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title: "Déficit nominal das contas públicas brasileiras consolidadas alcançou R$ 1.239,8 bilhões (9,34% do PIB) no acumulado dos doze meses até julho deste ano. Pagamento de juros sobre a dívida pública foi responsável por 93% desse total"
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author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2026-08-31T13:00:07-03:00
categories: [Destaque Especial]
tags: [34% do PIB) no acumulado dos doze meses até julho deste ano. Pagamento de juros sobre a dívida pública foi responsável por 93% desse total, 8 bilhões (9, Déficit nominal das contas públicas brasileiras consolidadas alcançou R$ 1.239]
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# Déficit nominal das contas públicas brasileiras consolidadas alcançou R$ 1.239,8 bilhões (9,34% do PIB) no acumulado dos doze meses até julho deste ano. Pagamento de juros sobre a dívida pública foi responsável por 93% desse total

***A Dívida Pública do Governo Geral – que compreende Governo Federal, INSS e governos estaduais e municipais – atingiu 82,5% do PIB – Produto Interno Bruto (R$ 10,9 trilhões) em julho de 2026, aumento de 0,6 p.p. do PIB em relação ao mês anterior***

 ***Nos últimos doze meses a despesa no pagamento dos juros sobre a dívida pública brasileira já aumentou R$ 209,3 bilhões – o que corresponde a cerca de 20% do PIB de Minas Gerais***

 **Carlos Alberto Teixeira de Oliveira***

 O Banco Central do Brasil divulgou, na manhã do dia 31 de agosto, os resultados das contas públicas consolidadas do Brasil – o que inclui a União, Estados e Municípios. A seguir, o relatório apresentado:

 1.**Resultados fiscais**

 O setor público consolidado registrou superávit primário de R$1,4 bilhão em julho, ante déficit de R$ 66,6 bilhões no mesmo mês de 2025. No Governo Central houve superávit de R$ 11,0 bilhões e nos governos regionais e nas empresas estatais, déficits respectivos de R$ 8,5 bilhões e R$1,1 bilhão. Em doze meses, o setor público consolidado acumulou déficit de R$ 89,3 bilhões, equivalente a 0,67% do PIB, 0,52 p.p. do PIB inferior ao déficit acumulado até junho.

 

 

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 Os juros nominais do setor público consolidado, apropriados por competência, somaram R$ 99,0 bilhões em julho de 2026, ante R$ 109,0 bilhões em julho de 2025. Contribuiu para essa redução a evolução favorável do resultado das operações de swap cambial no período (ganho de R$12,4 bilhões em julho de 2026 e perda de R$ 3,3 bilhões em julho de 2025). No acumulado em doze meses até julho, os juros nominais alcançaram R$ 1.150,5 bilhões (8,67% do PIB), comparativamente a R$ 941,2 bilhões (7,60% do PIB) nos doze meses até julho de 2025.

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 O resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$97,6 bilhões em julho. No acumulado em doze meses, o déficit nominal alcançou R$1.239,8 bilhões (9,34% do PIB), reduzindo-se 0,64 p.p. do PIB em relação ao mês anterior.

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- **Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) e Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG)​**

 A DLSP atingiu 69,1% do PIB (R$ 9,2 trilhões) em julho, elevando-se 0,6 p.p. do PIB no mês. Esse resultado refletiu, sobretudo, os impactos dos juros nominais apropriados (0,7 p.p.), da valorização cambial de 1,9% no mês (0,2 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,4 p.p.). No ano, a DLSP cresceu 3,8 p.p. do PIB, refletindo, em especial, os impactos dos juros nominais (5,0 p.p.), do déficit primário acumulado (0,6 p.p.), do efeito da valorização cambial acumulada de 7,7% (0,8 p.p.) e do crescimento do PIB nominal (-2,6 p.p.).

 A DBGG – que compreende Governo Federal, INSS e governos estaduais e municipais – atingiu 82,5% do PIB (R$ 10,9 trilhões) em julho de 2026, aumento de 0,6 p.p. do PIB em relação ao mês anterior. A evolução mensal decorreu, principalmente, dos juros nominais apropriados (0,8 p.p.), das emissões líquidas de dívida (0,2 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,5 p.p.). No ano, o aumento de 3,9 p.p. do PIB resultou da incorporação de juros nominais (5,7 p.p.), das emissões líquidas de dívida (1,5 p.p.), do crescimento do PIB nominal (-3,1 p.p.) e do efeito da valorização cambial (-0,3 p.p.).

 **Endividamento público exige atenção à trajetória da dívida** **e ao peso dos juros**

 A discussão sobre as contas públicas brasileiras não deve se limitar ao tamanho da dívida ou ao resultado de um único ano. Para o professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Ahmed El Khatib, é necessário observar, principalmente, a trajetória do endividamento, o custo dos juros e a capacidade de crescimento da economia.

 “Eu classificaria a situação brasileira como administrável no presente, mas desconfortável na trajetória. O Brasil não está diante de uma crise clássica de financiamento do Estado, mas apresenta uma combinação de déficit, juros elevados e dívida crescente que limita progressivamente o espaço de atuação da política econômica”, afirma.

 Os números ajudam a dimensionar o cenário. Em junho de 2026, o déficit primário acumulado em 12 meses do setor público consolidado alcançava R$ 157,2 bilhões, ou 1,19% do PIB. Com a incorporação dos aproximadamente R$ 1,16 trilhão de juros nominais, o déficit nominal chegava a cerca de R$ 1,32 trilhão, equivalente a 9,99% do PIB. A dívida bruta estava em aproximadamente 81,9% do PIB, ou R$ 10,8 trilhões.

 Segundo Ahmed, o peso dos juros é um dos principais pontos de atenção. “A conta dos juros é gigantesca. Mesmo que haja melhora no orçamento corrente, uma parcela substancial dos recursos continua sendo absorvida pelo custo de carregar o estoque de dívida”, explica.

 **Dívida não tem um limite universal**

 Para o professor, não existe um percentual de dívida em relação ao PIB que determine, isoladamente, quando um país passa a enfrentar uma crise fiscal. A sustentabilidade depende de fatores como custo de financiamento, crescimento econômico, resultado primário, prazo e composição dos títulos, moeda da dívida e credibilidade das instituições. “Não importa apenas quanto um país deve. Importa em que moeda deve, para quem deve, quanto paga, qual é o prazo da dívida e qual é sua capacidade futura de geração de renda”, afirma.

 A relação entre juros e crescimento é especialmente importante. Quando o custo real da dívida permanece acima do crescimento real da economia, o governo precisa produzir resultados primários mais robustos apenas para estabilizar a relação dívida/PIB. Esse processo pode criar um ciclo de deterioração: dívida crescente, maior percepção de risco, juros mais altos, aumento da despesa financeira e nova pressão sobre a dívida.

 **O impacto chega ao crédito e aos investimentos**

 O problema fiscal também pode afetar diretamente empresas e consumidores. Segundo Ahmed, maior percepção de risco tende a elevar os juros de longo prazo e o custo de capital das empresas, dificultando investimentos produtivos. A cadeia, explica o professor, passa por risco fiscal, prêmio de risco, juros longos, custo de capital, investimento, produtividade e crescimento.

 “O aspecto fiscal deixa de ser um assunto abstrato quando começa a aparecer no financiamento imobiliário, no crédito empresarial, na prestação do automóvel, no investimento produtivo, no câmbio e no emprego”, afirma.

 **Desafio está também nas despesas obrigatórias**

 Outro obstáculo para o ajuste fiscal brasileiro é o peso das despesas obrigatórias R$ 1,136 trilhão em benefícios previdenciários e R$ 454 bilhões em pessoal e encargos sociais em 2026. Para Ahmed, isso ajuda a explicar por que investimentos e despesas discricionárias acabam frequentemente sendo comprimidos durante processos de ajuste.

 “O verdadeiro ajuste fiscal deveria procurar cortar gordura antes de cortar músculo e preservar aquilo que aumenta a capacidade produtiva da economia”, afirma.

 O professor defende maior uso de avaliação de políticas públicas, revisão de subsídios e benefícios tributários, combate a desperdícios e orçamento baseado em evidências, em vez de simplesmente reduzir gastos de forma linear.

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 **Debate ganha importância durante as eleições**

 Em períodos eleitorais, a discussão fiscal ganha ainda mais relevância porque decisões tomadas hoje podem produzir efeitos durante décadas. Para Ahmed, propostas que envolvam novos gastos, benefícios ou redução de impostos precisam apresentar também sua fonte de financiamento e impacto futuro.

 Segundo o professor, medidas permanentes deveriam contar com fontes permanentes de financiamento. “Quando benefícios permanentes são financiados com receitas extraordinárias, cria-se uma espécie de armadilha: a receita desaparece, mas a obrigação permanece.”

 **Brasil e Estados Unidos: por que o mesmo nível de dívida não representa o mesmo risco**  
   A comparação com os Estados Unidos mostra por que o tamanho da dívida, isoladamente, não determina a situação fiscal de um país. No Brasil, a dívida bruta estava em 81,9% do PIB em junho de 2026, enquanto os Estados Unidos apresentam uma relação dívida/PIB significativamente maior. Ainda assim, as condições de financiamento dos dois países são diferentes.

 Isso ocorre principalmente porque os EUA emitem o dólar, principal moeda de reserva internacional, e possuem um mercado de títulos público profundo e líquido, com elevada demanda por seus papéis. Assim, uma mesma relação entre dívida e PIB pode representar riscos diferentes. Países com moeda forte, mercado financeiro desenvolvido e elevada demanda por seus títulos podem sustentar níveis maiores de endividamento.

 Isso não significa que os EUA estejam imunes ao problema. Quanto maior a dívida e mais altos os juros, maior o custo de financiamento e menor o espaço para outras despesas públicas. “Não existe um limite universal de dívida. Existe uma combinação de capacidade econômica, credibilidade institucional e condições de financiamento”, afirma o especialista.

 **Prioridade deve ser estabilizar a trajetória da dívida**

 Para o professor, o próximo governo deveria buscar uma trajetória crível de estabilização e posterior redução da dívida em relação ao PIB, combinando revisão de despesas obrigatórias, melhoria da qualidade do gasto, preservação de investimentos produtivos e fortalecimento das instituições fiscais.

 O crescimento econômico também faz parte da solução. Uma economia mais produtiva aumenta emprego, renda, lucros e arrecadação, contribuindo para melhorar as contas públicas. “Podemos melhorar o indicador controlando a dívida, mas também podemos ajudar a estabilizá-lo fazendo o PIB crescer de maneira sustentável. Mas crescimento não pode ser utilizado como uma espécie de solução mágica”, pondera.

 Para Ahmed, a questão central não é se o Estado deve ou não se endividar, mas para que os recursos são utilizados e qual capacidade futura está sendo criada para sustentar essa dívida. “O Brasil corre o risco de tornar progressivamente mais caro o seu próprio futuro. Quanto maior a parcela do orçamento destinada ao serviço de decisões passadas, menor o espaço disponível para as escolhas futuras”, afirma.

 O especialista resume o cenário: o déficit é a fotografia. A dívida é o filme. “Os juros são o preço que pagamos para continuar exibindo esse filme. E a credibilidade determina quanto custará o próximo capítulo”, finaliza.

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 ***Economistas alertam que juros podem cortar até 1 p.p. do PIB***

 “O juro já conseguiu frear a quantidade de crédito antes de conseguir frear todos os preços. Famílias reduzem compras financiadas, empresas adiam investimentos e projetos imobiliários revisam cronogramas assim que o custo do dinheiro sobe. A inflação, porém, carrega contratos indexados, reajustes salariais, custos de energia, alimentos, logística e serviços que demoram mais para responder. Essa diferença de velocidade explica por que o Focus reduziu o PIB para 1,92%, mas elevou a inflação suavizada em 12 meses para 4,53%. O cenário global acrescenta outra camada: petróleo, fretes e commodities continuam sujeitos a choques geopolíticos, o que mantém pressão sobre custos mesmo quando a demanda doméstica perde força. Com a Selic projetada em 13,75%, o juro real fica entre 8,3% e 8,8%. Pelo canal do crédito, que costuma ser o mais rápido, esse nível pode retirar de 0,7 a 1 ponto percentual do crescimento de 2026 em comparação com uma trajetória mais próxima da neutralidade.

 O impacto aparece no comprometimento de renda, no capital de giro e na taxa mínima exigida para que novos investimentos sejam viáveis. Para a inflação fechar no teto de 4,5%, o espaço restante também é reduzido. Depois dos 3,44% acumulados até julho, o IPCA poderia subir somente 1,02% até dezembro, média de 0,20% ao mês. Com uma eventual deflação de 0,21% em agosto, a média permitida entre setembro e dezembro seria de 0,31%. Nesse contexto, o crédito precisa ser analisado pela capacidade de pagamento, pelo prazo e pela qualidade das garantias. Estruturas com garantia real, consórcios e reorganização de passivos podem ampliar previsibilidade e permitir que o recurso seja usado de maneira mais planejada”, afirma **Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.**

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 “Há um descasamento entre a velocidade com que os juros reduzem o investimento e aquela com que a inflação perde inércia. A empresa corta expansão, estoques e capital de giro rapidamente diante de uma Selic elevada, mas contratos, salários, serviços, tarifas e custos importados continuam sendo reajustados. Por isso, a projeção do PIB caiu para 1,92% enquanto a inflação suavizada em 12 meses chegou a 4,53%. A fragmentação das cadeias globais também tornou os custos menos previsíveis. Energia, logística e insumos podem subir mesmo sem uma aceleração equivalente do consumo brasileiro, dificultando uma desinflação baseada somente no enfraquecimento da demanda.

 A Selic de 13,75% representa um juro real superior a 8%, produzindo uma diferença relevante em relação à taxa neutra. Se esse quadro permanecer, a política monetária pode retirar entre 0,6 e 0,9 ponto percentual do crescimento de 2026, sobretudo por meio da menor formação de capital e da redução da velocidade do crédito. Para o IPCA encerrar o ano em 4,5%, a inflação precisa cair para uma média de 0,20% ao mês entre agosto e dezembro. Se agosto vier em -0,21%, como prevê o Focus, a média máxima de setembro a dezembro sobe para 0,31%. O ponto crítico é que setembro já está projetado em 0,52% e outubro em 0,33%, o que deixaria para novembro e dezembro uma média próxima de 0,19%. Nesse ambiente, empresas podem ganhar eficiência ao reorganizar pagamentos, recebíveis e capital de giro, criando estruturas financeiras integradas que reduzam custos de intermediação e transformem fluxos já existentes em fontes mais previsíveis de receita e liquidez”, é a opinião de **Leticia Moschioni, Sócia da Finscale.**

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 Para **Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos** “O Focus reforça um quadro de desaceleração com inflação ainda resistente, o que sugere que o problema deixou de ser apenas excesso de demanda e passou a refletir maior inércia em serviços, salários, expectativas e preços administrados. Isso significa que a perda de ritmo da economia, por si só, não será suficiente para produzir uma desinflação rápida, mantendo o Banco Central pressionado a sustentar juros restritivos por mais tempo. Na prática, o aperto monetário deve continuar retirando força do investimento, do crédito e do consumo financiado, com impacto relevante sobre o crescimento nos próximos trimestres. Para o IPCA terminar 2026 dentro do teto de 4,5%, após acumular 3,44% até julho, a inflação poderá avançar apenas 1,02% entre agosto e dezembro, o equivalente a uma média composta de 0,20% ao mês, o que ainda depende de melhora consistente nos núcleos e serviços”,

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 **André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital** afirma que “O Focus desta semana reforça um cenário desconfortável para a política monetária: o mercado reduziu novamente a projeção de crescimento do PIB de 2026, de 1,95% para 1,92%, ao mesmo tempo em que manteve a inflação projetada para o ano em 5,01%. Além disso, a expectativa de inflação suavizada para os próximos 12 meses subiu pela quarta semana consecutiva, chegando a 4,53%, ligeiramente acima do teto de 4,5% da meta. A desaceleração da economia, portanto, ainda não está produzindo a desinflação esperada porque uma parcela relevante das pressões de preços não vem apenas do excesso de demanda. Há fatores como preços administrados, serviços, inércia inflacionária, expectativas desancoradas e eventuais choques cambiais e de custos. Isso reduz a eficiência da política monetária: os juros conseguem esfriar crédito, consumo e investimento mais rapidamente do que conseguem eliminar essas pressões de preços.

 Com a Selic em 13,75%, estamos falando de uma taxa real de juros ainda bastante elevada. É difícil atribuir um número exato ao efeito sobre o PIB, mas, mantida por período prolongado, uma política monetária nesse nível pode retirar algo na ordem de 0,5 a 1 ponto percentual do crescimento ao longo de alguns trimestres. O impacto aparece especialmente sobre investimento, construção, crédito às famílias e consumo de bens de maior valor. Isso ajuda a explicar por que o mercado já projeta apenas 1,92% de crescimento em 2026 e 1,5% em 2027. O Focus mantém Selic de 13,75% no encerramento de 2026 e prevê 12% ao fim de 2027.

 Para a inflação fechar 2026 dentro do teto de 4,5%, o espaço agora é bastante pequeno. O IPCA acumulava aproximadamente 3,44% de janeiro a julho, depois de registrar apenas 0,07% em julho. Com isso, entre agosto e dezembro a inflação poderia acumular somente cerca de 1,03%, o equivalente a uma média composta próxima de 0,20% ao mês. O problema é que o próprio Focus já estima -0,21% para agosto, mas 0,52% para setembro e 0,33% para outubro. Portanto, mesmo com a deflação esperada agora, seria necessária uma inflação bastante comportada em novembro e dezembro para que o IPCA terminasse dentro do teto. A projeção anual de 5,01% mostra que esse não é hoje o cenário central do mercado”.

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 **Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra** declara que  “O Focus mostra uma combinação que ainda considero desconfortável. A projeção do PIB de 2026 caiu para 1,92%, enquanto a inflação esperada para os próximos 12 meses subiu para 4,53%. Ao mesmo tempo, o IPCA projetado para o ano está em 5,01%, ainda acima do teto da meta. A atividade perde força, mas a inflação não cede na mesma velocidade. Isso acontece porque a desaceleração da demanda é apenas uma parte do processo inflacionário. Serviços e salários continuam mais resistentes, e o câmbio, o petróleo, as tarifas comerciais e principalmente as expectativas fiscais mantêm prêmio nos preços. Podemos ter uma economia crescendo menos sem produzir desinflação suficiente, especialmente quando as expectativas continuam desancoradas.

 Também não considero tecnicamente correto dizer que uma Selic de 13,75% retira um número específico de pontos do PIB. O efeito depende de toda a trajetória dos juros e aparece com defasagem sobre crédito, consumo e investimento. Os modelos do próprio Banco Central mostram que um choque monetário atinge seu efeito mais forte sobre a atividade depois de alguns trimestres. O que vemos hoje é justamente esse mecanismo começando a aparecer: crédito mais caro, empresas adiando investimento e famílias com menor capacidade de ampliar consumo.

 Para o IPCA encerrar 2026 no teto de 4,5%, a inflação média necessária entre agosto e dezembro fica próxima de 0,21% ao mês. É uma trajetória possível, sobretudo depois da deflação observada no IPCA-15 de agosto, mas ainda exigente. O Focus, inclusive, projeta -0,21% para agosto, 0,52% para setembro e 0,33% para outubro, o que mostra que o mercado não espera uma desinflação linear. Na nossa leitura, portanto, o cenário ainda pede cautela. A economia está desacelerando, mas isso não garante novos cortes da Selic em sequência. Para o Banco Central avançar, será necessário ver a perda de força da atividade chegar de forma mais clara aos serviços, aos núcleos e, principalmente, às expectativas de inflação”.

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 **Antônio Patrus, Diretor da Bossa Invest** entende que “A desaceleração projetada para 1,92% não significa que todos os segmentos da economia estejam perdendo dinamismo na mesma velocidade. O que aparece no Focus é uma economia em duas rotações: setores dependentes de crédito, bens duráveis e investimentos tradicionais sentem os juros primeiro, enquanto serviços, mercado de trabalho e atividades ligadas à tecnologia preservam maior tração. No exterior ocorre algo semelhante. O crescimento global deve ficar em 3% em 2026, mas a expansão está concentrada nas economias e empresas integradas à inteligência artificial e às cadeias tecnológicas. Ao mesmo tempo, a inflação mundial voltou a encontrar resistência por causa de energia, conflitos e custos logísticos. Por isso, o PIB pode desacelerar antes de a inflação ceder.

 A projeção de 4,53% para a inflação suavizada em 12 meses, acima do teto, indica que o Banco Central ainda não encontrou espaço para uma flexibilização rápida. Com a Selic caminhando para 13,75%, o juro real permanece próximo de 8,5%. Em um cenário de manutenção dessa restrição, o crescimento de 2026 pode ser entre 0,6 e 0,9 ponto percentual menor do que seria com uma política monetária próxima da neutralidade.

 Para o IPCA fechar em 4,5%, a média necessária de agosto a dezembro é de apenas 0,20% ao mês. O Focus, ao projetar 5,01% no ano, embute uma média próxima de 0,30%, diferença aparentemente pequena, mas suficiente para deixar a inflação 0,51 ponto acima do teto. Para o venture capital, esse ambiente reforça a importância de empresas capazes de elevar produtividade, transformar tecnologia em receita e crescer com disciplina de caixa. O capital tende a buscar inovação que resolva custos reais da economia, não apenas expansão sustentada por liquidez abundante”.

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 E, por fim, para **Fábio Murad, Consultor da Wiser Asset.** “O cenário externo deixou de funcionar como uma fonte automática de desinflação. O FMI projeta crescimento mundial de 3% em 2026, mas inflação global de 4,7%, acima dos 4,1% registrados em 2025. A atividade é sustentada pelos investimentos em tecnologia e inteligência artificial, enquanto conflitos, energia e gastos públicos mantêm os preços pressionados. Para o Brasil, essa combinação significa menor ajuda das commodities e dos bens importados, além de maior volatilidade no dólar. Assim, o PIB projetado pode cair para 1,92% mesmo com a inflação esperada em 12 meses avançando para 4,53%.

 A demanda doméstica desacelera, mas parte da inflação vem de custos e do câmbio, não apenas do consumo. Se a Selic chegar a 13,75% e permanecer elevada, o juro real ficará entre 8,3% e 8,8%, mantendo o Brasil entre os maiores retornos reais do mundo. Essa restrição pode reduzir o crescimento de 2026 em algo próximo de 0,6 a 1 ponto percentual, com efeito mais intenso sobre consumo financiado e investimento. Para encerrar o ano no teto de 4,5%, o IPCA precisa registrar média de apenas 0,20% ao mês de agosto a dezembro. Com deflação de 0,21% em agosto, a média necessária nos quatro meses seguintes seria de 0,31%. A projeção anual do Focus, de 5,01%, mostra que o mercado ainda não enxerga essa desaceleração dos preços. Para o investidor brasileiro, o quadro recomenda diversificar não apenas entre ativos, mas entre moedas, economias e fontes de renda, combinando o retorno real doméstico com exposição internacional e proteção patrimonial em dólar”. – (Fonte: Gueratto Press).

 **Carlos Alberto Teixeira de Oliveira é Administrador, Economista e Bacharel em Ciências Contábeis, com vários cursos de pós graduação no Brasil e exterior. Ex-Executive Vice-Presidente e CEO do Safra National Bank of New York, em Nova Iorque, Estados Unidos. Ex-Presidente do BDMG-[**Banco de Desenvolvimento de Minas**](https://mercadocomum.com/banco-de-desenvolvimento-de-minas/) Gerais e do Banco de Crédito Real de Minas Gerais; Foi Secretário de Planejamento e Coordenação Geral e de Comércio, Indústria e Mineração; e de Minas e Energia do Governo de Minas Gerais; Também foi Diretor-Geral (Reitor) do Centro Universitário Estácio de Sá de [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/); Ex-Presidente do IBEF Nacional – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças e da ABDE-Associação Brasileira de Desenvolvimento; Atualmente é Coordenador Geral do Fórum JK de Desenvolvimento Econômico; Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas Gerais. Presidente da MinasPart Desenvolvimento Empresarial e Econômico, Ltda. Vice-Presidente da diretoria executiva da ACMinas – Associação Comercial e Empresarial de Minas. Presidente/Editor Geral de* **MercadoComum.** *Autor de vários livros, como a coletânea intitulada “Juscelino Kubitschek: Profeta do Desenvolvimento – Exemplos e Lição ao Brasil do Século XXI”.*

 

 

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