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title: &quot;Copom reafirma estratégia de manter Selic estável por período bastante prolongado&quot;
url: https://mercadocomum.com/copom-reafirma-estrategia-de-manter-selic-estavel-por-periodo-bastante-prolongado/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2025-12-15T12:05:09-03:00
categories: [Destaques da Edição]
tags: [Copom reafirma estratégia de manter Selic estável por período bastante prolongado]
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# Copom reafirma estratégia de manter Selic estável por período bastante prolongado

Em reunião do comitê de política monetária (COPOM) realizada no dia 10 de dezembro, o Banco Central manteve a taxa básica Selic em 15% ao ano. A decisão, novamente unânime, veio em linha com o consenso de mercado.

 O comunicado da decisão praticamente não sofreu alterações. O comitê continua a avaliar que: (i) o ambiente externo se mantém incerto; (ii) a atividade doméstica apresenta certa moderação, em linha com o esperado; (iii) o mercado de trabalho continua a mostrar dinamismo; (iv) a inflação, embora siga apresentando algum arrefecimento, permanece acima das metas; e (v) as expectativas inflacionárias seguem desancoradas.

 As projeções oficiais de inflação apresentaram recuo discreto. A projeção para o horizonte relevante de política monetária, que atualmente corresponde ao segundo trimestre de 2027, cedeu de 3,3% para 3,2% – portanto, apenas 0,2 ponto percentual acima da meta de 3%. Em outras oportunidades, o Banco Central havia considerado uma projeção 0,2 ponto percentual acima do centro da meta como sendo uma inflação “ao redor da meta”.

 Nesse sentido, surpreendeu a preservação praticamente intacta, no comunicado, da sinalização prospectiva do Copom de “manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado”. Nesse trecho da ata, a redação foi discretamente alterada para indicar que a autoridade considera essa estratégia como “adequada” (ao invés de “suficiente”) para assegurar a convergência da inflação à meta.

 O comunicado praticamente idêntico ao comunicado anterior tende a enfraquecer as apostas de corte da Selic já em janeiro. Nossa projeção continua a contemplar o início do ciclo de flexibilização monetária apenas para março, perspectiva que ficou reforçada com o desfecho e o comunicado da reunião do Copom.

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-Tela-2025-12-15-as-11.58.39-300x119.png)

 **Reunião do FOMC confirma expectativa de “corte hawkish” **

 Em reunião do comitê de mercado aberto (FOMC) também realizada no dia 10 de dezembro, o banco central dos EUA (FED) decidiu reduzir novamente a sua taxa básica de juros em 25 pontos-base, para o intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano – em linha com a expectativa preponderante nos mercados financeiros.

 A decisão, de novo, foi dividida. Stephan Miran, diretor indicado por Trump em setembro, votou novamente por um corte maior, de 50 pontos-base. Em direção oposta, Jeffrey R. Schmid, presidente do escritório regional do FED de Kansas City, votou novamente pela manutenção da taxa básica de juros; e, desta vez, foi acompanhado por Austan Goolsbee, presidente do FED de Chicago, que também votou pela manutenção de juros.

 O comunicado da decisão trouxe apenas uma mudança importante, indicando que o FOMC continuará a avaliar cuidadosamente as informações econômicas para considerar “a extensão e o timing” de ajustes adicionais na taxa de juros. A inclusão dos termos “extensão” e “timing” pode ser interpretada como um indicativo de cautela. Em sua coletiva de imprensa, o presidente do FED, Jerome Powell, confirmou que, após reduzir a taxa básica de juros em 75 pontos-base nas últimas três reuniões, a política monetária já se aproxima do nível neutro – situação que exige maior cautela do FOMC em suas próximas decisões. *(Fonte: 4intelligence)*

 **Repercussão sobre a manutenção da taxa Selic em 15% a.a.**

 

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-Tela-2025-12-15-as-11.58.48-300x127.png)

 

 **Sinais de esgotamento**

 A última reunião do ano de 2025 do Copom manteve a Selic nos 15% como anunciado anteriormente. Para o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Cledorvino Belini, a manutenção dos juros em patamar elevado reforça uma estratégia que já demonstra claros sinais de esgotamento. “O Brasil segue preso a uma política monetária restritiva que, apesar de necessária em momentos de forte pressão inflacionária, hoje já não entrega os resultados esperados sobre o comportamento dos preços. O custo dessa insistência recai diretamente sobre o setor produtivo, que enfrenta crédito caro, investimentos represados e enfraquecimento da confiança empresarial.”

 O presidente também cobrou mais responsabilidade e ação do governo federal no lado fiscal. “O Brasil não pode continuar delegando ao Banco Central a tarefa de corrigir, sozinho, os desequilíbrios de um Estado que gasta mais do que pode. Sem controle das despesas, sem reformas e sem previsibilidade, manter juros elevados se torna uma muleta que já não sustenta mais a economia”, concluiu.

 **Nova manutenção da Selic preocupa varejo**

 ***Expectativa de cortes futuros é vista como essencial para destravar o crescimento***

 O setor de comércio e serviços da capital mineira recebe com preocupação a notícia da manutenção da taxa Selic. Na perspectiva da Câmara de Dirigentes Lojistas de [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/) (CDL/BH), a preservação da taxa em 15% ao ano faz perdurar os desafios para o varejo brasileiro, especialmente para as pequenas e médias empresas.

 “A manutenção limita a reposição de estoques, a expansão das operações e novos investimentos no varejo. Bens duráveis e semiduráveis também sofrem, já que o parcelamento fica mais caro para o consumidor. Além disso, a inadimplência das famílias segue elevada, reduzindo a oferta de crédito e pressionando o fluxo de caixa das empresas”, explica o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva.

 Com as projeções de mercado apontando para a Selic em 12,25%, ao final de 2026, o dirigente destaca que o alívio esperado com a redução dos juros é fundamental para o setor de comércio e serviços crescer. “Este ciclo de cortes reduziria gradualmente as taxas de juros para pessoa jurídica e física, liberando capital para investimentos em ampliação de lojas, reposição de estoques e melhoria da liquidez comercial. A diminuição do custo de capital é condição essencial para que o varejo cresça”, conclui.

 

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