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title: &quot;Debate Econômico: Desempenho da economia brasileira: A decepcionante segunda década que não se encerrou, a mediocridade do início de um novo século, a opção pelo atraso e subdesenvolvimento e lições de JK.&quot;
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author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2020-01-31T17:20:28-03:00
categories: [Destaques da Edição]
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# Debate Econômico: Desempenho da economia brasileira: A decepcionante segunda década que não se encerrou, a mediocridade do início de um novo século, a opção pelo atraso e subdesenvolvimento e lições de JK.

*Por Carlos Alberto Teixeira de Oliveira

 ![](http://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2020/01/dfgegerg-1.jpg)

 *Administrador, Economista e Bacharel em Ciências Contábeis. Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas Gerais. Ex-Presidente do BDMG e ex-Secretário de Planejamento e Coordenação Geral de Minas Gerais; Vice-Presidente da ACMinas – Associação Comercial e Empresarial de Minas e Presidente/Editor Geral de MercadoComum.*

 **Desempenho da economia brasileira:**

 **A decepcionante segunda década que não se encerrou, a mediocridade do início de um novo século, a opção pelo atraso e subdesenvolvimento e lições de JK. **

 *** “Pretender solucionar a crise brasileira com remédios prescritos para o único fim de estabilidade, como se fôssemos uma terra exausta e um povo cansado, necessitados de equilibrar as poucas forças que ainda nos restassem é semelhante, malgrado as deformações que acarretam todas as analogias, ao intento de se tratarem as crises da puberdade com medicamentos destinados a mitigar a senectude”. ***(Juscelino Kubitschek de Oliveira)

 Tem sido fabulosa e incrível a quantidade de artigos, crônicas e matérias publicados nos maiores e mais variados veículos de comunicação brasileiros por renomados economistas e alguns ex-ministros, presidentes de entidades de classe, jornalistas e outros – tratando do fim desta segunda década do século XXI, como se ela tivesse se encerrado no final de 2019. Não, ela ainda não se encerrou e é preciso deixar bastante claro que isso só ocorrerá após o dia 31 de dezembro de 2020.

 Mas vamos fazer uma simulação sobre o desempenho da economia brasileira comparativamente a outros países e blocos já considerando o encerramento desta 2ª década do século XXI. Para isso, usaremos algumas estimativas e projeções relativas aos anos de 2019 e 2020 – recentemente divulgadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Relatório Focus do Banco Central do Brasil.

 O desempenho da economia brasileira na 1ª década do século XXI, quando comparado à média mundial, pode ser considerado frustrante: registramos uma taxa média anual de expansão do PIB-Produto Interno Bruto de 3,71% e de 43,55% no acumulado do período de 2001 a 2020 – contra uma taxa média anual mundial de 3,95% e acumulada de 47,03%. No entanto, quando a comparação se faz com os países considerados emergentes e em desenvolvimento – categoria da qual o Brasil faz parte, o resultado nos é humilhante, pois eles cresceram quase o dobro: 6,26% na média anual e 83,15% no acumulado. No referido período, a China contabilizou uma expansão de 172,60% e a Índia, 106,82%.

 Durante a primeira década a economia brasileira apresentou desempenho durante cinco anos em níveis superiores aos registrados pela média mundial e, nos outros cinco, o resultado foi inferior. No entanto, o crescimento total acumulado pelo País foi inferior à média mundial.

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 Façamos então as mesmas comparações para a 2ª década do século XXI, ou seja, o período de 2011 a 2020 – considerando-se as estimativas divulgadas pelo FMI para 2019 e projeções para 2020. Relativamente ao Brasil serão usadas como referência as estimativas para 2019 e projeções para 2020 do Relatório Focus, de 27 de janeiro último e a última do ano passado, do Banco Central.

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 O resultado é, para nós brasileiros, simplesmente decepcionante e alarmante nesta 2ª década: o País teve o pior desempenho econômico desde o século passado, quando se começou a série histórica. A média anual de expansão do PIB mundial deverá registrar um crescimento de 3,53% e, no acumulado, de 41,52% – enquanto o Brasil deverá apresentar expansão de apenas 0,87% ao ano e de 8,67% no acumulado do período. No mesmo período, os países emergentes e em desenvolvimento deverão contabilizar uma expansão média anual de 4,78% de suas economias e de 59,50% no acumulado do período. A Índia deverá expandir o PIB em 90,54% e o da China praticamente dobrará de valor, alcançando um aumento de 99,57%.

 Durante todos os anos da segunda década e levando-se em consideração as projeções para 2020, a economia brasileira apresenta desempenho em níveis inferiores aos registrados pela média mundial.

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 Como ficaria então o desempenho da economia brasileira em relação ao resultado global, durante estas duas décadas iniciais deste século XXI?

 Evidentemente que o Brasil não fica bem na foto, comprovando que a máquina do crescimento econômico do país está enferrujada ou quebrada e que desaprendemos o que significa crescer a economia de forma vigorosa, consistente, contínua e sustentada.

 Enquanto a média anual de expansão do PIB mundial poderá atingir 3,74% nestes 20 últimos anos – equivalendo a uma taxa acumulada que mais do que dobra de tamanho a economia global (alcançando 108,08%), o PIB brasileiro deverá contabilizar um crescimento médio anual de 2,29% e, acumulada no mesmo período, de 56,00% (o que equivale a apenas quase a metade da média mundial). Vale ressaltar, ademais, que os países emergentes e em desenvolvimento deverão expandir as suas economias a uma média anual de 5,52% e, no acumulado, de 192,12%. Neste mesmo critério, a economia chinesa deverá multiplicar por mais de quatro vezes o seu PIB (atingindo expansão de 444,03%) e a indiana triplicará de tamanho, expandindo 294,08%.

 Durante as primeiras duas décadas deste século XXI e considerando as projeções para 2020, a economia brasileira apresenta desempenho apenas durante cinco anos da 1ª década em níveis superiores aos registrados pela média mundial e, nos demais, o resultado foi inferior.

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 Já escrevi anteriormente sobre este tema em várias outras oportunidades e entendo que o Brasil encontra-se, já há mais de trinta anos, acometido de uma “síndrome de raquitismo econômico”, entrou em um círculo vicioso e corre atrás do próprio rabo quando, em muitas das vezes, os seus maiores problemas poderiam ser resolvidos se tivéssemos um entendimento mais pragmático e aritmético do que de conhecimento sobre macroeconomia ou de políticas monetárias propriamente ditas.

 Logicamente, se há recessão, queda do PIB ou baixo nível de crescimento econômico – como consequência haverá mais desempregados, menos contribuintes ao INSS, menos consumidores, bem como, redução dos lucros das empresas e menor recolhimento de impostos, contaminando negativamente a arrecadação tributária. Ou seja, na maioria das vezes o problema é de baixo denominador – alimentando a ilusão de ótica de que as despesas é que estão muito altas. Resumo: quando as receitas são baixas as despesas podem ter a falsa noção de que são elevadas (numerador/denominador). Assim, a falta de crescimento deve ser definida como a principal causa das nossas dificuldades e mazelas, provocando um conjunto enorme de consequências nefastas que afetam toda a dinâmica nacional. Em síntese, atacar apenas as consequências tem sido um dos nossos maiores e principais males!

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 Fonte: Ipeadata – IBGE – Banco Central do Brasil/Relatório Focus – MinasPart Desenvolvimento

 Na verdade, completaremos em 2020 40 anos – 4 décadas seguidas em que a economia brasileira simplesmente não consegue acompanhar o ritmo da economia mundial, crescendo em níveis inferiores à média mundial e em patamares que podem ser considerados medíocres se comparados com os países emergentes e em desenvolvimento:

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 Os brasileiros precisam recuperar a bandeira da Esperança! JK já afirmava que a maior de todas as bandeiras brasileiras é a bandeira da esperança.

 Para JK, as maiores ameaças à democracia são a miséria, o desemprego e o subdesenvolvimento. O medíocre desempenho da economia brasileira verificado, principalmente ao longo destas últimas décadas, coincide com a busca obsessiva pela estabilidade econômica – que nos tem ofuscado todas as possibilidades de colocar o desenvolvimento como a nossa grande, prioritária e fundamental meta nacional. Mantendo-se esses mesmos conceitos que considero ultrapassados, continuaremos correndo ainda o risco de ficarmos, durante várias outras décadas, relegando o crescimento vigoroso pela discussão centrada apenas no ajuste e no equilíbrio das contas públicas.

 O Brasil precisa se reconciliar com o crescimento econômico vigoroso, consistente, contínuo, sustentável e eleger o desenvolvimento como a nossa meta prioritária número 1!

 O crescimento econômico vigoroso deve deixar de ser apenas uma casualidade, uma questão episódica, uma efemeridade, um acontecimento meramente fortuito para se transformar, efetivamente, na grande meta econômica nacional, permeando a convolação do País em uma economia madura e desenvolvida. Nesta direção, já tivemos antes, vários exemplos de sucesso e que poderiam nos servir de inspiração, como foi o caso do Plano de Metas, implementado durante o Governo JK.

 País que não cresce a sua economia é país condenado à pobreza e ao subdesenvolvimento, e, por isso, torna-se imprescindível o estabelecimento de uma *“Agenda Estratégica para o Desenvolvimento Nacional” – *em que a transformação do Brasil em nação desenvolvida seja o grande objetivo.

 Não seria utopia imaginarmos que o PIB do Brasil possa crescer cinco, oito ou dez por cento ao ano. A China e outros países da Ásia vêm demonstrando isso há mais de vinte anos seguidos. É o que se chama *ciclo virtuoso de crescimento econômico*, e isso é o que mais nos falta nos dias atuais.

 E também não precisamos imitar os modelos asiáticos, pois um dia já vivemos essa realidade.

 O Brasil soube, por muito tempo, a promover o crescimento econômico a taxas robustas e teve um período em que a expansão do seu produto interno bruto era considerado um “Milagre Brasileiro. Vide o gráfico anterior intitulado “Brasil – Taxas Médias de Crescimento do PIB por década (%)”.

 Há 65 anos, Juscelino Kubitschek de Oliveira anunciava que o Brasil cresceria cinquenta anos em cinco, o que veio a se confirmar. No ritmo de crescimento atual, o Brasil pode demorar muito tempo para se transformar em Nação desenvolvida e obter o desempenho alcançado pelo Governo de JK!

 De 1956 a 1961, o País efetivamente, em apenas cinco anos, registrou um crescimento acumulado próximo de 48%, o que representa uma média anual superior a 8%.

 JK também já alertava que é preciso que nos capacitemos, de uma vez para sempre, de que o desenvolvimento do Brasil é uma condição ligada à nossa sobrevivência num mundo que se impõe, mais e mais, pela força de sua vertiginosa marcha técnica. Ele afirmava que não temos de nos desenvolver apenas por ambição mesmo justa, mas desenvolver para sobreviver. E ainda acrescentava:

 * “Não se faz, não se opera a modificação de um país, sem que haja também uma nova mentalidade, a mentalidade para o desenvolvimento, a mentalidade de grande país. É isso o que me parece indispensável ao nosso Brasil”.*

 Essa experiência histórica, conduzida por um mineiro de Diamantina, não pode se constituir numa simples lembrança de um passado já quase longínquo. Ela deve ser a nossa inspiração e o nosso exemplo, para que o Brasil venha novamente abraçar a causa do desenvolvimento.

 ** Vamos transformar as nuvens de hoje na copiosa chuva de amanhã, para fecundar a economia e tornar mais humana e justa a sociedade brasileira.

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