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title: &quot;Comércio exterior brasileiro bate recorde de corrente, superávit e exportações&quot;
url: https://mercadocomum.com/comercio-exterior-brasileiro-bate-recorde-de-corrente-superavit-e-exportacoes/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2022-01-17T10:46:32-03:00
categories: [A Economia com Todas as Letras e Números, Destaques da Edição]
tags: [Comércio exterior brasileiro bate recorde de corrente, superávit e exportações]
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# Comércio exterior brasileiro bate recorde de corrente, superávit e exportações

[![Comércio exterior brasileiro bate recorde de corrente, superávit e exportações](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2022/01/Comercio-exterior-brasileiro-bate-recorde-de-corrente-superavit-e-exportac?o?es-300x144.png)](https://www.mercadocomum.com/)Comércio exterior brasileiro bate recorde de corrente, superávit e exportações *Com US$ 280,4 bilhões em exportações e US$ 219,4 bilhões em importações, país chegou a US$ 499,8 bilhões de corrente de comércio e US$ 61 bilhões de saldo comercial no ano*

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 Os números do comércio exterior brasileiro fecharam o ano de 2021 apontando uma corrente de comércio (soma de exportações e importações) recorde de US$ 499,8 bilhões e saldo com superávit – também recorde – de US$ 61 bilhões. Segundo dados da Secretaria de [**Comércio Exterior**](https://mercadocomum.com/comercio_exterior/) (Secex) do Ministério da Economia, divulgados no dia 3/1), houve recorde nas exportações, com US$ 280,4 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 219,4 bilhões, no quinto melhor resultado da série histórica, iniciada em 1989.

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 No ano de 2021, a balança comercial registrou o maior superávit da sua série histórica, no valor de US? 61,2 bilhões. Um acréscimo de US? 10,8 bilhões em relação ao saldo de 2020. A corrente de comércio (exportações mais importações) atingiu valor recorde de US? 500 bilhões, resultado de um aumento de 34,2% nas exportações e de 38,2% nas importações, entre 2020/2021.

 

 A corrente de comércio cresceu 35,8% em relação ao ano anterior e superou o recorde de US$ 481,6 bilhões de 2011. O saldo comercial subiu 21,1% em relação ao de 2020 e ficou acima do recorde de US$ 56 bilhões de 2017. Nas exportações, o aumento foi de 34% em relação ao ano anterior, deixando para trás o recorde de US$ 253,7 bilhões de 2011. Já as importações subiram 38,2% em relação a 2020 e tiveram o maior resultado desde 2014, quando ficaram em US$ 230,8 bilhões. O recorde de valor importado foi o de 2013, de US$ 241,5 bilhões.

 O aumento das exportações foi liderado pela variação dos preços (29,3%), pois a variação no volume foi 3,2%. Nas importações, a liderança coube ao volume que cresceu 21,9% enquanto os preços aumentaram em 13,1%.

 As exportações de commodities, com participação de 67,7% nas exportações totais, explicam o desempenho desse fluxo de comércio. Em valor, as vendas de commodities aumentaram 37,3%, sendo a variação dos preços de 38,9% acompanhada de um recuo no volume de 1,8%. As exportações de não commodities cresceram 28,1%, resultado do aumento dos preços em 12,4% e do volume em 13,5%. O recuo no volume exportado das commodities foi pequeno, sendo mais do que compensado pelas variações positivas nos preços das commodities e nos índices das não commodities.

 As importações de commodities aumentaram sua participação na pauta de 7% para 8,5%, entre 2020 e 2021, associada a uma variação de 69,5% em valor, entre 2020/2021, com aumento nos preços de 36,4% e no volume de 23%. No caso das não commodities, que explicaram 91,5% das compras externas do Brasil, a variação em valor foi de 35,8%, com aumento no volume de 22% e nos preços de 11,1%.

 [![Os nu?meros do comercio exterior brasileiro fecharam o ano de 2021](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2022/01/Os-nu?meros-do-comercio-exterior-brasileiro-fecharam-o-ano-de-2021-300x174.png)](https://www.mercadocomum.com/)Os nu?meros do comercio exterior brasileiro fecharam o ano de 2021 A elevação nos preços das commodities em 2021 levou a uma variação de 14,6% nos termos de troca, entre 2020/2021, após uma queda de 0,1%, entre 2019/2020. Não é esperada uma nova onda de aumento nos preços das commodities, mas o ano inicia com um cenário de incertezas referente aos efeitos da seca e da chuva em algumas safras, ao menor ritmo de crescimento da China e à possível intensificação do uso de subsídios em alguns países, como nos Estados Unidos em relação ao mercado de carne bovina.  
 O comércio exterior por tipo de indústria registrou um aumento, em valor, de 62,7% nas exportações da indústria extrativa, explicado pelo aumento de preços em 59,7% e de 1,3% no volume. A participação da indústria nas exportações totais passou de 23% para 28%, entre 2020 e 2021. Observa-se que dois produtos, minério de ferro e óleo bruto de petróleo, explicaram 94% do total das vendas externas do setor em 2021, e os dois produtos registraram variações, em valor, de 73% e 55,3%, respectivamente. Segundo os dados da Secretaria de [**Comércio Exterior**](https://mercadocomum.com/comercio_exterior/), as variações do preço médio US?/tonelada foram de 65% para o minério e de 60,4% para o petróleo e, do volume, de 4,9% (minério) e queda de 3,1% (petróleo). A participação das duas commodities no total das exportações brasileiras foi de 26,8%.

 A segunda maior variação em valor foi da indústria de transformação, de 26%, com participação de 51% nas exportações totais brasileiras em 2021, uma queda de 4 pontos percentuais em relação a 2020. O índice de preços aumentou 17,8% e o de volume 6,5%, entre 2020 e 2021. A pauta de exportações da indústria é mais diversificada que a da agropecuária e da extrativa, e os dez principais produtos explicaram 46% das vendas externas do setor, sendo, majoritariamente, produtos que podem ser classificados como commodities. O produto de maior valor adicionado foram os veículos de passageiros, entre os dez principais (10º principal produto exportado, com participação de 2,3% na pauta da indústria). Ressalta-se que, o principal produto exportado foi açúcar e melaços (6,4% de participação nas vendas externas da indústria), seguido de carne bovina, farelo de soja, óleo combustível e carne de aves.

 A agropecuária, com participação de 20% no total das exportações brasileiras, registrou aumento de 23,6% em valor, 27,2% nos preços e recuo de 1,8% no volume. A soja respondeu por 70% das vendas do setor e cresceu 35,3%, em valor, seguido do café, com 10,5% de participação e aumento de 16,7%. Repetindo o comportamento das commodities, a variação positiva do valor foi liderada pelos preços: 30,3% (soja) e 21,3% (café). A variação do volume foi de 3,8% para soja e de recuo, em 3,8%, para o café.

 [![Balanc?a Comercial](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2022/01/Balanc?a-Comercial-300x244.png)](https://www.mercadocomum.com/)Balanc?a Comercial O resultado do comportamento das vendas externas por indústria é refletido na composição dos principais produtos exportados. Em ordem decrescente, minério de ferro, soja e petróleo bruto explicaram 41% do total das exportações brasileiras em 2021, sendo de 46% a participação dos dez principais produtos. Os demais produtos na lista das dez principais exportações são comodities, como carnes, farelo de soja, celulose, semimanufaturas de ferro e aço e o açúcar.

 Do lado das importações, a pauta tem um grau de concentração menor, sendo que os dez principais produtos explicaram 36% das compras externas e os três principais (adubos, óleos combustíveis e medicamentos), 16,7%.

 A indústria de transformação respondeu por 91,5% das importações e registrou aumento de 34,6%, em valor, 11,7% nos preços e 20,3% no volume, entre 2020/2021. Os três principais produtos importados da indústria são os mesmos da pauta total: adubos, óleos combustíveis e medicamentos somam 18,6% do total das compras externas da indústria.  
 A indústria extrativa participou com 6% no total das importações. Em valor, as compras do setor aumentaram em 89,8%, sendo que o volume registrou variação de 43,2% e os preços de 31,6%. Os principais produtos importados foram: gás natural liquefeito; e óleo bruto de petróleo. Juntos, os três produtos somam 88,5% do total das compras externas do setor. Chama atenção o aumento em valor de 298% das importações de gás, resultado de uma variação de 108% no preço e de 91% no volume.

 O peso da agropecuária nas importações totais, em termos de percentual, foi de 2,5%, com variações positivas de 30,7% (valor), 22% (preços) e 7,2% (volume). O principal produto importado foi o trigo, com participação de 31% e crescimento de 24,3%. Em seguida, milho, com variação de 261% e participação de 13,7%, e, em terceiro lugar, pescado, com participação de 11,4% e aumento de 66,8%. Ressalta-se o aumento nos preços médios do trigo (23%) e do milho (55%) que impactam nas cadeias de alimentos e pressionaram a inflação.

 Não há mudanças na composição da pauta brasileira. Os setores de agropecuária e extrativa registraram saldos positivos de U? 46,6 bilhões e 62,8 bilhões, respectivamente, e a de transformação, saldo negativo de US? 45,3 bilhões. Um resultado que se repete para a agropecuária, quando se analisa a série dos saldos, desde 2020. Para a indústria extrativa, déficits em 2000, 2001 e 2004 e, nos outros anos, os saldos foram positivos. Para a indústria de transformação, o saldo foi superavitário entre 2002/07 e, nos outros anos, deficitário. A dependência de commodities primárias na geração de superávits torna o comércio exterior mais sujeito às flutuações de preços.  
 Por último, a China permaneceu na liderança das exportações e importações brasileiras. A sua participação nas exportações caiu de 32,4% para 31,3%, entre 2020 e 2021, mas as exportações aumentaram em 29,4%. O índice de preços aumentou em 38,8%, mas o volume recuou em 6%. As importações cresceram, em valor, 45,2%, com aumento de preços em 9,9% e de 22,5% no volume. A participação nas importações foi de 23,4%. Apesar do maior aumento das importações em relação às exportações, em valor, o superávit passou de US? 33 bilhões para US? 40,1 bilhões.

 Para os Estados Unidos, o segundo maior parceiro, as exportações cresceram 45% e as importações 41,3%, em valor. No caso das exportações, a variação nos preços foi de 24,4% e no volume de 20,4%. O déficit comercial aumentou de US? 6,4 bilhões para US? 8,3 bilhões. Para a Argentina, o superávit de US? 591 milhões de 2020 passou para um déficit de US? 69,9 milhões. As exportações cresceram 39% e as importações, 57,7%. O volume exportado aumentou 23% e o importado, 34,6%.

 A Ásia confirma a sua liderança puxada pela China no comércio exterior brasileiro. A participação da região, sem a China, nas exportações do país foi de 15,1%, maior do que a da União Europeia, de 13%. Nas importações, a participação foi de 12,2%, menor do que a da União Europeia, de 17,4%.

 O secretário de [**Comércio Exterior**](https://mercadocomum.com/comercio_exterior/), Lucas Ferraz, destacou a recuperação da economia mundial como resultado do aumento da cobertura vacinal e de estímulos fiscais – fatores que influenciaram o desempenho da balança brasileira. Essa recuperação da demanda foi acompanhada de gargalos de oferta em vários setores, pressionando os preços de várias *commodities*.

 Neste cenário de preços mais altos de *commodities*, de acordo com Ferraz, países como o Brasil tiveram suas exportações impulsionadas em nível recorde, com ganhos de bem-estar provenientes da melhora dos termos de troca. “Isso quer dizer que o preço médio das nossas exportações cresceu mais do que o preço médio das importações”, explicou.

 Exportações

 Da parte das exportações, a Secex registrou o crescimento de preços (+28,3%) e de quantidades exportadas (+3,5%). As vendas externas aumentaram principalmente para os Estados Unidos (+44,9%), Mercosul (+37%), Associação de Nações do Sudeste Asiático/Asean (+36,8%), União Europeia (+32,1%) e China (+28%).

 Lucas Ferraz salientou que o crescimento das exportações de 2021 foi mais disseminado entre os destinos na comparação com 2020, quando a recuperação da demanda mundial ficou muito concentrada na Ásia, sobretudo na China. “Em 2020, nós tivemos uma concentração maior da nossa pauta comercial com o continente asiático. Em 2021, a gente observa uma diversificação maior, em função de uma recuperação econômica mais homogênea”, avaliou.

 *Em 2020, nós tivemos uma concentração maior da nossa pauta comercial com o continente asiático. Em 2021, a gente observa uma diversificação maior, em função de uma recuperação econômica mais homogênea” Lucas Ferraz.*

 Entre os setores, houve aumento de 26,3% da exportação de bens da Indústria de Transformação, com destaque para aço semiacabado (+101,3%), óleos combustíveis (+43,7%), ferro gusa (+36%), máquinas e equipamentos para engenharia e construção (+63,7%) e automóveis de passageiros (+20,8%). Na Indústria Extrativa, o crescimento das exportações foi de 62,4%, impulsionado por minério de ferro (+72,9%) e petróleo (+54,3%). Já as vendas dos produtos agropecuários tiveram 22,2% de crescimento, principalmente com a soja (+35,3%).

 Importação

 Nas importações, também houve crescimento de preços (+14,2%) e quantidades compradas (+21,8%). O país comprou mais, principalmente, do Mercosul (+44,7%), Estados Unidos (+41,3%), China (+36,7%), Asean (+31,1%) e União Europeia (+26,2%).

 A Secex contabilizou aumento de 45,7% na demanda por insumos e produtos intermediários, como insumos agrícolas, eletroeletrônicos e petroquímicos, entre outros. Em relação a 2020, também aumentaram as importações de medicamentos (+77,1%) – especificamente vacinas – e de combustíveis (+87,1%) e energia elétrica (+89%).

 Esse aumento das importações impactou o saldo final do ano, que ficou abaixo da última estimativa feita pela Secex – na casa dos US$ 70,9 bilhões –, mas foi considerado positivo. “O que houve foi uma surpresa positiva em relação às importações”, declarou Lucas Ferraz. E completou: “Isso naturalmente está correlacionado com a nossa recuperação econômica e, eventualmente, com alguma sazonalidade”. A aceleração dos preços dos bens importado também contribuiu para este aumento do valor das compras externas.

 Recordes em dezembro

 Considerando apenas o mês de dezembro, comparado a igual mês do ano anterior, as exportações cresceram 26,3% e somaram US$ 24,37 bilhões. As importações subiram 24% e totalizaram US$ 20,42 bilhões.

 Esse valor (da corrente de comércio) é recorde para meses de dezembro, assim como o valor de exportação e importação”, Herlon Brandão.

 Assim, a balança comercial registrou superávit de US$ 3,95 bilhões, com crescimento de 39,7%, e a corrente de comércio aumentou 25,3%, alcançando US$ 44,78 bilhões. “Esse valor (da corrente de comércio) é recorde para meses de dezembro, assim como o valor de exportação e importação”, frisou o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de [**Comércio Exterior**](https://mercadocomum.com/comercio_exterior/), Herlon Brandão.