O Comitê de Política Monetária reduziu, em 18 de março, a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano em decisão unânime, alinhada às expectativas do mercado, que se ajustaram após o agravamento do conflito no Oriente Médio. Esse patamar mostra-se absurdamente elevado quando comparado às outras economias, posicionando o Brasil com uma taxa de juros real de 9,1% ao ano e inferior, apenas, à da Turquia, de 10,38% ao ano.
O Banco Central avaliou que o período prolongado de juros elevados já produziu efeitos sobre a desaceleração da atividade econômica, permitindo início de ajuste no grau de restrição monetária. No entanto, evitou sinalizar próximos passos diante do aumento da incerteza externa e dos riscos inflacionários intensificados pela alta do petróleo.
O cenário de referência considera preços do petróleo da curva futura por seis meses e avanço anual de 2% posteriormente. Com o deslocamento dessa curva, a projeção para o IPCA de 2026 subiu de 3,4% para 3,9%, enquanto a estimativa para o horizonte relevante da política monetária passou de 3,2% para 3,3%. O Copom reafirmou compromisso com serenidade e cautela e destacou que futuras decisões dependerão da evolução dos conflitos e de seus impactos sobre preços.
O comunicado manteve aberta a possibilidade de continuidade do ciclo de flexibilização, mas com redação que confere flexibilidade para ajustes no ritmo e na extensão conforme o balanço de riscos.
O cenário do mercado financeiro ainda prevê cortes de 50 pontos-base nas próximas reuniões atingindo a Selic em 12,5% ao ano ao fim do ciclo. Contudo, eventual prolongamento do conflito Irã/Estados Unidos/Israel e seus efeitos sobre a inflação corrente e expectativas poderá levar o Banco Central a reduzir o ritmo ou interromper o ciclo em patamar mais elevado. – (Fonte referencial: 4intelligence)



Ata do Copom reforça cautela com juros diante de incertezas e expectativas de inflação desancoradas
Documento divulgado pelo Banco Centra indica que, apesar de sinais de desaceleração da inflação, expectativas seguem pressionadas e exigem cautela do Banco Central
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada no dia 24 de março, reforçou um tom mais cauteloso do Banco Central em relação ao cenário inflacionário e às perspectivas para a política de juros no Brasil. O documento reconhece sinais de convergência da inflação à meta, mas destaca que as expectativas dos agentes econômicos seguem desancoradas, o que impõe desafios adicionais à condução da política monetária.
Segundo o economista e líder do movimento Livres, Rafael Richter, o principal ponto de atenção está no desalinhamento entre a inflação corrente e a percepção do mercado. “A inflação corrente dá sinais de convergência para a meta, mas a percepção dos agentes ainda não acompanha esse movimento, que é realmente bastante incerto. Esse desalinhamento impõe um desafio adicional à política monetária”, afirma.
Apesar de a inflação acumulada em 12 meses estar em torno de 3,81%, mais próxima da meta, as expectativas seguem em deterioração. De acordo com a ata, sem credibilidade na trajetória futura da inflação, o Banco Central tende a manter os juros elevados por mais tempo como forma de reancorar expectativas. Esse movimento já começa a se refletir nas projeções: em poucas semanas, a estimativa para a inflação de 2026 no boletim Focus passou de 3,91% para 4,17%, aproximando-se do limite superior da meta — de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (teto de 4,5%).
O cenário externo aparece como um dos principais fatores de incerteza. A guerra em curso e seus desdobramentos sobre a economia global, especialmente sobre preços de commodities e decisões de política econômica nos Estados Unidos, adicionam volatilidade ao ambiente. “Não se sabe como os Estados Unidos vão ajustar sua própria política econômica, nem qual será a duração da guerra. A tendência nesses eventos é que vejamos maior inflação interna pelo choque do preço do petróleo e um câmbio mais desvalorizado”, diz Richter.
No plano doméstico, a ata também dialoga com um ambiente fiscal ainda pressionado, que limita o espaço para cortes de juros. A trajetória da dívida pública, associada à persistência de déficits primários e ao uso de medidas extraordinárias para reforço de caixa, contribui para a elevação do prêmio de risco. “Esse pano de fundo contribui para a elevação do prêmio de risco e reduz o espaço para uma flexibilização mais rápida dos juros”, afirma o economista.
Outro ponto de atenção é o aumento do crédito direcionado e subsidiado, que reduz a potência dos canais tradicionais de transmissão da política monetária. Para Richter, esse fator também pesa na decisão do Banco Central de manter uma postura mais conservadora.
A ata ainda menciona os efeitos da alta recente do petróleo, que pode gerar alívio pontual nas contas públicas, mas traz riscos associados a eventuais intervenções nos preços dos combustíveis. “Uma intervenção ampla pode acabar tendo um efeito deletério sobre as contas públicas”, avalia.
Diante desse conjunto de fatores, a comunicação do Banco Central indica uma mudança relevante em relação às reuniões anteriores. Se antes havia espaço para discutir o início de um ciclo de cortes de juros, agora predominam sinais de cautela. “O aumento da incerteza global, somado à persistente desancoragem das expectativas e às fragilidades fiscais, indicam que qualquer processo de flexibilização monetária tende a ser mais gradual do que se gostaria”, conclui Richter.

Fed reforça a estabilidade da Fed Fund rate
Em reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) realizada, também, no dia 18 de março, o FED – Federal Reserve Bank dos Estados Unidos decidiu manter a sua taxa básica de juros no intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano. Cabe destacar que lá, a inflação dos últimos doze meses até fevereiro de 2026 está acumulada em 2,41% ao ano – o que significa uma taxa de juros real em torno de apenas 1,30% ao ano. O desfecho da reunião veio em linha com a expectativa praticamente consensual nos mercados globais. A decisão foi, de novo, dividida. Mas, desta vez, apenas Stephen Miran, diretor indicado por Trump em setembro, votou pela redução da taxa básica de juros em 25 pontos-base. O comunicado da decisão trouxe poucas mudanças de redação. A principal foi a inclusão de uma frase para indicar que as “implicações dos desenvolvimentos no Oriente Médio para a economia dos EUA são incertas”.
As projeções oficiais de inflação foram revistas para cima, provavelmente já incorporam algum ajuste associado ao abrupto repique recente no preço do petróleo. A revisão foi mais acentuada nas estimativas de curto prazo e mais branda nas projeções para horizontes mais longos. Powell também afirmou que a inflação causada por tarifas deve levar até um ano para atravessar a economia. Com tarifas mais altas desde meados de 2025, a inflação de bens básicos deverá retornar ao ritmo pré-tarifas até meados de 2026.
Já as projeções de PIB foram elevadas em todo o horizonte de projeção, provavelmente reflexo das expectativas positivas ensejadas pela perspectiva de que os pesados investimentos em inteligência artificial resultem em ganhos expressivos de produtividade e no aumento do crescimento potencial. Nesse sentido, a projeção de crescimento de longo prazo foi elevada para 2,0%. As projeções para a taxa de desemprego praticamente não se alteraram, assim como as projeções para a trajetória da taxa de juros continuaram a indicar apenas um corte adicional do juro básico do FED para este ano e outro corte adicional em 2027. As projeções para o juro no longo prazo, no entanto, voltaram a oscilar para cima, em linha com o aumento do PIB potencial. Powell comentou que os cortes de juros estão condicionados a avanços no processo de convergência da inflação à meta de 2,0% ao ano. (Fonte referencial: 4intelligence)
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