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title: &quot;Debate Econômico II &#8211; PIB mineiro se mantém estagnado&quot;
url: https://mercadocomum.com/debate-economico-ii-pib-mineiro-se-mantem-estagnado/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2019-07-16T09:35:46-03:00
categories: [Destaques da Edição]
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# Debate Econômico II &#8211; PIB mineiro se mantém estagnado

- **Por Carlos Alberto Teixeira de Oliveira**

 Administrador, Economista e Bacharel em Ciências Contábeis. Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas Gerais. Ex-Presidente do BDMG e ex-Secretário de Planejamento e Coordenação Geral de Minas Gerais; Presidente/Editor Geral de MercadoComum.

 **Em 2018 o PIB de Minas somou US$ 161,9 bilhões, manteve-se estagnado e repetiu o mesmo ritmo do Brasil **

 O PIB-Produto Interno Bruto de Minas Gerais, considerado o 3º maior entre os estados brasileiros, vem apresentado desempenho medíocre em boa parte do século XXI e, durante os últimos dezoito anos, em oito deles – (2002, 2003, 2004,2005, 2010, 2012, 2016 e 2018) é que o estado registra desempenho superior à média verificada em relação ao Brasil. Há uma particularidade nos anos em o crescimento econômico de Minas supera o brasileiro: nesses anos, em sua maioria, registrou-se uma significativa valorização dos preços das commodities e, em especial, do minério de ferro.

 De 2001 a 2018, de acordo com dados do IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; do FMI-Fundo Monetário Internacional; da FJP-Fundação João Pinheiro e da MinasPart Desenvolvimento Minas Gerais contabilizou um crescimento médio anual de 2,01% e, portanto, inferior ao brasileiro de 2,32% e distante da média mundial, de 3,80%. No acumulado do período, enquanto a economia brasileira registrou uma expansão de 50,06% e a mundial 95,51% – a mineira cresceu apenas 41,56%.

 No período de 2011 a 2018, a taxa de variação do PIB mineiro cresceu a uma média de apenas 0,15% ao ano e 0,96% no acumulado – contra 0,59% e 4,54% do Brasil, respectivamente. O crescimento da economia mundial no mesmo período atingiu uma média anual de 3,63% e acumulou expansão de 33,00%.

 Dados preliminares apontam que a participação relativa de Minas Gerais no PIB nacional em 2018 foi de 8,67. A Renda Per Capita dos mineiros somou US$ 7.621,73 – equivalentes a 85,37% da nacional.

 Em 2018, as estimativas da MinasPart Desenvolvimento projetam o PIB de Minas Gerais totalizando R$ 598,5 bilhões – equivalentes a US$ 161,9 bilhões O valor adicionado da agropecuária foi estimado em R$ 28,1 bilhões – 5,36%; o da indústria, em R$ 135,3 bilhões – 25,81%; e o dos serviços, em R$ 360,8 bilhões – 68,83%, totalizando R$ 524,3 bilhões de Valor Adicionado Básico em termos nominais.

 * ***MINAS GERAIS X BRASIL X MUNDO– TAXA ANUAL ****DE CRESCIMENTO DO PIB – PRODUTO INTERNO BRUTO ****2001/2018 – Em %**

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 Durante o governo Antonio Anastasia/Alberto Pinto Coelho (2011 a 2014) a economia mineira contabilizou expansão média anual de 1,4% e acumulada de 5,7% – enquanto a brasileira experimentou crescimento médio anual de 2,4% e acumulado de 9,7%, respectivamente.

 No governo de Fernando Pimentel (2015 a 2018), o desempenho médio anual do PIB mineiro apresenta-se preliminarmente negativo em 1,1% e, no acumulado do período, registra retração de -4,4% – enquanto a economia brasileira contabiliza declínio médio anual 1,2% e resultado acumulado de -4,7%. O último dado considerado oficial sobre o PIB estadual – o que é elaborado pelo IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística refere-se ao ano de 2016 e foi divulgado em novembro passado. Portanto, os números relativos aos dois últimos anos do mandato de Fernando Pimentel não são definitivos e estão sujeitos a alteração.

 **MINAS GERAIS X BRASIL X MUNDO– TAXA ANUAL E ****ACUMULADA**** DE CRESCIMENTO DO PIB – PRODUTO ****INTERNO BRUTO**** – 2011/2018 – Em %**

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 Em decorrência do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho e da paralização de parte das atividades da empresa em solo mineiro haverá implicações de forma negativa sobre o PIB de Minas Gerais. Segundo cálculos da área econômica da FIEMG-Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais divulgados recentemente há uma perspectiva de redução de até 3,5% do valor estimado do PIB mineiro para 2019. Cabe destacar, no entanto, que esse impacto poderá ser suavizado se ocorrer uma maior valorização do dólar norte-americano e no preço do minério de ferro no mercado internacional, o que vem de fato ocorrendo: apenas durante o 1º semestre deste, o minério de ferro já registrou valorização de 63%.

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 Fonte: Valor 29.06.2019 A produção de minério de ferro da Vale em Minas Gerais (2017) totalizou 195 milhões de toneladas e representou 53,21% do total produzido pela empresa.

 O plano da Vale de descomissionar as barragens de rejeitos construídas pelo método de alteamento a montante e a consequente paralisação das operações nas minas em áreas de influência dessas barragens, todas localizadas em MG, poderá trazer um impacto imenso na economia estadual e de municípios mineradores, seja nas exportações, na arrecadação dos *royalties *da mineração ou no recolhimento de outros impostos.

 De acordo com a mineradora, a produção deve sofrer uma redução da ordem de 40 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano e estima que o volume que deixará de ser produzido representa em torno de 10% da sua produção anual.

 No ano passado, conforme dados do Ministério da Economia, as exportações de minério de ferro de Minas Gerais totalizaram US$ 7,290 bilhões – verificando-se uma retração de 16% na comparação com o ano anterior. Foram contabilizadas 145,3 milhões de toneladas em 2018 contra 175,9 milhões de toneladas no ano de 2017. A diferença de aproximadamente 30 milhões de toneladas de minério de ferro a menos significou uma perda de US$ 1,390 bilhão nas exportações. Caso o preço do minério de ferro ficasse estável em 2019, a redução das exportações poderia significar uma redução de US$ 2,0 bilhões –

 Dados da Fundação João Pinheiro relativamente ao desempenho do PIB mineiro demonstram, claramente, o processo de desindustrialização que vem ocorrendo em nível estadual: no período de 2002 a 2018 a indústria de transformação estadual cresceu apenas 1,1% no acumulado – cabendo destacar que o PIB total de Minas expandiu 36,6% durante o mesmo período.

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 ![](http://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2019/07/16.jpg)Fonte: IBGE/O Tempo – 17.11.2018 .Dados preliminares apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) gerado na economia de Minas Gerais em 2018 foi 1,2% superior ao de 2017, em termos reais. O resultado, se confirmado, pode ser considerado ligeiramente superior ao crescimento de 1,1% da economia brasileira no mesmo período. Tanto para o estado quanto para o país, os dados indicam que a recuperação iniciada no primeiro trimestre de 2017 perdeu fôlego ao longo do ano passado, ameaçando retroceder ou estagnar.

 Os dados, conforme já explicitados, são preliminares e foram apresentados no estudo *Indicadores FJP*: *PIB Trimestral de Minas Gerais – 4º Trimestre/2018* , publicado pela [Fundação João Pinheiro](http://www.fjp.mg.gov.br/) (FJP) no dia 28 de março, no site da instituição. Os dados definitivos só serão conhecidos em novembro de 2020 quando o IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgar o relatório intitulado Contas Regionais – que compõe o Relatório das Contas Nacionais*.

 ** ****PIB anua**l – Nas atividades do setor de serviços, o crescimento acumulado do Valor Adicionado (VA) em 2018 foi de 1,3% em Minas Gerais. Entre essas atividades, houve expansão de 2,4% no índice de volume do VA de comércio e de 1,2% no agregado de “outros serviços”. Por outro lado, houve retração de 1,2% no produto real dos serviços de transporte, armazenamento e correio, e de 0,4% na administração pública. No Brasil, o crescimento real do agregado de todas as atividades de serviços também foi de 1,3% em 2018.

 O setor agropecuário também contribuiu positivamente para o desempenho econômico de Minas Gerais. Na comparação com o volume real do VA de 2017, o resultado acumulado em 2018 foi 5,7% superior, influenciado principalmente pelo aumento da produção de café, soja e leite. No Brasil, o VA agropecuário apresentou apenas uma pequena oscilação positiva, de 0,1%.

 Na indústria, o VA estimado para 2018 em Minas Gerais foi -0,3% menor em termos reais, na comparação com 2017. Esse resultado ocorreu apesar da variação positiva entre as atividades manufatureiras, responsáveis pela geração de cerca de 55% do total do VA industrial no estado. O acréscimo de 0,9% no volume de VA da indústria de transformação também não foi suficiente para compensar as retrações estimadas em 4,1% nas utilidades públicas (água e eletricidade, principalmente); 2,0% nas indústrias extrativas; e 0,4% na construção (Tabela 1). No período, o VA industrial brasileiro teve expansão real de 2,3%.

 **Variações trimestrais**** **– No quarto trimestre de 2018, o PIB de Minas Gerais apresentou uma pequena variação positiva, de 0,2% em termos reais, na comparação com o trimestre imediatamente anterior na série com ajuste sazonal.

 Houve retração de 2,8% no setor agropecuário em Minas Gerais, contra oscilação positiva de 0,2% em nível nacional. Das lavouras com parte expressiva da produção estadual concentrada no quarto trimestre, houve perda significativa de colheita com a banana e o tomate; relativa estabilidade na colheita de cana-de-açúcar, e pequeno ganho na terceira safra de batata-inglesa.

 O Valor Adicionado da indústria estadual contraiu 0,9% (-0,3% no país), refletindo a queda de 4,6% na produção e distribuição de eletricidade, água e saneamento Nas atividades da indústria de transformação, houve crescimento de 1,7% em Minas Gerais; na indústria extrativa, de 0,4%; e na construção, de 0,3%.

 No setor de serviços, também houve variação negativa, de 0,3% no estado, contra oscilação positiva, de 0,2%, no país. Houve decréscimo no volume de VA dos transportes (-1,6%), dos “outros serviços” (-0,5%) e da administração pública (-0,3). Nas atividades do comércio houve crescimento de 0,5% no período considerado.

 **Valores Correntes**** **-Com a conclusão dos aperfeiçoamentos metodológicos no cálculo do PIB trimestral de Minas Gerais, que passou a ser plenamente integrado ao Sistema de Contas Regionais na referência 2010, tornou-se possível a divulgação dos valores correntes setoriais do valor adicionado bruto (agropecuária, indústria e serviços) e do PIB mineiro a partir do novo ano de referência (2010).

 Em 2018, a estimativa preliminar da Fundação João Pinheiro para o PIB de Minas Gerais totalizou R$ 598,5 bilhões – equivalente a US$ 161,9 bilhões e a uma participação relativa no PIB nacional de 8,7%. O valor adicionado da agropecuária foi estimado em R$ 28,1 bilhões; o da indústria, em R$ 135,3 bilhões; e o dos serviços, em R$ 360,8 bilhões, totalizando R$ 524,3 bilhões de Valor Adicionado Básico em termos nominais.

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 ********O PIB trimestral de Minas Gerais é calculado pela FJP com metodologia própria e os resultados são preliminares e, naturalmente, sujeitos a revisão. Os cálculos são sempre revistos com dois ajustes principais: 1) atualização da estrutura de ponderação das atividades econômicas no valor adicionado da economia do Estado; e 2) substituição de projeções ou valores preliminares nas séries de dados primários utilizados no cômputo do PIB trimestral por valores consolidados.*

 * Os procedimentos de revisão são semelhantes aos adotados pelo IBGE no que diz respeito às Contas Nacionais Trimestrais, e os resultados definitivos são divulgados usualmente com defasagem de dois anos. Em novembro de 2016, a FJP, em parceria com o IBGE, divulgou a retropolação na nova metodologia (referência 2010) em razão de alterações nas Contas Nacionais com impactos nas Contas Regionais (em virtude das novas recomendações internacionais).*

 

 

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