BDMG CULTURAL: Não há justificativa para a sua extinção

Pioneiro em seu gênero em todo o país, o Instituto BDMG Cultural foi criado em 14 de dezembro de 1988, durante a gestão de Carlos Alberto Teixeira de Oliveira como presidente do BDMG – Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais S.A.

“Cultura é Desenvolvimento”. Com esse slogan, o BDMG promoveu uma verdadeira revolução nos meios culturais de Minas ao lançar, de forma pioneira, o Instituto BDMG Cultural, visando a promoção e o incentivo às ações e manifestações culturais do Estado. 

Entre as mais de duzentas atividades culturais desenvolvidas pela instituição, durante o período de Carlos Alberto Teixeira de Oliveira como presidente do BDMG Cultural, destacaram-se: a criação do Coral BDMG (atualmente considerado um dos mais importantes de Minas e do País); a criação dos Prêmios Minas de Jornalismo; de Economia; de Literatura; de Tecnologia; de Corais; a restauração do Santuário do Caraça; Séries Compositores Mineiros; Violas e Violões;  Série Governadores de Minas; a criação da  Galeria de Artes BDMG Cultural, que incentivou e contou com inúmeros mostras de artes realizadas, além da parceria inicial para a realização do Programa “Sempre um Papo”, ocorrida na sede da instituição.

De outro lado, ao final da sua gestão no BDMG, foi deixada vultuosa importância em caixa do BDMG Cultural que seria suficiente, quase na sua totalidade, para a construção de prédio que abrigaria o futuro Museu do Desenvolvimento de Minas e cujo terreno, vizinho ao da sede do BDMG, também já havia sido adquirido e pago integralmente.

Não pode deixar de ser mencionada e reconhecida a importância do trabalho efetuado pelo saudoso Silviano Cançado de Azevedo, como secretário executivo da instituição e que, em muito, contribuiu para a sua valorização e que esse projeto se tornasse realidade. Também é necessário reconhecer o valoroso trabalho voluntário exercido por inúmero funcionários do banco ao longo de seus 35 anos de frutífera existência.

Livro sobre os 30 anos do BDMG CULTURAL

Lançado no dia 20 de dezembro de 2018 o livro “30 anos de entusiasmo pela cultura”, escrito pelo jornalista João Carlos Firpe Penna foi elaborado para comemorar as três décadas de atuação do BDMG Cultural, o Instituto Cultural do BDMG. Fundado em 1988, quando Carlos Alberto Teixeira de Oliveira era o presidente do Banco, o BDMG Cultural é reconhecido em todo o estado como um dos principais órgãos de fomento à Cultura em Minas. O lançamento ocorreu na Galeria de Arte do Banco e contou com a presença de inúmeros representantes do setor cultural mineiro.

COLÉGIO DO CARAÇA FOI REINAUGURADO EM 18 DE ABRIL DE 1990

“Das ruínas do Caraça nasce um novo espaço para o encontro com os poetas, escritores, pintores, pesquisadores, como todos aqueles que fazem da criação artística e da busca do conhecimento a razão principal de existir”.

O texto anterior, recheado de poesia, consta do convite de inauguração do Complexo Restaurado do Colégio do Caraça, entregue à sociedade no dia 18 de abril de 1960. A solenidade contou com a presença do governador de Minas à época e do então presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e do BDMG Cultural, Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, que liderou e assumiu a responsabilidade dessa importante iniciativa. Antes, algumas empresas e instituições tentaram resgatar a obra, mas não foram bem sucedidos.

 

Sobre a recuperação do Colégio Caraça, Carlos Alberto afirmou, em entrevista publicada no jornal “Espaço Aberto”, voltado para os funcionários do BDMG, na edição de dezembro de 1988: “O Caraça é um marco, um resgate, um pouco da história de Minas. Tem um lado que é muito importante: a sensibilidade afetiva com relação ao Caraça. O Banco não está arcando com a dívida. Vai, na verdade, aproveitar seus contatos empresariais (…). O Banco vai liderar, vai administrar o investimento para a restauração do Caraça”.

Desde quando assumiu a presidência do BDMG, em maio de 1988, Carlos Alberto já havia divulgado que o desenvolvimento liderado pela instituição no Estado precisava se reconciliar com a cultura, porque não se pode dissociar a cultura de desenvolvimento. Nesse sentido, criou o BDMG-Cultural, instituição pioneira em seu gênero em todo o país e, como compromisso maior, lançou o desafio de restaurar o Colégio do Caraça, destruído por incêndio, o que foi imediatamente apoiado pelo Ministro da Cultura da época, José Aparecido de Oliveira.  A inauguração solene do BDMG Cultural ocorreu em 14 de dezembro de 1988 e contou com a presença do ministro José Aparecido, oportunidade em que se celebrou o convênio para o início das obras de restauração do Caraça e que viria a se concretizar 18 meses após.

Durante o evento, Carlos Alberto ainda acrescentou: “A atuação do BDMG-Cultural adquire especial importância quando tem por objeto iniciativas do porte da restauração do Caraça, para o qual o BDMG está destinando uma verba especial própria da ordem de 250 mil OTN. O velho colégio representa parcela essencial da memória e até da psicologia de Minas, e a restauração de suas instalações, encampada com interesse e entusiasmo através do BDMG-Cultural, é uma demonstração de que no BDMG, hoje, a expressão “Cultura é Desenvolvimento” constitui premissa e síntese de toda uma filosofia de trabalho.

Localizado entre Catas Altas e Santa Bárbara, na Região Central de Minas Gerais, e a 120 quilômetros de Belo Horizonte, o Colégio do Caraça foi um marco educacional no Brasil. Quase 11 mil alunos passaram pela escola, que iniciou seus trabalhos em 1820. Entre esses estudantes, muitos tiveram seus nomes reconhecidos no cenário nacional, político, civil e religioso de Minas e do Brasil, como dois ex-presidentes da República, Afonso Pena e Arthur Bernardes.

Mas, de forma trágica, o trabalho de ensino da instituição chegou ao fim 148 anos depois, na madrugada de 28 de maio de 1968, quando um fogareiro foi esquecido ligado na sala de encadernação. As chamas se alastraram e queimaram e queimaram 15 mil livros, diversos deles raros e de valor histórico inestimável. O fogo também atingiu boa parte do prédio de três andares construído nos séculos XVIII e XIX e feito majoritariamente de madeira. Ao final, o colégio se transformou numa espécie de ruína, com seu meio oco e sem telhado. Apenas as três paredes externas ficaram de pé.

Após o incêndio, o colégio nunca mais voltou a funcionar. Mas, 22 anos depois. O local começou a escrever um novo capítulo em sua história. No dia 18 de abril de 1990, o BDMG Cultural apresentou ao público o Colégio do Caraça restaurado, obra que foi um dos pontos altos da atuação do instituto, não só em relação ao investimento, mas também pela ação relevante na preservação do patrimônio histórico e cultural de Minas Gerais. O espaço se transformou em museu, com antigos pertences e documentos do santuário.

Criado pelo Irmão Lourenço de Nossa Senhora por volta de 1770, o atual Colégio conhecido hoje como Santuário do Caraça, é um dos maiores centros turísticos de Minas Gerais, fazendo parte das sete maravilhas da Estrada Real.

Localizada nos municípios de Catas Altas e Santa Barbara, a Serra do Caraça surgiu por volta do ano de 1708, inicialmente sendo considerado lugar de garimpo. Não se sabe ao certo o porquê de Caraça, mas por definição daria-se ao fato da Serra possuir formato de um rosto, algo que é comentado por D. Pedro II em seu diário, além da definição em tupi-guarani em que caraça seria um grande desfiladeiro.

Tudo praticamente começou quando o irmão Lourenço comprou a sesmaria do Caraça, no intuito de construir um hospício, mais precisamente uma casa de hospedagem para romeiras e uma capela em estilo barroco.

Em si, tratando do colégio, ele foi um exemplo de educação e disciplina, os professores eram os próprios padres que foram pra lá em prol das missões, contudo era um colégio voltado somente para homens, e que inclusive já foram alunos de lá diversas pessoas importantes da época.

Atualmente, o Santuário do Caraça como é conhecido faz parte do Patrimônio de Minas, sendo lugar de reserva natural e bem estar animal, afinal, uma das maiores atrações do lugar são as visitas dos lobo-guarás à igreja. Há muito esses lobos frequentam o local à procura de comida e, apesar de muito arredios, já estão acostumados com os turistas e também por isso foi criada a “hora do lobo” onde os vistantes aguardam a visita do animal em busca de alimento.

Além do museu, o complexo do Caraça conta hoje com hotel, biblioteca, RPPN, fazenda com produção de frutas, hortaliças, leite, queijos, gado leiteiro, restaurante, lanchonete, loja de conveniência e produtos artesanais da região, vinícola, doceria, igreja, auditório para eventos, pinacoteca, além de toda a área verde com trilhas e cachoeiras. A área total do Parque do Caraça é 119.211.384 m2 (cento e dezenove milhões, duzentos e onze mil e trezentos e oitenta e quatro metros quadrados) ou 11.921,14 hectares.

HISTÓRICO DO CARAÇA

 

  1. João VIentrega as terras e o eremitério à Congregação da Missão(Padres Lazaristas), cujos primeiros membros – Padres Leandro Rebelo Peixoto e Castro e Antônio Ferreira Viçoso – chegaram ao Brasil em 1820. De imediato, os padres transformam o eremitério em Colégio.

Aqui começa a época de glória da Serra do Caraça. O Colégio se caracterizou por sua seriedade e disciplina. Com períodos de pleno desenvolvimento, mas igualmente com fases de decadência, tornou-se referência do ensino para a elite de todo o Brasil. Dois futuros presidentes da República aí fizeram seus estudos – Afonso Pena e Artur Bernardes – e outros tantos ex-alunos se tornaram governadores de estado, senadores e deputados, além de altas autoridades eclesiásticas. 

No século XIX, o colégio foi visitado pelos Imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II, cujas impressões ainda podem ser vistas no Museu do Colégio ou ainda na Biblioteca.

Na segunda metade do século XIX, a velha Igreja do Irmão Lourenço, que se tornara demasiado pequena para o número de alunos do Colégio foi substituída por outra, mais ampla, em estilo neogótico. Nela se pode contemplar a gigantesca e magnífica tela com o tema da “Última Ceia” do consagrado pintor mineiro Mestre Manuel da Costa Ataíde. Aí se encontram igualmente o corpo embalsamado de São Pio Mártir, um soldado romano martirizado, belos vitrais de procedência francesa e o órgão de tubos instalado pelo padre Luís Boavida, marceneiro e músico.

No início de século XX, o Colégio foi transformado em “Escola Apostólica” (seminário) da Congregação da Missão. O Santuário foi tombado pelo IPHAN em 1955, conforme o Livro Histórico – Inscrição: 309, 27.01.1955 e Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico – Inscrição 015-A , 27.01.1955.

O Colégio funcionou até 1968, quando um incêndio destruiu parte das instalações destinadas aos alunos. Tal sinistro destruiu igualmente parte do precioso acervo da Biblioteca.

No lugar do prédio queimado foi, permanecendo a estrutura danificada ,construído em 2002, alojado um curioso museu da vida colegial e a preciosa biblioteca, que conta no seu acervo com obras únicas dos séculos XVIXVIIXVIII e XIX.

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