Eduardo Azeredo, ex-governador, afirmou que crescimento do débito de Minas com o governo federal ocorreu, principalmente, pela suspensão dos pagamentos autorizada pelo STF
O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) fez uma das críticas mais duras ao legado fiscal de Romeu Zema (Novo) desde o início da pré-campanha eleitoral. Em entrevista ao programa Café com Política, exibido no dia 14/7, no canal de O TEMPO no YouTube, o vice-presidente do PSDB mineiro afirmou que o estado viveu, durante os últimos anos, um período de “calote autorizado” ao suspender o pagamento da dívida com a União por força de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Azeredo, embora as liminares tenham permitido ao governo aliviar momentaneamente o caixa estadual, a consequência foi o crescimento contínuo do estoque da dívida, impulsionado principalmente pelos juros acumulados ao longo do período em que os pagamentos ficaram suspensos.
“Zema viveu, durante quatro anos, um calote autorizado. As dívidas anteriores que foram feitas por mim, por Aécio, por Anastasia e por outros governadores financiaram obras e investimentos. A dele não. Foi uma dívida que cresceu só pelos juros, simplesmente porque deixou de ser paga”, afirmou.
A declaração ocorre em um momento em que a situação fiscal volta ao centro do debate político. Minas ainda possui uma das maiores dívidas estaduais do país, superior a R$ 200 bilhões, e o futuro governador terá entre os principais desafios encontrar uma solução definitiva para o passivo com a União.
Na avaliação de Azeredo, o governo estadual teve tempo suficiente para buscar uma negociação estrutural, sobretudo durante o período em que manteve alinhamento político com o governo federal, quando o presidente era Jair Bolsonaro (PL). Para Azeredo, a estratégia adotada priorizou o adiamento do problema em vez da construção de uma solução permanente.
O tucano também rebate o argumento de que governos anteriores seriam responsáveis pelo atual tamanho da dívida. Segundo ele, os empréstimos contratados por administrações passadas financiaram obras de infraestrutura, hospitais, estradas e investimentos públicos que permanecem à disposição da população.
“O dinheiro foi aplicado em obras que estão aí até hoje. É diferente de simplesmente deixar a dívida crescer porque ela deixou de ser paga”, afirmou. (Fonte: Jornal O Tempo)
Minas Gerais possui uma das piores situações fiscais do país
A Secretaria do Tesouro Nacional divulgou, recentemente e ilustrado a seguir, o Boletim de Finanças dos Entes Subnacionais de 2025, quando classifica o Estado de Minas Gerais como o 2º pior em termos de Capacidade de Pagamento de seus compromissos (CAPAG), ficando atrás apenas do Rio de Janeiro.

Finanças de Minas estão em ‘ruínas’ e estado é ‘frequentemente negligenciado’, diz The Economist
O cenário, inclusive, representa um desafio ao próximo governador eleito em outubro que terá a missão de “cortar gastos drasticamente”, de acordo com a revista
Minas Gerais foi destaque em reportagem da revista britânica The Economist, publicada no dia 16 de junho. O material destacou o estado como uma síntese do Brasil e trouxe críticas às finanças mineiras que, segundo a publicação, estão em “ruínas”. O cenário, inclusive, representa um desafio ao próximo governador eleito em outubro que terá a missão de “cortar gastos drasticamente”, de acordo com a revista.
Na reportagem, o veículo britânico destacou o histórico mineiro em definir as eleições presidenciais desde a redemocratização. “Minas Gerais, o segundo estado mais populoso do Brasil, entre os 27 existentes, é frequentemente negligenciado. Não deveria ser. A geografia e a composição étnica de Minas Gerais, como o estado é conhecido, são um reflexo fiel do país”, diz o texto.
O material, ao destacar negativamente a gestão das finanças no estado, atribui o desempenho ao “efeito cumulativo do não provisionamento de pensões”. “Os juros deixam pouca margem para gastos discricionários”, diz o material. Além de criticar a questão fiscal, a The Economist também avaliou negativamente o estado das rodovias que cortam Minas e criticou o modo como as matérias-primas geradas em solo mineiro, como minério de ferro, nióbio e grafite, são utilizadas, majoritariamente, em exportação.
Ao fazer um contraponto com a situação do Brasil, a The Economist ressaltou as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que a dívida pública bruta do país chegará a 107% do PIB até 2031. “Retornos atraentes fazem com que os brasileiros prefiram manter seu dinheiro em contas poupança em vez de investi-lo produtivamente em maquinário, pesquisa e desenvolvimento ou infraestrutura”, diz o texto.
O material ainda mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu construir capital político em Minas Gerais, vencendo as disputas presidenciais no estado nas três vezes em que foi eleito presidente, sem conseguir transferir o bom desempenho ao PT mineiro. “Lula tem 80 anos. A direita provavelmente prosperará em Minas Gerais depois que ele deixar a política, enquanto o PT enfrentará dificuldades “, crava o material, que também coloca o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em destaque no cenário político mineiro.
Em nota, o governo de Minas refutou as críticas e atribuiu o desempenho ruim das finanças ao governo de Fernando Pimentel (PT). O Executivo disse que o estado passa por um processo de reorganização fiscal e financeira. “Ao longo dos últimos anos, foram adotadas medidas voltadas à responsabilidade fiscal, à eficiência do gasto público, à modernização da arrecadação e à regularização do fluxo financeiro estadual”, argumentou. (Fonte: O Tempo)
PIB de Minas perde ritmo no início de 2026 e expansão da economia estadual continua inferior à média nacional
Resultado indica perda de ritmo da economia mineira no início de 2026; FIEMG projeta crescimento de 1,6% para o ano
O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais registrou retração de 0,5% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, já descontados os efeitos sazonais. O resultado ficou abaixo do desempenho nacional, que avançou 1,1% no mesmo período, e sinaliza perda de fôlego da atividade econômica mineira no início do ano.
Em valores correntes, o PIB estadual somou R$ 285,7 bilhões. Pela ótica setorial, os serviços responderam por R$ 160,1 bilhões, seguidos pela indústria, com R$ 64,7 bilhões, e pela agropecuária, com R$ 23,5 bilhões. Na margem, a agropecuária teve queda de 9,9%, enquanto a indústria recuou 0,5%, pressionada principalmente pela indústria extrativa, que caiu 5,4%.
O setor de serviços foi o principal vetor positivo do período, com crescimento de 0,7%, impulsionado pelo comércio e por outros serviços. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB mineiro caiu 0,7%, em contraste com a alta de 1,8% da economia brasileira.
Para 2026, a FIEMG projeta crescimento de 1,6% para o PIB de Minas Gerais, com avanço de 2,0% da indústria, 1,5% dos serviços e 0,9% da agropecuária. O cenário, no entanto, segue condicionado por juros elevados, pressões inflacionárias, incertezas externas e maior cautela nas decisões de investimento.
DESEMPENHO DO PIB DE MINAS GERAIS DURANTE O GOVERNO ROMEU ZEMA X ECONOMIA BRASILEIRA
Nos 25 anos já decorridos deste século XXI, em catorze deles a variação da taxa do PIB – Produto Interno Bruto de Minas Gerais teve desempenho pior do que a média nacional (2001, 2006, 2007, 2008, 2009, 2011, 2013, 2014, 2015, 2018, 2019, 2022, 2024 e 2025). Nos demais, a taxa foi positiva e superior – mas não o suficiente para colocar, no acumulado do período, o Estado em uma situação confortável em relação aos demais. Estudos do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelam que, durante o período de 2002 a 2023 – (últimos dados disponíveis oficialmente) enquanto o PIB brasileiro contabilizou uma expansão média anual de 2,2% e acumulada de 58,2%, o de Minas Gerais aumentou, em média, 2,0% anualmente e, no acumulado, 50,9% – situando-se o estado na 24ª posição quanto ao desempenho da economias estaduais no período, ficando à frente apenas dos estados do Bahia (49,9%), Rio de Janeiro (40,4%) Rio Grande do Sul (34,0%) respectivamente.
Os estudos preliminares divulgados pela FJP – Fundação João Pinheiro indicam que o PIB de Minas Gerais em 2025 totalizou R$ 1.157 bilhões – equivalente a US$ 207,11 bilhões. Esta é a terceira vez que o PIB de Minas ultrapassa a marca de R$ 1 trilhão.
Em 2025, a Renda Per Capita dos mineiros foi de US$ 9.680,77 – inferior à apurada em 2011 – de US$ 11.963,10 e é considerada, ainda, menor do que a média nacional de US$ 10.246,16 verificada naquele ano.
Destacamos que os dados relativos ao ano de 2025 são, ainda, considerados preliminares e sujeitos a futuras revisões.
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