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title: "CBMM obteve lucro recorde em 2021, equivalente a 2,13 vezes o seu patrimônio líquido"
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author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2022-04-05T14:35:32-03:00
categories: [Destaques da Edição, Destaques do Mundo Empresarial]
tags: [CBMM obteve lucro recorde em 2021 equivalente a 2.13 vezes o seu patrimônio líquido, XXVI RANKING MERCADOCOMUM DE EMPRESAS DE MINAS GERAIS - 2022]
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# CBMM obteve lucro recorde em 2021, equivalente a 2,13 vezes o seu patrimônio líquido

[![CBMM obteve lucro recorde em 2021, equivalente a 2,13 vezes o seu patrimônio líquido](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2022/03/CBMM-obteve-lucro-recorde-em-2021-equivalente-a-213-vezes-o-seu-patrimo?nio-li?quido-300x200.png)](https://www.mercadocomum.com/)

 **XXVI RANKING MERCADOCOMUM DE EMPRESAS DE MINAS GERAIS – 2022**

 **CBMM obteve lucro recorde em 2021, equivalente a 2,13 vezes o seu patrimônio líquido**

 **O aumento de 10% no preço do nióbio refletiu no extraodinário lucro da empresa no ano passado**

 A CBMM – Cia. Brasileira de Metalurgia e Mineração publicou o seu balanço e demonstração de resultados do exercício de 2021 no dia 04 de março último. Em um ano considerado de retomada de produção na siderurgia e de aumento da demanda do setor aeroespacial, a empresa relatou crescimento de 64% na receita líquida operacional em 2021 ante o ano anterior, somando R$ 11,4 bilhões. Com esse excepcional desempenho positivo, o lucro líquido da empresa, que tem sede em Araxá, no Alto Paranaíba, atingiu R$ 4,5 bilhões, equivalente a uma expansão de 78% na mesma base de comparação. O lucro líquido apurado é equivalente a 2,13 vezes o valor do patrimônio líquido da empresa registrado no final de 2020.

 Os resultados do ano passado são considerados recordes e foram distribuídos aos acionistas. Dos resultados do ano passado, 25% do lucro líquido da companhia, no valor de R$ 1,5 bilhão, foram repassados para a Codemig, com a qual a CBMM tem uma parceria estabelecida. Esse valor é auditado trimestralmente por auditoria independente contratada pela CODEMIG. Em 2020, o valor repassado foi de R$773,8 milhões

 As exportações representaram quase a totalidade das vendas da CBMM e representaram 95,2% do total. O Imposto de Renda pago em decorrência do lucro apurado totalizou R$ 3,218 bilhões.

 O desempenho de 2021 pode ser considerado o melhor já alcançado do ponto de vista financeiro da empresa, que desde 1960 atua com a extração de nióbio e a produção de insumos advindos desse tipo de minério, como ressaltou o CEO da empresa, Eduardo Ribeiro. O executivo acrescentou que o ano de 2021 não superou apenas os números do mercado, já que o pico do nióbio ocorreu em 2019, ano anterior à pandemia da Covid-19.

 A excelente performance da empresa também está devidamente demonstrada por meio do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização da empresa – conhecida por (Lajida) ou **Ebitda**, que somou R$ 7,6 bilhões no ano passado, valor 47% superior ao registrado em 2020.

 A empresa não publica nem conta com auditores externos para a elaboração de pareceres sobre o seu balanço e demonstração de resultados, bem como não divulga o demonstrativo do Valor Adicionado e outras questões mais amplas comuns às empresas de porte similar, cabendo destacar que não está obrigada legalmente a fazê-los.

 **Fatores**

 A CBMM atribui os resultados positivos do ano passado, além da questão da retomada e forte crescimento da economia mundial a fatores como o **aumento do preço do nióbio, em cerca de 10% em 2021** e os esforços pela **descarbonização** que pautam a agenda de empresas. O fator surpresa, segundo Eduardo Ribeiro, foi a demanda mais aquecida do que o esperado do mercado de aeronaves, já que o mesmo se manteve com a frota fortemente parada no primeiro ano de pandemia e teve uma recuperação além daquela projetada pela CBMM em seu planejamento.

 “O preço do nióbio é determinado pela oferta e demanda. E, no ano passado, foi observado esse aumento. Mas todo esse movimento para diminuir a pegada de carbono e que envolve a geração de energia elétrica limpa ou verde passa pelo armazenamento. Para se utilizar bem a energia elétrica, é preciso armazenar quando não há consumo. O nióbio e os produtos dele têm papel fundamental para o desenvolvimento de baterias cada vez melhores”, afirmou Ribeiro.

 Vale ressaltar, porém, que **90% do nióbio e produtos comercializados pela CBMM são destinados à indústria siderúrgica**, sendo que os 10% restantes são incorporados às indústrias aeroespaciais, de mobilidade, elétrica e de tecnologia para equipamentos hospitalares.

 **Produção física e futuro**

 **A CBMM vendeu 85 mil toneladas de nióbio no ano passado.** O incremento foi de 17% quando comparado ao exercício anterior. Segundo dados da empresa, a China continua sendo o principal mercado e responsável pela absorção de 40% do volume de vendas e do material produzido. Japão, Coreia do Sul e Índia representaram uma fatia de 22% do mercado, acompanhados pelos países europeus (19%). No somatório, as Américas, principalmente EUA e Brasil, totalizaram 14% do mercado da empresa. Por fim, o Oriente Médio e a África representaram os 5% restantes.

 **A CBMM almeja, para 2030, que a empresa obtenha o dobro dos resultados de 2021.** Para este ano, as expectativas também podem ser consideradas otimistas. “O nosso crescimento em 2022 deve ser de 20% a 30% e o projetamos principalmente na siderurgia, em aço para a construção civil. Produtos na área médica e também espaciais devem ter crescimento. E o que a gente vê é que vamos crescer em todos os segmentos nos próximos anos, mas o que vai crescer mais é em relação às bateria elétricas”, apontou Eduardo Ribeiro.

 **Pesquisa e tecnologia**

 Em busca de suprir as necessidades do mercado de baterias, o CEO da CBMM afirmou que, hoje, a empresa está concentrando esforços no desenvolvimento de óxidos e na mistura de nióbio, componentes fundamentais para as baterias elétricas. Neste momento, a empresa segue em fases de testes para avançar na cadeia de suprimentos do mercado de baterias, movimento que, segundo Ribeiro, é uma forma de também agregar mais valor a Minas Gerais. Ele descartou, no entanto, a produção direta de baterias pela empresa.

 Para que o mercado possa tornar as baterias cada vez mais seguras, produtivas e rápidas, a empresa [investe em *startups*](https://diariodocomercio.com.br/economia/cbmm-investe-em-pesquisa-e-inovacao-no-uso-do-niobio/) para a aceleração do desenvolvimento de tecnologias para o equipamento. **Em 2021, o volume de vendas de produtos de nióbio destinado ao atendimento ao mercado de baterias foi de 50 toneladas. Já para 2022, a expectativa é que o número seja 10 vezes maior, alcançando 500 toneladas.**

 **A empresa**

 A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) é uma [empresa privada](https://pt.wikipedia.org/wiki/Empresa_privada) [brasileira](https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil) de [mineração,](https://pt.wikipedia.org/wiki/Minera%C3%A7%C3%A3o) metalurgia e tecnologia líder mundial em seu campo de atuação, com sede em [Araxá](https://pt.wikipedia.org/wiki/Arax%C3%A1), no estado de [Minas Gerais](https://pt.wikipedia.org/wiki/Minas_Gerais), que tem como foco o desenvolvimento de tecnologias e produtos do [nióbio](https://pt.wikipedia.org/wiki/Niobio). Fundada em 1955, é [controlada](https://pt.wikipedia.org/wiki/Controle_acion%C3%A1rio) desde 1965 pela família Moreira Salles, ex-proprietária do antigo conglomerado [Unibanco](https://pt.wikipedia.org/wiki/Unibanco), e principais acionistas individuais do atual Itau-Unibanco. Desde 2011 a companhia tem também participação acionária de [investidores](https://pt.wikipedia.org/wiki/Investimento) [chineses](https://pt.wikipedia.org/wiki/China) (15%) e de um [consórcio](https://pt.wikipedia.org/wiki/Cons%C3%B3rcio) de empresas [japonesas](https://pt.wikipedia.org/wiki/Jap%C3%A3o) e [sul-coreanas](https://pt.wikipedia.org/wiki/Coreia_do_Sul) (15%).

 A família Moreira Salles é acionista majoritária e controladora da CBMM desde 1965. O controle da companhia se dá 30% através do Grupo Moreira Salles e 40% através do *family office* [Brasil Warrant Gestão de Investimentos (BWGI)](https://pt.wikipedia.org/wiki/Brazilian_Warrant_Co), que pertence integralmente aos quatro irmãos [Fernando](https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Moreira_Salles), [Pedro](https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Moreira_Salles), [João](https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Moreira_Salles) e [Walter](https://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Salles), totalizando 70% do controle da CBMM em posse da família.

 Em 2011 um consórcio de empresas, privadas e governamentais, do Japão e da Coreia do Sul adquiriram 15% de participação da CBMM. Sendo constituída uma empresa para fins especiais (SPC) sul-coreana com 5%, formada pela [POSCO](https://pt.wikipedia.org/wiki/POSCO) e National Pension Service (NPS). E duas empresas para fins especiais (SPC) japonesas com 10%, formadas pela JFE Steel Corporation (JFE), [Nippon Steel Corporation (NSC)](https://pt.wikipedia.org/wiki/Nippon_Steel_%26_Sumitomo_Metal), [Sojitz Corporation (Sojitz)](https://pt.wikipedia.org/wiki/Sojitz_Corporation) e Japan Oil, Gas and Metals National Corporation (JOGMEC).

 Ainda em 2011, um grupo de empresas chinesas formadas pela Citic Group, Anshan Iron & Steel Group Corporation, [Baosteel Group Corporation](https://pt.wikipedia.org/wiki/Baosteel), Shougang Corporation e Taiyuan Iron & Steel Group adquiriram também 15% de participação da CBMM.

 A Codemig, empresa estatal mineira que detém um direito mineral de pirocloro em Araxá, recebe 25% do lucro líquido de toda a operação de comercialização do [nióbio](https://pt.wikipedia.org/wiki/Ni%C3%B3bio) já industrializado, incluindo 25% do lucro líquido das subsidiárias na [Suíça](https://pt.wikipedia.org/wiki/Su%C3%AD%C3%A7a), nos [Estados Unidos](https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos), nos [Países Baixos](https://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADses_Baixos) e em [Singapura](https://pt.wikipedia.org/wiki/Singapura).

 Os produtos de nióbio da CBMM são vendidos para mais de 50 países. A companhia tem a sede administrativa e corporativa de vendas, finanças, tecnologia, comunicação e marketing em [São Paulo](https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Paulo_(cidade)), [subsidiárias](https://pt.wikipedia.org/wiki/Subsidi%C3%A1ria) e escritórios de vendas na região de [Pittsburgh](https://pt.wikipedia.org/wiki/Pittsburgh) (principal centro da [siderurgia](https://pt.wikipedia.org/wiki/Siderurgia) [norte-americana](https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos)), [Amsterdã](https://pt.wikipedia.org/wiki/Amesterd%C3%A3o), Shanghai, Pequim e [Singapura](https://pt.wikipedia.org/wiki/Singapura), além de centros logísticos e distribuidores na Suécia, Espanha, Itália, Canadá, [Índia](https://pt.wikipedia.org/wiki/Bombaim) e Japão. A CBMM também tem uma subsidiária de tecnologia em [Genebra](https://pt.wikipedia.org/wiki/Genebra), a CBMM Technology Suisse.

 A Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) participa da exploração do nióbio, por meio da parceria com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM). A Codemig e a CBMM são sócias na Companhia Mineradora do Pirocloro de Araxá (Comipa) para lavrar o minério das minas do Barreiro, no município mineiro de Araxá, formada pelos direitos minerários das duas acionistas.

 Ambas as empresas (Codemig e CBMM) também são sócias em uma Sociedade em Conta de Participação (SCP), em que a CBMM é a sócia ostensiva. A Codemig é remunerada na SCP em 25% do resultado gerado na operação da cadeia de valor do nióbio. No âmbito da parceria, a Codemig e a CBMM arrendam suas minas à Comipa, responsável pela extração mineral e por gerenciar as minas. A Comipa vende o minério à CBMM, que industrializa e comercializa o nióbio, repassando à Codemig 25% do lucro líquido obtido.

 A parceria da CODEMIG com a CBMM foi iniciada em 1972, confirmada em 2002 – sendo válida até 2032. A Codemge é acionista majoritária da Codemig, usufruindo da participação desta na SCP — a Codemge tem 51% de participação na Codemig, e o Estado de Minas Gerais tem 49%. Esta parceria, vigente até os dias de hoje, conferiu à CBMM a missão de dar o melhor aproveitamento possível ao minério (pirocloro) oriundo das minas de Araxá, de titularidade da CBMM e da CODEMIG.

 O contrato de parceria prevê que a CBMM tenha exclusiva responsabilidade por beneficiar, industrializar e comercializar os produtos de Nióbio, extraído pela COMIPA, em quantidades iguais de minério (pirocloro) lavrados de cada uma das minas da CBMM e da CODEMIG.

 **O nióbio**

 Usado principalmente em ligas metálicas e em aços especiais, o nióbio confere aos compostos importantes propriedades, permitindo seu emprego na fabricação de turbinas de aeronaves, automóveis, de tubulações de gás sob alta pressão, placas para plataformas marítimas, pontes, viadutos e edifícios.

 Outras aplicações incluem a fabricação de vidros e de cerâmicas especiais, usadas em receptores de televisão e outros equipamentos; a produção de catalisadores químicos; usos em aparelhos de medicina diagnóstica, e até mesmo em aceleradores de partículas de alta energia. Novas ligas e compostos que utilizam o nióbio seguem sendo desenvolvidas, o que deve ampliar o leque de aplicações do elemento e aumentar a demanda por sua extração.

 O nióbio produzido em Araxá responde, aproximadamente, por 75% de toda a produção mundial – são cerca de 70 mil toneladas/ano de ferronióbio, principal liga do metal. Mantidos os ritmos atuais de produção, as reservas minerais serão suficientes por mais de cem anos.