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title: &quot;Banco Central promove maior choque de juros em quase 20 anos para conter a inflação&quot;
url: https://mercadocomum.com/banco-central-promove-maior-choque-de-juros-em-quase-20-anos-para-conter-a-inflacao/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2021-12-12T13:13:10-03:00
categories: [A Economia com Todas as Letras e Números, Destaques da Edição]
tags: [Banco Central promove maior choque de juros em quase 20 anos para conter a inflação]
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# Banco Central promove maior choque de juros em quase 20 anos para conter a inflação

[![Banco Central promove maior choque de juros em quase 20 anos para conter a inflação](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2021/12/Banco-Central-promove-maior-choque-de-juros-em-quase-20-anos-para-conter-a-inflac?ao-300x139.png)](https://www.mercadocomum.com/)Banco Central promove maior choque de juros em quase 20 anos para conter a inflação Com o novo aumento previsto para a Selic, que deve ir a 9,25%, taxa vai acumular alta de 7,25 pontos em nove meses; mesmo assim, BC não deve cumprir metas de inflação estipuladas para 2021 e 2022

 Para combater uma inflação alta, persistente e disseminada, o Banco Central está promovendo o mais forte choque de juros em quase 20 anos, com a taxa Selic [subindo ao patamar de 9,25%](https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,banco-central-eleva-selic-a-9-25-e-taxa-basica-de-juros-atinge-o-maior-patamar-em-quatro-anos,70003920741) nesta quarta-feira, 8, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano. Em nove meses, o aumento acumulado soma 7,25 pontos porcentuais, do nível inicial de 2% – o mínimo histórico.

 A dose cavalar de juros em curto espaço de tempo só fica atrás nos últimos 20 anos do ciclo iniciado no fim de 2002, em meio à eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Naquela oportunidade, a taxa Selic subiu 7,5 pontos em apenas três meses – de outubro a janeiro, com uma alta final de 1 ponto em fevereiro, para 26,50%.

 Mesmo com os juros subindo “de elevador”, é provável que o Banco Central descumpra seu objetivo por dois anos seguidos, em 2021 e 2022, **considerando a maioria das projeções de economistas ouvidos pela própria instituição para o boletim Focus**. Inflação na casa dos dois dígitos promove uma bagunça na economia, prejudica a atividade e empobrece a população.

 O “remédio amargo” com a alta de 1,5 ponto porcentual é a sétima elevação da taxa Selic neste ciclo de aperto monetário, que foi iniciado em março, e o nível mais alto desde setembro de 2017. O aumento do juro básico da economia se reflete em taxas bancárias mais elevadas, embora haja uma defasagem entre a decisão do BC e o encarecimento do crédito (entre seis meses e nove meses). A elevação da taxa de juros também influencia negativamente o consumo da população e os investimentos produtivos.

 Uma combinação de ponto de partida muito baixo, certa demora do Banco Central para agir e surpresas inflacionárias e fiscais explicam o processo acelerado de alta de juros, na opinião de especialistas. “O primeiro ponto para explicar a rapidez (*do aumento*) é o ponto de partida, o fato que começamos com o juro, em retrospecto, baixo demais. Essa não era minha visão no início do ano. Mas o juro a 2% estava muito baixo, a inflação descolou e o BC teve que correr atrás do prejuízo”, avalia o economista **Alexandre Schwartsman**, ex-diretor do BC.

 Segundo Schwartsman, olhando de hoje, o BC esteve “atrás da curva” desde o início do processo de alta de juros, com a necessidade de ajustar a estratégia e a comunicação a cada novo Copom. Ele também argumenta que a piora fiscal provocou desancoragem de expectativas, dificultando o trabalho do BC. “Boa parte da desancoragem das expectativas de inflação deve ser explicada pelo fato de o fiscal estar indo para o ralo.”

 Surpresa

 Para a economista e sócia da** ****Tendências Consultoria Integrada, Alessandra Ribeiro**, a inflação surpreendeu a todos, aos BCs daqui e de lá de fora, além do mercado. Mas o caso brasileiro é mais grave, porque foi potencializado pelo drible nas regras fiscais, como o teto de gastos e a **[**Lei de Responsabilidade Fiscal**](https://mercadocomum.com/lei_de_responsabilidade_fiscal/) (LRF)**, que aumenta o risco país e gera maior desvalorização do real.“O risco de insustentabilidade fiscal exige uma atitude mais dura do BC, porque ele está sozinho. **O ****BC americano também tem mudado o discurso**. Mas nosso juro está subindo de elevador pelos problemas domésticos”, diz.

 Na última reunião do Copom, em outubro, o **BC mudou o “plano de voo”, de alta da Selic de 1,0 para de 1,50 ponto porcentual****, **diante de novas surpresas inflacionárias e das manobras patrocinadas pelo governo na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, para abrir espaço para mais gastos em 2022, ano eleitoral.

 “O BC ficou inicialmente atrás da curva com as sinalizações tímidas, como a de normalização parcial. Mas, mais recentemente, foi a mudança abrupta do cenário fiscal que alterou totalmente o cenário para o BC”, concorda o economista-chefe da **ASA Investments, Gustavo Ribeiro**. –(Fonte: Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo – 08 de dezembro de 2021).