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title: &quot;Ciranda&quot;
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author: Nome do Admin
date: 2013-11-30T00:00:00-02:00
categories: [Crônica, z_impresso]
tags: []
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# Ciranda

Por: Olavo Romano

 

 Semente lançada ao chão,

 Guardei memória e feitio

 De tudo que em mim trazia.

 Mas sono longo e profundo,

 Mergulho na escuridão,

 Arrebatou-me do mundo,

 De quem era, onde jazia.

 Tive sede, passei frio,

 Senti calor, tomei chuva;

 E ao raiar minha aurora,

 Dei um salto para fora

 Num animado rebroto.

 Espreguicei pra dentro e pra fora

 Espichei minha raiz

 Para sustento e amparo

 Do caule que se alongava

 Buscando luz e calor.

 Fortes galhos para abrigo

 No convívio mais amigo

 De bicho de pena e pelo,

 As flores viraram frutos,

 Inseto e passarinho

 Zumbindo ou fazendo ninho

 Em azáfama e desvelo.

 Além da copa frondosa

 Zuniu o sopro do tempo

 Qual faca de fino gume,

 Em noites que rebrilhavam

 De estrela e vaga-lume.

 Na hora certa e sabida

 Pela magia da vida

 Outra semente caiu

 No fértil ventre da terra

 E novamente se viu

 Que a ciranda não se encerra:

 Porque a cada caroço,

 Mesmo duro feito osso,

 Recomeça a brincadeira.

 Perdida no abandono

 Da morte na escuridão

 A semente redescobre

 Que ninguém de si é dono

 E se entrega, docemente,

 Sonhando transmutação.

 Na sepultura, que é berço,

 Refulge a revelação

 E a verdade verdadeira

 Ilumina sua mente:

 No seu sonho de semente

 Renasce a floresta inteira.