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title: &quot;Dívida global: é possível prever a próxima grande crise mundial?&quot;
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author: MercadoComum
date: 2019-02-25T00:00:00-03:00
categories: [A Economia com Todas as Letras e Números]
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# Dívida global: é possível prever a próxima grande crise mundial?

A dívida global, com relação ao PIB, chegou a US$ 164 trilhões, um aumento de 12%, se comparado ao pico de 2009, ocasionado pelo aumento da dívida pública nos países desenvolvidos e do setor privado não financeiro nos emergentes. Enquanto os Estados Unidos são o emissor de um terço da dívida soberana global, seguidos do Japão com aproximadamente 20%, somente a China gerou cerca de três quartos do aumento da dívida privada, vendo sua participação aumentar de 3%, no início do milênio, para atuais 16%.    &quot;Estamos especialmente preocupados com o alto nível de dívidas corporativas em muitos lugares e com a dívida de alto rendimento, em particular&quot;, explica a dra. Marie Owens Thomsen, economista chefe do grupo Indosuez Wealth Management.    Ainda que certos economistas afirmem que a dívida corporativa possibilite o crescimento do país, a crise de 2008 comprova que quando a bolha finalmente estoura, a perda é maior do que o ganho anterior e impacta gravemente a saúde da economia mundial.  
   O perigo que isso pode impor ao sistema financeiro global está no fato de que com a dívida corporativa mais alta há um declínio na qualidade do crédito, um fato que se reflete na menor média de crédito. &quot;Ademais, estamos preocupados com a alavancagem do mercado de empréstimos que tem crescido rapidamente, especialmente nos Estados Unidos. Se esse mercado falhar, pelo aumento da regulação ou outro motivo, forçaria as empresas nesse mercado a procurarem investimentos de alto rendimento, consequentemente piorando a média do crédito nesse mercado. Portanto, estamos de olho nos desenvolvimentos no mercado de empréstimos alavancados e o vemos como a fonte potencial da próxima crise&quot;, acrescenta a dra. Owens Thomsen.  
   No que se refere à dívida pública, economistas costumam limitar-se a análise do lado do passivo e muito raramente prestam atenção aos ativos dos países e à renda dos governos. Parte da explicação para esta situação é que as contas nacionais não produzem balanços. O PIB de um país, por exemplo, é similar a declaração de renda de uma empresa.  
   A Nova Zelândia, muitas vezes pioneira em governança, é possivelmente o único país que estima ativos, passivos e patrimônio líquido de empresas, famílias e governo. Este pequeno país, que liderou estratégias para controlar a inflação, pode inspirar um movimento semelhante na questão do balanço patrimonial.  
   **Como a dívida afeta a relação com investidores?**  
   As economias desenvolvidas assumiram mais dívidas públicas, enquanto as economias emergentes viram um aumento na dívida privada. O Brasil acumula hoje um déficit de R$ 8,6 trilhões, somados os valores da dívida pública (R$ 5 trilhões) e corporativa (R$ 3,6 trilhões). A relação entre dívida bruta e PIB alcançou 84% em 2017. Segundo a projeção do (FMI), este percentual chegará a 96,3% em 2023, devendo se estabilizar nesse patamar elevado nos anos seguintes.    &quot;Os países Investment Grade atraem mais investimentos, principalmente estrangeiro, por apresentarem uma trajetória mais sustentável e possuírem uma dívida bruta mais baixa&quot;, afirma a estrategista do Banco Ouroinvest, Fernanda Consorte.   Em visita para uma série de palestras para executivos do mercado financeiro, Marie Owens Thomsen, é categórica: &quot;Nossa recomendação é que prestem muita atenção à qualidade dos balanços patrimoniais e favoreçam os países e empresas que parecem estar administrando sua carga de dívida da melhor maneira possível e que possam mostrar algum crescimento de receita&quot;.  De acordo com o professor de Economia da FEA-USP, Paulo Roberto Feldmann, o Brasil tem uma reserva internacional de 375 bilhões de dólares, investida em títulos do governo americano. No seu ponto de vista, &quot;parte deste valor pode ser usado para honrar seus compromissos ou para investir na própria economia.&quot;    **Perspectivas para 2019**    No último trimestre o PIB cresceu 1,3%, conferindo ao Brasil um tímido crescimento. Para Marie Owens Thomsen, economista-chefe global do Indosuez Wealth Management, ainda que o cenário brasileiro aparente ser favorável para uma retomada da economia, os resultados reais dependerão de o novo Governo conseguir aprovar as reformas necessárias para que o país reconquiste o nível de confiança das instituições financeiras e investidores.    &quot;Não é sustentável que o Brasil queira oferecer à população um sistema previdenciário melhor que de países avaliados como AAA pelas agências internacionais&quot;, acrescenta a dra. Owens Thomsen. &quot;É um fato que o gasto deve estar alinhado para sua renda, tanto para o governo, quanto para as empresas e as famílias&quot;, acrescenta.  Fernanda Consorte acrescenta que avançar com as reformas é crucial para o país não quebrar. &quot;Não é factível aumentar a receita se já estamos entre os que pagam mais tributos no mundo. Além dos gastos discricionários, precisamos olhar para os gastos fixos e o mais urgente é o da previdência, que consome mais da metade do orçamento da União.&quot;     **Sobre a Indosuez Wealth Management**    Indosuez Wealth Management é a marca global de Gestão de Fortuna do grupo Crédit Agricole, classificado como 11º banco no mundo por seus fundos próprios de Categoria 1 (fonte: The Banker, julho de 2018).    Com mais de 140 anos de experiência no acompanhamento de famílias e de empreendedores no mundo inteiro, Indosuez Wealth Management propõe uma abordagem personalizada que permite a cada um dos seus clientes administrar, proteger e transmitir seu patrimônio o mais próximo possível de suas aspirações. Dotadas de uma visão global, suas equipes proporcionam consultoria especializada e serviço excepcional em uma ampla gama de serviços para a administração tanto do patrimônio privado como profissional.    Reconhecida por sua dimensão por sua vez humana e decididamente internacional, Indosuez Wealth Management conta com 2.700 colaboradores em 14 países do mundo: na Europa (França, Bélgica, Espanha, Itália, Luxemburgo, Mônaco e Suíça;), na região do Pacífico Asiático (Hong Kong, Singapura e Nova Caledônia), no Oriente Médio (Abu Dhabi, Dubai, Líbano), e nas Américas (Brasil, Miami, Uruguai).    Com 118 bilhões de euros em ativos sob sua gestão (em 31/12/2017), CA Indosuez Wealth (Group) figura entre os líderes mundiais de Gestão de Patrimônio.   Sobre a Indosuez Wealth Management.  
   A Indosuez Wealth Management opera na América do Norte através de sua sede em Miami e uma equipe de mais de 100 colaboradores altamente especializados. A Indosuez Wealth Management também possui forte presença local na América do Sul, com escritórios em Montevidéu, Rio de Janeiro e São Paulo.  Todas as equipes nas Américas combinam seu conhecimento de ambientes locais e regionais com a vasta experiência e oportunidades oferecidas pela rede global da Indosuez Wealth Management.   Anúncio[![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/02/Jumppi-1.png)](https://jumppi.com.br/?utm_source=mercadocomum&amp;utm_medium=banner&amp;utm_campaign=jumppi&amp;utm_content=home_banner)