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title: &quot;As reformas tributárias que não passarão&quot;
url: https://mercadocomum.com/as-reformas-tributarias-que-nao-passarao/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2023-06-28T20:08:08-03:00
categories: [Destaques da Edição]
tags: [As reformas tributárias que não passarão, José Anchieta da Silva, José Anchieta da Silva Advogado e presidente da ACMinas]
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# As reformas tributárias que não passarão

![As reformas tributárias que não passarão](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2023/06/As-reformas-tributarias-que-nao-passarao-285x300.png)As reformas tributárias que não passarão **José Anchieta da Silva***

 Em fecunda tarde de trabalho na Confederação das Associações Comerciais do Brasil – CACB (20.06.2023), congressistas, estudiosos e lideranças empresariais discutiram a reforma tributária que em Brasília se embrulha para os brasileiros. Não há projeto. Dizem que o rebento, obra e arte de combinação prévia entre executivo e legislativo sairá nos próximos dias.

 Do que se ouviu virá algo do tipo combinação dos textos de duas PECs: 45 e 110. Péssima notícia.

 São textos velhos (de 2019) e até 31 de dezembro não serviam, mas, bastou virar o primeiro de janeiro, numa inexplicável alquimia, os textos ficaram bons. A justificativa salta aos olhos: o Estado, obeso, endividado, sem coragem para empreender reforma administrativa descente embarcou no primeiro trem que viu. As duas PECs são a certeza do desastre. Mas, registre-se, há acreditadas instituições que nutrem simpatia pública por tal reforma. São alegres tripulantes de um Titanic.

 Abertos os debates, a ACMinas foi direto ao ponto propondo o MOVIMENTO QUEREMISTA NACIONAL: – o setor produtivo nacional pede vista (queremos conhecer o projeto). Conhecendo o texto a gente saberá o que fazer com ele.

 A PEC 45 cria o chamado IVA/IBS único, que único não é, concentrando a arrecadação no poder central: Brasília. Cria-se um federalismo fiscal de estampada inconstitucionalidade. Há visível aumento de alíquotas principalmente para o comércio, os serviços e o Agronegócio. Sugere um sistema de devolução de perdas incoerente. Se se retirou o máximo dos contribuintes e se se reconhece necessidade de reposição de perdas aos Estados, óbvio que não haverá fonte. Não se pode pretender que o atropelado seja o doador de sangue.

 Horizontalizando a tributação, aos pobres se devolveria impostos pagos através de um modelo cash back. Incongruência pura, onde não se sabe quem é o pobre nem o quê e nem como devolver. O país do bolsa família passaria a conviver com mais essa, a bolsa da bolsa. Considerando-se que mais da metade do povo brasileiro é pobre, fica pouca gente para carregar tanta pedra. Produzir viraria uma não-prenda porque a prenda é o não trabalhar.

 A PEC 110 não é melhor. Circunvindo a inconstitucionalidade da primeira, o que era IVA/IBS federal passaria a ser dual posto que haveria um simile estadual. A implantação desse modelo maluco se daria por etapas, obrigando os brasileiros a conviver com 2 modelos antagônicos por longos anos. Se aprovado algo do tipo – *vade retro Satanás* – o resultado será a anarquia fiscal. A sonegação generalizada. A informalidade. O desemprego. A desilusão.

 Dando corpo ao MOVIMENTO QUEREMISTA (: queremos vista!) Recordemo-nos do brado do general francês Robert Nivelle durante a batalha de Verdun na primeira guerra mundial (1914) *‘il ne passeront pas ‘* (alguns atribuem a frase a outro general francês, Petain) e que seria repetida por Dolores Ibarruri, La Passionaria (1936), em Madrid, contra o avanço das tropas fascistas do generalissimo Franco: *non passaron!*

 Agora, em repugnância às PECs 45 e 110 é a comunidade empresarial brasileira que, cobrando das autoridades federais, adota o repto: não passarão!

 *Presidente da ACMinas – Associação Comercial e Empresarial de Minas

 

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