Diversificação ajuda a garantir uma maior estabilidade econômica, tornando os investimentos mais robustos e os brasileiros estão em busca disso
Investir no exterior tem se tornado mais uma opção para brasileiros em busca de construir um patrimônio. Segundo uma pesquisa realizada pela B3, em parceria com o instituto Bridge Research, o brasileiro está cada vez mais disposto a diversificar seus investimentos. A pesquisa foi realizada com 2.614 brasileiros com 18 anos ou mais, de todas as regiões do país, das classes A, B e C e que possuem algum tipo de investimento.
O estudo, “O Brasil que Investe”, identificou nove perfis de investidores e, dentro desses, a maioria conta que está disposta a diversificar seus investimentos. No entanto, de todos os respondentes, somente 25% afirmam ter explorado ativos internacionais. O perfil de “sofisticados no investimento”, por exemplo, é considerado o perfil de investidores que têm o maior percentual de pessoas (77%) que mantêm a estratégia de diversificação e é o perfil com maior número de investidores que já investiram no exterior, com 50%.
Além de diversificar os investimentos em moeda local, há diversas oportunidades para começar a variar a carteira aplicando no exterior em ativos como bonds, ações americanas, REITs e ETFs, por exemplo. Com base nisso, Paula Zogbi, gerente de research e head de conteúdo da Nomad, explica algumas possibilidades de como diversificar o portfólio e começar a investir fora do Brasil.
É importante entender como estes ativos se comparam, especialmente em termos de segurança e estabilidade proporcionadas por uma moeda forte, como o dólar americano.
Stocks, ou ações americanas
Em um mercado globalizado e cada vez mais correlacionado, essa opção de investimento passa a fazer sentido para quem quer começar a investir no exterior. Em um dos perfis identificados pela pesquisa, o perfil “portfólio montado”, que cria suas próprias carteiras de investimentos e é considerado com grau largo de diversificação de ativos, 60% das pessoas disseram que estão abertas a explorar novas oportunidades de investimentos.
Até alguns anos atrás, essa diversificação costumava ser feita via BDRs, que são títulos negociados no Brasil que representam ativos (como ações) emitidos no exterior e espelham a performance no mercado internacional. Esses títulos permitem investir, de forma indireta, em ações de empresas estrangeiras por meio da bolsa de valores brasileira, possibilitando ao investidor o acesso ao mercado internacional sem que seja preciso abrir uma conta no exterior e eram a forma mais simples de investir em ações americanas há alguns anos. Porém, atualmente, o acesso às ações por brasileiros está simplificado, e tem uma série de vantagens.
O investimento via BDRs não traz exposição direta ao mercado americano: comprar um BDR é adquirir um documento emitido por uma empresa, que por sua vez comprou a ação. Na prática, você terceiriza a compra da ação para uma instituição depositária, para poder comprar em reais, na bolsa brasileira. Então, você não se torna acionista daquela empresa, e sim detentor desse título. Isso pode trazer algumas implicações, como uma menor liquidez e a cobrança de taxas sobre o pagamento de dividendos, por exemplo. Além disso, o universo de emissões é consideravelmente menor: a B3 tem cerca de 900 BDRs disponíveis, enquanto a Bolsa dos Estados Unidos acessa mais de 6 mil ações, além de ETFs e outros ativos.
CDs Americanos vs. CDBs Brasileiros
Outro perfil identificado na pesquisa é o grupo dos investidores “foco em previsibilidade”. Dentro deste grupo, segundo o estudo, 57% das pessoas estão abertas a novas oportunidades de investimentos e, ainda, a maioria dos investidores desse grupo têm suas aplicações em CDBs. Com isso, uma boa opção para começar a diversificar investindo no exterior é aplicar em bonds ou CDs, a renda fixa americana.
Os CDs americanos e os CDBs brasileiros trazem uma série de características em comum e são complementares quando se pensa em diversificação de carteira. Os CDs (Certificates of Deposit) americanos são investimentos oferecidos por bancos dos EUA, oferecendo segurança e estabilidade, além de proteger o portfólio contra a volatilidade do real e trazer rendimentos em dólar.
Tanto os CDBs quanto os CDs são vistos como alternativa entre as opções de renda fixa em relação aos títulos do governo americano (treasury bonds, que são similares ao Tesouro Direto) e aos bonds (no Brasil, equivalente às debêntures).
“Os bonds e CDs americanos são muito semelhantes aos títulos de renda fixa brasileiros, com outros emissores e outros perfis de remuneração. Sendo assim, é uma possibilidade de receber rendimentos em dólares, com a previsibilidade da renda fixa e, no caso dos CDs, a proteção de um mecanismo semelhante ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), que assegura até US$ 250 mil por pessoa por instituição”, comenta Paula Zogbi, gerente de research e head de conteúdo da Nomad.
Entre as diferenças do ativo brasileiro e o americano é que os CDs costumam ser prefixados, com prazos de vencimento entre 3 e 24 meses.
Embora os CDBs brasileiros sejam garantidos pelo FGC e ofereçam uma alternativa segura dentro do Brasil, não proporcionam a mesma proteção contra a inflação e a desvalorização do real que os CDs americanos.
ETFs (Exchange Traded Funds)
Os ETFs são fundos negociados na bolsa de valores que funcionam de maneira similar aos fundos de investimento convencionais, mas com uma grande vantagem: suas cotas são negociadas como ações. Eles oferecem uma maneira eficiente de diversificação da carteira com uma variedade de ativos. Ainda, eles têm como objetivo replicar determinados índices de mercado, como o Ibovespa, da bolsa brasileira, ou o índice S&P 500, dos Estados Unidos. Com isso, quando um investidor adquire uma cota de um desses ETFs, ele não está investindo em uma só empresa, mas em um conjunto delas, que representam aquele índice.
Investidores “swing trade”, um outro perfil identificado na pesquisa, é formado por pessoas que realizam operações de curto ou médio prazo, valorizando a liquidez (95% declaram que essa característica é importante ou muito importante, de acordo com o estudo).
Portanto, para este grupo, investir em ETFs é outra maneira de diversificar globalmente e se expor a uma moeda forte como o dólar, ajudando a estabilizar o portfólio frente a possíveis flutuações do real. O investimento proporciona acesso a diversos mercados, flexibilidade e liquidez, dividendos atrativos e custos reduzidos.
Cada uma das opções apresentadas oferece diferentes vantagens e pode se adequar de acordo com o perfil de cada investidor.
Diversificar o portfólio com ativos em dólar, que é considerada uma moeda forte e mais estável, pode ajudar a garantir uma maior estabilidade financeira, tornando os investimentos mais robustos diante das flutuações do mercado local e podendo reduzir o risco associado a uma única economia.
A Nomad é uma fintech pioneira em oferecer aos brasileiros uma conta bancária nos EUA com cartão de débito para uso em mais de 180 países, além de acesso a uma plataforma completa para investimentos internacionais desde 2019.
Atualmente, propicia uma vida financeira internacional completa e, em agosto de 2023, recebeu um aporte de US$61 milhões – o maior investimento em fintechs da América Latina. O objetivo é lançar novos produtos e expandir a sua plataforma com soluções financeiras, como a contratação de operações de câmbio, conta bancária americana e acesso a investimentos internacionais, incluindo ações e ETFs negociados nas principais bolsas americanas.
Com a Nomad, os clientes podem construir seu patrimônio financeiro em dólar, além de realizar transferências internacionais e compras no exterior com IOF reduzido, que pode gerar economia de até 10%, quando comparado com um cartão emitido no Brasil. O cartão Nomad é aceito em mais de 180 países para operações presenciais e virtuais, além de permitir saques em caixas eletrônicos (ATMs). Os serviços de investimento oferecidos pela Nomad são intermediados pela Global Investment Services DTVM Ltda. Em dezembro de 2023, atingiu o patamar de mais de 1.3 milhões de contas e multiplicou em quatro vezes a sua receita.
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