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title: "Brasil: Déficit nominal alcançou R$1.217,5 bilhões (9,41% do PIB) no acumulado dos últimos doze meses até março"
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author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2026-05-01T13:49:46-03:00
categories: [Destaque Especial]
tags: [41% do PIB) no acumulado dos últimos doze meses até março, 5 bilhões (9, Brasil: Déficit nominal alcançou R$1.217, Carlos Alberto Teixeira de Oliveira]
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# Brasil: Déficit nominal alcançou R$1.217,5 bilhões (9,41% do PIB) no acumulado dos últimos doze meses até março

***A Dívida Bruto do Governo Geral atingiu 80,1% do PIB (R$10,4 trilhões)***

 ***Os juros nominais alcançaram R$1.080,4 bilhões (8,35% do PIB), comparativamente a R$935,0 bilhões (7,77% do PIB) nos doze meses até março de 2025***

 **Carlos Alberto Teixeira de Oliveira***

 

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2026/04/Captura-de-Tela-2026-04-30-as-21.21.27-300x180.png)

 O Banco Central do Brasil divulgou no dia 30 de abril, os resultados consolidados das contas públicas nacionais, ainda considerados a União, Estados e Municípios, cuja síntese apresentamos a seguir.

 **Resultados fiscais​**

 O resultado primário do setor público consolidado foi deficitário em R$80,7 bilhões em março, ante superávit de R$3,6 bilhões no mesmo mês de 2025. O Governo Central, os governos regionais e as empresas estatais registraram déficits respectivos de R$74,8 bilhões, R$5,4 bilhões e R$0,5 bilhão. Em doze meses, o setor público consolidado acumulou déficit de R$137,1 bilhões, equivalente a 1,06% do PIB, 0,65 p.p. do PIB superior ao déficit acumulado até fevereiro.

 Os juros nominais do setor público consolidado, apropriados por competência, somaram R$118,9 bilhões em março de 2026, comparativamente a R$75,2 bilhões em março de 2025. Contribuíram para essa evolução o maior número de dias úteis em março deste ano, o aumento da dívida líquida no período e o resultado das operações de swap cambial (ganho de R$9,9 bilhões em março de 2025 e perda de R$6,5 bilhões em março de 2026). No acumulado em doze meses até março, os juros nominais alcançaram R$1.080,4 bilhões (8,35% do PIB), comparativamente a R$935,0 bilhões (7,77% do PIB.

 

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2026/04/Captura-de-Tela-2026-04-30-as-21.21.35-300x171.png)

 

 O resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$199,5 bilhões em março. No acumulado em doze meses, o déficit nominal alcançou R$1.217,5 bilhões (9,41% do PIB), elevando-se 0,94 p.p. do PIB em relação ao mês anterior.

 **Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) e Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG)​**

 A DLSP atingiu 66,8% do PIB (R$8,6 trilhões) em março, elevando-se 1,3 p.p. do PIB no mês. Esse resultado refletiu, sobretudo, os impactos dos juros nominais apropriados (+0,9 p.p.), do déficit primário (+0,6 p.p.), dos demais ajustes da dívida externa líquida (+0,3 p.p.), da desvalorização cambial de 1,4% no mês (-0,1 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,4 p.p.). No ano, a DLSP cresceu 1,6 p.p. do PIB, refletindo, em especial, os impactos dos juros nominais (+2,1 p.p.), do efeito da valorização cambial acumulada de 5,1% (+0,6 p.p.), do superávit primário acumulado (-0,1 p.p.) e do crescimento do PIB nominal (-1,0 p.p.).

 

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2026/04/Captura-de-Tela-2026-04-30-as-21.21.42-300x114.png)

 

 A DBGG – que compreende Governo Federal, INSS e governos estaduais e municipais – atingiu 80,1% do PIB (R$10,4 trilhões) em março de 2026, aumento de 0,9 p.p. do PIB em relação ao mês anterior. A evolução mensal decorreu dos juros nominais apropriados (+0,9 p.p.), da emissão líquida de dívida (+0,4 p.p.), do efeito da desvalorização cambial (+0,1 p.p.) e da variação do PIB nominal (-0,5 p.p.). No ano, o aumento de 1,4 p.p. do PIB resultou da incorporação de juros nominais (+2,4 p.p.), das emissões líquidas de dívida (+0,4 p.p.), do crescimento do PIB nominal (-1,2 p.p.) e do efeito da valorização cambial (-0,2 p.p.).​

 

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2026/04/Captura-de-Tela-2026-04-30-as-21.21.51-300x80.png)

 

 **Como esperado, Copom reduziu Taxa Selic para 14,50% ao ano**

 De acordo com relatório da Macro 4intelligence, “o corte de 0,25 ponto percentual na Selic, decidido de forma unânime e já amplamente precificado, confirma a estratégia do Banco Central de reduzir a restrição monetária com cautela. A mudança mais relevante está menos no movimento em si e mais no diagnóstico: o Copom reforça a leitura de um cenário externo altamente incerto, marcado por conflitos no Oriente Médio, e admite que choques no petróleo podem ter impactos nas expectativas de inflação para prazos mais longos, conforme seu balanço de riscos. No plano doméstico, o comitê reconhece recuperação frente ao fim de 2025, mas mantém a expectativa de desaceleração ao longo de 2026, com mercado de trabalho ainda resiliente.”

 O relatório afirma que “esse conjunto de sinais sustenta a ideia de “calibração”, na qual a autoridade busca compatibilizar o arrefecimento da demanda com a reancoragem das expectativas. A preocupação central permanece a inflação: o avanço do índice cheio e de medidas subjacentes amplia a distância em relação à meta e eleva o risco de expectativas descoladas por período prolongado, o que pode exigir juros mais altos por mais tempo. A projeção de 3,5% para o quarto trimestre de 2027, acima da meta de 3% limita a margem para cortes agressivos. Ao mencionar a “extensão” do ajuste, o Copom abre a possibilidade de um ciclo total menor do que o apontado na Pesquisa Focus. Para o mercado, a mensagem é clara: cortes adicionais podem ocorrer, porém em ritmo lento e condicionados à trajetória dos preços, da atividade econômica e expectativas. “

 Para José Márcio Camargo – Economista-chefe da Genial Investimentos, “apesar de considerar a piora do cenário entre as duas últimas reuniões, o Banco Central ainda tem uma margem de atuação e reduziu a taxa de juros em 0,25 p.p.”

 Segundo ele, “dado o atual cenário e o nível elevado de incerteza, incluindo os impactos do conflito no Oriente Médio e uma política fiscal expansionista, o nosso cenário-base projeta a Selic em 13,25% ao ano ao final do ciclo. Nesse caso, o Copom deve reduzir a taxa em 0,25 p.p. em todas as reuniões ao longo de 2026. Entretanto, se os dados continuarem piorando entre essa e a próxima reunião, muito provavelmente o BC irá parar de reduzir a taxa de juros já na próxima reunião.”

 Para Ariane Benedito economista-chefe do PicP, *“o*  Copom reduziu a taxa Selic para 14,50% a.a, por unanimidade, dando sequência ao ciclo de calibração iniciado em março em um ambiente que se tornou significativamente mais complexo. A decisão reflete um Banco Central que ainda encontra espaço para ajustar a política monetária, mas já reage a uma piora relevante nas condições que sustentavam um afrouxamento monetário confortável.

 O ponto central do comunicado está na mudança do diagnóstico da inflação. O Comitê afirma que a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta, abandonando a leitura anterior de arrefecimento gradual. Essa piora também se reflete nas expectativas e nas projeções: a mediana do Focus segue acima da meta (4,9% em 2026 e 4,0% em 2027), enquanto a projeção do Copom para o horizonte relevante (4º trimestre de 2027) está em 3,5%, ainda acima do centro da meta. Em conjunto, esses elementos indicam que a convergência da inflação permanece incompleta.

 O balanço de riscos segue descrito de forma bilateral, mas os vetores altistas ganham maior relevância qualitativa. Destacam-se a possibilidade de desancoragem mais persistente das expectativas, os efeitos de segunda ordem do choque de petróleo, a resiliência da inflação de serviços — compatível com um hiato do produto ainda positivo — e o risco de câmbio mais depreciado. Por outro lado, os riscos de baixa permanecem associados a uma desaceleração mais acentuada da atividade, doméstica ou global, e a eventual queda de preços de commodities. A natureza desses riscos reforça um viés de cautela na condução da política monetária.

 No cenário externo, o Copom passa a tratar os conflitos no Oriente Médio de forma mais estrutural, destacando seus efeitos potenciais sobre cadeias produtivas, preços de commodities e, consequentemente, sobre a inflação doméstica. Esse enquadramento eleva a incerteza sobre os condicionantes dos modelos de projeção e reduz a previsibilidade da trajetória inflacionária.

 Do lado da atividade, o Comitê mantém a leitura de desaceleração ao longo de 2026, mas reconhece sinais recentes de recuperação e um mercado de trabalho ainda resiliente. Esse quadro limita o espaço para cortes, especialmente em um ambiente de inflação pressionada.

 O Comitê mantém a estratégia de “calibração”, indicando que os próximos movimentos dependerão da evolução do cenário, em particular da inflação, das expectativas e dos desdobramentos do ambiente externo. A ausência de sinalização explícita sobre o ritmo futuro reforça a dependência de dados e a menor previsibilidade dos efeitos causados pelos fatores de risco.

 Pra frente, acreditamos que o BC seguirá no processo de flexibilização, refletindo um ciclo mais gradual e mais longo, com cortes predominantemente de 25 pontos-base e possíveis pausas no segundo semestre. Já a Selic terminal dependerá de dois gatilhos que o BCB deixou explícitos: ancoragem das expectativas e resolução do cenário geopolítico.”

 

 ![](https://mercadocomum.com/wp-content/uploads/2026/04/Captura-de-Tela-2026-04-30-as-21.22.02.png)

 **FED mantém taxa de juros dos Estados Unidos inalterada**

 Análise de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad**,** considera que **“**a manutenção da taxa de juros pelo FOMC, amplamente esperada pelo mercado, se concretizou, com um posicionamento semelhante ao das últimas reuniões do comitê, apesar dos novos riscos ao cenário. O único voto dissidente foi de Stephen Miran, que defendeu um corte.”

 Para ela, “o Fed manteve o posicionamento de evitar antecipar os próximos movimentos, afirmou que as implicações do desenvolvimento dos acontecimentos no Oriente Médio são incertos e sinalizou a expectativa de afrouxar a taxa de juros em 25 pontos-base ainda em 2026, em linha com as projeções publicadas no dot plot de dezembro. Os membros do comitê seguem divididos a respeito da magnitude e velocidade dos cortes: 12 esperam ao menos mais um corte, enquanto sete disseram que a taxa de juros deve permanecer onde está até a virada do ano. Esse movimento mostra uma inclinação maior à manutenção do que no documento anterior, o que leva a uma interpretação de “manutenção hawkish”.

 Isso acontece em meio a um cenário que se torna mais desafiador, com impactos inflacionários da guerra, enquanto a taxa de desemprego permanece em patamares saudáveis, mas a abertura de vagas continua fraca. Neste contexto, Jerome Powell afirmou que a velocidade da convergência à meta de inflação está mais lenta que o esperado e citou um eventual progresso no alívio da inflação de bens como um dos principais aspectos a serem observados para a tomada de decisão das próximas reuniões, mencionando tarifas e o conflito no Oriente Médio. Ele evitou debater a duração ou o impacto efetivo da guerra, admitiu que os efeitos esperados de um prolongamento do conflito seriam de deterioração do mercado de trabalho e aumento da inflação, mas ponderou que o choque tende a ser temporário, o que afasta, na nossa visão, a possibilidade de aumentos da taxa de juros no cenário atual.”

 E finaliza: “o lado positivo, as projeções também mostram otimismo com a atividade, com um crescimento do PIB projetado para 2,4%, ante 2,3% da publicação anterior. Powell reforçou o aspecto saudável da economia americana. Essa expectativa, junto a uma leitura acima do esperado da inflação ao produtor publicada mais cedo, pode implicar em expectativas de taxas de juros altos por mais tempo, motivando algum aumento da aversão a risco no mercado. As ações americanas seguem em queda na seção, assim como ativos de risco em geral, apresentando alguma rotação para qualidade.”

 Para a Macro 4intelligence, “em reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), o FED decidiu novamente manter a sua taxa básica de juros no intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano. O desfecho da reunião veio em linha com a nossa expectativa e com a expectativa praticamente consensual nos mercados globais.

 No comunicado da decisão, o FED reconheceu que “os desenvolvimentos no Oriente Médio contribuem para um elevado nível de incerteza no cenário econômico”, e indicou que a “inflação está elevada, reflexo em parte o recente aumento dos preços globais de energia”.

 Apesar do aumento da incerteza, o FED manteve a sinalização de flexibilização da política monetária ao preservar, no comunicado, o trecho afirmando que, ao “considerar a extensão e o timing de ajustes adicionais da taxa básica de juros, o Comitê avaliará cuidadosamente os dados disponíveis, a evolução das perspectivas e o balanço de riscos”.

 A decisão foi, de novo, dividida. Stephen Miran, diretor indicado por Trump em setembro do ano passado, votou novamente pela redução da taxa básica de juros em 25 pontos-base. Ademais, três diretores – Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan – discordaram da preservação do trecho do comunicado que sinaliza uma possível flexibilização da política monetária.

 No geral, o comunicado manteve tom inclinado para o lado hawkish. Isso, bem como o dissenso de três diretores em relação à sinalização de flexibilização, reafirma nossa expectativa de que o juro básico do FED não voltará a ser reduzido tão cedo. Continuamos a projetar corte adicional modesto apenas em 2027. “

 **Carlos Alberto Teixeira de Oliveira é Administrador, Economista e Bacharel em Ciências Contábeis, com vários cursos de pós graduação no Brasil e exterior. Ex-Executive Vice-Presidente e CEO do Safra National Bank of New York, em Nova Iorque, Estados Unidos. Ex-Presidente do BDMG-[**Banco de Desenvolvimento de Minas**](https://mercadocomum.com/banco-de-desenvolvimento-de-minas/) Gerais e do Banco de Crédito Real de Minas Gerais; Foi Secretário de Planejamento e Coordenação Geral e de Comércio, Indústria e Mineração; e de Minas e Energia do Governo de Minas Gerais; Também foi Diretor-Geral (Reitor) e fundador do Centro Universitário Estácio de Sá de [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/); Ex-Presidente do IBEF Nacional – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças e da ABDE-Associação Brasileira de Desenvolvimento; Atualmente é Coordenador Geral do Fórum JK de Desenvolvimento Econômico; Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas Gerais. Presidente da MinasPart Desenvolvimento Empresarial e Econômico, Ltda. Integra vários Conselhos Consultivos e de Administração de diversas empresas e instituições. Membro da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e Academia Brasileira de Ciências Contábeis. Vice-Presidente da diretoria executiva da ACMinas – Associação Comercial e Empresarial de Minas. Presidente/Editor Geral de* **MercadoComum.** *Autor de vários livros, como a coletânea de 3 volumes – 2.336 páginas, intitulada “Juscelino Kubitschek: Profeta do Desenvolvimento – Exemplos e Lições ao Brasil do Século XXI”.*

 

 

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