícios (1,5%), Fabricação de produtos do fumo (6,4%).

 Em comparação com o ano de 2008, a Indústria brasileira perdeu 145,8 mil empregos em 2017, o que representa menos 1,9% do total de pessoas ocupadas no setor, em 2008. Isto se deu sobretudo nas Indústrias de Transformação, com queda de 2,4% no pessoal ocupado no período, enquanto as Indústrias Extrativas cresceram 22,1%.

 **Indústria de transformação concentra 97,5% dos empregos industriais**

 A Indústria brasileira manteve suas participações no pessoal ocupado praticamente inalteradas no período. A Indústria de Transformação continua líder, respondendo por 97,5% do pessoal ocupado em 2017. Seus segmentos com maior representatividade no emprego foram a *Fabricação de produtos alimentícios (*23,3%), seguida da *Confecção de artigos do vestuário e acessórios* (8,2%). Na sequência, destacam-se: *Fabricação de produtos de metal* (6,0%), *Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias* (5,7%) e *Fabricação de produtos de minerais não-metálicos* (5,6%). Essas cinco atividades mantiveram suas posições de *ranking *em relação a 2008.

 

| **Principais indicadores das empresas industriais** |  |  |  |
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| **Porte médio (1)** | ** ** | **Maiores índices** | ** ** |
| Indústria geral | 24 | Fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis | 569 |
| Indústrias extrativas | 30 | Extração de minerais metálicos | 325 |
| Indústrias de transformação | 24 | Extração de carvão mineral | 222 |
| (1) Valor calculado pela razão entre o número de pessoas ocupadas e a quantidade de empresas industriais |  |  |  |
| **Salário médio mensal (2)  
 em salários mínimos** | **Maiores índices ** |  |  |
| Indústria geral | 3,2 s.m. | Extração de petróleo e gás natural | 21,3 |
| Indústrias extrativas | 4,7 s.m. | Atividades de apoio à extração de minerais | 9,6 |
| Indústrias de transformação | 3,2 s.m. | Fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis | 8,8 |
| (2) Valores calculados pela divisão dos salários, retiradas e outras remunerações (incluindo o 13º salário) pelo total de pessoal ocupado nas empresas industriais. |  |  |  |
| **Produtividade (3) ** | **Maiores índices ** |  |  |
| Indústria geral | R$106.534,43 | Extração de petróleo e gás natural | R$ 4.750.957,24 |
| Indústrias extrativas | R$381.103,55 | Extração de minerais metálicos | R$ 588.566,50 |
| Indústrias de transformação | R$99.507,18 | Fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis | R$ 458.819,96 |
| (3) Valores correntes calculados pela divisão do valor da transformação industrial pelo total de pessoal ocupado nas empresas industriais. |  |  |  |
| **Concentração (4) ** | **Maiores índices ** |  |  |
| Indústria geral | 21,1% | Extração de carvão mineral | 95,5% |
| Indústrias extrativas | 71,4% | Fabricação de produtos do fumo | 92,6% |
| Indústrias de transformação | 19,2% | Fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis | 92,5% |
| (4) Valor calculado pela participação das oito maiores empresas industriais no valor da transformação industrial da atividade. |  |  |  |
| Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio, Pesquisa Industrial Anual – Empresa 2017. |  |  |  |

 Nas Indústrias Extrativas, as maiores participações continuam com a *extração de minerais metálicos* (41,4%) e a *extração de minerais não-metálicos* (41,1%), em 2017.

 Em 2017, cada empresa industrial brasileira ocupava, em média, 24 pessoas, com salário médio mensal de 3,2 salários mínimos (s.m.). A atividade de *Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis* foi a que registrou maior porte médio nas indústrias de Transformação: 569 pessoas em cada empresa com média salarial de 8,8 s.m. Nas Indústrias Extrativas, a atividade de *Extração de petróleo e gás natural* pagou o maior salário médio mensal (21,3 s.m.). Destacam-se ainda a *Fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos* (7,1 s.m.) e a *Fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores* (5,4 s.m.).

 Quanto à produtividade nas empresas industriais, calculada como a razão entre o VTI e o pessoal ocupado na empresa, constata-se que em 2017 cada trabalhador adicionou cerca de R$ 106,5 mil à produção. A produtividade do segmento extrativo (R$ 381,1 mil) foi cerca de quatro vezes maior que a das Indústrias de Transformação (R$ 99,5 mil).

 **As oito maiores indústrias geram 22,1% do valor de transformação industrial**

 O grau de concentração pode indicar a existência de barreiras à entrada de novas empresas. Houve ligeira diminuição do grau de concentração do total da indústria, segundo a “razão de concentração de ordem 8” (R8). As oito indústrias com os maiores valores de transformação industrial concentravam 22,8% deste valor em 2008, recuando para 21,1% em 2017.

 Nas Indústrias Extrativas, este indicador foi de 71,4%, com destaque para a elevada concentração da produção na atividade de *Extração de carvão mineral*, que entre 2008 e 2017 passa da terceira para a primeira posição no *ranking*. Essa atividade reuniu 95,5% de toda a produção no conjunto de 8 empresas em 2017.

 Nas Indústrias de Transformação, as oito maiores empresas foram responsáveis por 19,2% do VTI em 2017, e os maiores graus de concentração estavam na *Fabricação de produtos do fumo* (92,6%), *Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis* (92,5%) e *Fabricação de bebidas* (66,8), com variações relativas que praticamente não se alteram entre 2008 e 2017. A principal mudança estrutural na concentração neste período foi na *Fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos*: o VTI das suas oito maiores empresas saiu de 33,9% para 49,1%.

 **Alimentícios e petróleo têm os maiores VTIs entre as unidades locais**

 Considerando-se o Valor de Transformação Industrial das empresas industriais ao nível das unidades locais com 5 ou mais pessoas ocupadas, é possível verificar quais atividades se destacam. Entre 2008 e 2017, as Indústrias Extrativas ampliaram sua importância, passando de 9,9% para 13,5% de participação no VTI. As Indústrias de Transformação mantiveram sua predominância, embora sua participação tenha caído de 90,1% para 86,5%.

 Entre as Indústrias Extrativas, as atividades que lideraram o *ranking* ao longo dos últimos dez anos foram *Extração de petróleo e gás natural *(49,9%) e *Extração de minerais metálicos* (39,1%).

 No âmbito das Indústrias de Transformação, a *Fabricação de produtos alimentícios* foi o setor mais importante, respondendo por 20,7% do VTI entre as unidades locais, e elevando a sua participação em 7,2 p.p. ao longo dos últimos dez anos. Na segunda posição segue a *Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis*, com 11,4% de participação no VTI.

 **Alimentícios e biocombustíveis ampliam participação do Centro-Oeste**

 Embora tenha perdido representatividade ao longo dos últimos dez anos, a região Sudeste foi responsável por 58,0% do VTI em 2017, mantendo-se na liderança, seguida pelas regiões Sul (19,6%), Nordeste (9,9%), Norte (6,9%) e Centro-Oeste (5,6%). O recuo de 4.2 p.p no Sudeste ocorreu em favor do Centro-Oeste, que registrou o maior avanço (1,9 p.p), seguida pelo Sul, que aumentou a sua participação em 1,3 p.p.

 Esse deslocamento produtivo em direção ao Centro-Oeste se deu principalmente em razão da migração de plantas agroindustriais que eram dedicadas à *Fabricação de produtos alimentícios* e passaram a participar da produção de biocombustíveis, fazendo com que esta atividade passasse a figurar entre as três mais relevantes da região.