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title: &quot;De Minas para frente e para trás&quot;
url: https://mercadocomum.com/de-minas-para-frente-e-para-tras/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2021-07-31T00:20:38-03:00
categories: [Destaques da Edição]
tags: [De Minas para frente e para trás]
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# De Minas para frente e para trás

[![Stefan Bogdan Barenboim Salej](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2021/07/De-Minas-para-frente-e-para-tras-300x276.png)](https://www.mercadocomum.com/)Stefan Bogdan Barenboim Salej **De Minas para frente e para trás**

 

 As terras mineiras escondem nas suas profundezas complexidades pouco vistas em outras regiões. Não se trata só de diferenças sociais visíveis pelo país afora, mas, principalmente, de seus avanços tecnológicos, e d seus atrasos. Parece que se insiste em Minas em sempre começar de novo e de novo, ao invés de construir e renovar. Mas, como sempre, também neste assunto há exceções que confirmam a regra.

 O mundo está vivendo uma revolução tecnológica que melhor se expressa pelas adoção da tecnologia de conectividade 5G, que nem é continuidade de 4 G, nem tem nada a que ver com outras tecnologias, que alguns inadvertidamente já estão chamando de 6G. É conectividade mais eficaz, mas que permite ligar sistemas de dados, controles, sensores e mais e mais. Muda o funcionamento da indústria, do agro, da medicina, da educação, das cidades, muda tudo, muda o nosso viver de hoje.

 Mas, não basta conectar, algo que está em curso com os leilões de frequências pelo governo federal. É necessário um plano para que as conexões funcionem, facilitando a vida dos cidadãos, do governo e das empresas. E aí, Minas foi pioneira, estabelecendo um grupo de trabalho coordenado pelo Vice-Governador do Estado. Em resumo, Minas, que já fez duas vezes o Diagnóstico da Economia Mineira (com Fernando Roquette Reis e Carlos Alberto Teixeira de Oliveira nas presidência do BDMG), o projeto Cresce Minas de introdução da metodologia de clusters feito pela FIEMG, está se organizando para dar um novo salto na sua percepção do futuro .

 Nenhum estado brasileiro tem condições tão favoráveis de aproveitar esta revolução tecnológica 5G como Minas. Começa com uma infraestrutura de pesquisa com dois pilares, a UFMG e o INATEL. Continua com um parque industrial na área de telecomunicações que é o Vale da Eletrônica, e tem a única empresa de telecomunicações de comando nacional e excelência ímpar, a Algar. Também tem um centro de pesquisa da Google, o São Pedro Valey, cluster de empresas de informática e mais alguns outros projetos importantes.

 Tem também um mercado onde essa tecnologia pode ser aplicada extraordinariamente. O uso de redes privadas, além da expansão das redes públicas pelas operadoras, é o “X” do problema no assunto. Ou seja, sistemas agrícolas como cooperativas, minerações, sistemas de saúde e de educação, são o mercado natural para o uso dessas tecnologias. E Minas tem exatamente isso.

 Se tudo está assim maravilhoso, onde então as coisas estão emperradas? Por onde Minas anda para trás, ao invés de ir para a frente

 Um projeto dessa natureza tem que ser consensual e compreendido por todas as lideranças no estado. Tem que mudar o paradigma, parar de pensar só em arrumar o caixa do estado, emprestar dinheiro para projetos que não adotam as últimas tecnologias, aliás o que vale para incentivos fiscais, parar de chorar sobre o governo federal e sua inépcia, achar que infraestrutura é só estrada e trem.

 É um mundo novo para cuja construção tem que ter adesão de todos. De que adianta fazer um grupo de trabalho que tem bloqueio da FIEMG, se a indústria, caso não mudar de paradigma tecnológico, não terá nenhum futuro? E mais, a adaptação dessa tecnologia vai depender de municípios que regulamentam o uso de antenas. E aí, se os prefeitos e os vereadores não entenderem de que se trata ou acharem que é mais uma oportunidade para seus objetivos e não para o povo que representam, vai tudo para brejo.

 Se pensarmos bem, os obstáculos são essencialmente de natureza de liderança politica. Trata-se de colocar todos os atores num projeto só, com resultados visíveis para a melhoria de vida da população. É só querer e trabalhar.

 *Empresário, ex-Presidente da FIEMG – Federação das Indústrias de Minas Gerais.

 (Os artigos e comentários não representam, necessariamente, a opinião desta publicação; a responsabilidade é do autor do texto)

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