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Educação para o desenvolvimento

Carlos Alberto Teixeira de Oliveira

-Presidente/Editor Geral de MercadoComum

O texto, apresentado a seguir, é de autoria do próprio Presidente JK e foi extraído da coletânea de 3 volumes – 2.336 páginas, intitulado “JK: Profeta do Desenvolvimento – Lições ao Brasil do Século XXI”, publicado por MercadoComum e de minha autoria:

-“Assisti ao encontro de duas gerações. Aquela, à qual pertenço, e a que começava a disputar, com vigor jamais verificado em qualquer época da História, o seu lugar ao sol. No meu tempo, vivia-se numa sociedade harmoniosa, onde cada um, ao concluir sua educação, já sabia o lugar que iria ocupar na escala das relações humanas. Vivemos uma era de desafios. A concorrência se agrava cada dia e, conquanto se amplie o mercado de trabalho, este só se faz acessível aos que possuem determinadas especializações. A cultura, ao lado da saúde, desempenha um papel cada dia mais relevante na estruturação da sociedade que evolui a nossos olhos. Entretanto, a cultura que o mundo moderno requer é de um tipo integrativo, amalgamador, cuja plasticidade serve às exigências de uma sociedade em violento processo de transformação. Na realidade, a civilização, ao invés de evoluir, deu um salto, e o contexto sociológico se fragmentou.

Em face da tarefa que teria de empreender, recorri ao exemplo da História. Em todos os países, a educação sempre procedeu do desenvolvimento. Forma-se o arcabouço econômico através de obras de infraestrutura e, depois, sobre essa base sólida, planta-se a bandeira da educação em massa. Assim aconteceu nos Estados Unidos, após a febre do petróleo que lhes fez a redenção econômica. Assim ocorreu nas nações da Europa, após o estabelecimento de uma nova sociedade gerada pela prosperidade, decorrente da Revolução Industrial. Essa lógica foi invertida apenas nos países comunistas, onde o Estado, fazendo valer o peso da prioridade ideológica, sacrificou o bem-estar da população, em benefício da alfabetização em massa.

Através de um esforço quase sobre-humano, criei a plataforma de conquistas sociais e econômicas, na qual o país poderia se apoiar para empreender, num segundo turno, o grande salto para vencer a barreira do analfabetismo e da despreparação intelectual e técnica. Ao conjunto de Metas, em que haviam sido fixadas as diretrizes estruturais do meu plano de governo, deveria corresponder necessariamente uma filosofia de educação. Estabeleci, pois, em doze proposições, as diretrizes que forçariam a adequação do sistema educacional à transformação que se estava operando no país. Assentou-se como princípio que a educação secundária perderia seu caráter de ensino médio, para se transformar num impulso autônomo, convertida em aspiração geral de preparo a que tendia a coletividade. O ensino superior, compartimento segundo o sistema tradicional de escolas e cursos estanques, teria de obedecer à flexibilidade dos currículos para ser integrado em faculdades e em cursos, com seus planos de estudo ajustados às demandas sociais do país.

A este sistema, revolucionário em muitos aspectos, denominou-se ‘Educação para o Desenvolvimento’, refletindo de forma explícita seus reais e permanentes objetivos. O sistema não era, como à primeira vista se poderia supor, uma educação puramente técnica, sem objetivo ético e sem conteúdo humanístico. A décima segunda proposição, em que se baseava, estabelecia que, à luz das suas diretrizes, a educação correspondia a um novo humanismo pedagógico, no qual o indivíduo era visto como protagonista de sua época. Ao enfrentar o problema educacional, procurei situar o estudante na posição que lhe deve caber no espetáculo da civilização”.

De acordo com JK “o progresso é um fenômeno integrado. Quando se abre uma rodovia, a região por ela beneficiada alarga suas exigências. O horizonte se abre para todos e logo surgem novas necessidades de consumo. O homem, prisioneiro da acanhada realidade anterior, sente-se liberto e, estreitando seu contato com o mundo, passa a ser vítima de emulações. Se não tinha geladeira, passa a desejá-la, porque a viu na casa dos seus amigos. Se não lia jornais, começa a lê-los, interessando-se pelo que ocorre além das fronteiras de sua província. Em termos de realidade primária, esta é uma imagem simplista do progresso. Entretanto, quando transportada para o plano espiritual, ela se apresenta bem mais complexa. As exigências se transformam em ânsia de conhecimento, e esta, não sujeita a limitações, impõe novas relações intelectuais e éticas. Meu programa, denominado ‘Educação para o Desenvolvimento’, levara em conta esses condicionamentos. Seu objetivo não era apenas dar educação, mas preparar a juventude de forma a ajustá-la às exigências do progresso-”.

 

 

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