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title: &quot;Análise: cenário internacional e a estratégia das empresas estrangeiras&quot;
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author: MercadoComum
date: 2019-09-13T17:30:08-03:00
categories: [Destaques da Edição]
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# Análise: cenário internacional e a estratégia das empresas estrangeiras

*Fluxo de investimentos genuínos de empresas internacionais para a economia local segue em retração*

 Os fluxos globais de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) estão em declínio nos últimos anos. Estes recuaram para US$ 1,2 tri até o último dado disponível. Trata-se de queda de 36% ante os fluxos de IDE realizados no ano de 2015. Com isso, os fluxos de IDE praticamente retornaram ao nível observado no ano de 2009, logo após a crise financeira global. Entre outros fatores, esse declínio decorreu da reforma do imposto de renda corporativo nos Estados Unidos. Empresas multinacionais norte-americanas embarcaram em um movimento de repatriação de lucros acumulados por suas filiais no exterior. Isso explica porque os investimentos diretos globais encontram-se próximos aos observados há uma década.

 Além do condicionante tributário, outros fatores contribuíram para a redução dos fluxos globais de IDE. Aumentaram as incertezas acerca da economia mundial. As perspectivas para a economia global se deterioram por conta de fatores estruturais. Isso inclui fatores políticos, tensões comerciais, o retorno de tendências protecionistas, além de quedas nos retornos do IDE, já evidentes nos últimos cinco anos. Diga-se de passagem, os fatores por trás dessa tendência negativa não estão mudando. Pelo contrário, o cenário persiste negativo para os fluxos de IDE, com reflexos negativos para os ingressos de IDE em economias desenvolvidas e emergentes.

 Os ingressos de investimentos diretos no Brasil não constituem exceção. Estes, depois de superarem US$ 100 bi em 2011, somam US$ 60,4 bi nos últimos 12 meses. É verdade que os ingressos de Investimentos Diretos no País (IDP) acumulam US$ 94,9 bi no mesmo período. Mas a diferença entre IDP e IDE, de US$ 34,5 bi, resulta em grande parte ao ingresso de recursos de filiais de empresas brasileiras no exterior para as suas matrizes no Brasil. Ou seja, o fluxo de investimentos genuínos de empresas estrangeiras para a economia brasileira, em retração, acompanha o movimento dos fluxos globais de IDE.

 Qual a reação de filiais de empresas estrangeiras no Brasil diante desse contexto? O gráfico abaixo evidencia a estratégia adotada. A renda do investimento direto, em alta, acumula US$ 22,8 bi nos últimos 12 meses. Mesmo com esse crescimento, as remessas de lucros e dividendos e pagamentos de juros de empréstimos intercompanhia para as matrizes decaiu. Por outro lado, aumenta o reinvestimento de lucros. Em resumo, frente à diminuição de novos investimentos de suas matrizes, filiais de empresas estrangeiras no Brasil cada vez mais reinvestem lucros acumulados no país em detrimento de remessas para suas matrizes.

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 **Carta do gestor: Guerra comercial escala e economia mundial já contabiliza prejuízos **

 Agosto foi um mês de sensível ampliação de hiato entre os cenários econômicos doméstico e externo. No cenário doméstico, o avanço das reformas e a confirmação da retomada da economia, ainda que lenta, contribuíram para amortecer os impactos negativos vindos do cenário externo. Neste, a tônica foi a escalada da guerra comercial entre os EUA e a China, acompanhada pela continuidade da desaceleração das economias centrais e significativo aumento da aversão ao risco.

 No Brasil, em que pese a deterioração nos índices de aprovação ao governo, este vem cumprindo os marcos miliários estabelecidos em seu programa econômico. Na frente das reformas, a da previdência encontra-se no Senado e já aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça, com expectativa de aprovação em plenário no segundo turno até a primeira quinzena de outubro.

 De acordo com relatório do relator da PEC no Senado, a economia prevista em dez anos será de R$ 870 bilhões, inferior, portanto, à do texto aprovado na Câmara. Entretanto, acordo costurado entre o governo, colégio de líderes e governadores viabilizou a tramitação da chamada PEC paralela, que permitirá a adesão, em tempo hábil, de Estados e Municípios à reforma da previdência, com economias adicionais previstas em, pelo menos, R$ 400 bilhões.

 Já se encontram em curso discussões avançadas sobre a reforma tributária. Na economia, destaque para o corte de 0,5% na taxa Selic pelo Banco Central, a retomada da agenda de privatizações, anúncio de novas linhas para o financiamento imobiliário, para a criação de 43.820 postos de trabalho em julho – melhor resultado para o mês desde 2013 – e para o resultado do PIB do segundo trimestre, que cresceu 0,4% sobre o trimestre anterior, superando as projeções. Em linhas gerais, confirmou-se ligeira aceleração e melhora na atividade econômica.

 O ambiente no cenário externo, por outro lado, deteriorou-se sensivelmente. São contabilizados os prejuízos ao comércio e ao PIB mundial, decorrentes da escalada da guerra comercial entre EUA e China, após o anúncio de nova rodada de sobretaxas de ambos os lados. A Alemanha, cuja economia é fortemente orientada para exportações e, antes, considerada motor da Zona do Euro, encontra-se em recessão técnica, enquanto todas as demais economias centrais, a exemplo de Estados Unidos, China e Japão vêm confirmando tendência de redução da atividade, embora ainda de forma tímida.

 Não obstante, já se atribuem probabilidades de até 40% de uma recessão nos EUA em 2020. A inversão da curva de juros nos EUA – quando as taxas de rendimento dos títulos mais longos negociam abaixo daquelas dos títulos mais curtos – sinaliza nesta direção. Vale dizer, parte dos Treasuries já negociam com taxas reais (descontadas da inflação) de juros negativas, o que leva o estoque de títulos soberanos nesta condição para valores superiores a US$ 20 trilhões.

 Esta condição, inédita na história do capitalismo, surgiu primeiramente no Japão, mas após a crise de 2008 e o experimento do Quantitative Easing, generalizou-se nas economias centrais. Considera-se preocupante a persistência desta distorção para o bom funcionamento dos mercados financeiros, uma vez que dificulta – se não inviabiliza – o atingimento de metas atuariais por parte de fundos de pensão e seguradoras, os quais podem agravar eventuais déficits atuariais. Porém, na medida em que os bancos centrais ao redor do mundo sinalizam praticamente de forma coordenada novos ciclos de relaxamento monetário, corremos o risco de aprofundamento deste problema. Como ele será resolvido, apenas o tempo dirá.

 **Sobre a MAPFRE **  
 No país desde 1992, a MAPFRE é um grupo multinacional que forma uma das maiores companhias de prestação de serviços nos mercados segurador, financeiro e saúde. Sólida e inovadora, está presente nos cinco continentes e conta com mais de 35 mil colaboradores. Em 2018, suas receitas atingiram cerca de 27 bilhões de euros. Especialista em suas áreas de negócio, a MAPFRE opera com bases de atividades sustentáveis e, no Brasil, atua em seguros, investimentos, consórcios, capitalização, previdência, saúde e assistência. A companhia adota compromissos internacionais como os Princípios para a Sustentabilidade em Seguros (PSI) e integra o Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas). Também mantém a Fundación MAPFRE, instituição sem fins lucrativos, que promove e investe em pesquisas, estudos e atividades de interesse geral da população.